{"id":32728,"date":"2016-08-22T07:37:14","date_gmt":"2016-08-22T10:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=32728"},"modified":"2016-08-22T07:37:14","modified_gmt":"2016-08-22T10:37:14","slug":"seis-meses-de-dores-e-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/seis-meses-de-dores-e-incertezas\/","title":{"rendered":"Seis meses de dores e incertezas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, o grande temor era a dengue. A banaliza\u00e7\u00e3o da epidemia causada pelo mosquito Aedes aegypti e as interrup\u00e7\u00f5es nas campanhas de controle do vetor deixaram a popula\u00e7\u00e3o em uma esp\u00e9cie de anestesia com rela\u00e7\u00e3o aos perigos da doen\u00e7a. Passaram-se os anos e o surgimento da microcefalia relacionada ao zika levou o v\u00edrus a despontar, no ano passado, como a mais temida das arboviroses. Identificada no Brasil ainda em 2014, a febre chikungunya, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o gerava tanta preocupa\u00e7\u00e3o, assumiu neste ano uma posi\u00e7\u00e3o de protagonismo nas estat\u00edsticas de infec\u00e7\u00f5es graves por arboviroses.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, \u00e9 a l\u00edder no ranking de mortes. S\u00e3o 46 contra 26 por dengue. A primeira foi confirmada em fevereiro, seis meses atr\u00e1s. A aten\u00e7\u00e3o, alertam os especialistas, precisa ser mantida. At\u00e9 a semana passada, haviam sido notificados 26,7 mil casos de arboviroses na capital, das quais 8,4 mil por chikungunya. Apesar de a maioria das notifica\u00e7\u00f5es ser de dengue, a chikungunya se destaca n\u00e3o s\u00f3 pela quantidade de mortes que provocou, mas tamb\u00e9m por apresentar quadros de dores que se arrastam por meses.<\/p>\n<p>O primeiro \u00f3bito confirmado foi o de uma mulher de 88 anos. S\u00f3 depois, os exames laboratoriais mostraram que as mortes por chikungunya come\u00e7aram bem antes. Ainda em janeiro, o Recife registrou tr\u00eas \u00f3bitos pela doen\u00e7a. At\u00e9 agora, as circunst\u00e2ncias dessas fatalidades n\u00e3o foram esclarecidas. Especialistas tentam desvendar se houve mudan\u00e7a no padr\u00e3o do v\u00edrus circulante no estado. T\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade chegaram a vir a Pernambuco ajudar nas investiga\u00e7\u00f5es. O que se sabe at\u00e9 agora \u00e9 que, em geral, os \u00f3bitos vitimaram pessoas que j\u00e1 tinham doen\u00e7as pr\u00e9vias, como hipertens\u00e3o arterial e diabetes. Em mar\u00e7o deste ano, foi lan\u00e7ado um protocolo para manejo cl\u00ednico dos pacientes.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os esfor\u00e7os para controle do Aedes permanecem. Tr\u00eas locais &#8211; Nova Descoberta, Alto Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e Morro da Concei\u00e7\u00e3o &#8211; ainda apresentam \u00edndice de infesta\u00e7\u00e3o alto. \u201cS\u00e3o bairros com intermit\u00eancia de fornecimento d\u2019\u00e1gua e coleta de res\u00edduos s\u00f3lidos, o que acaba sendo fator para focos do mosquito\u201d, esclarece a secret\u00e1ria executiva de Vigil\u00e2ncia \u00e0 Sa\u00fade do Recife, Cristiane Penaforte.<\/p>\n<p>Pior para os idosos<\/p>\n<p>Seis dos 14 \u00f3bitos por chikungunya neste ano no Recife vitimaram idosos. Aos 82 anos, Sebasti\u00e3o Silva, morador do bairro dos Torr\u00f5es, foi diagnosticado h\u00e1 cerca de seis meses. Passou oito dias sem conseguir se locomover. O tempo pode parecer longo desde o diagn\u00f3stico, mas se ele andar da casa at\u00e9 a esquina da rua, ainda hoje, o joelho come\u00e7a a incomodar. As dores s\u00e3o fortes. \u201cForam mais de R$ 200 em rem\u00e9dios. J\u00e1 tomei de todo tipo, mas nem sempre passa\u201d, conta. Mas o pior, diz Sebasti\u00e3o, aconteceu com a esposa dele. A infec\u00e7\u00e3o ocorreu h\u00e1 sete meses, mas a locomo\u00e7\u00e3o est\u00e1 prejudicada at\u00e9 hoje. Na \u00e9poca cr\u00edtica, foi de Sebasti\u00e3o a tarefa de levar a outra idosa, de 82 anos, da cama para o banheiro e vice-versa.<\/p>\n<p>Sintomas que n\u00e3o passam<\/p>\n<p>\u00c9 um verdadeiro caso de amor, que chega junto e n\u00e3o separa mais. A qualquer pessoa que pergunta, \u00e9 assim que a dona de casa Maria de F\u00e1tima Barreto, 45 anos, explica a chikungunya. Ela conheceu a doen\u00e7a em fevereiro deste ano, no primeiro dia de uma das festas que mais gosta, o carnaval. Chegou a ir ao desfile do Galo da Madrugada e voltou \u201cse arrastando\u201d.<\/p>\n<p>No domingo daquele de folia, iniciou um per\u00edodo de tr\u00eas dias na cama. N\u00e3o conseguia ficar em p\u00e9 em fun\u00e7\u00e3o das dores intensas, principalmente nos bra\u00e7os e pernas. O tempo passou, mas os sintomas permanecem. \u201cMeus dedos continuam inchados. Quando acordo de madrugada n\u00e3o consigo fechar as m\u00e3os\u201d, lamenta ela, ao lado da m\u00e3e, Josefa Barreto. Aos 85 anos, a idosa integra o grupo de risco para a doen\u00e7a e reclama at\u00e9 hoje. Ela chegou a passar uma semana em uma cama. \u201cCuido dela e do meu pai, dois idosos, ent\u00e3o se tornou muito mais dif\u00edcil\u201d, conclui Maria de F\u00e1tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro, o grande temor era a dengue. A banaliza\u00e7\u00e3o da epidemia causada pelo mosquito Aedes aegypti e as interrup\u00e7\u00f5es nas campanhas de controle do vetor deixaram a popula\u00e7\u00e3o em uma esp\u00e9cie de anestesia com rela\u00e7\u00e3o aos perigos da doen\u00e7a. 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