{"id":33326,"date":"2016-09-14T08:03:33","date_gmt":"2016-09-14T11:03:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=33326"},"modified":"2016-09-14T08:03:33","modified_gmt":"2016-09-14T11:03:33","slug":"governo-estuda-mudar-pagamento-dos-planos-pelo-uso-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/governo-estuda-mudar-pagamento-dos-planos-pelo-uso-do-sus\/","title":{"rendered":"Governo estuda mudar pagamento dos planos pelo uso do SUS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Bras\u00edlia &#8211; Avan\u00e7a no governo proposta que torna mais f\u00e1cil que planos de sa\u00fade&#8221;empurrem&#8221; para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) o atendimento de procedimentos caros e de alta complexidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto de um projeto de lei que muda o ressarcimento &#8211; esp\u00e9cie de reembolso quando um cliente de plano \u00e9 atendido pela rede p\u00fablica &#8211; j\u00e1 foi preparado pela Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) e est\u00e1 em an\u00e1lise pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, prop\u00f5e que operadoras fa\u00e7am o pagamento diretamente para institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que executarem o atendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o dinheiro vai para o caixa do Fundo Nacional de Sa\u00fade. Pela proposta, para a transa\u00e7\u00e3o ser feita as operadoras teriam de fazer um contrato diretamente com prestadores de servi\u00e7os, como hospitais e cl\u00ednicas p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de sugest\u00f5es sobre o ressarcimento, o documento levanta a discuss\u00e3o sobre d\u00edvidas antigas de operadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise, preparada pela consultoria jur\u00eddica, cita a possibilidade de que sejam cobradas d\u00edvidas referentes a um prazo m\u00e1ximo de cinco anos. As demais seriam consideradas prescritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta da reformula\u00e7\u00e3o do ressarcimento, defendida pelo ministro da Sa\u00fade, Ricardo Barros, atende ao pedido de secret\u00e1rios estaduais e municipais, sobretudo de locais mais populosos, como S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O argumento \u00e9 que o dinheiro deve ser entregue para a institui\u00e7\u00e3o que gastou com o paciente. Do jeito como est\u00e1 atualmente, dizem, n\u00e3o h\u00e1 controle sobre como o reembolso \u00e9 usado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro tem dito que considera a mudan\u00e7a justa. Mais do que isso, avalia que a reforma pode ajudar a trazer mais recursos para o SUS e reduzir a briga judicial para ressarcimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2000, a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) enviou para a inscri\u00e7\u00e3o da d\u00edvida ativa R$ 623 milh\u00f5es relativos a cobran\u00e7as de ressarcimentos n\u00e3o quitados de planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As empresas n\u00e3o reconhecem boa parte dessa d\u00edvida. A estimativa \u00e9 de que, desse total, R$ 500 milh\u00f5es estejam sendo discutidos na Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ANS afirmou n\u00e3o ter sido consultada. Pela proposta, prestadoras de sa\u00fade receberiam n\u00e3o apenas o valor do procedimento, mas tamb\u00e9m os valores de juros e multas, no caso de atraso de pagamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas do setor consideram a proposta uma amea\u00e7a \u00e0 qualidade de atendimento tanto de usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade quanto da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A mudan\u00e7a vai aumentar o risco de atendimento de dupla porta. Teriam prefer\u00eancia nos servi\u00e7os p\u00fablicos usu\u00e1rios de planos. Eles esperariam menos para serem atendidos do que a popula\u00e7\u00e3o em geral&#8221;, avalia o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo M\u00e1rio Scheffer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso porque, para o mesmo atendimento, institui\u00e7\u00f5es receberiam de planos um pouco mais do que \u00e9 repassado pelos cofres p\u00fablicos. Como os valores seriam mais atrativos, completa Scheffer, haveria maior risco de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas reservarem parte dos leitos apenas para atendimento de planos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O acesso ao atendimento no SUS, que j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil, vai piorar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) L\u00edgia Bahia tem avalia\u00e7\u00e3o semelhante. &#8220;O que deveria ser uma exce\u00e7\u00e3o ou op\u00e7\u00e3o do paciente, acabaria se tornando regra: o uso da rede p\u00fablica para usu\u00e1rios de planos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edgia considera tamb\u00e9m um risco a realiza\u00e7\u00e3o de contratos espec\u00edficos. &#8220;Quem vai controlar isso?&#8221; Atualmente, cabe \u00e0 ANS monitorar se um paciente de plano \u00e9 atendido no SUS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Grupo, Antonio Carlos Abbatepaolo, afirma que a mudan\u00e7a \u00e9 uma boa oportunidade para se discutir o valor do ressarcimento, considerado alto pelo setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Atualmente, pagamos pelo uso da rede p\u00fablica 50% a mais do que o valor da tabela SUS.&#8221; Para ele, o ideal seria que as operadoras fossem avisadas de pacientes internados no SUS. &#8220;Ter\u00edamos a\u00ed a oportunidade de fazer a transfer\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abbatepaolo descarta o risco de que empresas se acomodem e passem a contar de forma excessiva com a estrutura do sistema p\u00fablico. &#8220;Estar\u00edamos acabando com nosso diferencial.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Planos acess\u00edveis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da mudan\u00e7a nas regras de ressarcimento, o governo estuda outra altera\u00e7\u00e3o na sa\u00fade suplementar, a cria\u00e7\u00e3o de planos acess\u00edveis: contratos que ofereceriam uma cobertura menor a pre\u00e7os reduzidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As duas mudan\u00e7as, associadas, representariam um presente para empresas de planos. Elas ficariam encarregadas de fazer apenas procedimentos considerados vantajosos, como consultas e exames baratos, e o restante mandariam para o SUS&#8221;, afirma Scheffer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia &#8211; Avan\u00e7a no governo proposta que torna mais f\u00e1cil que planos de sa\u00fade&#8221;empurrem&#8221; para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) o atendimento de procedimentos caros e de alta complexidade. 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