{"id":34339,"date":"2016-10-26T07:50:34","date_gmt":"2016-10-26T10:50:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=34339"},"modified":"2016-10-26T07:50:34","modified_gmt":"2016-10-26T10:50:34","slug":"comida-para-quem-tem-fome-e-o-virus-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/comida-para-quem-tem-fome-e-o-virus-hiv\/","title":{"rendered":"Comida para quem tem fome &#8230; e o v\u00edrus HIV"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 a pornografia que \u00e9 obscena. \u00c9 a fome que \u00e9 obscena\u201d. O autor da frase, o portugu\u00eas Jos\u00e9 Saramago, teria, nestes dias de extrema necessidade por que passa o Haiti, raz\u00f5es de sobra para repeti-la. Na verdade, por v\u00e1rios motivos ela poderia sugerir uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es, mas, de t\u00e3o condicionados a conviver com faltas, nos acostumamos e perdemos a capacidade de questionar os estragos produzidos enquanto duram. Aqui mesmo, t\u00e3o perto, o fantasma da fome se encarrega de tornar insuport\u00e1vel uma rotina que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 das mais sofridas \u2013 a de pessoas\u00a0 portadoras do v\u00edrus HIV, em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, que n\u00e3o podem prescindir do tratamento garantido pela ONG Gestos. O que acontece \u00e9 que, sem comida em casa, abandonam\u00a0 os medicamentos \u2013 tomados juntos com as refei\u00e7\u00f5es, para minimizar os efeitos colaterais \u2013 e ficam completamente expostos aos perigos da doen\u00e7a. A ONG, que por sua vez sobrevive a partir de financiamentos internacionais, e licita\u00e7\u00f5es, n\u00e3o disp\u00f5e de recursos para prover a alimenta\u00e7\u00e3o na quantidade adequada e apela \u00e0 velha e conhecida solidariedade do povo,, afinal, quando o poder p\u00fablico n\u00e3o reage, \u00e9 sempre ele a tentar reduzir as consequ\u00eancias de realidades dram\u00e1ticas. N\u00e3o fosse essa empatia, que nasce da consci\u00eancia de se colocar no lugar do outro, a fome j\u00e1 teria assumido propor\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de fazer corar qualquer sociedade, ainda mais esta, orgulhosa de produzir os maiores milagres tecnol\u00f3gicos.<br \/>\nPoucas coisas e situa\u00e7\u00f5es humilham mais do que a fome, porque, em qualquer propor\u00e7\u00e3o, reduz a dignidade ao tamanho da saciedade. No caso da clientela da Gestos \u2013 que faz, em m\u00e9dia, cem atendimentos por semana \u2013 n\u00e3o dispor de seguran\u00e7a alimentar significa ver reduzidas ao extremo as chances de sobreviv\u00eancia: n\u00e3o comendo adequadamente, n\u00e3o podem chegar a resultados terap\u00eauticos satisfat\u00f3rios. Para eles, portanto, comida n\u00e3o \u00e9 apenas b\u00e1sico \u2013 \u00e9 vital. No entanto, as circunst\u00e2ncias de vida da maioria n\u00e3o levam a outro caminho sen\u00e3o o da busca por solidariedade, pois, estatisticamente, j\u00e1 se sabe que o n\u00famero mais expressivo deles est\u00e1 fora do mercado de trabalho, dependendo de m\u00e3os estendidas para sobreviver. Em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00edrculo de atendidos pelas a\u00e7\u00f5es da ONG, o cen\u00e1rio \u00e9 igualmente grave: apenas 33% t\u00eam o ensino m\u00e9dio completo e a maior parte n\u00e3o disp\u00f5e de outra renda a n\u00e3o ser o sal\u00e1rio m\u00ednimo.<br \/>\nNum mundo t\u00e3o desigual como o de hoje, justifica-se plenamente a tese de que \u201csetenta por cento da humanidade ainda passam fome enquanto trinta por cento fazem dieta\u201d. O problema estaria, portanto, no fato de os 30% n\u00e3o se mostrarem minimamente interessados em equilibrar a conta, transformando desperd\u00edcio em ajuda. Falta consci\u00eancia n\u00e3o somente dos governos, mas, tamb\u00e9m, da sociedade, que n\u00e3o se envolve como fizeram os dinamarqueses ao virar refer\u00eancia no combate \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se continuar jogando comida no lixo. Ela faz tanta falta aqui que pode funcionar como senten\u00e7a \u2013 de vida ou de morte \u2013, raz\u00e3o pela qual d\u00f3i tanto a conclus\u00e3o da ONU de que um ter\u00e7o dos alimentos produzidos n\u00e3o acabam no est\u00f4mago do mundo, mas em lugares onde nunca poder\u00e3o ser aproveitados.<br \/>\nDiscuss\u00f5es \u00e0 parte sobre o papel de cada um na tentativa de modificar este estado de coisas, a ONG Gestos precisa de ajuda para fazer com que cerca de 400 pessoas, a cada m\u00eas, possam continuar recebendo tratamento adequado na luta contra a Aids. H\u00e1 uma conta banc\u00e1ria dispon\u00edvel para doa\u00e7\u00f5es (ag\u00eancia 3108-9, conta 9071-9 \/ Banco do Brasil), mas a institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m considera bem-vindas ajudas em forma de cestas b\u00e1sicas e\/ou material de higiene, que podem ser entregues no seu endere\u00e7o: Rua dos M\u00e9dicis, 68, bairro da Boa Vista. E porque nunca \u00e9 demais lembrar a lucidez de dom Helder C\u00e2mara: \u201cA fome dos outros condena a civiliza\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o t\u00eam fome.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 a pornografia que \u00e9 obscena. \u00c9 a fome que \u00e9 obscena\u201d. O autor da frase, o portugu\u00eas Jos\u00e9 Saramago, teria, nestes dias de extrema necessidade por que passa o Haiti, raz\u00f5es de sobra para repeti-la. 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