{"id":34347,"date":"2016-10-26T08:18:36","date_gmt":"2016-10-26T11:18:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=34347"},"modified":"2016-10-26T08:18:36","modified_gmt":"2016-10-26T11:18:36","slug":"erros-em-hospitais-podem-matar-mais-gente-no-brasil-do-que-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/erros-em-hospitais-podem-matar-mais-gente-no-brasil-do-que-cancer\/","title":{"rendered":"Erros em hospitais podem matar mais gente no Brasil do que c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo \u2013 At\u00e9 434 mil pessoas podem ter morrido em 2015 por erros de atendimento enquanto estavam hospitalizadas nos sistemas p\u00fablico e privado de sa\u00fade no Brasil. \u00c9 o que estima um estudo in\u00e9dito da Universidade Federal de Minas Gerais \u00a0(UFMG) e do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS) que ser\u00e1 divulgado nesta quarta-feira durante evento em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para chegar a esses dados, a equipe de pesquisadores extrapolou resultados obtidos em uma pesquisa de grupo para o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es em todos o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constata\u00e7\u00e3o: se todos os hospitais do Brasil tivessem um elevado grau de qualidade e acredita\u00e7\u00e3o internacional, o n\u00famero de \u00f3bitos por problemas hospitalares seria de 104\u00a0mil em um ano. Em condi\u00e7\u00f5es mais realistas, o n\u00famero seria de 434 mil mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que a cada tr\u00eas minutos, dois brasileiros podem ter morrido em 2015\u00a0\u00a0por problemas\u00a0durante a interna\u00e7\u00e3o, como erros na aplica\u00e7\u00e3o de medicamentos ou infec\u00e7\u00e3o hospitalar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o estudo, no primeiro cen\u00e1rio, essas mortes seriam a quinta causa de \u00f3bitos no Brasil. Na perspectiva mais realista, a primeira ou segunda \u2013 \u00e0 frente das doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio (que mataram 339.672 pessoas em 2013) ou c\u00e2ncer (que respondeu por 196.954 \u00f3bitos\u00a0em 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Estados Unidos, falhas no atendimento a pacientes internados s\u00e3o a terceira causa de morte \u2013 atr\u00e1s das doen\u00e7as cardiovasculares e c\u00e2ncer. Das 421 milh\u00f5es de interna\u00e7\u00f5es que ocorrem no mundo, pelo menos, 42,7 milh\u00f5es apresentam um evento adverso (falhas de processo durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o que poderiam ser evitadas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA culpa por esses eventos adversos raramente \u00e9 de uma s\u00f3 pessoa. A origem, geralmente, est\u00e1 na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d, afirma Renato Couto, professor da Faculdade de Medicina da UFMG e um dos autores do estudo. Estima-se que 60% dessas falhas poderiam ser prevenidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transpar\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema por aqui \u00e9 a falta de transpar\u00eancia que pauta o processo. No Brasil, os hospitais n\u00e3o s\u00e3o obrigados a divulgar indicadores de qualidade, como tempo de interna\u00e7\u00e3o ou n\u00famero de mortes decorrentes de infec\u00e7\u00f5es hospitalares, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm qualquer sistema de sa\u00fade desenvolvido, essa divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 p\u00fablica. Assim como qualquer empresa de capital aberto tem que mostrar sua demonstra\u00e7\u00e3o financeira, \u00e9 preciso ter transpar\u00eancia sobre os indicadores de seguran\u00e7a e qualidade\u201d, afirma Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do IESS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Efic\u00e1cia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da falta de transpar\u00eancia, hospitais pouco eficientes \u2013 e com elevados \u00edndices de eventos adversos \u2013 podem ser\u00a0beneficiados pelo m\u00e9todo de pagamentos que vigora no Brasil. Hoje, segundo o estudo, o modelo de compra de servi\u00e7os hospitalares na sa\u00fade suplementar remunera o procedimento realizado e n\u00e3o o resultado gerado. Fato que pode favorecer estabelecimentos que mant\u00e9m pacientes por mais tempo internados, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suponha que uma pessoa \u00e9 internada para tratar uma pneumonia, mas acaba contraindo uma infec\u00e7\u00e3o hospitalar e, portanto, precisa mais passar mais tempo hospitalizado. Em vez de ser punido por n\u00e3o ter prevenido o quadro de infec\u00e7\u00e3o, o hospital ganha mais exatamente pelo tempo a mais que o paciente teve que ficar por l\u00e1.\u00a0\u201cA falta de o\u00a0e esse modelo de remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma qualidade explosiva que transforma a sa\u00fade em uma caixa preta\u201d, diz Carneiro, do IESS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um modelo de pagamento comum em outros sistemas \u00e9 o pagamento por diagn\u00f3stico e por performance. Por meio dessas modalidades, cada diagn\u00f3stico e risco t\u00eam um pre\u00e7o definido pelas operadoras e \u201cse o paciente tiver alguma piora at\u00e9 o desfecho, o prestador do servi\u00e7o recebe menos\u201d, diz o especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para evitar manobras para melhorar os indicadores, como dar alta para pacientes que deveriam continuar hospitalizados, esse sistema pode penalizar os hospitais em casos de novas interna\u00e7\u00f5es em at\u00e9 30 dias devido a complica\u00e7\u00f5es \u2013 j\u00e1 que isso pode denotar que o problema n\u00e3o teria sido resolvido em um primeiro momento.\u00a0Na rede p\u00fablica, segundo Carneiro, tal m\u00e9todo poderia ser utilizado para alocar mais recursos em hospitais com maior produtividade ou com especializa\u00e7\u00f5es mais complexas, como \u00e9 feito no sistema portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo estima que, por ano, o sistema de sa\u00fade complementar perca \u00a0entre 5,19 bilh\u00f5es e 15,57 bilh\u00f5es de reais com esses problemas decorrentes de erros de processo em hospitais. \u201cO caro em medicina \u00e9 o que a gente n\u00e3o consegue entregar\u201d, afirma Couto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo \u2013 At\u00e9 434 mil pessoas podem ter morrido em 2015 por erros de atendimento enquanto estavam hospitalizadas nos sistemas p\u00fablico e privado de sa\u00fade no Brasil. \u00c9 o que estima um estudo in\u00e9dito da Universidade Federal de Minas Gerais \u00a0(UFMG) e do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS) que ser\u00e1 divulgado nesta 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