{"id":34670,"date":"2016-11-09T08:33:39","date_gmt":"2016-11-09T11:33:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=34670"},"modified":"2016-11-09T08:33:39","modified_gmt":"2016-11-09T11:33:39","slug":"grupos-da-usp-descrevem-nova-estrategia-de-combate-a-sepse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/grupos-da-usp-descrevem-nova-estrategia-de-combate-a-sepse\/","title":{"rendered":"Grupos da USP descrevem nova estrat\u00e9gia de combate \u00e0 sepse"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em um artigo publicado na revista Scientific Reports, em outubro, pesquisadores brasileiros descreveram uma nova estrat\u00e9gia para combater a inflama\u00e7\u00e3o e reduzir a mortalidade de pacientes com sepse: a inibi\u00e7\u00e3o de uma enzima chamada tioredoxina redutase (TrxR-1, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois f\u00e1rmacos com essa atividade j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no mercado, mas com outras finalidades. O auranofin \u00e9 hoje usado no tratamento da artrite reumatoide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o carbonato de lant\u00e2nio tem sido recomendado para portadores de insufici\u00eancia renal. Em testes com camundongos, a administra\u00e7\u00e3o desses medicamentos aumentou em at\u00e9 50% a sobrevida \u00e0 sepse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida durante o doutorado de Silvia Cellone Trevelin, com bolsa da FAPESP e orienta\u00e7\u00e3o dos pesquisadores Fernando de Queiroz Cunha, do Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID), e Lucia Rossetti Lopes, do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma). Os dois grupos de pesquisa s\u00e3o financiados pela FAPESP no \u00e2mbito do programa Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs nossos resultados indicam que a enzima tioredoxina redutase pode ser um novo alvo terap\u00eautico no tratamento da sepse. Por\u00e9m, esses achados ainda precisam ser comprovados em pacientes humanos, por meio de um ensaio cl\u00ednico para verifica\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia e an\u00e1lise de efeitos delet\u00e9rios\u201d, disse Lopes \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Cunha, os grupos de pesquisa j\u00e1 est\u00e3o conversando com laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos para tentar viabilizar os testes em pacientes com sepse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDados de experimentos feitos in vitro sugerem ainda que a estrat\u00e9gia pode ser interessante tamb\u00e9m no tratamento da doen\u00e7a granulomatosa cr\u00f4nica (DGC), um defeito gen\u00e9tico que impede o organismo de produzir radicais livres de oxig\u00eanio que s\u00e3o importantes para combater infec\u00e7\u00f5es\u201d, contou o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infec\u00e7\u00e3o bacteriana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Popularmente conhecida como infec\u00e7\u00e3o generalizada, a sepse \u00e9 na verdade uma inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica potencialmente fatal \u2013 a condi\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje uma das principais causas de mortalidade nas unidades de terapia intensiva (UTIs) do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inflama\u00e7\u00e3o exacerbada geralmente \u00e9 desencadeada por uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana e pode permanecer ativa mesmo ap\u00f3s os pat\u00f3genos terem sido eliminados, produzindo mudan\u00e7as na temperatura corporal, press\u00e3o arterial, frequ\u00eancia card\u00edaca, contagem de c\u00e9lulas brancas do sangue e respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As formas mais graves de sepse tamb\u00e9m podem causar disfun\u00e7\u00e3o no funcionamento de diversos \u00f3rg\u00e3os, condi\u00e7\u00e3o conhecida como choque s\u00e9ptico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Cunha, esses efeitos delet\u00e9rios s\u00e3o causados pela produ\u00e7\u00e3o excessiva de subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias pelas c\u00e9lulas de defesa \u2013 com destaque para a citocina TNF-a (fator de necrose tumoral alfa) \u2013, que acabam lesionando os tecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cExiste nas c\u00e9lulas de defesa um complexo proteico conhecido como NF-?B [fator nuclear kappa B], que atua como um fator de transcri\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios mediadores inflamat\u00f3rios. Normalmente, ele fica no citoplasma e, quando ocorre a produ\u00e7\u00e3o de radicais livres de oxig\u00eanio ap\u00f3s o contato da c\u00e9lula com um pat\u00f3geno, o NF-?B \u00e9 levado para o n\u00facleo onde pode se ligar ao DNA e ativar a transcri\u00e7\u00e3o de citocinas\u201d, contou o coordenador do CRID e professor da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um primeiro momento, os pesquisadores pensaram que eliminar a produ\u00e7\u00e3o de radicais livres seria uma boa estrat\u00e9gia para diminuir a inflama\u00e7\u00e3o, uma vez que, em tese, o NF-?B deixaria de migrar para o n\u00facleo celular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Testaram essa hip\u00f3tese em um modelo de camundongo modificado geneticamente para n\u00e3o expressar as enzimas que produzem os radicais livres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, para surpresa do grupo, todos os animais morreram em decorr\u00eancia da inflama\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo quando foram desafiados com componentes de bact\u00e9rias mortas incapazes de causar uma infec\u00e7\u00e3o verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm parceria com a equipe do Redoxoma, descobrimos que inibir a produ\u00e7\u00e3o de radicais livres de oxig\u00eanio era uma m\u00e1 ideia por dois motivos: primeiro porque eles s\u00e3o importantes para matar as bact\u00e9rias e, segundo, porque oxidam a enzima tioredoxina redutase (TrxR-1), impedindo que ela v\u00e1 para o n\u00facleo celular e l\u00e1 modifique o NF-?B de modo a deix\u00e1-lo na forma capaz de induzir a produ\u00e7\u00e3o de mediadores inflamat\u00f3rios. Portanto, se por um lado os radicais livres podem causar les\u00f5es, por outro ajudam a balancear a inflama\u00e7\u00e3o durante a sepse\u201d, contou Cunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessas conclus\u00f5es, os pesquisadores decidiram testar como estrat\u00e9gia terap\u00eautica a inibi\u00e7\u00e3o da TrxR-1. Em um modelo de camundongo, a inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica foi provocada por um m\u00e9todo conhecido como liga\u00e7\u00e3o e perfura\u00e7\u00e3o do ceco (CLP, na sigla em ingl\u00eas), no qual uma abertura \u00e9 feita no intestino de forma a permitir o extravasamento de fezes e de bact\u00e9rias para a cavidade peritoneal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte dos animais foi tratada apenas com antibi\u00f3ticos e apresentou sobrevida em torno de 50%. A outra metade recebeu, al\u00e9m dos antibi\u00f3ticos, as drogas inibidoras de TrxR-1. Neste segundo grupo a sobrevida aumentou para 80%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Testes em leuc\u00f3citos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resultados de experimentos feitos in vitro sugerem que a mesma abordagem pode ser usada no tratamento da DGC. Conforme explicou Cunha, os portadores dessa doen\u00e7a gen\u00e9tica n\u00e3o expressam as enzimas necess\u00e1rias para a produ\u00e7\u00e3o de radicais livres de oxig\u00eanio. O resultado s\u00e3o infec\u00e7\u00f5es recorrentes e inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo o organismo dessas pessoas n\u00e3o consegue matar o microrganismo, ele o envolve com c\u00e9lulas inflamat\u00f3rias formando um cisto ou granuloma. O objetivo \u00e9 manter o pat\u00f3geno isolado, impedindo que circule livremente. Mas estudos recentes t\u00eam mostrado que, muitas vezes, n\u00e3o h\u00e1 bact\u00e9rias dentro desses granulomas e, ainda assim, h\u00e1 inflama\u00e7\u00e3o\u201d, contou Cunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o pesquisador, os portadores dessa doen\u00e7a raramente chegam \u00e0 idade adulta \u2013 seja pelas infec\u00e7\u00f5es recorrentes ou pelo excesso de inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPensamos, ent\u00e3o, que ao inibir a TrxR-1 poder\u00edamos diminuir a inflama\u00e7\u00e3o e as les\u00f5es dela decorrentes\u201d, contou Cunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hip\u00f3tese foi testada em leuc\u00f3citos de portadores de DGC estimulados com componentes bacterianos e depois incubados com carbonato de lant\u00e2nio. A droga inibidora da TrxR-1 reduziu consideravelmente a produ\u00e7\u00e3o de TNF-a \u2013 principal mediador inflamat\u00f3rio por tr\u00e1s da forma\u00e7\u00e3o de granulomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme destacaram os pesquisadores, esse medicamento \u00e9 aprovado para uso humano no Brasil desde 2013. Na Europa e nos Estados Unidos tem sido usado por portadores de insufici\u00eancia renal h\u00e1 cerca de seis anos sem causar efeitos adversos graves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA dose do medicamento necess\u00e1ria para inibir a TrxR-1 \u00e9 inferior \u00e0 usada para tratar a insufici\u00eancia renal, o que minimizaria ainda mais a ocorr\u00eancia de efeitos adversos. Portanto, acreditamos que j\u00e1 h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de dar in\u00edcio a um ensaio cl\u00ednico\u201d, avaliou Cunha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Exame<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um artigo publicado na revista Scientific Reports, em outubro, pesquisadores brasileiros descreveram uma nova estrat\u00e9gia para combater a inflama\u00e7\u00e3o e reduzir a mortalidade de pacientes com sepse: a inibi\u00e7\u00e3o de uma enzima chamada tioredoxina redutase (TrxR-1, na sigla em ingl\u00eas). Dois f\u00e1rmacos com essa atividade j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no mercado, mas com outras finalidades. 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