{"id":35275,"date":"2016-12-05T07:21:39","date_gmt":"2016-12-05T10:21:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=35275"},"modified":"2016-12-05T07:21:39","modified_gmt":"2016-12-05T10:21:39","slug":"prevencao-de-hivaids-precisa-dialogar-com-a-juventude-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/prevencao-de-hivaids-precisa-dialogar-com-a-juventude-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Preven\u00e7\u00e3o de HIV\/Aids precisa dialogar com a juventude, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">As campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de HIV\/Aids precisam ser renovadas constantemente para dialogar com a juventude. O tema foi debatido hoje (2) no I Encontro Carioca de Discuss\u00e3o das Pol\u00edticas P\u00fablicas sobre Preven\u00e7\u00e3o de HIV\/Aids para a Juventude, organizado pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Centro Integrado de Estudo e Programas de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Cieds), na Universidade Veiga de Almeida, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A gerente de Inclus\u00e3o e Bem-Estar do Cieds, Aldeli Carmo, explica que, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a infec\u00e7\u00e3o entre jovens de 15 a 24 anos aumentou 40% de 2002 a 2014, principalmente no segmento de homens que fazem sexo com homens (HSH). De acordo com ela, houve uma banaliza\u00e7\u00e3o do HIV\/Aids, que agora \u00e9 vista como doen\u00e7a cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ela disse que como tem sido vista a quest\u00e3o do tratamento, da medica\u00e7\u00e3o, acaba tornando simples algo que ainda \u00e9 muito complexo. Segundo Aldeli Carmo, n\u00e3o existe aquele medo de morrer. A Aids \u00e9 vista como qualquer outra doen\u00e7a cr\u00f4nica, e o jovem n\u00e3o se apercebe da condi\u00e7\u00e3o real. Ela acrescentou, contudo, que o HIV\/Aids \u00e9 muito diferente de uma diabetes, uma hipertens\u00e3o; &#8220;a Aids tem uma carga de medica\u00e7\u00e3o muito pesada, que tem outros efeitos. N\u00e3o tem a mesma linha de tratamento e n\u00e3o deixa o paciente nas mesmas condi\u00e7\u00f5es que outras doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u201d.<\/p>\n<p>Di\u00e1logo constante<\/p>\n<p>Outra expositora, a diretora executiva do Centro de Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade (Cedap), K\u00e1tia Edmundo, enfatizou a import\u00e2ncia do di\u00e1logo direto e constante com o jovem, para que ele se envolva na discuss\u00e3o e descubra formas mais eficientes de adquirir e compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre o tema.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental, no seu entender, que mais pessoas se envolvam no desenvolvimeto de espa\u00e7os de discuss\u00e3o com a juventude, para que os agentes de sa\u00fade possam ampliar informa\u00e7\u00f5es a respeito da preven\u00e7\u00e3o e gerar condi\u00e7\u00f5es para que os jovens possam refletir sobre a pr\u00f3pria realidade e encontrar suas pr\u00f3prias formas de se prevenir.<\/p>\n<p>\u201cComo \u00e9 um tempo hist\u00f3rico relativamente pequeno, de 35 anos, embora a gente j\u00e1 tenha avan\u00e7ado, a discuss\u00e3o n\u00e3o pode deixar de ser aquecid. Ela n\u00e3o pode ficar esperando o Dia Mundial de Luta contra a Aids, ou o carnaval, para as a\u00e7\u00f5es acontecerem. Precisa construir uma agenda de discuss\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta falar &#8216;fa\u00e7a assim ou fa\u00e7a assado&#8217;. Hoje tem um conjunto de tecnologias de preven\u00e7\u00e3o, cada um tem que gerenciar os pr\u00f3prios riscos e fazer as pr\u00f3prias escolhas\u201d, afirmou K\u00e1tia Edmundo.<\/p>\n<p>Entre os temas debatidos no encontro est\u00e1 a necessidade de combina\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do preservativo, destacam-se a profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o (PEP), com o uso de medicamentos antiretrovirais por pessoa n\u00e3o infectada ap\u00f3s o contato sexual desprotegido; a TasP, sigla em ingl\u00eas para Treatment as prevention, que consiste em testar e tratar imediatamente ap\u00f3s o diagn\u00f3stico; e profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o (PrEP), quando a pessoa n\u00e3o infectada mas com potencial de alto risco utiliza o antirretroviral preventivamente.<\/p>\n<p>Um dos coordenadores da Rede Estadual de Adolescentes e Jovens que Vivem com HIV\/Aids no Rio de Janeiro, Reinaldo Ribeiro, mostrou sua pesquisa de gradua\u00e7\u00e3o em biologia, na qual levantou dados entre os jovens soropositivos para verificar se a educa\u00e7\u00e3o sexual recebida pode ter influenciado na infec\u00e7\u00e3o. Entre os resultados, ele adverte que, se em 1989 a maioria dos soropositivos tinham apenas o ensino fundamental, em 2016 a \u201ccara da Aids mudou&#8221;, aumentando muito entre os graduados.<\/p>\n<p>Reinaldo disse que comparando desde 1989, tem um gap de dados de 1996 a 2016, e lan\u00e7a aluns questionamentos para descobrir o que aconteceu nesse per\u00edodo? Quais as mudan\u00e7as que aconteceram? O que mudou que est\u00e1 aumentando a infec\u00e7\u00e3o? Foi a educa\u00e7\u00e3o do jovem? Sua conscientiza\u00e7\u00e3o? Falta falar sobre sexualidade nas escolas?<\/p>\n<p>Tem jovens, segundo ele, que nunca ouviram falar de PrEP e que n\u00e3o sabem sequer colocar uma camisinha. &#8220;Sabem que \u00e9 importante, que precisa usar para n\u00e3o engravidar, mas n\u00e3o sabem como por a camisinha. Ent\u00e3o tem muita coisa, eu acho que ainda falta did\u00e1tica, um jeito certo de conversar com os jovens para falar sobre sexualidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Projeto-piloto<\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o que p\u00f4s em pr\u00e1tica esse di\u00e1logo foi o projeto Afirmando Vozes e Identidades, que ministrou oficinas no Complexo da Mar\u00e9, zona norte do Rio, em 2012 e 2013, para jovens gays negros, moradores de favela. Segundo Mauro Lima, do Grupo Arco-\u00cdris, ao constatar que a contamina\u00e7\u00e3o estava aumentando, o grupo resolveu \u201cfalar com a galera para ver como eles est\u00e3o fazendo sexo\u201d. De acordo com ele, o uso do preservativo \u00e9 visto como uma imposi\u00e7\u00e3o desagregada das rela\u00e7\u00f5es de maneira prazerosa. Portanto, n\u00e3o dialoga com a juventude.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, essa for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra que o preservativo tem impl\u00edcita, faz a gente decidir n\u00e3o usar por uma s\u00e9rie de motivos: porque eu amo o cara e quero sentir prazer com ele sim; porque estou muito drogado naquele momento; porque aquele cara \u00e9 muito gostoso e eu n\u00e3o quero deixar ele escapar; porque o preservativo n\u00e3o est\u00e1 na minha gaveta ou na minha carteira no momento; ou poque eu tenho vergonha de ir no posto de sa\u00fade buscar, porque eu ainda sou adolescente. Mas eu vou transar de uma forma ou de outra\u201d, explicou Mauro Lima.<\/p>\n<p>Segundo ele, o trabalho come\u00e7ou com autoconhecimento, com quest\u00f5es como \u201co que \u00e9 ser veado dentro da favela?\u201d, \u201cquais s\u00e3o as problem\u00e1ticas que voc\u00ea vive dentro da sua casa?\u201d, \u201co que te d\u00e1 mais prazer?\u201d, \u201cvoc\u00ea sai na rua para fazer pega\u00e7\u00e3o de que forma?\u201d. A partir da\u00ed, cada um passa a entender onde estavam os riscos na pr\u00f3pria vida, para depois tra\u00e7ar um plano de vida de gerenciamento desses riscos.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Mauro, \u201ca pessoa precisa ter consci\u00eancia da sua din\u00e2mica sexual, de como o seu corpo funciona, onde est\u00e1 localizado o seu prazer, e voc\u00ea poder usufruir desse prazer tendo consci\u00eancia do seu risco e adotando outras pr\u00e1ticas que podem, cada vez mais, diminuir sua vulnerabilidade. &#8220;O nome disso \u00e9 gest\u00e3o de risco. Ent\u00e3o, fazer a preven\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 falar sobre o uso de preservativo. Voc\u00ea precisa entender qual \u00e9 o risco que voc\u00ea corre, onde voc\u00ea est\u00e1 na sociedade, no seu meio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No encontro tamb\u00e9m foi exibido um v\u00eddeo para explicar novas metodologias de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de HIV\/Aids precisam ser renovadas constantemente para dialogar com a juventude. 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