{"id":3624,"date":"2011-12-19T18:57:59","date_gmt":"2011-12-19T18:57:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=3624"},"modified":"2011-12-19T18:58:57","modified_gmt":"2011-12-19T18:58:57","slug":"crise-materno-infantil-olinda-mae-madrasta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/crise-materno-infantil-olinda-mae-madrasta\/","title":{"rendered":"Crise materno-infantil: Olinda, m\u00e3e-madrasta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/MATERNIDADE.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3625\" title=\"MATERNIDADE\" src=\"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/MATERNIDADE-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/MATERNIDADE-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/MATERNIDADE.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ber\u00e7o da cultura, Olinda embala filhos adotivos com m\u00e3os que mal  conseguem trazer \u00e0 luz os seus. A cidade que acumula t\u00edtulos &#8211;  Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade, 1\u00aa Capital Brasileira da Cultura,  Monumento Nacional &#8211; n\u00e3o \u00e9 capaz de acolher bem suas m\u00e3es, olindenses  por nascimento ou escolha, e joga nas m\u00e3os de outras cidades o dever de  p\u00f4r seus beb\u00eas no mundo. Crian\u00e7as que acabam virando filhos de sangue de  outros munic\u00edpios. Na cidade, apenas um hospital tem maternidade. Por  pouco, ela n\u00e3o fechou as portas. Se isso tivesse ocorrido, a redu\u00e7\u00e3o nos  nascimentos seria dr\u00e1stica. Olinda correu o risco de passar pelo menos  alguns meses sem ver nascer olindenses.<\/p>\n<p>No Hospital Prontolinda, unidade particular, foram realizados partos at\u00e9  2008. A Brites de Albuquerque, \u00fanica maternidade vinculada \u00e0  prefeitura, est\u00e1 fechada para reforma e amplia\u00e7\u00e3o desde novembro de  2010. A promessa de reabertura \u00e9 para \u201cmaio ou junho do ano que vem\u201d,  nas palavras da secret\u00e1ria de Sa\u00fade da cidade, Tereza Miranda. E o  hospital Tricenten\u00e1rio, unidade privada e filantr\u00f3pica vinculada ao  Sistema \u00danico de Sa\u00fade por meio de conv\u00eanio com a prefeitura da cidade,  passou metade do ano de 2011 em total decad\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o piorou  paulatinamente. A situa\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica ocorreu quando a maternidade  deixou de funcionar durante mais da metade da semana. Dos seus 14  plant\u00f5es semanais, oito fecharam. Faltavam m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Em uma segunda-feira de dezembro, a enfermeira obst\u00e9trica de plant\u00e3o n\u00e3o  tinha o que fazer. Podia passar todo o expediente jogando cartas ou  lendo alguma revista, tamanho era o vazio nos corredores. Na noite  daquela segunda, j\u00e1 eram 84 horas sem partos. N\u00e3o havia gestantes na  triagem nem nas duas salas de pr\u00e9-parto, com quatro leitos cada. As  quatro salas de parto estavam vazias. O alojamento conjunto e o  ber\u00e7\u00e1rio, com quatro incubadoras e cinco ber\u00e7os, \u00e0s escuras.<\/p>\n<p>Parada em frente ao ber\u00e7\u00e1rio, a enfermeira estava emocionada.\u00a0 \u201cMinha  sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de desespero. Primeiro por ver a popula\u00e7\u00e3o sem cobertura.  Segundo, porque as maternidades j\u00e1 v\u00eam de um contexto bem delicado\u201d,  disse, com l\u00e1grimas nos olhos, a mulher que n\u00e3o quis ter o nome  revelado.<\/p>\n<p>Mas o medo da enfermeira, de ver tudo aquilo ir \u201cpor \u00e1gua abaixo\u201d, j\u00e1  n\u00e3o assusta mais. No in\u00edcio da apura\u00e7\u00e3o desta reportagem, a secret\u00e1ria  de Sa\u00fade de Olinda, Tereza Miranda, contou ter feito proposta de  incentivo mensal ao hospital no valor de R$ 50 mil.\u00a0 Gil Brasileiro,  diretor da unidade, havia argumentado que a quantia n\u00e3o era suficiente  para garantir o preenchimento de todos os plant\u00f5es. Na ocasi\u00e3o, a  secret\u00e1ria afirmou ao Diario n\u00e3o ter como aumentar o aporte. \u201cR$ 50 mil \u00e9  o m\u00e1ximo que a gente consegue oferecer. Se eu disponibilizar mais, vai  ter cortes em outras \u00e1reas. E na sa\u00fade tudo \u00e9 prioridade\u201d, disse. Uma  semana depois, uma assessora\u00a0 da prefeitura telefonou para a reda\u00e7\u00e3o do  Diario com uma boa e inesperada not\u00edcia: o Tricenten\u00e1rio receber\u00e1 R$ 100  mil mensais.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria<\/p>\n<p>\u201cVai dar para resolver a situa\u00e7\u00e3o no momento\u201d, informou Gil Brasileiro.  \u201cEstamos tentando convocar os profissionais. Estamos em negocia\u00e7\u00e3o,  inclusive, com alguns m\u00e9dicos da casa. Em 15 a 30 dias esperamos  normalizar a situa\u00e7\u00e3o (abrindo a maternidade durante 24 horas). Mas  vamos ter dificuldades em contratar neonatologistas, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1  muitos profissionais dessa especialidade. E s\u00f3 podemos abrir os plant\u00f5es  se tivermos equipes completas\u201d.<\/p>\n<p>Antes do novo aporte financeiro, o hospital recebia da Prefeitura de  Olinda R$ 540 para realiza\u00e7\u00e3o de cada parto, segundo o diretor da  unidade. Com o incentivo, esse valor subir\u00e1 para cerca de R$ 730. \u201cEm  Jaboat\u00e3o, a prefeitura paga R$ 860 por parto; em Aracaju, R$ 1.050; e o  SUS, R$ 615\u201d, exemplificou Gil Brasileiro. A maternidade do hospital,  que realizou mais de 5 mil partos em 2010 e j\u00e1 chegou a realizar 700 em  um m\u00eas, est\u00e1 fazendo apenas 250 a 300 partos mensais. A meta \u00e9 aumentar  para cerca de 500 partos mensais, em 2012. Ainda assim, essa continua  sendo a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o de partos hospitalares na cidade.  Pelo menos at\u00e9 meados de 2012, quando a Brites de Albuquerque,  espera-se, deve reabrir\u00a0 com 50 leitos (eram 20) e capacidade de  realiza\u00e7\u00e3o de partos de risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ber\u00e7o da cultura, Olinda embala filhos adotivos com m\u00e3os que mal conseguem trazer \u00e0 luz os seus. 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