{"id":37174,"date":"2017-03-02T11:44:40","date_gmt":"2017-03-02T14:44:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=37174"},"modified":"2017-03-02T12:01:43","modified_gmt":"2017-03-02T15:01:43","slug":"congelamento-permite-conservar-orgaos-para-transplante-por-mais-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/congelamento-permite-conservar-orgaos-para-transplante-por-mais-tempo\/","title":{"rendered":"Congelamento permite conservar \u00f3rg\u00e3os para transplante por mais tempo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto milhares de pessoas aguardam por \u00f3rg\u00e3os nas filas de transplante, 60% dos cora\u00e7\u00f5es e dos pulm\u00f5es destinados \u00e0 doa\u00e7\u00e3o acabam no lixo. Um dos motivos para isso \u00e9 o tempo limitado de conserva\u00e7\u00e3o dos tecidos: os rins, mais resistentes, aguentam at\u00e9 36 horas. P\u00e2ncreas, f\u00edgado e intestino n\u00e3o podem ficar mais de 12 horas no regime hipot\u00e9rmico. Cora\u00e7\u00e3o e pulm\u00e3o, se n\u00e3o transplantados em quatro horas, perdem a serventia. Se apenas metade desses \u00f3rg\u00e3os descartados chegasse aos receptores, a estimativa \u00e9 que as listas de espera acabariam em, no m\u00e1ximo, tr\u00eas anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem m\u00e9todos mais avan\u00e7ados de armazenamento, e um deles, a criopreserva\u00e7\u00e3o, assegura a validade praticamente infinita dos materiais org\u00e2nicos. Eles s\u00e3o congelados a temperaturas extremamente baixas, entre -160\u00baC e -196\u00baC. N\u00e3o \u00e0 toa, algumas empresas congelam cad\u00e1veres na expectativa de que, um dia, a ci\u00eancia consiga reanim\u00e1-los. Tamb\u00e9m \u00e9 como se estocam s\u00eamen e \u00f3vulos para fertiliza\u00e7\u00e3o, assim como o sangue do cord\u00e3o umbilical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA criopreserva\u00e7\u00e3o e o armazenamento de biomateriais a temperaturas baixas s\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o em potencial para a recupera\u00e7\u00e3o e o transplante de \u00f3rg\u00e3os e tecidos. No m\u00ednimo, facilitariam a busca por compatibilidade de doador e receptor, aumentando o compartilhamento geogr\u00e1fico e melhorando a prepara\u00e7\u00e3o de quem vai receb\u00ea-los\u201d, defende um grupo de pesquisadores da Universidade de Minnesota (EUA), em um artigo publicado na revista Science Translational Medicine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema de se usar essa tecnologia para a preserva\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os \u00e9 que, no momento de se reaquecer os tecidos para o transplante, eles esfarelam. Outra intercorr\u00eancia comum \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de cristais de gelo, que inviabilizam o material. Isso, por\u00e9m, pode mudar. No trabalho divulgado ontem, os cientistas norte-americanos apresentaram um sistema que permite aquecer os \u00f3rg\u00e3os centenas de graus Celsius por minuto de maneira uniforme e sem danific\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, o m\u00e9todo foi testado com amostras pequenas, contendo 50mm de tecido. Contudo, a expectativa do engenheiro mec\u00e2nico John Bischof, principal autor do estudo, \u00e9 conseguir atingir escalas maiores. \u201cNo passado, foi poss\u00edvel reaquecer amostras com 1mm de tecido. Conseguimos chegar a 50mm, o que significa que h\u00e1 uma forte possibilidade de alcan\u00e7armos sistemas maiores, como \u00f3rg\u00e3os\u201d, disse, em uma coletiva de imprensa transmitida pela internet. A equipe da universidade, inclusive, j\u00e1 det\u00e9m duas patentes relacionadas \u00e0 tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estado v\u00edtreo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bischof contou que, na d\u00e9cada de 1980, quando era estudante de gradua\u00e7\u00e3o, acompanhou o trabalho do criobi\u00f3logo Greg Fahy, que, usando subst\u00e2ncias chamadas crioprotetores (essencialmente, qu\u00edmicos anticongelamento), demonstrou o congelamento do rim de um coelho at\u00e9 o estado v\u00edtreo. \u201cV\u00edtreo significa, aqui, que voc\u00ea essencialmente sai de um l\u00edquido muito viscoso, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 cristalizado. Voc\u00ea est\u00e1 mantendo aquele rim em uma forma l\u00edquida, mas em um vidro. Ent\u00e3o, Greg conseguiu isso em meados dos anos 1980, mas o problema \u00e9 que ningu\u00e9m conseguiu trazer de volta esses rins. Ningu\u00e9m conseguiu trazer esse grande sistema de volta do estado v\u00edtreo. Nossa tarefa, de certa forma, foi descobrir como trazer aquele rim de volta\u201d, comparou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fazer isso, os cientistas primeiramente tentaram descobrir como distribuir o calor pelo tecido de forma uniforme e muito r\u00e1pida. Zhe Gao, pesquisador de p\u00f3s-doutorado em bioengenharia que participou do estudo, explicou que um dos principais componentes do nanoaquecimento \u2014 m\u00e9todo usado no coelho de Greg Gahy \u2014, s\u00e3o as nanopart\u00edculas. \u201cPart\u00edculas antioxidantes supermagn\u00e9ticas v\u00e3o formar calor em um campo magn\u00e9tico. Contudo, essa habilidade ser\u00e1 reduzida quando as part\u00edculas se agregarem. Existem part\u00edculas antioxidante no mercado, mas iam se acumular no fluido (onde estava a amostra de tecido vitrificado) dentro de algumas horas. Para melhorar a estabilidade delas, n\u00f3s as encapamos com s\u00edlica mesoporosa\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o especialista, os primeiros experimentos, feitos com a amostra de uma art\u00e9ria da car\u00f3tida de um porco, demonstraram n\u00e3o s\u00f3 a viabilidade do m\u00e9todo, como tamb\u00e9m a recupera\u00e7\u00e3o da funcionalidade do tecido ap\u00f3s aquecido. Em seguida, eles avaliaram a tecnologia em c\u00e9lulas humanas, com resultado igual. John Bischof diz que, embora seja necess\u00e1rio incrementar a t\u00e9cnica antes de aplic\u00e1-la em \u00f3rg\u00e3os, ele est\u00e1 otimista. \u201cEsses resultados s\u00e3o muito empolgantes e poderiam ter um benef\u00edcio social enorme se algum dia pudermos transport\u00e1-los para os \u00f3rg\u00e3os que ser\u00e3o transplantados.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:\u00a0Correio Braziliense<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto milhares de pessoas aguardam por \u00f3rg\u00e3os nas filas de transplante, 60% dos cora\u00e7\u00f5es e dos pulm\u00f5es destinados \u00e0 doa\u00e7\u00e3o acabam no lixo. Um dos motivos para isso \u00e9 o tempo limitado de conserva\u00e7\u00e3o dos tecidos: os rins, mais resistentes, aguentam at\u00e9 36 horas. 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