{"id":3747,"date":"2012-01-02T16:54:35","date_gmt":"2012-01-02T16:54:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=3747"},"modified":"2012-01-02T16:54:35","modified_gmt":"2012-01-02T16:54:35","slug":"violencia-saude-e-corrupcao-sao-os-principais-problema-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/violencia-saude-e-corrupcao-sao-os-principais-problema-do-pais\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia, sa\u00fade e corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o os principais problema do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>AmandaCieglinski<br \/>\n<em>Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013 A viol\u00eancia, as falhas no sistema de sa\u00fade e a corrup\u00e7\u00e3o, na opini\u00e3o dos brasileiros, s\u00e3o os tr\u00eas maiores problemas do pa\u00eds atualmente, segundo revelou uma pesquisa divulgada no fim de dezembro pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). Cerca de 3,7 mil pessoas foram entrevistadas. A seguran\u00e7a foi apontada por 23% das pessoas ouvidas como o maior problema. Depois veio a sa\u00fade, com 22,3%, e a corrup\u00e7\u00e3o, 13,7%. Na lista aparecem ainda o desemprego (12,4%), a educa\u00e7\u00e3o (8%), a pobreza (6,1%) e as desigualdades (5,8%).<\/p>\n<p>O professor Gustavo Venturi, do departamento de sociologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), chama aten\u00e7\u00e3o para o fato da lista das prioridades nacionais se reciclar periodicamente. \u201cSe n\u00f3s voltarmos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2002, por exemplo, o desemprego era o tema principal das campanhas presidenciais e disputava com a seguran\u00e7a. Hoje, h\u00e1 uma mudan\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o do aquecimento da economia e da formaliza\u00e7\u00e3o do emprego que coloca o problema mais para tr\u00e1s na fila\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mas a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre quais s\u00e3o os problemas mais graves do pa\u00eds variam muito de acordo com a idade, renda e regi\u00e3o. Os sulistas s\u00e3o os mais preocupados com a corrup\u00e7\u00e3o. No Norte e no Nordeste, a viol\u00eancia \u00e9 apontada como o problema mais grave. No Sudeste e no Centro-Oeste, a sa\u00fade aparece no topo da lista dos maiores problemas. Tamb\u00e9m h\u00e1 diferen\u00e7as na opini\u00e3o de ricos e pobres sobre quais s\u00e3o as quest\u00f5es mais urgentes. Nas fam\u00edlias com renda\u00a0<em>per capita<\/em> mensal at\u00e9 um quarto de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, 23,7% avaliam que o acesso \u00e0 sa\u00fade \u00e9 o problema mais grave, seguido pela viol\u00eancia (22,6%) e o desemprego (18,4%).<\/p>\n<p>\u201cA sa\u00fade est\u00e1 um caos, falta investimento e mais gente trabalhando. Eu, gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o preciso muito usar a rede p\u00fablica porque Deus me d\u00e1 sa\u00fade\u201d, declarou Francisco das Chagas, 46 anos, ambulante. C\u00edcera Gomes, 31 anos, est\u00e1 desemprega. Moradora do entorno de Bras\u00edlia, ela acha que a falta de saneamento b\u00e1sico \u00e9 um problema grave. \u201cEu moro em Luzi\u00e2nia e a estrutura \u00e9 p\u00e9ssima, estou l\u00e1 h\u00e1 12 anos e nada foi feito. E ainda tem a viol\u00eancia. A gente n\u00e3o est\u00e1 seguro em lugar nenhum. Temos que cobrar do governo poque a gente paga nossos impostos e o m\u00ednimo que eles t\u00eam que fazer \u00e9 cumprirem o que prometem\u201d, disse.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre as pessoas cuja renda familiar\u00a0<em>per capita<\/em> \u00e9 superior a cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, 27,8% concordam que o problema mais grave \u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o, 26% acham que \u00e9 a sa\u00fade e 17,7% acreditam que \u00e9 a viol\u00eancia. Apenas 1,7% dos mais ricos acham que a falta de emprego \u00e9 um problema importante no Brasil. \u201cOs principais problemas s\u00e3o a sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o. Acho que se acabasse com a corrup\u00e7\u00e3o melhoraria e muito tamb\u00e9m outras \u00e1reas. Porque as verbas s\u00e3o desviadas e a\u00ed os professores n\u00e3o s\u00e3o valorizados, nem os profissionais de sa\u00fade\u201d, declarou a enfermeira Rita de C\u00e1ssia, 48 anos.<\/p>\n<p>Venturi explicou que cada grupo tende a avaliar a situa\u00e7\u00e3o a partir de sua pr\u00f3pria realidade, e existe uma diferen\u00e7a de \u201cagenda\u201d entre as camadas da popula\u00e7\u00e3o. \u201cA vida das pessoas mudou em termos objetivos nos \u00faltimos anos. N\u00f3s tivemos milh\u00f5es de pessoas que ascenderam socialmente e essa mudan\u00e7a na condi\u00e7\u00e3o de vida delas soa muito mais alto do que qualquer discuss\u00e3o mais subjetiva, como a da corrup\u00e7\u00e3o. As camadas de maior renda, precisando menos de um Estado forte e atuante, v\u00e3o ser mais sens\u00edveis a essa discuss\u00e3o\u201d, avalia o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p>No grupo com renda mais alta, 16,8% acham que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema importante, enquanto entre os mais pobres apenas 5,9% concordam com a assertiva. A diferen\u00e7a \u00e9 que o primeiro grupo tende a analisar a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o pelo ponto de vista do acesso, enquanto o outro considera de forma mais cr\u00edtica o fator da qualidade. \u201cAs camadas populares antes n\u00e3o tinham acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, por isso tem um grau de exig\u00eancia menor. S\u00e3o pais que n\u00e3o tiveram acesso \u00e0 escola e agora veem que o ensino superior est\u00e1 no horizonte dos seus filhos. Por outro lado, a conclus\u00e3o dos estudos em diferentes n\u00edveis n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir coloca\u00e7\u00e3o no mercado diante de uma economia aquecida. A discuss\u00e3o da qualidade da educa\u00e7\u00e3o sensibiliza mais as camadas mais altas\u201d, aponta Venturi.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo do Ipea, a popula\u00e7\u00e3o mais jovem \u00e9 a que mais se preocupa com a quest\u00e3o do desemprego, da educa\u00e7\u00e3o e das desigualdades sociais. J\u00e1 para os adultos, o maior problema \u00e9 a sa\u00fade. Os idosos s\u00e3o aqueles que mais se importam com a viol\u00eancia e a corrup\u00e7\u00e3o. \u201cO governo tem que ouvir mais a popula\u00e7\u00e3o para saber quais s\u00e3o os principais problemas que a gente enfrenta. Um governo que n\u00e3o ouve a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode saber o que ela passa\u201d, defende a estudante Juliana Amorim, 26 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AmandaCieglinski Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil Bras\u00edlia \u2013 A viol\u00eancia, as falhas no sistema de sa\u00fade e a corrup\u00e7\u00e3o, na opini\u00e3o dos brasileiros, s\u00e3o os tr\u00eas maiores problemas do pa\u00eds atualmente, segundo revelou uma pesquisa divulgada no fim de dezembro pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). Cerca de 3,7 mil pessoas foram entrevistadas. 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