{"id":38260,"date":"2017-04-07T11:36:54","date_gmt":"2017-04-07T14:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=38260"},"modified":"2017-04-07T11:36:54","modified_gmt":"2017-04-07T14:36:54","slug":"reovirus-pode-deflagar-a-intolerancia-ao-gluten","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/reovirus-pode-deflagar-a-intolerancia-ao-gluten\/","title":{"rendered":"Reov\u00edrus pode deflagar a intoler\u00e2ncia ao gl\u00faten"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Inofensivo para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, o gl\u00faten, quando ingerido por cel\u00edacos, provoca um turbilh\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es no organismo. Assim que detectada pelas c\u00e9lulas de defesa do intestino delgado, essa prote\u00edna coloca o sistema imunol\u00f3gico de prontid\u00e3o, como se o corpo tivesse sido invadido por um inimigo perigos\u00edssimo. Em consequ\u00eancia, o paciente tem sintomas como diarreia cr\u00f4nica, v\u00f4mitos, fraqueza e incha\u00e7o abdominal, entre outros. Com a capacidade de absor\u00e7\u00e3o de nutrientes reduzida, ele fica an\u00eamico e, com o tempo, mais suscet\u00edvel ao desenvolvimento de linfomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como outras doen\u00e7as autoimunes \u2014 aquelas nas quais o organismo passa a se autoatacar \u2014, a cel\u00edaca depende da intera\u00e7\u00e3o entre predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e fatores ambientais. Entre estes \u00faltimos, \u00e9 poss\u00edvel que se incluam v\u00edrus muito comuns, os reov\u00edrus, de acordo com um estudo publicado na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista Science. Os autores do trabalho sugerem que esses micro-organismos extremamente frequentes, e geralmente in\u00f3cuos, provocam a resposta imunol\u00f3gica na presen\u00e7a dos genes associados \u00e0 doen\u00e7a. De acordo com eles, a descoberta pode, um dia, auxiliar no desenvolvimento de vacinas preventivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que um artigo avalia a possibilidade de v\u00edrus terem rela\u00e7\u00e3o com doen\u00e7as autoimunes\u201d, explica a nutricionista Carolina Sartori, que conhece bem o problema, n\u00e3o s\u00f3 como profissional, mas por ser cel\u00edaca. Na d\u00e9cada de 1990, a hip\u00f3tese j\u00e1 havia sido levantada, sendo refor\u00e7ada nos anos seguintes. Carolina esclarece que, desde ent\u00e3o, cientistas apresentaram evid\u00eancias (ainda n\u00e3o comprovadas) do envolvimento do v\u00edrus da herpes, o epstein-barr, e da hepatite C na doen\u00e7a. \u201cA diferen\u00e7a \u00e9 que, agora, se fala em reov\u00edrus. Al\u00e9m disso, embora feito com cobaias, o estudo \u00e9 interessante porque utiliza genes humanos\u201d, ressalta a nutricionista cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bana Jabri, professora de ci\u00eancias biom\u00e9dicas do Centro de Doen\u00e7as Cel\u00edacas da Universidade de Washington (EUA) e principal autora do artigo, diz que o trabalho mostra que um v\u00edrus assintom\u00e1tico pode, ainda assim, provocar danos ao sistema imunol\u00f3gico e deflagrar um dist\u00farbio autoimune. Ela esclarece, por\u00e9m, que isso n\u00e3o significa que qualquer pessoa infectada desenvolver\u00e1 o problema. \u201cTem de se levar em considera\u00e7\u00e3o o v\u00edrus espec\u00edfico e seus genes, a intera\u00e7\u00e3o entre o micro-organismo e o seu hospedeiro, al\u00e9m do estado geral de sa\u00fade do hospedeiro\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Forte evid\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estudo, a equipe de Jabri modificou ratos geneticamente para que portassem duas vers\u00f5es de um gene que, em humanos, est\u00e3o associadas \u00e0 doen\u00e7a cel\u00edaca. \u201cTer esses alelos n\u00e3o quer dizer que a pessoa ser\u00e1 cel\u00edaca, \u00e9 poss\u00edvel ter os genes e eles nunca se expressarem\u201d, diz Carolina Satori. Para verificar se os reov\u00edrus s\u00e3o capazes de interagir com os genes e, na presen\u00e7a do gl\u00faten, deflagrar a doen\u00e7a, os cientistas infectaram o intestino delgado dos animais com duas cepas do micro-organismo, sendo que, naturalmente, uma delas n\u00e3o costuma infectar esse \u00f3rg\u00e3o. Os ratos que haviam sido expostos ao gl\u00faten anteriormente tiveram uma rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica exagerada, quando o reov\u00edrus T1L come\u00e7ou a circular no organismo. Esse superataque das c\u00e9lulas de defesa n\u00e3o aconteceu no caso do T3D, o micro-organismo que n\u00e3o costuma entrar no intestino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Jabri, a pesquisa oferece evid\u00eancias s\u00f3lidas de que a infec\u00e7\u00e3o por reov\u00edrus pode ser o gatilho do desenvolvimento da doen\u00e7a cel\u00edaca. Ela explica que, nos Estados Unidos, por exemplo, os beb\u00eas recebem os primeiros alimentos s\u00f3lidos (que, geralmente, cont\u00eam gl\u00faten) aos 6 meses de idade. \u201cCrian\u00e7as com o sistema imunol\u00f3gico imaturo s\u00e3o mais suscet\u00edveis a infec\u00e7\u00f5es virais nesse est\u00e1gio e, para aquelas predispostas geneticamente, a combina\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o intestinal com a primeira exposi\u00e7\u00e3o ao gl\u00faten pode criar as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento da doen\u00e7a\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cientista acredita que, quando mais estudos confirmarem a descoberta, ser\u00e1 poss\u00edvel come\u00e7ar a pensar em uma vacina para crian\u00e7as com o fator de risco para a enfermidade, que, no caso, \u00e9 a presen\u00e7a dos alelos. Jabri destaca que, atualmente, n\u00e3o h\u00e1 nada para prevenir nem curar uma doen\u00e7a que, provavelmente, \u00e9 subdiagnosticada. A \u00fanica forma de lidar com ela \u00e9 adaptar a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Novo card\u00e1pio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o que faz a advogada e professora na Ana Claudia Peixoto de Melo Oliveira, 36 anos. Ela precisou mudar radicalmente o card\u00e1pio quando, h\u00e1 cinco anos, recebeu o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a. Desde crian\u00e7a, tinha diarreia cr\u00f4nica, problema que melhorou na adolesc\u00eancia. Por volta dos 25 anos, por\u00e9m, as crises retornaram, ainda mais graves. Al\u00e9m disso, ela sofria com incha\u00e7o abdominal e alergias na pele que nenhum dermatologista conseguia desvendar. Ao fazer uma bateria de testes para saber se era intolerante \u00e0 lactose, acabou descobrindo que o problema, na verdade, era o gl\u00faten. A bi\u00f3psia do duodeno confirmou que Ana Claudia \u00e9 cel\u00edaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante uma semana, ela fez uma dieta l\u00edquida, seguida pela readapta\u00e7\u00e3o do card\u00e1pio. A advogada n\u00e3o pode consumir nada que contenha a subst\u00e2ncia, mesmo que sejam pequenos tra\u00e7os de contamina\u00e7\u00e3o. \u201cDe vez em quando, eu n\u00e3o resisto e acabo comendo pizza. Tento ficar s\u00f3 no recheio, mas, mesmo assim, por causa da contamina\u00e7\u00e3o, passo muito mal. Quando voc\u00ea come o que n\u00e3o pode, tem de recome\u00e7ar do zero. \u00c9 muito dif\u00edcil, principalmente na hora de sair com amigos. Nesses casos, eu j\u00e1 vou com alguma comida pronta\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Paloma Oliveto\/CorreioBraziliense<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inofensivo para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, o gl\u00faten, quando ingerido por cel\u00edacos, provoca um turbilh\u00e3o de rea\u00e7\u00f5es no organismo. Assim que detectada pelas c\u00e9lulas de defesa do intestino delgado, essa prote\u00edna coloca o sistema imunol\u00f3gico de prontid\u00e3o, como se o corpo tivesse sido invadido por um inimigo perigos\u00edssimo. 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