{"id":38367,"date":"2017-04-13T08:45:45","date_gmt":"2017-04-13T11:45:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=38367"},"modified":"2017-04-13T08:45:45","modified_gmt":"2017-04-13T11:45:45","slug":"resista-filho-com-amor-mamae-e-papai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/resista-filho-com-amor-mamae-e-papai\/","title":{"rendered":"Resista, filho. Com amor, mam\u00e3e e papai"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">Pelo corredor do hospital, aquele homem vinha se aproximando. Era ter\u00e7a-feira passada. Numa calmaria inacredit\u00e1vel do luto, chorava l\u00e1grimas quase em c\u00e2mera lenta. Com a palma da m\u00e3o aberta, secava uma a uma. Seguia em dire\u00e7\u00e3o a quatro mulheres que, por vezes, deram o ombro a sua companheira no leito da morte. \u201cEu preciso pedir um presente para meu filho\u201d, disse ele. L\u00edder do voluntariado em Pernambuco quando se trata de c\u00e2ncer feminino, dona Maria da Paz Azevedo achou ser uma refer\u00eancia a um brinquedo para o menino de seis anos que h\u00e1 poucas horas teria ficado \u00f3rf\u00e3o de m\u00e3e &#8211; ela, v\u00edtima de um c\u00e2ncer agressivo. \u201cCompramos um presente para ele\u201d, respondeu dona Maria da Paz.\u00a0 O pai queria um presente diferente e mais valioso: \u201cA senhora pode fazer uma carta como se fosse a m\u00e3e de meu filho?\u201d, interrogou como sugest\u00e3o. \u201cComo?\u201d, perguntaram-lhe, pedindo detalhes. \u201c\u00c9 que meu menino n\u00e3o vai aguentar saber que a m\u00e3e morreu\u201d. Sil\u00eancio profundo. Era o que ningu\u00e9m havia cogitado.<\/p>\n<p>Este homem, o marido e pai continuou para convencer o grupo de mulheres que dedicam parte do seu tempo uma, duas, tr\u00eas vezes na semana para atender os anseios do pr\u00f3ximo. \u201cA senhora \u00e9 m\u00e3e?, ent\u00e3o a senhora escreve como se fosse a m\u00e3e de meu filho. Queria que dissesse para ele ter calma. N\u00e3o chore. Diga a ele que vai se encontrar com ela um dia no c\u00e9u, diga que seja uma boa pessoa. Que tenha cuidado, que n\u00e3o fa\u00e7a coisas erradas\u2026\u201d. Era o que qualquer m\u00e3e poderia dizer para um filho, caso soubesse que teria as \u00faltimas recomenda\u00e7\u00f5es a fazer sobre o futuro. Ou era o que qualquer pai que ama desejaria que o filho tivesse como norte para a vida adulta.<\/p>\n<p>Ao lado de dona Maria da Paz estava Tatiana Marques, que h\u00e1 quase dois anos se tornou volunt\u00e1ria do Hospital do C\u00e2ncer de Pernambuco e que me fez este relato sobre o que viu e ouviu esta semana. \u201cO senhor acha isso certo?\u201d, questionaram. Ele se manteve firme. Dentro do seu desespero, achava. Parecia t\u00e3o determinado que j\u00e1 tinha consigo folha e papel para a carta. Dona Maria da Paz pegou-as, afastou-se e come\u00e7ou a rezar, segundo ela para pedir orienta\u00e7\u00e3o Divina para as palavras certas. Como se fosse a m\u00e3e do garoto, explicou que n\u00e3o coube a ela a decis\u00e3o da partida, mas que teria chegado a hora de ir e n\u00e3o deu tempo de dizer tudo a ele. Todos os dias, contou Tatiana, a m\u00e3e fazia quest\u00e3o de pedir um telefonema para o filho que mora no interior de Pernambuco. A carta falou ainda do pai do menino, lembrando que enquanto marido era carinhoso e dedicado, e citou a promessa que ele pediu pra mencionar (\u201cdiga que eu vou cuidar dele\u201d). O que Tatiana lembra da m\u00e3e que se foi: \u201cAcho que a paciente ficou na unidade de cuidados paliativos cerca de um m\u00eas. A gente sempre via ele na beira da cama da mulher e tinha por h\u00e1bito alisar o cabelo dela\u201d. O mesmo cabelo que fazia forte contraste com a pele p\u00e1lida e as olheiras cada dia mais acentuadas.<\/p>\n<p>O texto teve duas p\u00e1ginas escritas a punho. \u201cUm dia, quando voc\u00ea crescer, voc\u00ea saber\u00e1 a alegria que me deu em vida\u201d, confortava, para emendar as recomenda\u00e7\u00f5es sobre\u00a0 ser uma pessoa do bem. A carta foi uma declara\u00e7\u00e3o de amor como o pai queria deixar para o menino que ir\u00e1 criar. Das m\u00e3os das volunt\u00e1rias, recebeu-a \u201cextremamente emocionado\u201d.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria da vida real. E uma hist\u00f3ria pascoal. Desconhece-se o nome do homem, mas para Tatiana Marques, dona Maria da Paz Azevedo e amigas esse pai, ao pedir uma carta para seu filho, falou de amor, de promessa, de reencontro e de renascimento.<\/p><\/div>\n<p><span id=\"coment_user\"><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img src=\"http:\/\/app.impresso.diariodepernambuco.com.br\/access\/da_impresso_130686904244\/166557\/43\/eq.gif\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo corredor do hospital, aquele homem vinha se aproximando. Era ter\u00e7a-feira passada. Numa calmaria inacredit\u00e1vel do luto, chorava l\u00e1grimas quase em c\u00e2mera lenta. 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