{"id":38956,"date":"2017-05-12T11:27:03","date_gmt":"2017-05-12T14:27:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=38956"},"modified":"2017-05-12T11:27:03","modified_gmt":"2017-05-12T14:27:03","slug":"a-geografia-do-cancer-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-geografia-do-cancer-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"A Geografia do C\u00e2ncer em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe consenso entre os pesquisadores quanto ao estresse ser um fator de risco para o aparecimento de um c\u00e2ncer. Em todo o mundo, estudos extensos encontram evid\u00eancias contra e a favor. A discord\u00e2ncia foi levantada tamb\u00e9m por especialistas em evento de oncologia promovido pelo laborat\u00f3rio Bayer, em S\u00e3o Paulo, na \u00faltima semana. Fatores de risco, como o estresse &#8211; possivelmente \u00e9 -, podem definir os tipos de c\u00e2ncer predominantes em regi\u00f5es e \u00e9pocas diferentes.<\/p>\n<p>No Hospital do C\u00e2ncer de Pernambuco, por exemplo, o c\u00e2ncer de pele \u00e9 extremamente comum em pacientes que chegam do interior. O sol levado em tempos remotos \u00e9 refletido em pequenos \u201csinais\u201d na pele que aumentam e podem at\u00e9 levar a \u00f3bito. Em 2015, de acordo com dado mais atualizado da Secretaria Estadual de Sa\u00fade (SES), 55 pessoas morreram com a doen\u00e7a. No ano anterior, foram 44.<\/p>\n<p>Miguel Machado, de 47 anos, descobriu um sinal no rosto h\u00e1 menos de dois anos, mas vinha trabalhado sob sol a pino desde a juventude em Araripina, no Sert\u00e3o do Estado. Na ro\u00e7a, n\u00e3o conhece ningu\u00e9m que proteja a pele dos efeitos nocivos do sol.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um chap\u00e9u que n\u00e3o faz muita diferen\u00e7a nessa prote\u00e7\u00e3o. S\u00f3 descobri o problema quando vi a marca embaixo do nariz. Ela foi mudando de lugar. Eu j\u00e1 estou indo para a terceira cirurgia e, hoje, parei de trabalhar porque n\u00e3o aguento mais a quentura\u201d, contou. Da Zona Rural da cidade sertaneja e Arcoverde Maria Edilene, 44, tamb\u00e9m saiu da ro\u00e7a para o hospital. \u201cMeu sinal foi na parte de tr\u00e1s do pesco\u00e7o. Era como um caro\u00e7o de feij\u00e3o\u201d, lembrou. O c\u00e2ncer foi removido e ela volta ao HCPE apenas para a revis\u00e3o. Mas as consequ\u00eancias da doen\u00e7a a perseguem. \u201cQuando soube que eu estava com a doen\u00e7a, meu marido me deixou. Por ignor\u00e2ncia, mesmo, achou que era algo contagioso e partiu. Est\u00e1vamos juntos havia mais de 20 anos.\u201d<\/p>\n<p>Os fatores de risco ambientais tamb\u00e9m est\u00e3o relacionados a \u00e9pocas. Liberina da Silva, 81, veio do interior para morar no bairro de Ouro Preto, em Olinda, na RMR, h\u00e1 cerca de 70 anos. Desde que chegou, ainda crian\u00e7a, lavava roupas em um rio, sem nenhuma tipo de prote\u00e7\u00e3o contra o sol. Caminhava pelas ruas acompanhada da sombra da trouxa que equilibrava na cabe\u00e7a. \u201cO sinal apareceu e eu passei a mexer, a arrancar. Uma hora estava muito grande e um filho meu me falou para procurar um m\u00e9dico porque aquilo poderia ser c\u00e2ncer. Foi mesmo. Mas ap\u00f3s uma cirurgia que durou menos de duas horas, consegui resolver\u201d, comemorou.<\/p>\n<p>A sorte de Liberina n\u00e3o foi a mesma de Nivaldo Reis, 63, que tamb\u00e9m viveu numa \u00e9poca em que trabalhar diretamente sob o sol sem prote\u00e7\u00e3o era comum em todas as cidades pernambucanas. Sou militar reformado e, nos anos 1980, trabalhava como soldador. Nas obras, pelo interior, como em Salgueiro, por exemplo, todos trabalhavam como eu, com o rosto sob o sol, sem se preocupar. H\u00e1 dois anos percebi o problema e, j\u00e1 fiz 17 cirurgias. \u00c9 muito prov\u00e1vel que eu perca o olho direito em fun\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o da doen\u00e7a\u201d, lamentou. \u201cEstou vivendo \u00e0 base de calmantes.\u201d Diversos locais no rosto, pesco\u00e7o e na parte superior do peito de Nivaldo foram atingidos.<\/p>\n<div id=\"pastingspan1\" style=\"text-align: justify;\">Muito al\u00e9m de sinais na pele<\/p>\n<div id=\"pastingspan1\">Al\u00e9m do sol, o c\u00e2ncer de pele na Zona Rural est\u00e1 ligado \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. \u201cAp\u00f3s 25 anos de dermatologia continuo ouvindo que os pacientes borrifam esses qu\u00edmicos indiscriminadamente, sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual. N\u00e3o vejo avan\u00e7o nisso\u201d, comentou a dermatologista do Hospital do C\u00e2ncer de Pernambuco, Mecciene Mendes Rodrigues. \u201cEles come\u00e7am muito cedo. Numa vida de 70, 80 anos, est\u00e3o desde os 8 anos em contato com os produtos.\u201d<\/div>\n<div id=\"pastingspan1\">Outro c\u00e2ncer comum na Zona Rural, especialmente no Norte e no Nordeste, \u00e9 o c\u00e2ncer de p\u00eanis. \u201cEle est\u00e1 ligado \u00e0 higiene e, muitas vezes, os trabalhadores de \u00e1reas muito isoladas n\u00e3o cuidam desse aspecto como deveriam. J\u00e1 na Cidade Grande, o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 muito associado \u00e0 polui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o apenas ao fumo, como se pensa\u201d, explicou o m\u00e9dico oncologista Otavio Clark, doutor em ci\u00eancias m\u00e9dicas pela Unicamp. Em Pernambuco, c\u00e2nceres de mama nas mulheres e pr\u00f3stata nos homens s\u00e3o os mais comuns.<\/div>\n<div id=\"pastingspan1\">\u201cA rela\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer com a presen\u00e7a do HPV \u00e9 extrema no Nordeste brasileiro. \u00c9 mais um tra\u00e7o que mostra como o c\u00e2ncer \u00e9 mais ligado a fatores ambientais que gen\u00e9ticos. S\u00f3 cerca de 7% da popula\u00e7\u00e3o tem s\u00edndrome gen\u00e9tica que possa levar \u00e0 doen\u00e7a\u201d, contou o diretor do Centro Oncol\u00f3gico Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes da Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo, Ant\u00f4nio Buzaid.<\/div>\n<div id=\"pastingspan1\">\nCom vasta experi\u00eancia na \u00e1rea, tendo ensinado em institui\u00e7\u00f5es como a universidade de Yale e do Anderson Cancer Center, ambos nos Estados Unidos, Buzaid \u00e9 dos m\u00e9dicos que, pessoalmente, acreditam na influ\u00eancia do estresse na presen\u00e7a da doen\u00e7a. \u201cEm ratos, podemos visualmente perceber os tumores aumentando quando o colocamos sobre tens\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que ele aja de maneira semelhante conosco. Mas, para al\u00e9m do estresse. Mas h\u00e1 diversos fatores de risco para se observar, em especial, a alimenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Buzaid, 33% dos c\u00e2nceres mundiais s\u00e3o decorrentes do fumo e da gordura saturada. Especialmente, os de pulm\u00e3o, es\u00f4fago, bexiga, cabe\u00e7a e pesco\u00e7o. \u201cLingui\u00e7a, salsicha, presunte, bacon e peito de peru s\u00e3o alimentos que, com certeza, s\u00e3o cancer\u00edgenos\u201d, alertou. \u201cO refrigerante \u00e9 um dos piores, porque o c\u00e2ncer \u00e9 \u00e1vido por a\u00e7\u00facar.\u201d<\/p><\/div>\n<div id=\"pastingspan1\"><\/div>\n<div id=\"pastingspan1\">C\u00e2ncer infantil<\/div>\n<div id=\"pastingspan1\">O c\u00e2ncer mais prevalente nas crian\u00e7as, a leucemia linf\u00f3ide aguda, foi tema de reuni\u00e3o entre entidades m\u00e9dicas e a Secretaria Estadual de Sa\u00fade, ontem. O motivo \u00e9 a importa\u00e7\u00e3o de uma medica\u00e7\u00e3o chinesa para o tratamento deste tipo o c\u00e2ncer. \u201cH\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o de entidades m\u00e9dicas em conjunto com associa\u00e7\u00e3o de pais de crian\u00e7as portadoras de c\u00e2ncer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 L-asparaginase comprada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Faltam estudos que comprovem a sua efic\u00e1cia e essa \u00e9 uma droga de extrema import\u00e2ncia\u201d, explicou o presidente do Sindicato de M\u00e9dicos de Pernambuco (Simepe), Tadeu Calheiros.<\/div>\n<div id=\"pastingspan1\">A SES informou que a importa\u00e7\u00e3o da droga \u00e9 uma decis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O Simepe trabalha pela interrup\u00e7\u00e3o imediata dessa droga, produzida na China, sobre a qual n\u00e3o h\u00e1 estudos, e pela substitui\u00e7\u00e3o dela pela alem\u00e3, de efic\u00e1cia garantida. \u201cImagine um pai que j\u00e1 sofre com diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer, com a preocupa\u00e7\u00e3o de saber se o filho est\u00e1 sendo realmente tratado.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o existe consenso entre os pesquisadores quanto ao estresse ser um fator de risco para o aparecimento de um c\u00e2ncer. Em todo o mundo, estudos extensos encontram evid\u00eancias contra e a favor. A discord\u00e2ncia foi levantada tamb\u00e9m por especialistas em evento de oncologia promovido pelo laborat\u00f3rio Bayer, em S\u00e3o Paulo, na \u00faltima semana. 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