{"id":38992,"date":"2017-05-17T16:47:57","date_gmt":"2017-05-17T19:47:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=38992"},"modified":"2017-05-17T16:47:57","modified_gmt":"2017-05-17T19:47:57","slug":"estudo-mostra-como-a-plasticidade-induz-configuracoes-no-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-mostra-como-a-plasticidade-induz-configuracoes-no-cerebro\/","title":{"rendered":"Estudo mostra como a plasticidade induz configura\u00e7\u00f5es no c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com aproximadamente 100 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios, cada qual dotado de cerca de 10 mil conex\u00f5es com outros neur\u00f4nios, o c\u00e9rebro humano \u00e9 o objeto material mais sofisticado em estudo pela ci\u00eancia contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um aspecto de sua sofistica\u00e7\u00e3o \u00e9 a chamada \u201cneuroplasticidade\u201d: a capacidade que o c\u00e9rebro possui de reorganizar seus caminhos sin\u00e1pticos, em resposta a novos est\u00edmulos sensoriais, aportes de informa\u00e7\u00f5es, mudan\u00e7as nos par\u00e2metros ambientais ou danos na estrutura previamente estabelecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A plasticidade sin\u00e1ptica pode ser refor\u00e7ada ou inibida \u2013 e isso \u00e9 de enorme interesse n\u00e3o s\u00f3 para eventuais aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas como para a compreens\u00e3o de processos complexos como o aprendizado, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 modelos matem\u00e1ticos que simulam a din\u00e2mica dos neur\u00f4nios. O mais famoso deles, o de Hodgkin e Huxley, resultou na premia\u00e7\u00e3o dos dois pesquisadores brit\u00e2nicos com o Nobel de Fisiologia em 1952.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alan Lloyd Hodgkin (1914 \u2013 1998) e Andrew Huxley (1917 \u2013 2012) utilizaram o neur\u00f4nio de uma lula (Loligo pealeii) para investigar como o impulso nervoso era iniciado e se propagava ao longo do ax\u00f4nio. E traduziram esse processo fisiol\u00f3gico em um conjunto de equa\u00e7\u00f5es diferenciais n\u00e3o lineares para explicar os mecanismos i\u00f4nicos e el\u00e9tricos subjacentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo rec\u00e9m-publicado na revista Neural Networks empregou o modelo de Hodgkin e Huxley para simular a neuroplasticidade em uma rede neuronal. E verificou como uma configura\u00e7\u00e3o inicialmente simples pode evoluir para uma topologia bastante complexa \u00e0 medida que os neur\u00f4nios mudam suas conex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo foi conduzido por Kelly Cristiane Iarosz e Iber\u00ea Luiz Caldas, da Universidade de S\u00e3o Paulo, Rafael Ribaski Borges, da Universidade Federal Tecnol\u00f3gica do Paran\u00e1, Fernando da Silva Borges, Ewandson Luiz Lameu e Antonio Marcos Batista, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, e Chris Antonopoulos e Murilo da Silva Baptista, da University of Aberdeen, na Esc\u00f3cia, e contou com v\u00e1rios apoios da FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que fizemos foi uma simula\u00e7\u00e3o computacional a partir do modelo de Hodgkin e Huxley. Consideramos um conjunto de 200 neur\u00f4nios, integrados em uma rede com acoplamento global, isto \u00e9, na qual cada neur\u00f4nio estava conectado a todos os outros, por meio de sinapses excitat\u00f3rias (80%) e inibit\u00f3rias (20%). Sem considerar a plasticidade sin\u00e1ptica, n\u00e3o houve modifica\u00e7\u00f5es significativas na rede ap\u00f3s a evolu\u00e7\u00e3o temporal. Por\u00e9m, quando introduzimos nas equa\u00e7\u00f5es um termo matem\u00e1tico caracter\u00edstico, representando a plasticidade sin\u00e1ptica, foram verificadas modifica\u00e7\u00f5es substanciais\u201d, disse Iarosz \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo matem\u00e1tico mencionado representa o que \u00e9 chamado de STDP, sigla composta pelas iniciais da express\u00e3o inglesa \u201cspike timing-dependent plasticity\u201d, que designa a plasticidade dependente do tempo de disparos entre os neur\u00f4nios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando a STPD \u00e9 inserida e verificamos a evolu\u00e7\u00e3o da rede, percebemos modifica\u00e7\u00f5es na matriz de acoplamento bem como efeitos consider\u00e1veis na sincroniza\u00e7\u00e3o ou dessincroniza\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios. A inser\u00e7\u00e3o do termo de plasticidade no modelo induziu a rede a uma nova topologia, n\u00e3o trivial como a de in\u00edcio\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo todo segue um padr\u00e3o, conhecido como regra de Heeb [refer\u00eancia ao psic\u00f3logo canadense Donald Olding Hebb (1904 \u2013 1985)], que determina quando as sinapses s\u00e3o intensificadas e quando s\u00e3o inibidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNosso trabalho tornou bem evidente a depend\u00eancia da rede em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 plasticidade sin\u00e1ptica. Partimos de uma condi\u00e7\u00e3o de acoplamento global, cada neur\u00f4nio acoplado a todos os outros, com sinapses excitat\u00f3rias ou inibit\u00f3rias, e verificamos que a inser\u00e7\u00e3o da plasticidade levou a diferentes diagn\u00f3sticos do estado de sincroniza\u00e7\u00e3o da rede\u201d, detalhou Iarosz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz-se que dois neur\u00f4nios est\u00e3o sincronizados quando disparam os sinais el\u00e9tricos ao mesmo tempo. O estado de sincroniza\u00e7\u00e3o da rede \u00e9 caracterizado por uma vari\u00e1vel matem\u00e1tica denominada \u201cpar\u00e2metro de ordem\u201d, cujo valor varia de zero (quando n\u00e3o h\u00e1 nenhuma sincroniza\u00e7\u00e3o) a um (quando a sincroniza\u00e7\u00e3o \u00e9 total).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A plasticidade induz modifica\u00e7\u00f5es na rede neural, podendo refor\u00e7ar as conex\u00f5es entre determinados neur\u00f4nios, levando \u00e0 sincronia, ou inibir as conex\u00f5es entre outros, levando \u00e0 dessincronia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAssim, a rede evolui topologicamente em fun\u00e7\u00e3o da plasticidade: a topologia simples, de cada um conectado com todos os outros, d\u00e1 lugar a topologias bem mais complexas, com conex\u00f5es esparsas, moderadas e densas coexistindo\u201d, disse Iarosz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande contribui\u00e7\u00e3o do trabalho foi descrever, em linguagem matem\u00e1tica, o processo biol\u00f3gico caracterizado pelo rearranjo das conex\u00f5es neurais em fun\u00e7\u00e3o de uma grande variedade de fatores: les\u00e3o, doen\u00e7a degenerativa, novas experi\u00eancias, aprendizado etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa maleabilidade, essa din\u00e2mica do sistema nervoso, \u00e9 aquilo que se conhece como plasticidade \u2013 especificamente, neste trabalho, a plasticidade sin\u00e1ptica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO estudo evidenciou como um sistema determin\u00edstico pode evoluir de forma bastante complexa\u201d, sublinhou Caldas, supervisor da pesquisa de p\u00f3s-doutorado de Iarosz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que fizemos foi um trabalho de ci\u00eancia b\u00e1sica, sem nos voltarmos para aplica\u00e7\u00f5es imediatas. Mas nada impede que os resultados obtidos contribuam para aplica\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo hipot\u00e9tico: sabemos que, na doen\u00e7a de Parkinson, existe um excesso de sincroniza\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios; se um fator de dessincroniza\u00e7\u00e3o fosse induzido, isso poderia, eventualmente, configurar uma estrat\u00e9gia de tratamento\u201d, disse Caldas.<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com aproximadamente 100 bilh\u00f5es de neur\u00f4nios, cada qual dotado de cerca de 10 mil conex\u00f5es com outros neur\u00f4nios, o c\u00e9rebro humano \u00e9 o objeto material mais sofisticado em estudo pela ci\u00eancia contempor\u00e2nea. 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