{"id":39165,"date":"2017-05-25T09:46:26","date_gmt":"2017-05-25T12:46:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=39165"},"modified":"2017-05-25T09:46:26","modified_gmt":"2017-05-25T12:46:26","slug":"a-professora-que-mudou-a-vida-de-uma-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-professora-que-mudou-a-vida-de-uma-familia\/","title":{"rendered":"A professora que mudou a vida de uma fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">Maria Clara adora gatos. O gato representa a zona de conforto, o equil\u00edbrio emocional de que ela precisa em ambientes desconhecidos. Nos primeiros dias de aula, revezava seus afagos entre cinco gatinhos de brinquedo. Com 4 anos e 5 meses, Clara &#8211; que tem espectro autista &#8211; mal falava. \u201cQuando a matriculei na escola, minha \u00fanica expectativa era de que ela interagisse e brincasse com outras crian\u00e7as. A alfabetiza\u00e7\u00e3o era algo inating\u00edvel para mim\u201d, disse a m\u00e3e de Clara, Bet\u00e2nia Andrade. A jovem professora Nath\u00e1lia Lumarina estava l\u00e1 para receb\u00ea-la. A m\u00e3e a entregou um prontu\u00e1rio de restri\u00e7\u00f5es alimentares e alergias. \u201cEla foi al\u00e9m: me mostrou ao longo de um ano que diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 destino. Acreditou em minha filha mais que eu. N\u00e3o percebi que Clara era t\u00e3o capaz\u201d, comentou Bet\u00e2nia, a mais dedicada das m\u00e3es.<br \/>\nDois meses depois do in\u00edcio do ano letivo, Nat\u00e1lia avisou: \u201cAgora ela n\u00e3o trar\u00e1 mais gatos\u201d. \u201cVoc\u00ea segura a onda?\u201d, perguntou a m\u00e3e. \u201cPode ir. Resolvo\u201d. Naquela \u00e9poca, Maria Clara ainda tirava roupas e n\u00e3o se sentia confort\u00e1vel com sapatos. \u201cPois aqui ela n\u00e3o tira os sapatos\u201d, informou Nath\u00e1lia (foto ao lado). Noutro dia, resolveu dar uma recomenda\u00e7\u00e3o especial: \u201cN\u00e3o traga ela nos bra\u00e7os. Clarinha j\u00e1 \u00e9 grande e pode vir andando\u201d. Passou a exigir de Maria Clara a realiza\u00e7\u00e3o de tarefas em papel A3, aquele que parece um of\u00edcio gigante. At\u00e9 que um dia chegou Clara com a tarefa tamanho menor, enfurnada dentro da mochila, igual aos coleguinhas. \u201cNunca pude imaginar\u201d, revelou a m\u00e3e. Quem diria, Maria Clara come\u00e7ou a acompanhar li\u00e7\u00f5es copiando com a pr\u00f3pria m\u00e3o exemplos de letras e n\u00fameros vistos no quadro, que leciona no Col\u00e9gio Boa Viagem, Zona Sul do Recife.<br \/>\nOs momentos de maiores tens\u00f5es eram (s\u00e3o) as datas festivas, que exigem apresenta\u00e7\u00e3o em p\u00fablico &#8211; algo dif\u00edcil para Maria Clara. Crian\u00e7as autistas costumam ter dificuldade com exposi\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as de rotina. Na festinha de S\u00e3o Jo\u00e3o, Bet\u00e2nia deixou a filha com a \u201cprofessorinha\u201d (apelido com o qual trata Nath\u00e1lia) toda vestida de matuta. Na bolsa, alimenta\u00e7\u00e3o especial e uma roupa extra para eventuais inc\u00f4modos. Quando a m\u00e3e chegou, Clara estava tranquila, trocada e alimentada. Na comemora\u00e7\u00e3o do Dia das Crian\u00e7as, a ideia era fazer uma festa do pijama. A menininha n\u00e3o ficaria de fora; Nath\u00e1lia n\u00e3o deixaria. \u201cPedi para trazerem um pijama dela, mostrei na sala alguns dias antes. No dia anterior, lembrei: \u00e9 amanh\u00e3, gente!\u201d. No dia D, Clara estava como o grupo. Inserida.<br \/>\nA apresenta\u00e7\u00e3o da Cantata de Natal seria desafio maior, afinal era o Palco do Teatro Dona Lindu. Nath\u00e1lia pediu que Clara fosse uma hora antes. Queria dan\u00e7ar com ela antes de todos. As duas rodopiaram juntas, com a importante ajuda da professora especializada em inclus\u00e3o Maria Marques. Clara brilhou como um anjo azul celeste. A grande preocupa\u00e7\u00e3o da professora era antecipar o que iria acontecer para a aluna se preparar emocionalmente. No dia do banho de piscina, fez quest\u00e3o de vestir o biqu\u00edni. Diante da resist\u00eancia, \u201cbaixei, olhei no olho dela\u201d. Deu certo. \u201cOlho no olho porque quero que meu aluno saiba que eu estou com ele para ajudar\u201d, contou-me Nath\u00e1lia.<br \/>\n\u201cO que cobro \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o humana do sujeito para que ele seja respeitado em suas especificidades e que saiba que est\u00e1 ali na escola para aprender. Eu me desespero em alguns momentos, ent\u00e3o vou estudar, pe\u00e7o ajuda da equipe da escola, mas n\u00e3o quero que passem por mim e nada aconte\u00e7a\u201d, disse a professora. \u201cQuero que alguma coisa mude\u201d. A m\u00e3e Maria Bet\u00e2nia Andrade garante que foram muitas as mudan\u00e7as na vida da filha. \u201cEla, a professorinha como eu chamo carinhosamente, essa mo\u00e7a jovem e linda, a transformou\u201d. Tanto que nesses dias Bet\u00e2nia escreveu uma carta p\u00fablica para Nath\u00e1lia Lumarina, em forma de agradecimento.<br \/>\nNath\u00e1lia tem 27 anos e \u00e9 rec\u00e9m-formada. Graduou-se como pedagoga pela Universidade Federal em 2014 e agora cursa uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em psicopedagogia. Gosta de estudar, \u00e9 o que todos que a cercam mencionam. N\u00e3o precisou de muitos anos para fazer jus \u00e0 bela profiss\u00e3o, comemorada todo dia 20 de maio. \u201cEla teve sensibilidade para acreditar em Clara. Investiu, viu o potencial cognitivo\u201d, comemorou a m\u00e3e.<br \/>\nCom pouco mais de cinco anos, Maria Clara j\u00e1 est\u00e1 lendo, naquela fase que tecnicamente se chama \u201csil\u00e1bico de qualidade\u201d. T-a-t-u. B-o-l-a, pronuncia. Escuta e identifica sons. Antes, o futuro escolar de Maria Clara atormentava Bet\u00e2nia. \u201cA professora fez a diferen\u00e7a. Hoje em dia sou ousada: penso em faculdade para minha filha, e olhe que n\u00e3o falo em uma faculdade particular, n\u00e3o\u201d.<\/div>\n<p><span id=\"coment_user\"><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img src=\"http:\/\/app.impresso.diariodepernambuco.com.br\/access\/da_impresso_130686904244\/168919\/43\/eq.gif\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Clara adora gatos. O gato representa a zona de conforto, o equil\u00edbrio emocional de que ela precisa em ambientes desconhecidos. Nos primeiros dias de aula, revezava seus afagos entre cinco gatinhos de brinquedo. 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