{"id":39228,"date":"2017-05-29T08:51:40","date_gmt":"2017-05-29T11:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=39228"},"modified":"2017-05-29T08:51:40","modified_gmt":"2017-05-29T11:51:40","slug":"jovens-de-pernambuco-criam-startups-para-combater-problemas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/jovens-de-pernambuco-criam-startups-para-combater-problemas-sociais\/","title":{"rendered":"Jovens de Pernambuco criam startups para combater problemas sociais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma nova gera\u00e7\u00e3o, mais conectada do que nunca, est\u00e1 unindo for\u00e7as para amenizar as consequ\u00eancias da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda, cr\u00f4nica no Pa\u00eds, e outros problemas de natureza socioecon\u00f4mica. Moradia precarizada, polui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, problemas de sa\u00fade, relacionamentos abusivos. S\u00e3o algumas das mazelas que essa juventude est\u00e1 tentando corrigir com ajuda da tecnologia. E v\u00e3o al\u00e9m: deixam sua marca e fazem desse prop\u00f3sito um empreendimento.<\/p>\n<p>Ana Pedrosa \u00e9 estudante de Arquitetura. Enquanto passava pela Via Mangue, no Pina, observou a paisagem. Viu as grandes estruturas de concreto contrastarem com as palafitas que se misturam ao que restou do mangue. Ela, apaixonada pela possibilidade de modelar cidades, decidiu arrega\u00e7ar as mangas. Foi a\u00ed que se tornou uma das idealizadoras, junto com Nath\u00e1lia Monteiro e Martin Sablayrolles, da startup Habite, que come\u00e7a a atuar nas comunidades vendendo &#8216;kits reforma&#8217; a um pre\u00e7o justo. &#8220;Eu poderia fazer mais do mesmo e ganhar dinheiro trabalhando para as classes A e B, mas n\u00e3o me d\u00e1 prazer&#8221;, desabafa.<\/p>\n<p>Um exemplo: a reforma da casa de uma moradora de Bras\u00edlia Teimosa custou R$ 11 mil, mas n\u00e3o foi conclu\u00edda. &#8220;N\u00f3s ter\u00edamos cobrado R$ 3 mil com material, planejamento e m\u00e3o de obra local (o que empregaria moradores das redondezas)&#8221;, conta. Ana acredita no potencial de lucro da sua empresa, pois, se seu trabalho atingir 1% da quantidade de lares insalubres de Recife, j\u00e1 significa atender 2,5 mil casas. Isso, al\u00e9m da renda, j\u00e1 mudaria a realidade de muitas fam\u00edlias e at\u00e9 salvaria vidas. Para a ideia se consolidar, o investimento total foi de R$ 150 mil.<\/p>\n<p>Mudar as estruturas das casas, com certeza, \u00e9 um desafio. Mas n\u00e3o \u00e9 maior do que mudar as rela\u00e7\u00f5es dos casais que vivem nelas. &#8220;Mulher \u00e9 assassinada pelo marido na frente dos filhos em sua resid\u00eancia&#8221;. A not\u00edcia, embora chocante, se tornou corriqueira. Cansada disso, a jornalista Renata Albertim criou, junto com suas s\u00f3cias, o &#8220;Mete a Colher&#8221; &#8211; um aplicativo (App) que ajuda mulheres a sa\u00edrem de relacionamentos abusivos. Elas, que j\u00e1 viveram essa ang\u00fastia e consultaram v\u00edtimas, chegaram a conclus\u00e3o de que &#8211; na maioria dos casos &#8211; a mulher s\u00f3 precisa conversar e de informa\u00e7\u00e3o para sair de uni\u00f5es t\u00f3xicas assim.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que surgiu o App. &#8220;Oferecemos o bate papo entre mulheres que procuram aux\u00edlio e as que querem ajudar, incluindo assist\u00eancia psicol\u00f3gica e jur\u00eddica&#8221;, explica. Al\u00e9m dessas op\u00e7\u00f5es, as mulheres podem encontrar abrigos e at\u00e9 vagas de emprego. E para manter funcionando, as empreendedoras tiveram que arrecadar R$ 45 mil para o investimento inicial. A plataforma ser\u00e1 lan\u00e7ada em julho, mas em um breve teste j\u00e1 sentiram boa recep\u00e7\u00e3o: mais de 160 mulheres, brasileiras e do exterior, procuraram o App. &#8220;Acreditamos que vamos ter lucro, mas o verdadeiro motor \u00e9 a empatia pela dor da outra&#8221;.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como as de Ana e Renata ainda s\u00e3o poucas tanto no Brasil como em Recife &#8211; comparado ao resto do mundo, mas j\u00e1 \u00e9 uma tend\u00eancia. Em um ano, 840 startups de impacto socioambiental foram abertas. Na opini\u00e3o da coordenadora de projetos e neg\u00f3cios sociais do C.e.s.a.r, Andr\u00e9a Santos, esse movimento tem dois lados: o de dar sentido a exist\u00eancia de uma empresa e o de fidelizar o cliente. &#8220;As pessoas, mais do que antes, vivem em busca de raz\u00f5es para existir. E mais que isso: as empresas usam do prop\u00f3sito para ficarem mais pr\u00f3ximas do consumidor e criar um la\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Para provar que, apesar de ser um conceito novo, o m\u00e9todo d\u00e1 certo, Jonatan Alves, s\u00f3cio do EcoLivery com Amilcar Marques, abriu a startup de entregas por meio de bicicleta h\u00e1 tr\u00eas anos. Cicloativista, ele desembolsou R$ 3 mil para criar o software e divulgar a plataforma que emprega ciclistas para entregas avulsas ou propriamente para o servi\u00e7o de delivery nos restaurantes &#8211; por exemplo. Atualmente, o App sustent\u00e1vel e preocupado em diminuir os efeitos negativos da polui\u00e7\u00e3o causada pelos carros tem cerca de 70 clientes no Recife. O faturamento gira em torno de R$ 20 mil e, mesmo com pouco tempo, j\u00e1 cobre os custos e come\u00e7a a gerar lucro.<\/p>\n<p>Enquanto, o EcoLivery tenta amenizar os impactos ambientas, outra empresa tenta reduzir os custos daqueles que sofrem as consequ\u00eancias de erros do poder p\u00fablico. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade (ONS), 30% do que o brasileiro paga com sa\u00fade \u00e9 desperdi\u00e7ado por inefici\u00eancia. Tentando amenizar essa perda, o s\u00f3cio da startup Salvus, Maristone Gomes, projetou uma plataforma que controla o uso de cilindros de oxig\u00eanio puro a fim de otimiz\u00e1-los. &#8220;Isso acaba reduzindo o custo para o usu\u00e1rio, porque n\u00e3o precisar\u00e1 pagar a mais pelo descarte precoce do cilindro&#8221;, analisa. Hoje, com apenas sete meses de atua\u00e7\u00e3o, a Salvus tem tr\u00eas clientes e j\u00e1 estima um faturamento de R$ 300 mil em 2017.<\/p>\n<p>&#8220;O prop\u00f3sito \u00e9 o fim. A tecnologia \u00e9 apenas o meio facilitador&#8221;, conclui a coordenadora do C.e.s.a.r Andr\u00e9a. Afinal, essa nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 conectada, preocupada, engajada e ainda quer aliar isso a uma maneira de ganhar dinheiro. Ou seja, viver da causa. Na opini\u00e3o da especialista, o motivo principal \u00e9 que os desenvolvedores de softwares n\u00e3o querem mais apenas programar, mas saber para como e onde seus produtos est\u00e3o sendo usados. &#8220;\u00c9 sobre um fruto seu fazer diferen\u00e7a na sociedade. Essa garotada quer deixar sua marca&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova gera\u00e7\u00e3o, mais conectada do que nunca, est\u00e1 unindo for\u00e7as para amenizar as consequ\u00eancias da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda, cr\u00f4nica no Pa\u00eds, e outros problemas de natureza socioecon\u00f4mica. 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