{"id":39232,"date":"2017-05-29T09:02:45","date_gmt":"2017-05-29T12:02:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=39232"},"modified":"2017-05-29T09:02:45","modified_gmt":"2017-05-29T12:02:45","slug":"precariedade-na-barros-lima-reflete-o-caos-nas-maternidades-de-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/precariedade-na-barros-lima-reflete-o-caos-nas-maternidades-de-pernambuco\/","title":{"rendered":"Precariedade na Barros Lima reflete o caos nas maternidades de Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A data deste domingo, 28 de maio, \u00e9 lembrada como o Dia de Combate \u00e0 Mortalidade Materna. No Recife, a realidade enfrentada por mulheres que dependem do sistema p\u00fablico de sa\u00fade para ter seus filhos \u00e9 bastante preocupante e n\u00e3o motivo para comemorar. Na v\u00e9spera da data dedicada a promover debates p\u00fablicos sobre o problema das mortes maternas e os direitos das mulheres, a Folha de Pernambuco recebeu uma den\u00fancia sobre o grave estado de precariedade de uma das principais unidades realizadoras de partos no Estado: a Maternidade e Policl\u00ednica Professor Barros Lima, localizada no bairro de Casa Amarela, na Zona Norte da Capital.<\/p>\n<p>Neste s\u00e1bado (27), a reportagem foi conferir de perto a situa\u00e7\u00e3o na Barros Lima e constatou, por meio de relatos de mulheres que receberam alta da maternidade, as dificuldades enfrentadas pela popula\u00e7\u00e3o que faz uso do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Todas as mulheres que deram depoimentos preferiram n\u00e3o se identificar, portanto, est\u00e3o identificadas por nomes fict\u00edcios.<\/p>\n<p>De acordo com Concei\u00e7\u00e3o, que deu \u00e0 luz uma menina, na madrugada de quinta-feira (25), durante os dois dias em que esteve na Barros Lima, presenciou m\u00e3es e rec\u00e9m-nascidos dormindo no ch\u00e3o. &#8220;Est\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. N\u00e3o tem \u00e1gua morna. As crian\u00e7as est\u00e3o tomando banho de \u00e1gua fria. N\u00e3o tem len\u00e7ol de cama. A gente est\u00e1 trazendo len\u00e7ol de casa. At\u00e9 colch\u00e3o o povo est\u00e1 trazendo. Cama, colch\u00e3o&#8221;, disse. &#8220;Est\u00e3o dando alta \u00e0s m\u00e3es antes (do prazo de 48 horas, em caso de parto normal), porque n\u00e3o tem vaga, n\u00e3o tem cama, para tirar as m\u00e3es e colocar as outras. Os chuveiros est\u00e3o quebrados, n\u00e3o tem ar-condicionado.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 F\u00e1tima, que teve um menino na madrugada de sexta-feira (26), presenciou uma jovem dando \u00e0 luz no banco do jardim. A amiga de F\u00e1tima, que a acompanhou, contou que testemunhou outra mulher realizando o parto no ch\u00e3o. &#8220;Eu ia pegar meu celular para filmar, mas a mulher (funcion\u00e1ria) me barrou. Algumas t\u00eam parto para ser ces\u00e1rea e eles for\u00e7am para ter normal&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no momento em que estava indo para casa, Gra\u00e7a relatou que na quinta-feira, antes da entrada da triagem, outra jovem &#8220;se acocorou e o beb\u00ea dela caiu ali&#8221;. &#8220;A\u00ed o pessoal pegou o beb\u00ea. S\u00f3 Jesus na miseric\u00f3rdia&#8221;, completou.<\/p>\n<p>&#8220;O ruim \u00e9 porque n\u00e3o tem len\u00e7ol, n\u00e3o tem absorvente, n\u00e3o tem fralda descart\u00e1vel&#8221;, informou Fernanda. &#8220;\u00c1gua quente n\u00e3o tem, para dar banho no beb\u00ea. Muita coisa faltando. Est\u00e1 muito lotado. Muitas tiveram beb\u00ea e tiveram que ficar sentadas. Eu consegui a cama. N\u00e3o tinha luz no banheiro.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo diante desse quadro, algumas m\u00e3es, a exemplo de Marlize, que deu \u00e0 luz um menino na segunda-feira (22), elogiaram o esfor\u00e7o dos servidores para atender \u00e0 demanda em meio ao caos. &#8220;O atendimento \u00e9 nota 10, mas, em compensa\u00e7\u00e3o, a estrutura do pr\u00e9dio, do hospital, n\u00e3o nos garante higiene nenhuma. No colch\u00e3o n\u00e3o tem len\u00e7ol. A sala de pr\u00e9-parto sem bata, sem len\u00e7ol, sem higiene para nada, sem papel para nossa higiene. Isso atrapalha bastante. L\u00e1 embaixo me atenderam muito bem e me mandaram para cima. L\u00e1 em cima, com a roupa que eu vim da rua, cheia de possibilidades de bact\u00e9rias, eu tive meu beb\u00ea. O atendimento \u00e9 nota 10. Gra\u00e7as a Deus n\u00e3o tenho o que falar do atendimento. Mas a estrutura \u00e9 que n\u00e3o nos proporciona nada de seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Marlize ainda contou que na sexta-feira esteve na sala de pr\u00e9-parto onde n\u00e3o havia mais leitos dispon\u00edveis. &#8220;As gr\u00e1vidas estavam parindo e ficando l\u00e1 mesmo, junto de outras mulheres que estavam sangrando, prontas para ter o beb\u00ea, botando colch\u00e3o no ch\u00e3o. Minha amiga (acompanhante) testemunhou uma mulher que trouxe um colch\u00e3o de casa e patiu em cima do colch\u00e3o de casa. O ar-condicionado n\u00e3o pega, est\u00e1 fazendo calor. Peguei uma alergia. Estava cheio de poeira. O atendimento \u00e9 nota 10, mas, em compensa\u00e7\u00e3o, a estrutura para a gente ficar aqui \u00e9 horr\u00edvel&#8221;, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Modelo defasado<br \/>\nPara a representante de controle social J\u00falia Morim, coordenadora do Comit\u00ea Estadual de Estudos de Mortalidade Materna de Pernambuco (Ceemmpe), esse quadro reflete um problema da assist\u00eancia obstetr\u00edcia como um todo no Estado. &#8220;H\u00e1 v\u00e1rios anos a gente faz blitze surpresas. N\u00e3o vem mudando. A rede de assist\u00eancia municipal da Regi\u00e3o Metropolitana do Recife e do Interior n\u00e3o tem maternidade; nos fins de semana n\u00e3o t\u00eam m\u00e9dicos. Todas as mulheres s\u00e3o encaminhadas para o Recife e Olinda&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a coordenadora, o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Pernambuco est\u00e1 ciente da situa\u00e7\u00e3o e trabalha em prol de sugerir medidas para tentar solucionar o problema como, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio entre os munic\u00edpios que permita a divis\u00e3o de custos. &#8220;Mas, para isso, precisa vontade pol\u00edtica&#8221;, considerou. &#8220;Isso precisa ser resolvido. As mulheres e os beb\u00eas precisam ser assistidos. E o Estado precisa assumir esse papel para articular os munic\u00edpios.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o estrutural, segundo J\u00falia, o pr\u00f3prio modelo de assist\u00eancia obstetr\u00edcia deve ser revisto. &#8220;Essa peregrina\u00e7\u00e3o da mulher j\u00e1 \u00e9 a primeira viol\u00eancia que ela sofre. E \u00e9 um modelo centrado nos m\u00e9dicos, cheio de interven\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias na mulher. Muitas vezes a morte materna acontece nesse primeiro m\u00eas p\u00f3s-parto&#8221;, salientou.<\/p>\n<p>Resposta<br \/>\nSobre a situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da Barros Lima, a diretoria da maternidade respondeu, por nota, via assessoria da Secretaria de Sa\u00fade, que &#8220;tem sua demanda aumentada em mais 40% nos finais de semana em decorr\u00eancia de pacientes de outros munic\u00edpios que v\u00eam para a unidade&#8221;. &#8220;A alta das pacientes \u00e9 dada por meio de protocolo e avalia\u00e7\u00e3o do obstetra e do pediatra de plant\u00e3o. Em situa\u00e7\u00e3o de superlota\u00e7\u00e3o, \u00e9 solicitado que as pacientes de alta desocupem os leitos e aguardem em cadeiras.&#8221;<\/p>\n<p>A diretoria da maternidade tamb\u00e9m afirmou que nao h\u00e1 nenhum registro de parto realizado em jardim ou banco. &#8220;Sobre os chuveiros, o setor de engenharia est\u00e1 resolvendo a situa\u00e7\u00e3o. Os chuveiros el\u00e9tricos est\u00e3o queimando com muita frequ\u00eancia devido \u00e0 sobrecarga. Os beb\u00eas est\u00e3o tomando banho com \u00e1gua morna.&#8221;<br \/>\nSobre o parto normal, a maternidade disse que o mesmo &#8220;\u00e9 estimulado por ser a melhor op\u00e7\u00e3o para a m\u00e3e e o beb\u00ea, por\u00e9m&#8221;, ainda assim, &#8220;as indica\u00e7\u00f5es de ces\u00e1rea s\u00e3o respeitadas&#8221;.<\/p>\n<p>A nota ainda explicou que n\u00e3o h\u00e1 falta de \u00e1gua para beber podendo haver intervalo para substitui\u00e7ao do garraf\u00e3o. &#8220;No momento n\u00e3o h\u00e1 superlota\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 encontra-se normalizada&#8221;, encerrou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A data deste domingo, 28 de maio, \u00e9 lembrada como o Dia de Combate \u00e0 Mortalidade Materna. 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