{"id":39393,"date":"2017-06-05T11:24:56","date_gmt":"2017-06-05T14:24:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=39393"},"modified":"2017-06-05T11:26:16","modified_gmt":"2017-06-05T14:26:16","slug":"metodo-faz-diagnostico-precoce-de-esquizofrenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/metodo-faz-diagnostico-precoce-de-esquizofrenia\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo faz diagn\u00f3stico precoce de esquizofrenia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um novo m\u00e9todo desenvolvido por cientistas brasileiros poder\u00e1 ajudar os psiquiatras a diagnosticarem a\u00a0esquizofrenia\u00a0j\u00e1 na primeira consulta com o paciente. A t\u00e9cnica, que emprega algoritmos para analisar a estrutura da fala dos jovens com sintomas iniciais da doen\u00e7a, poder\u00e1 antecipar o diagn\u00f3stico em pelo menos seis meses, evitando o risco \u2013 bastante alto \u2013 de submeter o paciente \u00e0 medica\u00e7\u00e3o errada, de acordo com os pesquisadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo que descreve o novo m\u00e9todo foi publicada na revista\u00a0Schizophrenia, do grupo\u00a0Nature, por uma equipe liderada pelo neurocientistas Sidarta Ribeiro, do Instituto do C\u00e9rebro, ligado \u00e0 Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal. De acordo com Ribeiro, na \u00e1rea da Psiquiatria, um dos maiores problemas atuais para a ind\u00fastria farmac\u00eautica \u00e9 desenvolver meios para evitar que o paciente seja tratado para a doen\u00e7a errada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssas doen\u00e7as n\u00e3o t\u00eam base biol\u00f3gica clara e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 exames inequ\u00edvocos para o diagn\u00f3stico\u201d, disse Ribeiro \u00e0 reportagem. Atualmente, por conta dessa dificuldade, \u00e9 preciso acompanhar o paciente por seis meses para definir o diagn\u00f3stico, a fim de evitar uma medica\u00e7\u00e3o equivocada, que poderia ser desastrosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pesquisas anteriores, o grupo j\u00e1 havia mostrado que \u00e9 poss\u00edvel utilizar modelos matem\u00e1ticos para analisar a fala dos esquizofr\u00eanicos, mostrando tamb\u00e9m que, nesses pacientes, a estrutura do discurso \u00e9 empobrecida, quase aleat\u00f3ria. No novo artigo, por\u00e9m, os cientistas conseguiram fazer medidas objetivas do grau de aleatoriedade da estrutura verbal de adolescentes psic\u00f3ticos ainda em seu primeiro contato cl\u00ednico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMostramos que \u00e9 poss\u00edvel calcular um n\u00famero \u00fanico \u2013 que chamamos de \u00edndice de fragmenta\u00e7\u00e3o -, capaz de prever com grande acur\u00e1cia o diagn\u00f3stico da esquizofrenia na primeira entrevista psiqui\u00e1trica do paciente. Isso significa que o psiquiatra pode usar esse \u00edndice para dar um diagn\u00f3stico inicial mais certeiro j\u00e1 na consulta inicial\u201d, afirmou Ribeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avalia\u00e7\u00e3o da fala<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo m\u00e9todo de diagn\u00f3stico da esquizofrenia desenvolvido pelos cientistas do Instituto do C\u00e9rebro da UFRN se baseia na an\u00e1lise da fala dos pacientes. De acordo com a autora principal do artigo, a psiquiatra Nat\u00e1lia Mota, a psicopatologia cl\u00e1ssica j\u00e1 via na maneira de se expressar do esquizofr\u00eanico uma forma de distinguir a doen\u00e7a de outras, como do transtorno bipolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 muito tempo os sintomas da desordem do pensamento expressa na fala foram descritos como t\u00edpicos da esquizofrenia. N\u00e3o apenas o conte\u00fado do que a pessoa fala, mas a forma. O psiquiatra observa esses sintomas com base no que chama de \u2018descarrilamento do pensamento e frouxid\u00e3o das ideias&#8217;\u201d, disse Nat\u00e1lia \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, no caso dos pacientes cr\u00f4nicos, o psiquiatra consegue perceber esses sintomas com relativa facilidade, a partir do hist\u00f3rico das crises e da express\u00e3o das ideias, que j\u00e1 apresenta clara falta de conectividade. Mas, em crian\u00e7as e adolescentes que come\u00e7am a ter sintomas, o cl\u00ednico tem dificuldades para diferenciar a esquizofrenia da bipolaridade e de outros transtornos mentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPercebemos que seria importante aplicar esse m\u00e9todo de an\u00e1lise da fala logo in\u00edcio, a fim de poder rastrear quais pacientes poderiam desenvolver no futuro os sintomas mais dif\u00edceis de tratar, como a degrada\u00e7\u00e3o cognitiva\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nat\u00e1lia, que est\u00e1 concluindo o doutorado em Neuroci\u00eancias no Instituto do C\u00e9rebro, acompanhou as crian\u00e7as que chegavam para a primeira consulta em um Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial Infantil em Natal. Depois de fazer grava\u00e7\u00f5es de 30 segundos da fala das crian\u00e7as \u2013 enquanto elas contavam um sonho da noite anterior, por exemplo -, os cientistas analisaram como as palavras se conectavam, utilizando para isso um software desenvolvido por eles e baseado na teoria dos grafos, um ramo da matem\u00e1tica que estuda as rela\u00e7\u00f5es entre os elementos de um conjunto, de palavras, neste caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da transcri\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o, os cientistas carregavam o arquivo de texto no software, cujo algoritmo quantifica as caracter\u00edsticas da conectividade entre as palavras. Seis meses ap\u00f3s o experimento, j\u00e1 com o diagn\u00f3stico das crian\u00e7as definido clinicamente, foi poss\u00edvel observar as diferen\u00e7as do discurso daquelas que apresentavam esquizofrenia e testar a efic\u00e1cia do m\u00e9todo. \u201cO que observamos \u00e9 que, j\u00e1 na primeira entrevista, as crian\u00e7as que seis meses depois foram diagnosticadas com esquizofrenia falavam de uma forma bem menos conectada e menos complexa\u201d, disse Nat\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao combinar os tr\u00eas diferentes componentes matem\u00e1ticos utilizados para obter as medidas de aleatoriedade da fala, os cientistas criaram um n\u00famero \u00fanico \u2013 o \u00edndice de fragmenta\u00e7\u00e3o da fala -, que tornou o resultado ainda mais consistente. A t\u00e9cnica previu a esquizofrenia com mais de 80% de precis\u00e3o.\u00a0O estudo tamb\u00e9m teve participa\u00e7\u00e3o do f\u00edsico Mauro Copelli, da Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo m\u00e9todo desenvolvido por cientistas brasileiros poder\u00e1 ajudar os psiquiatras a diagnosticarem a\u00a0esquizofrenia\u00a0j\u00e1 na primeira consulta com o paciente. 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