{"id":39664,"date":"2017-06-20T14:39:59","date_gmt":"2017-06-20T17:39:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=39664"},"modified":"2017-06-20T14:39:59","modified_gmt":"2017-06-20T17:39:59","slug":"108-milhoes-de-jovens-com-menos-de-19-anos-estao-obesos-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/108-milhoes-de-jovens-com-menos-de-19-anos-estao-obesos-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"108 milh\u00f5es de jovens com menos de 19 anos est\u00e3o obesos, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A pandemia de sobrepeso e obesidade que vem aumentando nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas j\u00e1 afeta a sa\u00fade de 30% da popula\u00e7\u00e3o global. Um estudo elaborado por 2,3 mil pesquisadores de 133 pa\u00edses e publicado no The New England Journal of Medicine indica que n\u00e3o s\u00f3 aqueles com \u00edndice de massa corporal (IMC) muito elevado sofrem as consequ\u00eancias do excesso de gordura. Dos 4 milh\u00f5es de \u00f3bitos registrados em 2015 ligados ao IMC acima do normal, quase 40% ocorreram em pessoas n\u00e3o obesas, mas com sobrepeso.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8220;As pessoas que ignoram o ganho de peso est\u00e3o se colocando em risco de doen\u00e7as cardiovasculares, diabetes, c\u00e2ncer e outras condi\u00e7\u00f5es que amea\u00e7am a vida\u201d, disse, em nota, Christopher Murray, principal autor do artigo e diretor do Instituto de M\u00e9tricas de Sa\u00fade e Avalia\u00e7\u00e3o (IHME) da Universidade de Washington. \u201cEssas resolu\u00e7\u00f5es pouco s\u00e9rias de ano novo para perder peso deveriam se tornar compromissos durante o ano inteiro\u201d, afirmou. Entre as enfermidades associadas com o IMC alterado est\u00e3o c\u00e2ncer de es\u00f4fago, colorretal, f\u00edgado, bexiga e trato biliar, p\u00e2ncreas, mama, \u00fatero, ov\u00e1rio, rins, tireoide e leucemia.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A partir de estat\u00edsticas nacionais de 195 pa\u00edses e territ\u00f3rios referentes a 1980 e 2015, os pesquisadores calcularam o n\u00famero de pessoas com sobrepeso e obesidade em todo o mundo, al\u00e9m de examinar a rela\u00e7\u00e3o entre o excesso de gordura corporal e mais de 300 tipos de doen\u00e7as. Os dados mostram que, em 2015, 2,2 bilh\u00f5es de crian\u00e7as\/jovens e adultos, ou um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o global, tinham IMC acima do normal. Nesse universo, incluem-se 108 milh\u00f5es de menores de 19 anos e mais de 600 milh\u00f5es de pessoas com mais de 20 com um \u00edndice acima de 30, o que j\u00e1 caracteriza a obesidade.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cA obesidade virou uma pandemia. Era esperado que o n\u00famero de obesos em 2025 fosse 2,5 bilh\u00f5es, mas j\u00e1 se chegou a quase isso 10 anos antes. \u00c9 preciso uma a\u00e7\u00e3o governamental coordenada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO) para um controle mundial\u201d, avalia Osvalmir de S\u00e1, nutr\u00f3logo pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutrologia e m\u00e9dico da Cl\u00ednica Corpometria. \u201cTem de parar com essa coisa de dizer que o obeso \u00e9 uma pessoa relaxada, relapsa, e que basta parar de comer e se exercitar. S\u00f3 isso \u00e9 ineficaz para lutar contra a obesidade. Existem diversos fatores por tr\u00e1s desse problema, incluindo gen\u00e9ticos\u201d, lembra.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Falhas de abordagem<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">No artigo do The New England Journal of Medicine, os autores destacam que, na \u00faltima d\u00e9cada, foram propostas diversas interven\u00e7\u00f5es para reduzir a obesidade, como a restri\u00e7\u00e3o de propagandas de produtos aliment\u00edcios n\u00e3o saud\u00e1veis, melhoria na oferta da merenda escolar, taxa\u00e7\u00e3o de industrializados e subs\u00eddios para alimentos saud\u00e1veis, entre outros. \u201cContudo, alguns pa\u00edses come\u00e7aram a implementar algumas dessas pol\u00edticas, mas nenhum grande sucesso populacional foi alcan\u00e7ado\u201d, escreveram.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para Osvalmir de S\u00e1, \u00e9 preciso encarar a obesidade como doen\u00e7a cr\u00f4nica e trat\u00e1-la como tal. \u201cS\u00f3 o controle da alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 se mostrando eficaz. O gasto da Previd\u00eancia com doen\u00e7as associadas \u00e0 obesidade \u00e9 enorme. N\u00e3o adianta o governo apenas lan\u00e7ar guia alimentar: o obeso j\u00e1 sabe bem o que \u00e9 fibra, carboidrato, prote\u00edna e \u00edndice glic\u00eamico. O problema n\u00e3o \u00e9 esse. Hoje n\u00f3s sabemos que, quando se consome subst\u00e2ncias como a\u00e7\u00facar, s\u00e3o ativados os mesmos receptores neurol\u00f3gicos que agem quando h\u00e1 consumo de droga\u201d, diz. O m\u00e9dico defende o uso de medicamentos para o tratamento da obesidade. \u201cSe bem indicados, eles t\u00eam um potencial enorme. Mas o GLP-1, por exemplo, uma nova subst\u00e2ncia de alta efic\u00e1cia, ainda \u00e9 car\u00edssimo. Tem esse problema s\u00e9rio da ind\u00fastria farmac\u00eautica\u201d, pondera.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Desde os 16 anos, a psic\u00f3loga Maria Eduarda*, 29, luta para emagrecer. Ela come\u00e7ou a engordar na adolesc\u00eancia, quando quebrou o joelho e ganhou 12kg. Com o tempo, a balan\u00e7a foi ficando mais pesada. \u201cJ\u00e1 tentei de tudo. Muitas vezes, fazia dieta e, em vez de emagrecer, engordava\u201d, conta. Por seis meses, ela participou de reuni\u00f5es preparat\u00f3rias para a cirurgia bari\u00e1trica. Mas, perto de fazer o procedimento, desistiu, desestimulada por hist\u00f3rias de pacientes que relatavam efeitos colaterais.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No ano passado, ela chegou aos 144kg. O alarme soou. A psic\u00f3loga procurou um endocrinologista, que fez um tratamento hormonal associado a uma dieta hipocal\u00f3rica. Com 17kg a menos, ela se sentiu estimulada a procurar uma nutricionista e, agora, faz o regime low carb. \u201cQuando tenho vontade de comer alguma coisa, eu me pergunto se vale a pena. Essa \u00e9 uma mudan\u00e7a de dentro para fora. Se a mudan\u00e7a n\u00e3o vier, voc\u00ea vai continuar doente\u201d, diz Maria Eduarda, que espera alcan\u00e7ar os 70kg.<\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Anos perdidos<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">O estudo global de sobrepeso e obesidade mostrou que, em 2015, o IMC alto contribuiu para 120 milh\u00f5es de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (Daily), um indicador que leva em considera\u00e7\u00e3o a morte prematura e os anos vividos com incapacidade. Os pesquisadores destacaram o impacto dos quilos extras no risco de c\u00e2ncer: a cada 5kg\/m\u00b2 no IMC, h\u00e1 10% de aumento no risco de mortalidade por tumores malignos. A endocrinologista do Instituto Alian\u00e7a Carolina Meireles, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), destaca que as mulheres est\u00e3o ainda mais suscet\u00edveis. \u201cNa mulher, a obesidade aumenta em 20% o risco de qualquer tipo de c\u00e2ncer. Nos homens, 14%\u201d, diz.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De acordo com a m\u00e9dica, o tipo de gordura mais associada ao c\u00e2ncer \u00e9 a visceral, acumulada na barriga. \u201cEsse tecido adiposo estimula o crescimento tumoral, al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de marcadores inflamat\u00f3rios e horm\u00f4nios\u201d, diz. No dia a dia do consult\u00f3rio, Carolina Meireles atende pacientes oncol\u00f3gicos. Ela diz que poucos se convencem da rela\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer com a obesidade. \u201cAt\u00e9 entre os m\u00e9dicos essa \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o recente. Todo mundo tem medo do c\u00e2ncer e se preocupa com tipos de alimentos e tabagismo, entre outras coisas. Mas a obesidade deveria estar no topo das medidas preventivas\u201d, acredita.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em>* Nome fict\u00edcio a pedido da entrevistada<\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>FONTE:\u00a0<\/strong>Paloma Oliveto\/Correio Braziliense<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia de sobrepeso e obesidade que vem aumentando nas tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas j\u00e1 afeta a sa\u00fade de 30% da popula\u00e7\u00e3o global. 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