{"id":40171,"date":"2017-08-09T10:28:06","date_gmt":"2017-08-09T13:28:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=40171"},"modified":"2017-08-09T10:28:06","modified_gmt":"2017-08-09T13:28:06","slug":"estudo-associa-esquizofrenia-a-defeito-no-processamento-do-rna-mensageiro-na-celula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-associa-esquizofrenia-a-defeito-no-processamento-do-rna-mensageiro-na-celula\/","title":{"rendered":"Estudo associa esquizofrenia a defeito no processamento do RNA mensageiro na c\u00e9lula"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No organismo humano, um \u00fanico gene pode dar origem a diferentes prote\u00ednas de acordo com a necessidade do momento e os est\u00edmulos ambientais. Para isso, o RNA mensageiro \u2013 mol\u00e9cula que \u00e9 expressa pelo gene e depois \u00e9 transcrita como uma prote\u00edna \u2013 passa por um processo de \u201cedi\u00e7\u00e3o\u201d (splicing) dentro no n\u00facleo celular. Esse processamento \u00e9 feito por um complexo proteico conhecido como spliceossoma. Consiste em remover da mol\u00e9cula precursora do RNA mensageiro os chamados \u00edntrons (por\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cont\u00eam informa\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas) e unir os \u00e9xons (as partes codificantes do c\u00f3digo gen\u00e9tico). A prote\u00edna formada no final do processo vai depender de como a montagem dos \u00e9xons ser\u00e1 feita pelo spliceossoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo brasileiro apoiado pela FAPESP e divulgado recentemente na revista\u00a0Molecular Neuropsychiatry\u00a0sugere que esse maquin\u00e1rio celular de processamento do RNA mensageiro pode estar alterado em pacientes com\u00a0esquizofrenia. Segundo os autores, esse defeito no spliceossoma poderia ser a g\u00eanese de boa parte das altera\u00e7\u00f5es cerebrais observadas nos portadores da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma altera\u00e7\u00e3o no sistema de processamento do RNA mensageiro poderia comprometer a express\u00e3o de in\u00fameras prote\u00ednas \u2013 muitas delas com papel-chave em processos biol\u00f3gicos importantes, como o metabolismo de \u00e1cidos nucleicos, gerando um efeito cascata. Mas isso \u00e9 algo que ainda precisa ser confirmado em estudos futuros\u201d, disse Daniel Martins-de-Souza, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hip\u00f3tese apresentada pelo grupo de Martins-de-Souza est\u00e1 baseada na an\u00e1lise do tecido cerebral post mortem de 12 pacientes com esquizofrenia e de oito pessoas sem doen\u00e7a mental (grupo controle). O trabalho teve como foco duas regi\u00f5es cerebrais que estudos anteriores mostram estar morfologicamente e funcionalmente alteradas em portadores da doen\u00e7a: o lobo temporal anterior e o corpo caloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO lobo temporal anterior est\u00e1 envolvido no processamento auditivo e visual e, portanto, tem muita rela\u00e7\u00e3o com sintomas como psicose e alucina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o corpo caloso \u00e9 a regi\u00e3o do c\u00e9rebro que mais cont\u00e9m c\u00e9lulas da glia [astr\u00f3citos, micr\u00f3glias e oligodendr\u00f3citos]. Em trabalhos anteriores, mostramos que pacientes com esquizofrenia apresentam disfun\u00e7\u00f5es nos oligodendr\u00f3citos\u201d, contou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como explicou o pesquisador, os oligodendr\u00f3citos s\u00e3o as c\u00e9lulas respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de mielina, uma subst\u00e2ncia lip\u00eddica fundamental para a troca de informa\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios. Estudos de imagem feitos por volta dos anos 2000 mostraram que o c\u00e9rebro de portadores de esquizofrenia tem uma quantidade reduzida de oligodendr\u00f3citos quando comparado ao de pessoas sadias. Por volta de 2005, o grupo de Martins-de-Souza apontou que algumas prote\u00ednas produzidas pelos oligodendr\u00f3citos \u2013 particularmente as que fazem parte da fam\u00edlia hnRNP [Ribonucleoprote\u00ednas Nucleares Heterog\u00eaneas, na sigla em ingl\u00eas] \u2013 tamb\u00e9m se apresentavam com a express\u00e3o alterada nesses pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstudos subsequentes feitos por outros grupos com base em nossos achados mostraram, em modelos animais e celulares, que a altera\u00e7\u00e3o nas hnRNPs de fato interfere no processo de mieliniza\u00e7\u00e3o dos neur\u00f4nios, podendo prejudicar a conectividade cerebral. Por isso decidimos estudar melhor o papel dessas prote\u00ednas nucleares na doen\u00e7a\u201d, explicou Martins-de-Souza.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Prote\u00ednas do n\u00facleo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com aux\u00edlio de um espectr\u00f4metro de massas e apoio da FAPESP, os pesquisadores mapearam todo o conjunto de prote\u00ednas (proteoma) encontrado no n\u00facleo das c\u00e9lulas dessas duas regi\u00f5es cerebrais selecionadas para a an\u00e1lise \u2013 excluindo, portanto, as prote\u00ednas encontradas nas demais organelas e no citoplasma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO proteoma total dessas c\u00e9lulas j\u00e1 havia sido analisado em pesquisas anteriores. Por\u00e9m, dada a complexidade desse tipo de an\u00e1lise, n\u00e3o tinha sido poss\u00edvel avaliar a diferen\u00e7a na express\u00e3o das prote\u00ednas menos abundantes. Com esse objetivo, decidimos focar apenas no proteoma nuclear\u201d, explicou Ver\u00f4nica Saia-Cereda, primeira autora do artigo e doutoranda do IB-Unicamp. Ao comparar o resultado do grupo controle com o de portadores de esquizofrenia, foi poss\u00edvel identificar quais mol\u00e9culas estavam com a express\u00e3o alterada na condi\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No corpo caloso foram encontradas 119 prote\u00ednas diferencialmente expressas \u2013 sendo 24 consideradas prote\u00ednas nucleares. De acordo com Saia-Cereda, a maioria est\u00e1 envolvida na sinaliza\u00e7\u00e3o celular mediada por c\u00e1lcio, que \u00e9 importante tanto para o metabolismo das mitoc\u00f4ndrias (organelas que produzem energia para a c\u00e9lula) quanto para a retirada do excesso do neurotransmissor dopamina na fenda sin\u00e1ptica (local onde ocorre a troca de informa\u00e7\u00e3o entre os neur\u00f4nios). \u201cAltera\u00e7\u00f5es no n\u00edvel de dopamina no c\u00e9rebro est\u00e3o associadas aos sintomas mais caracter\u00edsticos do transtorno, como del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es\u201d, comentou Saia-Cereda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no lobo temporal anterior, 224 prote\u00ednas estavam diferencialmente expressas na doen\u00e7a, sendo 76 delas prote\u00ednas nucleares. Dessas, oito est\u00e3o envolvidas no funcionamento do spliceossoma. \u201cEntre essas oito est\u00e3o as hnRNPs, que desempenham papel central tanto na fun\u00e7\u00e3o do spliceossoma como dos oligodendr\u00f3citos. Aqui, portanto, pode estar a g\u00eanese das disfun\u00e7\u00f5es na mieliniza\u00e7\u00e3o associadas \u00e0 esquizofrenia. Nosso trabalho \u00e9 o primeiro a relacionar o spliceossoma com a doen\u00e7a\u201d, contou Martins-de-Souza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Saia-Cereda, o mau funcionamento do maquin\u00e1rio de processamento do RNA mensageiro pode fazer com que determinadas prote\u00ednas n\u00e3o sejam traduzidas corretamente e passem a ter express\u00e3o alterada no organismo como um todo, com consequ\u00eancias ainda desconhecidas. \u201cA rela\u00e7\u00e3o disso com a esquizofrenia pouco se sabe. \u00c9 algo que ainda precisa ser estudado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No organismo humano, um \u00fanico gene pode dar origem a diferentes prote\u00ednas de acordo com a necessidade do momento e os est\u00edmulos ambientais. 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