{"id":40345,"date":"2017-08-21T09:55:24","date_gmt":"2017-08-21T12:55:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=40345"},"modified":"2017-08-21T09:55:24","modified_gmt":"2017-08-21T12:55:24","slug":"psiconeuroimunologia-a-intrigante-tecnica-de-escrever-sobre-traumas-que-ajuda-a-curar-o-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/psiconeuroimunologia-a-intrigante-tecnica-de-escrever-sobre-traumas-que-ajuda-a-curar-o-corpo\/","title":{"rendered":"Psiconeuroimunologia: a intrigante t\u00e9cnica de escrever sobre traumas que ajuda a curar o corpo"},"content":{"rendered":"<div data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"52\">\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Em 1986, o professor de Psicologia James Pennebaker descobriu algo extraordin\u00e1rio, que inspirou uma gera\u00e7\u00e3o de pesquisadores a fazer centenas de experimentos. Ele pediu a estudantes que passassem 15 minutos escrevendo sobre o maior trauma de suas vidas ou, caso n\u00e3o tivessem passado por um, sobre o momento mais dif\u00edcil que viveram.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"77\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Eles tinham que se soltar e incluir seus pensamentos mais profundos, mesmo que nunca os tivessem compartilhado antes. Eles realizaram essa mesma tarefa por quatro dias consecutivos. N\u00e3o foi f\u00e1cil. Pennebaker disse que, em m\u00e9dia, um a cada 20 alunos acabou chorando, mas, quando questionados se queriam continuar o experimento, sempre disseram que sim. Enquanto isso, um grupo de controle passou o mesmo n\u00famero de sess\u00f5es escrevendo descri\u00e7\u00f5es de coisas neutras, como uma \u00e1rvore ou seus quartos.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"60\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O pesquisador ent\u00e3o passou seis meses monitorando a frequ\u00eancia com que os estudantes iam ao m\u00e9dico. No dia em que viu os resultados, ele saiu do laborat\u00f3rio, encontrou um amigo que o esperava no carro e lhe disse que havia descoberto algo grande. Os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos secretos foram muitas vezes menos ao m\u00e9dico nos meses seguintes.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"25\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Desde ent\u00e3o, a \u00e1rea da psiconeuroimunologia tem explorado a liga\u00e7\u00e3o entre o que agora \u00e9 conhecido como &#8220;escrita expressiva&#8221; e o funcionamento do sistema imune.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"56\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Os estudos seguintes examinaram o efeito dessa escrita em tudo, de asma e artrite at\u00e9 c\u00e2ncer de mama e enxaqueca. Por exemplo, em um estudo pequeno, conduzido no Kansas (EUA), foi descoberto que mulheres com c\u00e2ncer de mama tinham menos sintomas inc\u00f4modos e iam a menos consultas m\u00e9dicas relacionadas ao c\u00e2ncer nos meses seguintes ao experimento.<\/p>\n<\/div>\n<div data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"56\">\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O objetivo do estudo n\u00e3o era observar o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer a longo prazo e os autores n\u00e3o sugerem que o c\u00e2ncer poderia ser afetado. Mas a curto prazo, outros aspectos da sa\u00fade da mulher pareciam melhores que aqueles nos grupos de controle que escreveram sobre outra coisa al\u00e9m de seus sentimentos em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"63\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">No entanto, isso nem sempre funciona. Uma meta-an\u00e1lise de Joanne Fratarolli, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Riverside, apontou que h\u00e1 um efeito em geral, mas que este \u00e9 pequeno. Para uma interven\u00e7\u00e3o livre e positiva, \u00e9 um benef\u00edcio que vale a pena. Alguns estudos tiveram resultados decepcionantes, mas h\u00e1 uma \u00e1rea em que os resultados s\u00e3o mais consistentes: a da cura de ferimentos.<\/p>\n<\/div>\n<div data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"51\">\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Nesses estudos, volunt\u00e1rios corajosos fazem a escrita expressiva e alguns dias depois recebem um anest\u00e9sico local e, ent\u00e3o, uma bi\u00f3psia no bra\u00e7o. O ferimento geralmente mede 4 mil\u00edmetros e cura em algumas semanas. Essa cura \u00e9 monitorada repetidamente e \u00e9 mais r\u00e1pida se os volunt\u00e1rios escrevem sobre seus pensamentos mais secretos.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"51\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O ato de colocar palavras no papel faz o que, afinal? Inicialmente se assumia que isso estava ligado \u00e0 catarse, ao fato de que as pessoas se sentiam melhor porque colocavam seus sentimentos para fora. Mas ent\u00e3o Pennebaker come\u00e7ou a olhar com aten\u00e7\u00e3o para a linguagem usada pelas pessoas na escrita.<\/p>\n<\/div>\n<div data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"91\">\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ele descobriu que os tipos de palavras usadas mudam no transcorrer das quatro sess\u00f5es. Aqueles cujos ferimentos curavam mais r\u00e1pido come\u00e7aram a usar mais a palavra &#8220;eu&#8221;, mas nas \u00faltimas sess\u00f5es usavam &#8220;ele&#8221; ou &#8220;ela&#8221; com maior frequ\u00eancia, sugerindo que eles estavam olhando para o acontecido com outras perspectivas. Eles tamb\u00e9m usaram palavras como &#8220;porque&#8221;, implicando que estavam dando sentido aos acontecimentos e os colocando em uma narrativa. Pennebaker acredita que o simples ato de rotular seus sentimentos e coloc\u00e1-los em uma hist\u00f3ria pode afetar o sistema imune de alguma forma.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"54\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas h\u00e1 uma descoberta curiosa sugerindo que pode haver outra coisa acontecendo. Imaginar um acontecimento traum\u00e1tico e escrever uma hist\u00f3ria a respeito dele pode fazer a ferida curar mais r\u00e1pido, ent\u00e3o talvez a diferen\u00e7a esteja menos relacionada com a resolu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es passadas e mais com encontrar uma maneira de regular suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"71\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ap\u00f3s o primeiro dia de escrita, a maioria das pessoas disse que remoer o passado as fez se sentir pior. Ser\u00e1 que o estresse fez as pessoas liberarem horm\u00f4nios de estresse como o cortisol, que tamb\u00e9m \u00e9 ben\u00e9fico a curto prazo e pode fortalecer o sistema imune? Ou ser\u00e1 que \u00e9 a melhora do humor depois de v\u00e1rios dias escrevendo que traz os benef\u00edcios para a imunidade? At\u00e9 agora, ningu\u00e9m sabe.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"64\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Seja qual for o mecanismo, apesar de v\u00e1rias d\u00e9cadas de pesquisa mostrando que funciona, a t\u00e9cnica raramente \u00e9 usada clinicamente. D\u00e1 at\u00e9 para imaginar uma situa\u00e7\u00e3o em que pessoas com cirurgia marcada sejam instru\u00eddas a praticar a escrita expressiva nas semanas anteriores ao procedimento, mas poucos estudos usaram popula\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas com ferimentos reais e cir\u00fargicos em vez de aplicar ferimentos artificialmente em estudantes saud\u00e1veis.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Fonte: G1<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1986, o professor de Psicologia James Pennebaker descobriu algo extraordin\u00e1rio, que inspirou uma gera\u00e7\u00e3o de pesquisadores a fazer centenas de experimentos. Ele pediu a estudantes que passassem 15 minutos escrevendo sobre o maior trauma de suas vidas ou, caso n\u00e3o tivessem passado por um, sobre o momento mais dif\u00edcil que viveram. 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