{"id":40630,"date":"2017-09-05T09:10:08","date_gmt":"2017-09-05T12:10:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=40630"},"modified":"2017-09-05T09:10:08","modified_gmt":"2017-09-05T12:10:08","slug":"estudo-ajuda-a-entender-como-as-celulas-de-defesa-combatem-bacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-ajuda-a-entender-como-as-celulas-de-defesa-combatem-bacterias\/","title":{"rendered":"Estudo ajuda a entender como as c\u00e9lulas de defesa combatem bact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando as c\u00e9lulas de defesa que patrulham o organismo humano deparam com uma bact\u00e9ria potencialmente perigosa, determinados complexos proteicos intracelulares conhecidos como inflamassomas s\u00e3o acionados. Esse processo \u00e9 essencial para desencadear um processo inflamat\u00f3rio capaz de atrair para o local do confronto um verdadeiro ex\u00e9rcito de c\u00e9lulas imunes e, assim, barrar o avan\u00e7o da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entender como exatamente esses mecanismos de defesa funcionam \u00e9 o objetivo de um Projeto Tem\u00e1tico apoiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Dario Sim\u00f5es Zamboni na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP). Resultados recentes foram publicados em julho na revista Cell Reports. O trabalho \u00e9 desenvolvido no \u00e2mbito do Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse tipo de conhecimento b\u00e1sico pode ajudar, no futuro, a desenvolver novos m\u00e9todos tanto para combater infec\u00e7\u00f5es quanto para evitar que ocorra uma inflama\u00e7\u00e3o exacerbada e lesiva ao organismo, como \u00e9 o caso da sepse\u201d, disse Zamboni \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP. No trabalho mais recente, o grupo investigou a intera\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas diferentes tipos de inflamassoma que podem ser ativados em macr\u00f3fagos \u2013 c\u00e9lulas que integram a linha de frente do sistema imune e s\u00e3o respons\u00e1veis por fagocitar (ingerir) potenciais invasores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles \u00e9 acionado quando certas mol\u00e9culas \u2013 que podem ou n\u00e3o ser componentes microbianos \u2013 furam a membrana do macr\u00f3fago e causam a sa\u00edda de pot\u00e1ssio do meio intracelular, o que resulta na ativa\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna conhecida como NLRP3. O segundo tipo de inflamassoma entra em a\u00e7\u00e3o quando a c\u00e9lula de defesa detecta em seu citoplasma a presen\u00e7a de DNA de micr\u00f3bios invasores, causando a ativa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna AIM2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o terceiro tipo \u00e9 induzido pela presen\u00e7a, no citoplasma do macr\u00f3fago, de um componente bacteriano denominado LPS (lipopolissacar\u00eddeo bacteriano), existente em esp\u00e9cies de bact\u00e9rias Gram-negativas \u2013 ao qual pertencem diversos agentes causadores de doen\u00e7a em humanos, como Escherichia coli, Shigella, Salmonella, Pseudomonas e Legionella pneumophila. Neste terceiro caso, o processo inflamat\u00f3rio tem in\u00edcio gra\u00e7as \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna caspase-11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora sejam mediados por prote\u00ednas diferentes, os tr\u00eas inflamassomas, quando ativados, levam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, como a interleucina-1 beta (IL-1\u03b2) e a interleucina-18 (IL-18). S\u00e3o essas citocinas que alertam o sistema imune sobre a necessidade de enviar ao local seu ex\u00e9rcito \u2013 composto por neutr\u00f3filos, mon\u00f3citos inflamat\u00f3rios, linf\u00f3citos e outros tipos de leuc\u00f3citos. Quando isso efetivamente acontece, surgem os sintomas t\u00edpicos de inflama\u00e7\u00e3o: dor, calor, vermelhid\u00e3o e edema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAt\u00e9 agora, predominava a ideia de que esses inflamassomas funcionavam de forma independente um do outro. Mas n\u00f3s estamos mostrando que um pode regular a ativa\u00e7\u00e3o do outro de modo a amplificar o sinal da infec\u00e7\u00e3o e induzir uma resposta inflamat\u00f3ria mais potente\u201d, contou Zamboni.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Metodologia<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os experimentos que possibilitaram essa conclus\u00e3o foram feitos in vitro, com culturas de macr\u00f3fagos de camundongos e tamb\u00e9m in vivo, com infe\u00e7\u00f5es nos pulm\u00f5es dos camundongos. Como modelo de infec\u00e7\u00e3o foi usada a bact\u00e9ria Legionella pneumophila, agente causador de pneumonia e capaz de ativar m\u00faltiplos inflamassomas nos macr\u00f3fagos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cObservamos in vitro que, quando a quantidade de DNA bacteriano no interior da c\u00e9lula de defesa \u00e9 muito pequena, o est\u00edmulo n\u00e3o \u00e9 suficiente para que a prote\u00edna AIM2 consiga clivar [quebrar as liga\u00e7\u00f5es pept\u00eddicas] uma outra prote\u00edna chamada caspase-1 e, assim, ativar o inflamassoma de AIM2. Por\u00e9m, a AIM2 consegue deixar a caspase-1 em sua forma ativa e, em conjunto, as duas prote\u00ednas atuam de modo a fazer um furo na membrana do macr\u00f3fago, ativando o inflamassoma de NLRP3\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando as c\u00e9lulas de defesa que patrulham o organismo humano deparam com uma bact\u00e9ria potencialmente perigosa, determinados complexos proteicos intracelulares conhecidos como inflamassomas s\u00e3o acionados. Esse processo \u00e9 essencial para desencadear um processo inflamat\u00f3rio capaz de atrair para o local do confronto um verdadeiro ex\u00e9rcito de c\u00e9lulas imunes e, assim, barrar o avan\u00e7o da infec\u00e7\u00e3o. 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