{"id":40917,"date":"2017-09-18T09:14:43","date_gmt":"2017-09-18T12:14:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=40917"},"modified":"2017-09-18T09:14:43","modified_gmt":"2017-09-18T12:14:43","slug":"a-luta-contra-o-avanco-da-aids-precisa-de-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-luta-contra-o-avanco-da-aids-precisa-de-voce\/","title":{"rendered":"A luta contra o avan\u00e7o da Aids precisa de voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div id=\"abanoticia\" style=\"text-align: justify;\">Os amigos e familiares de Alberto n\u00e3o puderam ver seu rosto pela \u00faltima vez. No dia do sepultamento, o caix\u00e3o permaneceu fechado. Antes de ser colocado a sete palmos do ch\u00e3o, foi vedado com pregos por todos os lados. Por cima do ata\u00fade, o coveiro ainda jogou cal. Na cren\u00e7a popular, a subst\u00e2ncia acelera a decomposi\u00e7\u00e3o do corpo e reduz o risco de contamina\u00e7\u00e3o por doen\u00e7as. Havia um aparente pavor no ar naquela ter\u00e7a-feira com cheiro de morte. Alberto tinha Aids. Aconteceu em 1994, uma \u00e9poca onde a desinforma\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a era mais regra que exce\u00e7\u00e3o. O preconceito gerava atos desumanos. Ainda \u00e9 assim. Wladimir Reis, hoje com 54 anos, companheiro de Alberto, viu tudo. \u201cFoi indelicado. Foi horr\u00edvel\u201d, lembra.<br \/>\nWladimir sobreviveu aquele dia. Convive com o HIV desde ent\u00e3o. Por conta disso, ajudou a construir, em 2000, uma ONG para desenvolver trabalhos de preven\u00e7\u00e3o e contribuir no enfrentamento da epidemia. O Grupo de Trabalhos em Preven\u00e7\u00e3o Posithivo (GTP+) cresceu, tornou-se respeitado por organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Seus integrantes aprenderam com a coopera\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e inglesa a acreditar na causa, buscar parcerias e mostrar as a\u00e7\u00f5es. O caminho foi espinhoso. Em 25 anos convivendo com o HIV, Wladimir viu antigos amigos se afastarem e o medo da morte virar pesadelo constante. Tamb\u00e9m surgiram as primeiras decep\u00e7\u00f5es com institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 causa.<br \/>\nH\u00e1 sete anos aconteceu dos recursos vindos do exterior minguarem e a crise bater \u00e0 porta dos brasileiros. A ajuda de custo caiu em pelo menos 80%. H\u00e1 tr\u00eas meses, Wladimir vendeu o carro para bancar a ONG, seu principal projeto de vida. Chora ao lembrar dos anos investidos naquele pr\u00e9dio antigo na Avenida Manoel Borba, na Boa Vista. \u00c9 remanescente de uma \u00e9poca onde ter Aids era sin\u00f4nimo de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Onde o preconceito latente na boca dos outros chamava o pr\u00e9dio do GTP+ de \u201ccasa da Aids\u201d. \u201cQuando as pessoas descobriam que de um lado do pr\u00e9dio funcionava a ONG, n\u00e3o queriam alugar o outro lado.\u201d<br \/>\nPelo GTP+ passaram travestis e mulheres trans que chegaram ao local com baixa-estima e alcan\u00e7aram realiza\u00e7\u00e3o profissional e respeito gra\u00e7as aos projetos desenvolvidos na casa. Um exemplo \u00e9 Maria Clara, estudante de servi\u00e7o social, educadora e respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o de diversas atividades junto \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de profissionais do sexo. Hoje Maria Clara est\u00e1 afastada das atividades porque sofre amea\u00e7as relacionadas \u00e0 sua luta em defesa dos direitos humanos. \u201cH\u00e1 vinte anos, pessoas como eu se encontravam para morrer. Era assim que a gente pensava.\u201d<br \/>\nA equipe multidisciplinar, reduzida pela falta de recursos, conta com 12 pessoas, sendo duas contratadas como prestadoras de servi\u00e7o. Mais do que nunca, volunt\u00e1rios das \u00e1reas de servi\u00e7o social, psicologia e direito s\u00e3o aceitos. \u201cAs pessoas que nos procuram precisam de escuta, encaminhamentos\u201d, ressalta Wladimir. Hoje, 41 fam\u00edlias de gays, travestis e transexuais em dificuldades financeiras s\u00e3o atendidas pelo GTP+. \u201cA fome volta a chegar junto dessas popula\u00e7\u00f5es. E a fome deixa a gente vulner\u00e1vel.\u201d<br \/>\nA ONG conta com doa\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es parceiras e simpatizantes. Depende, ainda, de aprova\u00e7\u00f5es de projetos em editais. No pr\u00e9dio antigo onde a casa funciona h\u00e1 17 anos, tamb\u00e9m h\u00e1 testes gratuitos de HIV de segunda a sexta-feira e um bazar de roupas usadas no t\u00e9rreo, cujo dinheiro obtido com as vendas ajuda na manuten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os. Quem quiser ajudar na causa pode ligar para o n\u00famero do GTP+ (3231.0905) ou ir ao endere\u00e7o da ONG, na Avenida Manoel Borba, 545, na Boa Vista. O GTP+ n\u00e3o pode morrer.<\/div>\n<p><span id=\"coment_user\"><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img src=\"http:\/\/imgs.impresso.diariodepernambuco.com.br\/imgs\/eq.gif\" alt=\"\" \/>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os amigos e familiares de Alberto n\u00e3o puderam ver seu rosto pela \u00faltima vez. No dia do sepultamento, o caix\u00e3o permaneceu fechado. Antes de ser colocado a sete palmos do ch\u00e3o, foi vedado com pregos por todos os lados. 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