{"id":41052,"date":"2017-09-25T10:16:48","date_gmt":"2017-09-25T13:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=41052"},"modified":"2017-09-25T10:16:48","modified_gmt":"2017-09-25T13:16:48","slug":"suicidio-e-a-quarta-maior-causa-de-morte-de-jovens-entre-15-e-29-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/suicidio-e-a-quarta-maior-causa-de-morte-de-jovens-entre-15-e-29-anos\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio \u00e9 a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O suic\u00eddio \u00e9 a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Os dados s\u00e3o do primeiro boletim epidemiol\u00f3gico sobre suic\u00eddio, divulgado hoje (21) pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que mostram ainda que, em 2015, 65,6% dos \u00f3bitos nessa faixa et\u00e1ria foram por causas externas: viol\u00eancias e acidentes. A divulga\u00e7\u00e3o faz parte das a\u00e7\u00f5es do Setembro Amarelo, m\u00eas dedicado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O oficial de justi\u00e7a aposentado Ivo Oliveira Farias, perdeu a filha Ariele para o suic\u00eddio em 2014, quando ela tinha 18 anos de idade. Ele superou o tabu e a vergonha e hoje fala abertamente sobre o suic\u00eddio da filha e a import\u00e2ncia da preven\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas n\u00e3o se matam porque querem morrer, mas para acabar com a dor, n\u00e3o para matar a vida. [Para eles], a \u00fanica alternativa de parar de sofrer \u00e9 morrendo, elas querem acabar com a dor da depress\u00e3o, do significado da exist\u00eancia. Elas est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o da qual n\u00e3o encontram uma sa\u00edda e a\u00ed elas saem da vida como forma de resolver o problema\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, \u00e9 preciso falar cotidianamente sobre suic\u00eddio, \u201cat\u00e9 na mesa do bar\u201d. \u201cAquela pessoa que est\u00e1 vivendo o drama, pode encontrar um caminho ali para buscar uma ajuda. A gente tem que conversar com as pessoas. Quando uma pessoa diz que quer se matar, a gente tem que acreditar. A maioria d\u00e1 sinal, 9 em cada 10 d\u00e3o sinal\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a psic\u00f3loga e coordenadora do Instituto Vita Alere de Preven\u00e7\u00e3o e Posven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio, Karen Scavacini Karen, os sinais de alerta muitas vezes s\u00f3 fazem sentido depois da morte e s\u00e3o muito complexos de serem observados e entendidos. Entretanto, ela mostrou preocupa\u00e7\u00e3o com o aumento do suic\u00eddio entre jovens. Segundo Karen, \u00e9 importante lembrar que o c\u00e9rebro s\u00f3 termina de se formar aos 21 anos e que os jovens t\u00eam mais impulsividade, menor autocontrole e menor consci\u00eancia cr\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTemos visto jovens que n\u00e3o t\u00eam toler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00f5es, fazendo alto uso de \u00e1lcool de drogas, jovens isolados\u201d, disse ela, explicando que as redes sociais s\u00e3o umas das causas desse isolamento e frustra\u00e7\u00e3o. \u201cPor mais que haja um contato virtual, o contato significativo tem diminu\u00eddo. E tudo que ele v\u00ea no Facebook e na rede social, ele acha que \u00e9 verdade e compara com a pr\u00f3pria vida, porque nas redes sociais todas as pessoas aparentam estar feliz sempre\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A press\u00e3o com a carreira, a press\u00e3o em ser o melhor s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es que pesam aos jovens, segundo Karen. \u201cE um vazio existencial. O pr\u00f3prio sentido da vida das pessoas\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fatores de risco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psic\u00f3loga Karen cita ainda a m\u00eddia e as s\u00e9ries de TV, como\u00a013 Reasons Why, do canal de\u00a0streaming Netflix, que, para ela, t\u00eam uma grande influ\u00eancia sobre os jovens. \u201cQuando o jovem se identifica com o personagem, aumenta o risco de cont\u00e1gio\u201d, disse. Na s\u00e9rie, a personagem principal comete suic\u00eddio e tenta explicar as suas raz\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA s\u00e9rie \u00e9 muito boa em trazer esse assunto para a realidade das pessoas. No geral, as pessoas acham que suic\u00eddio s\u00f3 acontece na casa do vizinho. O problema \u00e9 que a grande maioria dos jovens viu a s\u00e9rie mas n\u00e3o teve como conversar porque os pais n\u00e3o viram. N\u00e3o teve um di\u00e1logo aberto sobre tudo que aconteceu com a Hanna [personagem que cometeu suic\u00eddio]\u201d, disse, argumentando que a pr\u00f3pria s\u00e9rie, que trouxe \u00e0 tona a discuss\u00e3o, poderia mostrar as sa\u00eddas, os caminhos para se receber ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra quest\u00e3o que tamb\u00e9m influencia os jovens \u00e9 a descoberta da homossexualidade, quando eles assumem isso perante a fam\u00edlia e a sociedade. \u201cDependendo da maneira como a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 tratada \u00e9 um fator de risco para o suic\u00eddio\u201d, disse. \u201cA decis\u00e3o recente de que\u00a0homossexualidade pode ser tratada, pode aumentar esse fator de risco. \u00c9 um retrocesso grande\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karen explicou ainda que muitos transtornos mentais iniciam na adolesc\u00eancia e muitas vezes \u00e9 dif\u00edcil para a fam\u00edlia entender que o jovem precisa de ajuda especializada e que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 \u201csintomas\u201d de adolesc\u00eancia. A demora em receber o tratamento adequado, o tabu e o preconceito das pessoas em procurar o psiquiatra e o psic\u00f3logo s\u00e3o problemas que precisam de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, existe uma dificuldade de acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, tanto para tratamento de uso de subst\u00e2ncias, quanto para jovens com comportamentos suicidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso um tratamento mais humano pelos profissionais de sa\u00fade quando as pessoas conseguem acessar esses servi\u00e7os. \u201cTenho relatos de pessoas que foram maltratadas em prontos-socorros ou pelo m\u00e9dico. E isso \u00e9 uma coisa comum. Eles n\u00e3o t\u00eam a forma\u00e7\u00e3o em preven\u00e7\u00e3o\u201d, disse. \u201c\u00c9 preciso sensibilizar os profissionais que eles est\u00e3o lidando com dor, que o suic\u00eddio \u00e9 a resposta a uma dor terr\u00edvel que a pessoa n\u00e3o conseguiu outra sa\u00edda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentativas repetidas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grande fator de risco para o suic\u00eddio s\u00e3o as tentativas anteriores. Segundo Karen, os primeiros 30 dias depois da alta \u00e9 o per\u00edodo de risco aumentado porque n\u00e3o h\u00e1 uma continuidade no cuidado com essas pessoas. \u201cO que levou uma pessoa a tentar suic\u00eddio foi um sofrimento intenso e isso n\u00e3o vai embora. \u00c9 preciso continuidade em termos de tratamento psiqui\u00e1trico e psicol\u00f3gico para a aceita\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o haja novas tentativas\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela ressaltou, entretanto, que quem tenta o suic\u00eddio n\u00e3o est\u00e1 fadado a repetir esse comportamento, mas precisam de tratamento adequado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karen contou que um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou diminui\u00e7\u00e3o no risco de tentativas repetitivas de suic\u00eddio com o acompanhamento telef\u00f4nico das pessoas que tentaram suic\u00eddio ap\u00f3s a alta hospitalar. \u201cIsso poderia ser feito por qualquer pessoa treinada. Eles apenas ligavam para saber como o outro estava\u201d, explicou. \u201cO retorno para casa dessas tentativas \u00e9 mais dif\u00edcil e precisa ser acompanhado para que a pessoa possa seguir caminhos mais saud\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobreviventes enlutados<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sobreviventes enlutados, familiares ou amigos de pessoas que cometeram suic\u00eddio tamb\u00e9m merecem aten\u00e7\u00e3o, segundo Karen. Ela coordena um grupo de apoio aos enlutados pelo suic\u00eddio. \u201cH\u00e1 um julgamento muito grande e um julgamento transferido, julga aquele que tenta o suic\u00eddio e, quando ele consegue, julga quem fica porque n\u00e3o viu os sinais. \u00c9 preciso olhar para quem perdeu algu\u00e9m com empatia\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aposentado Ivo Farias frequenta o grupo coordenado por Karen, al\u00e9m de outros. \u201cVoc\u00ea para de viver. Voc\u00ea luta para se manter vivo, a vida perde o significado e, no meu caso, o significado \u00e9 lutar por essa causa [de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio]. A maioria fica no anonimato porque \u00e9 julgado a todo instante pelas pessoas a sua volta\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele explicou que, mesmo que a pessoa saiba que n\u00e3o \u00e9 culpada, ela se sente respons\u00e1vel pela pessoa que se foi. \u201cSente uma certa incompet\u00eancia porque n\u00e3o conseguiu mant\u00ea-la vida. A grande maioria dos enlutados esconde\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Ivo, quando mais se falar em suic\u00eddio menos as pessoas v\u00e3o ter receio em procurar ajuda e pedir apoio. \u201cN\u00f3s enlutados somos suicidas em potencial. No primeiro ano [ap\u00f3s a morte da filha], eu passava em viaduto e ficava pensando em me jogar. \u00c9 uma dor que n\u00e3o diminuiu. Ou voc\u00ea se fortace e busca uma alternativa ou voc\u00ea definha e morre. Quando se fala abertamente, se consegue falar a palavra, a gente consegue superar\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CVV<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) realiza apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio, atendendo volunt\u00e1ria e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, 24 horas todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele atende pelo n\u00famero de telefone 141 ou diretamente no posto regional. Em cidades sem posto de atendimento do CVV, as pessoas podem utilizar o atendimento por\u00a0chat, skype e e-maildispon\u00edveis na p\u00e1gina do\u00a0CVV\u00a0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O suic\u00eddio \u00e9 a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Os dados s\u00e3o do primeiro boletim epidemiol\u00f3gico sobre suic\u00eddio, divulgado hoje (21) pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que mostram ainda que, em 2015, 65,6% dos \u00f3bitos nessa faixa et\u00e1ria foram por causas externas: viol\u00eancias e acidentes. 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