{"id":41521,"date":"2017-10-23T08:34:23","date_gmt":"2017-10-23T11:34:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=41521"},"modified":"2017-10-23T08:34:23","modified_gmt":"2017-10-23T11:34:23","slug":"saude-precisa-ser-prioridade-diz-o-oncologista-antonio-buzaid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/saude-precisa-ser-prioridade-diz-o-oncologista-antonio-buzaid\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade precisa ser prioridade, diz o oncologista Ant\u00f4nio Buzaid"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com mais de 30 anos de profiss\u00e3o, o oncologista Ant\u00f4nio Carlos Buzaid, 59 anos, n\u00e3o para de estudar. Graduado em Medicina em 1982 pela Universidade de S\u00e3o Paulo, ele se define como um eterno pesquisador. Dedica-se aos livros pelo menos dez horas a cada fim de semana. Para descobrir a cura da doen\u00e7a de algum paciente, n\u00e3o mede esfor\u00e7os. Buzaid luta como se estivesse num tatame do tae kown do, seu hobby\u00a0 preferido desde pequeno. \u201cO princ\u00edpio do tratamento \u00e9 igualzinho ao das lutas marciais, onde o inimigo tem pontos fortes e fracos\u201d, comparou o m\u00e9dico, que \u00e9 membro do Comit\u00ea Gestor do Centro de Oncologia Dayan-Daycoval do Hospital Israelita Albert Einstein e chefe do Centro de Oncologia Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes (Coaem), do Hospital S\u00e3o Jos\u00e9, ligado \u00e0 Benefic\u00eancia Portuguesa, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Natural de S\u00e3o Paulo, ele conta nesta entrevista exclusiva ao\u00a0<strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0que sempre pensou em ser m\u00e9dico. Voca\u00e7\u00e3o presente nas brincadeiras de crian\u00e7a. Fazia pequenos experimentos em laborat\u00f3rios com cobaias. Aos 18 anos, ingressou na Faculdade de Medicina. De l\u00e1 para c\u00e1, n\u00e3o parou mais. Passou mais de dez anos fazendo especializa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, onde foi laureado com o pr\u00eamio de\u00a0<em>Teacher of the Year do Hospital MD Anderson Cancer Center<\/em>, o maior centro de c\u00e2ncer do mundo, em Houston, no Texas. Buzaid tamb\u00e9m \u00e9 autor do Manual de Oncologia do Brasil, criado em 2002, que tem edi\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas, ingl\u00eas e espanhol. Tamb\u00e9m possui livros publicados, o<br \/>\n\u00faltimo deles, Vencer o C\u00e2ncer, publicado em parceria com o m\u00e9dico Fernando Maluf. Tamb\u00e9m possui um site com mais de 200 v\u00eddeos, que auxilia seus pacientes e familiares.<\/p>\n<p>Nesse s\u00e1bado, o oncologista estar\u00e1 no Recife, onde participa, a partir das 8h30, do II Semin\u00e1rio para Pacientes de C\u00e2ncer de Mama, no Mar Hotel Conventions, em Boa Viagem. Na entrevista ao\u00a0<strong>DIARIO<\/strong>, ele fala da sua experi\u00eancia, dos pacientes, na luta contra o c\u00e2ncer, sobre as iniciativas para aumentar qualidade da oncologia no Brasil e os avan\u00e7os nas pesquisas que podem caminhar para cura da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Como o senhor come\u00e7ou sua carreira em Medicina?<br \/>\n<strong>ANTONIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Desde jovem tive interesse em ser m\u00e9dico. Quando adolescente tinha um laborat\u00f3rio para fazer pequenos experimentos em cobaias e sempre tive interesse em biologia, doen\u00e7as, experimentos, etc. Sempre me intrigou o porque as doen\u00e7as ocorriam e como trat\u00e1-las. Aos 18 anos, entrei na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) para fazer a gradua\u00e7\u00e3o. Sempre gostei de casos complexos, quanto mais dif\u00edcil, mais despertava a aten\u00e7\u00e3o e meu interesse.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Como surgiu o interesse do senhor pela Oncologia?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Quando residente de clinica m\u00e9dica no Hospital das<br \/>\nClinicas da USP eu testemunhava pacientes com c\u00e2ncer serem negligenciados. Eles eram literalmente marginalizados das unidades de interna\u00e7\u00e3o e colocados e enfermarias a espera da morte. Aquele contexto me incomodava de modo profundo.\u00a0 Decidi que enfrentar este desafio seria minha miss\u00e3o em vida. Como no Brasil n\u00e3o havia programa de treinamento de oncologia naquele tempo, fui fazer minha especializa\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Que avan\u00e7os tivemos no tratamento do c\u00e2ncer de<br \/>\nmama no pa\u00eds?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Os maiores avancos no tratamento do c\u00e2ncer de mama<br \/>\nforam principalmente para o subtipo de c\u00e2ncer de mama chamado HER-2<br \/>\npositivo tanto no tratamento pre-operat\u00f3rio quando na doen\u00e7a metast\u00e1tica. Para os tumores que t\u00eam receptores hormonais na c\u00e9lula cancerosa e s\u00e3o HER-2 negativos (chamados de luminais), teremos em poucos meses no Brasil uma nova droga chamada Palbociclibe, que, quando associada \u00e0 hormonioterapia, aumenta muito sua efic\u00e1cia. O que as mulheres mais temem \u00e9 a quimioterapia, pelo mal estar, queda de cabelo, e essa mol\u00e9cula carrega a quimioterapia dentro dela. Ela chega no tumor entra e libera a medica\u00e7\u00e3o somente no tumor.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Os casos de c\u00e2ncer de mama est\u00e3o de fato<br \/>\naumentando ou \u00e9 porque o crescimento dos registros deve-se \u00e0 procura<br \/>\nmaior por exames?<br \/>\n<strong>ANT\u00d5NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Ambos os fatores participam do aumento. Mudan\u00e7as de<br \/>\nh\u00e1bito de vida como gesta\u00e7\u00e3o tardia, uso de \u00e1lcool, obesidade na p\u00f3s-menopausa, reposi\u00e7\u00e3o hormonal excessiva, dieta pr\u00f3-inflamat\u00f3ria (como grande ingesta de refrigerantes, carne vermelha e carbohidratos) contribuem para este aumento. Um bom sinal \u00e9 que a qualidade dos exames de imagem no pa\u00eds tem melhorado cada vez mais. O que facilita o diagn\u00f3stico precoce e chances de cura e recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida dos pacientes.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; A quimiopreven\u00e7\u00e3o deve ser aplicada em<br \/>\npacientes com c\u00e2ncer de mama, de que forma?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; A quimiopreven\u00e7\u00e3o consiste no uso de medica\u00e7\u00f5es que<br \/>\nreduzem o risco de se adquirir um c\u00e2ncer. No caso do c\u00e2ncer de mama, o antihormonios como tamoxifeno e raloxifeno (antiestrogenos) reduzem o risco. S\u00e3o usados em casos selecionados em pacientes com alto risco de desenvolver c\u00e2ncer de mama. Mas deve ser aplicada em pacientes de alto risco. Por exemplo, a bi\u00f3psia n\u00e3o mostrou c\u00e2ncer, mas uma les\u00e3o aumento o risco de c\u00e2ncer no futuro. Essas pessoas podem receber rem\u00e9dios. Os mais usados s\u00e3o esses que citei. Eles reduzem o risco, mas n\u00e3o diminuem. O problema \u00e9 que eles provocam efeitos colaterais como calores, secura vaginal e altera\u00e7\u00f5es no sono.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; O que o senhor achou de medidas como a tomada<br \/>\npela atriz Angelina Jolie que realizou mastectomia?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; A atriz \u00e9 portadora da muta\u00e7\u00e3o BRCA1 que resulta em importante aumento do risco de c\u00e2ncer de mama e de ov\u00e1rio. O risco acumulado(se a paciente vive at\u00e9 os 80 anos) \u00e9 de 67% para c\u00e2ncer de mama e de 45% para c\u00e2ncer de ov\u00e1rio. A decis\u00e3o que a Angelina tomou foi a mais correta. Ela tamb\u00e9m teve os ov\u00e1rios removidos para reduzir o risco de c\u00e2ncer ovariano. A retirada dos ov\u00e1rios, neste caso, deve acontecer aos 35 anos pois a partir dessa idade para quem tem essa muta\u00e7\u00e3o, o risco aumenta r\u00e1pido. Orientamos, geralmente, a mulher passar por um aconselhamento\u00a0 gen\u00e9tico, explicando os pr\u00f3s e contras da mastectomia e remo\u00e7\u00e3o dos ov\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Como \u00e9 lidar com uma especialidade em que os<br \/>\npacientes est\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1geis emocionalmente?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; \u00c9 a parte mais dura da oncologia. Eu sempre digo que<br \/>\nnunca me canso de trabalhar ou estudar. Me canso de ver pacientes sofrerem. Oncologia \u00e9 uma das especialidades da Medicina, no que concerne ao emocional do m\u00e9dico. Exite um can\u00e7ado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica do que fa\u00e7o, que \u00e9 o can\u00e7aso emocional. Choramos por dentro quando, mesmo fazendo um grande esfor\u00e7o, perdemos um paciente. A oncologia produz profundo cansa\u00e7o emocional que tem que ser contrabalanceado com atividades que reduzem o stress. Por exemplo, vou a academia sete dias por semana para me exercitar e viajo para a minha casa de campo no interior de S\u00e3o Paulo, e quando o tempo permite, para meu apartamento no Paiva, em Pernambuco, para relaxar um pouco.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Que experi\u00eancia mais marcou o senhor ao longo<br \/>\ndos seus mais de 30 anos de profiss\u00e3o?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; O maior prazer que tenho na vida \u00e9 curar pacientes<br \/>\nquando isto \u00e9 dificil de ser feito. J\u00e1 curei muitos pacientes que todos os m\u00e9dicos ao meu redor disseram que era impossivel. Estas s\u00e3o as experi\u00eancias marcantes e mais recompensadoras. Ainda era residente na USP, quando chegou um homem com uma parada cardiorespirat\u00f3ria, uma pessoa simples. N\u00f3s rescussitamos ele, que se recuperou e teve alta depois. Meses ap\u00f3s, fui abordado na rua pela aquele homem maltrapilho que veio me agradecer. Fiquei sensibilizado. J\u00e1 ganhei tantos<br \/>\npresentes que n\u00e3o tenho nem onde colocar.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Na sua especialidade, os tratamentos s\u00e3o<br \/>\nlongos, duram meses ou anos. Qual a estrat\u00e9gia para superar as barreiras emocionais e fazer com que o paciente assuma o tratamento?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Meu hobby s\u00e3o as marciais desde que era pequeno. Tenho o h\u00e1bito de me aliar ao paciente na briga contra o c\u00e2ncer. Explico que se ele tiver 1% de chance, darei 100% do meu esfor\u00e7o para ajudar.\u00a0 Enfatizo, vamos brigar juntos. Acho que a \u00fanica maneira de vencer uma briga \u00e9 entrar com 100% de esfor\u00e7o para ganhar. Os pacientes percebem isso. Vou ao limite, me esfor\u00e7o, brigo por isso. Entro numa briga para tentar ganhar, embora esteja ciente que as<br \/>\nchances de sucesso \u00e0s vezes seja pequena.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Para o senhor, quais os maiores desafios que a<br \/>\nOncologia encontra no Brasil, na \u00e1rea cl\u00ednica e principalmente no campo da pesquisa?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; A medicina brasileria tem dois grandes extremos: a medicina p\u00fablica e a privada. H\u00e1 um abismo separando as duas. A medicina privada, em centros de excelencia, \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0quela dos maiores centros do mundo. A pesquisa cl\u00ednica no Brasil est\u00e1 melhorando, mas ainda est\u00e1 muito defasada, quando comparamos a pa\u00edses desenvolvidos. A pesquisa b\u00e1sica \u00e9 ruim pois n\u00e3o h\u00e1 funding adequado para isto. Pesquisa b\u00e1sica \u00e9 luxo de pa\u00eds rico. O pr\u00f3prio c\u00e2ncer \u00e9 um desafio. Ainda n\u00e3o h\u00e1 cura para muitos casos da doen\u00e7a avan\u00e7ada. Um dos desafios no Brasil, al\u00e9m da pesquisa, \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o de drogas, que<br \/>\nacontece de forma mais lenta em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos e Europa.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Porque h\u00e1 tanta morosidade para conclus\u00e3o de estudos cient\u00edficos no pa\u00eds?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; A burocracia criada no nosso pa\u00eds para iniciar estudos cl\u00ednicos \u00e9 fruto de vergonha para todos os brasileiros. Isto tem que ser retificado de uma vez por toda. Enquanto nos Estados Unidos, em geral, em tr\u00eas meses um programa de pesquisa est\u00e1 aprovado e em andamento, no Brasil, demora, no m\u00ednimo, um ano. Ent\u00e3o, estamos sempre atrasados. O governo est\u00e1 tentando modificar isso, mas existe uma press\u00e3o tanto da ind\u00fastria farmac\u00eautica quanto dos pr\u00f3prios m\u00e9dicos. Atualmente, para participar dos protocolos com as drogas mais quentes, n\u00e3o dispon\u00edveis no Brasil, somos obrigados a mandar o paciente para fora do pa\u00eds. Obviamente, que a\u00ed o acesso se limita \u00e0queles que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de viajar.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Ent\u00e3o que avalia\u00e7\u00e3o, o senhor faz do atendimento atendimento no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)? E O que pode ser feito para melhorar?.<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Infelizmente, a sa\u00fade n\u00e3o tem sido prioridade para a maioria dos governos. \u00c9 imperativo que haja maior aloca\u00e7\u00e3o de\u00a0 recursos. Outra estrat\u00e9gia \u00e9 colocar mais estudos cl\u00ednicos no SUS, o que aumentaria a qualidade do cuidado m\u00e9dico rapidamente. Mas, \u00e9 preciso fomentar protocolos de pesquisas cl\u00ednicas que ofere\u00e7am aos pacientes sempre tratamentos mais avan\u00e7ados. A Alemanha \u00e9 um pa\u00eds que conseguiu fazer de maneira adequada.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Como a experi\u00eancia do senhor fora do pa\u00eds tem<br \/>\ncontribu\u00eddo para um melhor desenvolvimento da Oncologia no Brasil?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Tive a oportunidade de ser professor tanto na Universidade de Yale por quatro anos, assim com no maior hospital de c\u00e2ncer do mundo, o MD Anderson Cancer Center, em Houston, no Texas, por outros cinco anos. Nos dois centros, trabalhei nas fun\u00e7\u00f5es m\u00e9dica como administrativa. O que me ajudou muito a criar, conjuntamente com o doutor Raul Cutait e Frederico Costa, o primeiro Centro de Oncologia em um hospital privado, o Hospital Sirio-Libanes, em 1998, onde foi diretor at\u00e9 2011. H\u00e1 tr\u00eas anos, viemos para o Beneficencia Portuguesa e estabelecemos o Centro de Oncologia Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes, que hoje \u00e9 considerado uma das maiores refer\u00eancias do pa\u00eds. Me sinto honrrado em fazer parte desse time.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Como \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar na detec\u00e7\u00e3o precoce do<br \/>\nc\u00e2ncer no Brasil?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; \u00c9 simples. \u00c9 necess\u00e1rio melhorar o cuidado da medicina p\u00fablica e promover programa educativos. De nada ajuda se uma paciente nota um pequeno n\u00f3dulo na mama e demora meses para avaliar, diagnosticar e tratar. Campanhas e o acesso \u00e0 medicina de n\u00edvel razo\u00e1vel\u00a0 h\u00e1 muito a fazer. Sa\u00fade, na minha vis\u00e3o, precisa ser prioridade dos governos. \u00c9 uma pena que somos um pa\u00eds onde a percentagem de investimento do PIB n\u00e3o \u00e9 elevada, se comparada a<br \/>\noutros pa\u00edses desenvolvidos no mundo. Por isso, a popula\u00e7\u00e3o precisa escolher melhor seus governantes.<br \/>\n<strong><br \/>\nDIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Qual \u00e9 o papel das diversas especialidades m\u00e9dicas no diagn\u00f3stico e acompanhamento do paciente oncol\u00f3gico?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; O tratamento do c\u00e2ncer \u00e9 multidisciplinar, simplesmente porque hoje ainda precisamos de v\u00e1rios tratamentos, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia, terapia alvo e hormonioterapia, para se atingir a maior chance de cura ou sobrevida. Al\u00e9m disso, \u00e9 comum o paciente sofrer complica\u00e7\u00f5es durante o tratamento, por isso se relacionam com cardiologistas e<br \/>\npneumologistas, por exemplo. Nenhum m\u00e9dico interage tanto com outras disciplinas. Voc\u00ea est\u00e1 lidando com pacientes desesperados, e isso, desperta um est\u00edmulo maior dentro de voc\u00ea. Por isso, continuo sempre estudando.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; O senhor lan\u00e7ou um manual para leigos,\u00a0<em>O Vencer o C\u00e2ncer<\/em>, que dicas o livro traz?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; Este livro foi editado por mim e pelo Doutor Fernando Maluf, com foco nos pacientes, familiares e pessoas em geral que tenham interesse no assunto. Hoje, temos um Instituto como mesmo nome, sem fins lucrativos, para educar os pacientes sobre tudo relativo ao c\u00e2ncer. Conhecer o inimigo \u00e9 o primeiro passo para combat\u00ea-lo. O site www.vencerocancer.org.br \u00e9 fant\u00e1stico. Convido a todos para ver seu conte\u00fado. No site, h\u00e1 mais de 200 v\u00eddeos educacionais. Um melhor entendimento do inimigo aumenta as chances de vencermos a guerra.<\/p>\n<p><strong>DIARIO DE PERNAMBUCO<\/strong>\u00a0&#8211; Como surgiu a necessidade de explicar o c\u00e2ncer para leigos?<br \/>\n<strong>ANT\u00d4NIO BUZAID<\/strong>\u00a0&#8211; \u00c9 imperativo que o paciente ajude no seu tratamento para ter as maiores chances de cura ou sobrevida. Saber mais sobre a doen\u00e7a sempre ajuda. Quando um paciente tem um problema, hoje, ele consulta o Google e aparece um bilh\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es. Mas falta um filtro. Esse filtro \u00e9 o m\u00e9dico, que deve orientar e explicar o que de fato \u00e9 bom ou n\u00e3o \u00e9 para cada um. O paciente n\u00e3o \u00e9 capaz de sozinho discriminar os dados, ele pode interpretar erroneamente. Por isso, nosso site tenta assistir os pacientes oferecendo informa\u00e7\u00f5es de alta<br \/>\nefic\u00e1cia. Atualizamos sempre com pequenos v\u00eddeos, novas medica\u00e7\u00f5es e funcionamento das mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com mais de 30 anos de profiss\u00e3o, o oncologista Ant\u00f4nio Carlos Buzaid, 59 anos, n\u00e3o para de estudar. Graduado em Medicina em 1982 pela Universidade de S\u00e3o Paulo, ele se define como um eterno pesquisador. Dedica-se aos livros pelo menos dez horas a cada fim de semana. 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