{"id":41633,"date":"2017-10-30T12:22:10","date_gmt":"2017-10-30T15:22:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=41633"},"modified":"2017-10-30T12:28:04","modified_gmt":"2017-10-30T15:28:04","slug":"como-os-medicos-tem-se-preparado-para-o-pior-momento-da-carreira-dar-mas-noticias-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/como-os-medicos-tem-se-preparado-para-o-pior-momento-da-carreira-dar-mas-noticias-2\/","title":{"rendered":"Como os m\u00e9dicos t\u00eam se preparado para o pior momento da carreira: dar m\u00e1s not\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sexta-feira \u00e0 noite, um grupo de profissionais da sa\u00fade se re\u00fane no setor de pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo, para debater um caso dif\u00edcil: uma paciente de 16 anos, em tratamento para um c\u00e2ncer h\u00e1 um ano, precisar\u00e1 amputar a perna esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A enfermeira Maria L\u00facia de Andrade Santos \u00e9 a encarregada de conversar com a adolescente que, em prantos, protesta contra a decis\u00e3o. Bailarina desde os cinco anos, ela treinava para uma modalidade ol\u00edmpica e v\u00ea naquela not\u00edcia o fim de um sonho. A enfermeira a consola, mas \u00e9 firme em explicar a import\u00e2ncia do procedimento. &#8220;Quem sabe essa \u00e9 uma nova oportunidade, uma tentativa para voc\u00ea ficar bem&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso acima, felizmente, \u00e9 uma simula\u00e7\u00e3o, mas representa situa\u00e7\u00f5es corriqueiras em hospitais brasileiros. Profissionais da sa\u00fade, al\u00e9m de dominarem conhecimentos imprescind\u00edveis para salvar a vida dos pacientes, precisam com frequ\u00eancia comunicar mortes inesperadas, eventos adversos e op\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gera\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos aprenderam o of\u00edcio de comunicar m\u00e1s not\u00edcias na pr\u00e1tica, com tentativa e erro. Mas, nos \u00faltimos anos, t\u00e9cnicas emprestadas da dramaturgia, do cinema, da literatura e da avia\u00e7\u00e3o os t\u00eam ajudado a demonstrar mais empatia e solidariedade na hora de dizer a verdade aos pacientes e minimizar a dor de quem recebe a not\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;H\u00e1 m\u00e9dicos considerados frios, insens\u00edveis, que n\u00e3o olham nos olhos do paciente. Voc\u00ea v\u00ea as pessoas se queixarem, &#8216;me deu a not\u00edcia na porta da UTI&#8217;. Ou h\u00e1 o m\u00e9dico que envia um profissional da equipe para dar a not\u00edcia e nem mesmo vai falar com o paciente. N\u00e3o \u00e9 ser simp\u00e1tico &#8211; \u00e9 ser emp\u00e1tico, se colocar no lugar do paciente&#8221;, afirma Cl\u00e1udia Bacelar Batista, professora na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), institui\u00e7\u00e3o que h\u00e1 alguns anos incluiu t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias na grade curricular do curso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>L\u00e1grimas de verdade e pacientes de mentira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como na avia\u00e7\u00e3o, a Medicina tem utilizado cada vez mais simula\u00e7\u00f5es real\u00edsticas para treinar seus profissionais, seja em procedimentos m\u00e9dicos, seja para comunicar not\u00edcias ruins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Batista, que leciona no eixo \u00e9tico-human\u00edstico do curso de medicina da UFBA, a teatraliza\u00e7\u00e3o ajuda a resgatar a rela\u00e7\u00e3o emp\u00e1tica entre m\u00e9dico e paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No hospital Albert Einstein, um centro de simula\u00e7\u00e3o real\u00edstica \u00e9 utilizado para cursos de m\u00e1s not\u00edcias. Atores fazem as vezes de pacientes. H\u00e1 l\u00e1grimas de verdade, pulseiras e cateteres hospitalares e o script da cena \u00e9 male\u00e1vel &#8211; o ator precisa adapt\u00e1-lo, a depender da rea\u00e7\u00e3o do profissional que participa da simula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os profissionais de sa\u00fade aprendem na pr\u00e1tica a lidar com rea\u00e7\u00f5es como nega\u00e7\u00e3o, agressividade e desespero, comuns ap\u00f3s a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que ficam mudos e n\u00e3o conseguem acolher o paciente s\u00e3o retirados da cena antes do fim. &#8220;N\u00e3o podemos refor\u00e7ar experi\u00eancias negativas. Essas acabam marcando mais do que o aprendizado que queremos passar&#8221;, explica Mariana Santos Alecrim Molina, enfermeira e analista de simula\u00e7\u00e3o real\u00edstica s\u00eanior do Einstein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o h\u00e1 receita de bolo. Mas criamos cen\u00e1rio e pontos de virada para treinar capacidades distintas dos alunos&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conhecimento t\u00e9cnico e empatia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da teatraliza\u00e7\u00e3o, disseminou-se na medicina um protocolo usado inicialmente para comunicar pacientes sobre o diagn\u00f3stico de um c\u00e2ncer. O modelo consiste em seis etapas, cada uma correspondente a uma das letras da sigla &#8220;spikes&#8221;, como foi batizada a t\u00e9cnica: cen\u00e1rio (setting), percep\u00e7\u00e3o (perception), convite (invitation), conhecimento (knowledge), emo\u00e7\u00e3o ou empatia (emotion) e resumo (summary).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira etapa, o m\u00e9dico busca um ambiente onde o paciente ou seus familiares sintam-se seguros e tenta estabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o horizontal, sem discurso de autoridade. &#8220;O m\u00e9dico evita at\u00e9 estar de p\u00e9, para n\u00e3o haver uma rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, mesmo que inconsciente&#8221;, explica Thomaz Bittencourt Couto, m\u00e9dico do Centro de Simula\u00e7\u00e3o Real\u00edstica do Hospital Israelita Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo, que d\u00e1 cursos sobre a comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e1s not\u00edcias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sentado, olho no olho, abre-se uma rela\u00e7\u00e3o mais igual e isso melhora a recep\u00e7\u00e3o das pessoas sobre uma not\u00edcia mais cr\u00edtica&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na etapa seguinte, o m\u00e9dico busca entender o qu\u00e3o informado o paciente est\u00e1 para saber quais detalhes s\u00e3o necess\u00e1rios e quais n\u00e3o precisam ser repetidos. Em seguida, o profissional convida o paciente a dividir com ele quais s\u00e3o suas d\u00favidas e medos, para que possa esclarec\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quarta etapa, do conhecimento, \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o da not\u00edcia, sem termos dif\u00edceis de compreender. Com a rea\u00e7\u00e3o do paciente, espera-se que o m\u00e9dico demonstre empatia. Por \u00faltimo, o profissional faz um apanhado e busca definir pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aquela not\u00edcia impacta a fam\u00edlia, o paciente, pela vida inteira. E, se ela \u00e9 mal dada, o impacto \u00e9 maior&#8221;, diz Couto. Tudo \u00e9 pensado para que o momento da not\u00edcia n\u00e3o se converta em um trauma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Re-humaniza\u00e7\u00e3o da Medicina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do ensino de t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o, os cursos de m\u00e1s not\u00edcias prentendem refor\u00e7ar a forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica dos profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Batista, da UFBA, embora a Medicina deva ao s\u00e9culo 20 seus maiores avan\u00e7os cient\u00edficos, o aperfei\u00e7oamento da t\u00e9cnica trouxe consigo uma fragmenta\u00e7\u00e3o do tratamento do paciente que, em parte, desumanizou a medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a enfermeira Maria L\u00facia de Andrade Santos, que participou da simula\u00e7\u00e3o real\u00edstica descrita no in\u00edcio dessa reportagem, a experi\u00eancia ser\u00e1 lembrada quando estiver frente a frente com pacientes reais. &#8220;Foi uma atriz que me fez viver aquela sensa\u00e7\u00e3o. Foi marcante&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua firmeza durante a simula\u00e7\u00e3o foi alvo de feedback de colegas e da pr\u00f3pria atriz. A &#8220;paciente&#8221; disse a ela que, embora o tom assertivo passasse confian\u00e7a, faltou apoio emocional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela sentiu ali o que profissionais fazem muitas vezes, que \u00e9 n\u00e3o ouvir o desabafo do paciente. Minha tentativa de escape ali foi contra-argumentar com a paciente, eu n\u00e3o queria me desestabilizar. Pensei que n\u00e3o poderia come\u00e7ar a chorar e, na d\u00favida, tentei acalm\u00e1-la com argumentos&#8221;, explica. &#8220;Mas o feedback me mostrou que o paciente precisa ser ouvido.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FONTE:<\/strong> BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta-feira \u00e0 noite, um grupo de profissionais da sa\u00fade se re\u00fane no setor de pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein, em S\u00e3o Paulo, para debater um caso dif\u00edcil: uma paciente de 16 anos, em tratamento para um c\u00e2ncer h\u00e1 um ano, precisar\u00e1 amputar a perna esquerda. 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