{"id":42118,"date":"2017-12-04T08:32:24","date_gmt":"2017-12-04T11:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=42118"},"modified":"2017-12-04T08:39:57","modified_gmt":"2017-12-04T11:39:57","slug":"aids-pe-nao-reduz-taxa-de-mortalidade-pela-doenca-desde-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/aids-pe-nao-reduz-taxa-de-mortalidade-pela-doenca-desde-2012\/","title":{"rendered":"Aids: PE n\u00e3o reduz taxa de mortalidade pela doen\u00e7a desde 2012"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Mortalidade relacionada \u00e0 aids est\u00e1 condicionada a dois fatores: \u00e0 ades\u00e3o ao tratamento e \u00e0 detec\u00e7\u00e3o tardia da soropositividade para o HIV<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da d\u00e9cada de 1980 at\u00e9 os dias atuais, o tratamento da aids evoluiu e abriu caminhos para deter a progress\u00e3o da doen\u00e7a e proteger os pacientes de infec\u00e7\u00f5es oportunistas \u2013 aquelas que tiram vantagem da fraqueza do sistema imunol\u00f3gico de quem convive com os efeitos do HIV, o v\u00edrus da aids. Na contram\u00e3o do avan\u00e7o, n\u00e3o se v\u00ea queda na taxa de mortalidade (por 100 mil habitantes) pela doen\u00e7a, em Pernambuco, desde 2012, quando se atingiu 6,7 \u00f3bitos por 100 mil habitantes. Com base em 2016, percebe-se que o \u00edndice praticamente se mant\u00e9m \u2013 e numa \u00e9poca em que o Brasil se tornou o primeiro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a incorporar o dolutegravir, considerado atualmente o melhor medicamento para o HIV, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS). A taxa atual de mortalidade no Estado \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior do que a atingida em 1999 (2,3), quando MS passou a disponibilizar 15 medicamentos antirretrovirais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, se atualmente h\u00e1 chances de o tratamento ser mais bem-sucedido, em compara\u00e7\u00e3o a d\u00e9cadas passadas, uma d\u00favida desponta neste Dia Mundial de Luta contra a Aids: o que deu errado no combate \u00e0 mortalidade? Os dados apresentados, no \u00faltimo dia 23, pelo MS, no Relat\u00f3rio de Monitoramento Cl\u00ednico do HIV, d\u00e3o pistas para respostas. A pasta reconhece que a ades\u00e3o \u00e0 terapia antirretroviral \u00e9 um desafio a ser enfrentado no Pa\u00eds. Cerca de 70% das pessoas vivendo com HIV (com, pelo menos, uma dispensa de medicamentos em 2016) seguiam corretamente o tratamento. A taxa de abandono ou interrup\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica, contudo, \u00e9 de 9% \u2013 e permanece constante desde 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA mortalidade relacionada \u00e0 aids est\u00e1 condicionada a dois fatores: \u00e0 ades\u00e3o ao tratamento e \u00e0 detec\u00e7\u00e3o tardia da soropositividade para o v\u00edrus. H\u00e1 um hiato de tempo entre a contamina\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de sintomas, quando aparece a baixa da imunidade. Esse intervalo pode durar de dois a quatro anos. E geralmente \u00e9 nesse momento que a pessoa descobre a doen\u00e7a, o que aumenta a chance de mortalidade\u201d, frisa o infectologista Tomaz Albuquerque, do Hospital Esperan\u00e7a e do Correia Pican\u00e7o, que \u00e9 refer\u00eancia estadual para o tratamento da aids. No caminho oposto, segundo o m\u00e9dico, a detec\u00e7\u00e3o do HIV, em poucas semanas ap\u00f3s a contamina\u00e7\u00e3o, faz a chance de morte por aids ser reduzida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O depoimento de Tomaz est\u00e1 em sintonia com a ci\u00eancia. Um estudo publicado, em dezembro de 2016, pelo peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0The Lancet\u00a0mostrou que a detec\u00e7\u00e3o da aids na sua fase avan\u00e7ada mais do que triplica o risco de morte entre as pessoas que vivem com aids e que participaram do levantamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA m\u00e1 ades\u00e3o ao tratamento \u00e9 outro detalhe associado aos \u00f3bitos. Alguns pacientes iniciam as medica\u00e7\u00f5es e n\u00e3o continuam a tom\u00e1-las regularmente, al\u00e9m de n\u00e3o respeitarem os hor\u00e1rios e as doses prescritas. Isso est\u00e1 fatalmente vinculado a um risco aumentado de resist\u00eancia viral e, consequentemente, \u00e0 progress\u00e3o da doen\u00e7a e \u00e0 falha terap\u00eautica\u201d, explica o infectologista. Ele acrescenta que, nesse contexto, a imunidade piora e d\u00e1 brecha a infec\u00e7\u00f5es oportunistas e ao c\u00e2ncer, frequentemente relacionados aos \u00f3bitos dos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que hoje o diagn\u00f3stico precoce, seguido da ades\u00e3o ao tratamento, \u00e9 a m\u00e1xima a ser seguida. Gerente do Programa Estadual de Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis (IST)\/Aids, Fran\u00e7ois Figueiroa lembra a import\u00e2ncia da testagem para quem teve alguma poss\u00edvel exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus. \u201cOfertamos o teste r\u00e1pido semanalmente em a\u00e7\u00f5es promovidas pelo programa. A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode encontr\u00e1-lo em postos de sa\u00fade, nos Centros de Testagem e Aconselhamento e nas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais. Precisamos informar para que a popula\u00e7\u00e3o se teste\u201d, refor\u00e7a Fran\u00e7ois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aids em jovens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma crise de gastrite forte levou um universit\u00e1rio de 25 anos a investigar a causa do inc\u00f4modo. Os exames n\u00e3o mostraram altera\u00e7\u00f5es e o gastroenterologista indicou a realiza\u00e7\u00e3o do teste de HIV para o jovem. \u201cFoi o meu primeiro exame, aos 19 anos. Com o resultado em m\u00e3os, li a palavra \u2018reagente\u2019 e perguntei \u00e0 enfermeira do laborat\u00f3rio o que significava. Ela disse que, pessoas como eu, tinham que morrer de aids. N\u00e3o foi nada bom\u201d, recorda. Sobre a forma de exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, ele atribui \u00e0 transmiss\u00e3o via sexual. \u201cN\u00e3o usava com frequ\u00eancia a camisinha.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O universit\u00e1rio representa a segunda faixa et\u00e1ria que re\u00fane a maior parte dos casos de aids em Pernambuco desde 1983, quando foram iniciadas as notifica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a. Entre 20 e 29 anos, j\u00e1 s\u00e3o 6.565 casos (26% do total), atr\u00e1s apenas da popula\u00e7\u00e3o entre 30 e 39 anos (9.280 casos, representando 36,7% dos registros). No entanto, \u00e9 na faixa et\u00e1ria de 20 aos 29 anos que se concentra a maior fatia de pessoas que possuem o HIV, mas n\u00e3o desenvolveram a doen\u00e7a. Desde 2014, s\u00e3o 2.348 casos, no Estado, nessa idade, representando 35,11% do total de notifica\u00e7\u00f5es das pessoas com HIV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcredito que os jovens t\u00eam um papel importante para mudar a realidade da aids. Mas infelizmente esse pessoal n\u00e3o se previne como deveria. Com ideia (falsa) de que a doen\u00e7a n\u00e3o mata como no passado, as pessoas deixam de lado a preven\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a forma mais eficaz que temos de n\u00e3o contrair o v\u00edrus\u201d, diz o universit\u00e1rio, hoje integrante de grupos que atuam na defesa dos pacientes. \u201cSe eu dissesse que \u00e9 f\u00e1cil ter aids, estaria mentindo. \u00c9 preciso lidar com o estigma o tempo inteiro, mas \u00e9 poss\u00edvel viver com qualidade de vida\u201d, declara o jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mortalidade relacionada \u00e0 aids est\u00e1 condicionada a dois fatores: \u00e0 ades\u00e3o ao tratamento e \u00e0 detec\u00e7\u00e3o tardia da soropositividade para o HIV Da d\u00e9cada de 1980 at\u00e9 os dias atuais, o tratamento da aids evoluiu e abriu caminhos para deter a progress\u00e3o da doen\u00e7a e proteger os pacientes de infec\u00e7\u00f5es oportunistas \u2013 aquelas que 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