{"id":42123,"date":"2017-12-04T08:45:57","date_gmt":"2017-12-04T11:45:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=42123"},"modified":"2017-12-04T08:45:57","modified_gmt":"2017-12-04T11:45:57","slug":"pesquisa-revela-que-brasileiros-consideram-aborto-questao-de-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/pesquisa-revela-que-brasileiros-consideram-aborto-questao-de-saude-publica\/","title":{"rendered":"Pesquisa revela que brasileiros consideram aborto quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O estudo &#8220;Opini\u00f5es sobre o aborto no Brasil&#8221;, ouviu 1,6 mil pessoas, de 12 regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Estima-se que, anualmente, ao menos 800 mil mulheres abortem no pa\u00eds. Os n\u00fameros tratam de interrup\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de gesta\u00e7\u00e3o em cl\u00ednicas clandestinas ou por ingest\u00e3o de medicamentos, feitos de maneira ilegal, fora das condi\u00e7\u00f5es plenas de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade e sujeitas \u00e0 pris\u00e3o. Por d\u00e9cadas, mulheres protagonizaram hist\u00f3ricas manifesta\u00e7\u00f5es em busca da descriminaliza\u00e7\u00e3o completa do aborto \u2014 ou por um pouco de empatia. Algo, entretanto, parece mudar, por mais contradi\u00e7\u00f5es que o tema ainda apresente.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Uma pesquisa in\u00e9dita revela que, para 43% dos brasileiros, o aborto j\u00e1 \u00e9 considerado um tema de sa\u00fade p\u00fablica, n\u00e3o de pol\u00edcia (13%). Por\u00e9m, para metade da popula\u00e7\u00e3o, uma mulher que interrompeu a gesta\u00e7\u00e3o deve ser punida e levada \u00e0 pris\u00e3o. Mas, apesar disso, apenas 7% das pessoas alegaram que denunciariam \u00e0 pol\u00edcia uma irm\u00e3, uma prima ou uma amiga que tivesse cometido um aborto volunt\u00e1rio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O estudo \u201cOpini\u00f5es sobre o aborto no Brasil\u201d, conduzido pelo Instituto Locomotiva, em parceria com o Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o, uma ag\u00eancia de conte\u00fados multim\u00eddia sobre os direitos das mulheres brasileiras, ouviu 1,6 mil pessoas, de 12 regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds, de diferentes classes sociais e n\u00edveis de escolaridade. Os dados do levantamento estampam o que j\u00e1 estava aparente: o aborto ainda \u00e9 um tema delicado, conflituoso e de dif\u00edcil entendimento para os brasileiros.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ma\u00edra Saru\u00ea Machado, diretora de pesquisas do Instituto Locomotiva e respons\u00e1vel por conduzir o levantamento, explica que as opini\u00f5es contradit\u00f3rias s\u00e3o decorrentes da bagagem estigmatizada que a palavra \u201caborto\u201d ainda carrega. De acordo com a especialista, quando se humaniza o procedimento, ou seja, tenta aproximar o tema ao entrevistado, ele tende a olhar para a causa com um vi\u00e9s diferente. \u201cAs pessoas repensam a opini\u00e3o delas sobre o abortamento quando s\u00e3o colocadas situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e, principalmente, com pessoas pr\u00f3ximas a elas. Por isso vivem essas dicotomias\u201d, justifica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ma\u00edra conta que o principal motivo para a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa foi saber o que o brasileiro pensa sobre o tema, sem abordagens gerais. Como uma novidade, foram inclu\u00eddas perguntas de sa\u00fade p\u00fablica e de responsabilidade social. Por n\u00e3o haver muitos dados sobre o tema, a diretora de pesquisa comenta que n\u00e3o h\u00e1 par\u00e2metros que possam ajudar na avalia\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as concretas de pensamento nas respostas: \u201cOs n\u00fameros foram dentro do esperado, porque h\u00e1 uma rejei\u00e7\u00e3o natural quando se fala em aborto. Mas, quando se pensa em mulheres em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, a aceita\u00e7\u00e3o tende a subir. E isso pode ser visto como positivo\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Vulnerabilidade<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os resultados obtidos atrav\u00e9s da pesquisa mostram ainda que, apesar das contradi\u00e7\u00f5es, a maioria da popula\u00e7\u00e3o segue em sintonia com o que ainda est\u00e1 na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Quando questionados sobre o aborto em sua forma legal, os participantes apoiaram a legaliza\u00e7\u00e3o do procedimento. Cerca de 67% deles s\u00e3o a favor da interrup\u00e7\u00e3o em caso de estupro; 61%, quando a mulher corre risco de morte; e 50% quando o feto for diagnosticado com alguma doen\u00e7a grave e incur\u00e1vel.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em casos cujos temas fogem aos j\u00e1 decididos por lei, os entrevistados se mostraram contr\u00e1rios ao aborto volunt\u00e1rio. Apenas 37% s\u00e3o a favor do ato quando a mulher tem at\u00e9 14 anos; 25% s\u00e3o a favor quando n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es familiares e financeiras para continuar com a gesta\u00e7\u00e3o e s\u00f3 16% s\u00e3o a favor do aborto quando a gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 planejada. Apesar do estigma, quase metade dos brasileiros conhece ao menos uma mulher que tenha cometido um aborto volunt\u00e1rio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Cotidiano<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cAcontece mais do que podemos imaginar. Ningu\u00e9m sai falando abertamente porque ainda \u00e9 crime. Mas aconteceu comigo e pode acontecer com qualquer uma.\u201d Essa \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de uma mulher, de 34 anos, que optou por n\u00e3o prosseguir com uma gravidez indesejada. A ge\u00f3grafa, que prefere n\u00e3o ser identificada, realizou um aborto farmacol\u00f3gico em 2004. Aos 21 anos, ela engravidou de um homem com o qual n\u00e3o tinha um relacionamento est\u00e1vel.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, a jovem tomou tr\u00eas comprimidos de um rem\u00e9dio abortivo, na companhia do rapaz e de mais duas amigas.\u201cMeus familiares n\u00e3o s\u00e3o religiosos, mas existem padr\u00f5es morais estipulados pela sociedade que eles seguem. O preconceito est\u00e1 enraizado e essa \u00e9 uma das partes mais dif\u00edceis\u201d, acrescenta.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Branca, de classe m\u00e9dia, a professora conta que sempre teve muito acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e, por isso, n\u00e3o sentiu tanto medo. \u201cEu sou privilegiada, porque, mesmo tendo feito um aborto com rem\u00e9dio, foi de uma maneira segura. Isso ainda \u00e9 muito dif\u00edcil, principalmente porque o Brasil \u00e9\u00a0 um pa\u00eds onde a maioria das mulheres precisa recorrer a cl\u00ednicas clandestinas, colocando suas vidas em risco.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Debate nos poderes<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria de uma gesta\u00e7\u00e3o voltou a ser debatida nesta \u00faltima semana quando a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber negou o pedido da estudante Rebeca, de 30 anos, para realizar o procedimento sem o risco de ser investigada ou punida criminalmente pela Justi\u00e7a. A universit\u00e1ria alegou n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es emocionais, psicol\u00f3gicas e econ\u00f4micas para ter a crian\u00e7a. Atualmente, ela j\u00e1 cria sozinha dois filhos, de 6 e 9 anos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A ministra \u00e9 relatora do processo apresentado ao Supremo pelo PSOL, que pede a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto e a garantia de dar \u00e0s mulheres a autonomia para decidir os rumos de seus pr\u00f3prios corpos. Para a assessora t\u00e9cnica do CFemea e soci\u00f3loga Masra Abreu, \u00e9 preciso tentar driblar o discurso generalista sobre o aborto e avan\u00e7ar no debate nacional com quest\u00f5es mais detalhadas, como as quest\u00f5es sociais vividas pela mulher que engravidou.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, a popula\u00e7\u00e3o ter considerado o aborto um caso de sa\u00fade p\u00fablica e n\u00e3o judicial, \u00e9 o come\u00e7o para tentar desmistificar o tema.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo &#8220;Opini\u00f5es sobre o aborto no Brasil&#8221;, ouviu 1,6 mil pessoas, de 12 regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds Estima-se que, anualmente, ao menos 800 mil mulheres abortem no pa\u00eds. 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