{"id":42211,"date":"2017-12-07T08:12:37","date_gmt":"2017-12-07T11:12:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=42211"},"modified":"2017-12-07T08:15:06","modified_gmt":"2017-12-07T11:15:06","slug":"hanseniase-no-recife-e-endemica-subnotificada-e-em-continua-transmissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/hanseniase-no-recife-e-endemica-subnotificada-e-em-continua-transmissao\/","title":{"rendered":"Hansen\u00edase no Recife \u00e9 end\u00eamica, subnotificada e em cont\u00ednua transmiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A hansen\u00edase no Recife continua end\u00eamica, com focos n\u00e3o notificados, em cont\u00ednua transmiss\u00e3o e com diagn\u00f3stico tardio. \u00c9 o que mostra pesquisa dam\u00e9dica dermatologista Renata Cavalcanti Cau\u00e1s. O estudo de tend\u00eancia temporal da hansen\u00edase no Recife no per\u00edodo de 2001 a 2015, tema da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Medicina Tropical da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) aponta que, nos 14 anos que compreendem o per\u00edodo dos dados observados, foram notificados 12.068 casos novos, dos quais 12,42% em menores de 15 anos de idade e 49,6% em pessoas com idade de 20 a 49 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo, orientado pela professora Vera Magalh\u00e3es, aponta, ainda, que, embora haja uma tend\u00eancia de queda dos coeficientes de detec\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o geral e em menores de 15 anos, esses coeficientes permanecem classificados como de &#8220;muito alta&#8221; endemicidade e &#8220;hiperend\u00eamico&#8221;, respectivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A relev\u00e2ncia de se investigar a popula\u00e7\u00e3o mais jovem, segundo Renata Cau\u00e1s, se deve ao fato de que a detec\u00e7\u00e3o de casos em menores de 15 anos \u00e9 utilizada como evento-sentinela, sendo um dos indicadores mais sens\u00edveis para o controle da hansen\u00edase, uma vez que se encontra relacionado com transmiss\u00e3o ativa e recente da endemia. &#8220;Pode-se tamb\u00e9m inferir que a exposi\u00e7\u00e3o precoce ao bacilo aumenta a probabilidade de adoecimento e, sendo assim, a detec\u00e7\u00e3o em menores de 15 anos \u00e9 tomada como um indicador de maior gravidade da doen\u00e7a&#8221;, destaca ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se referem \u00e0 forma cl\u00ednica da patologia, os dados revelam que a hansen\u00edase tubercul\u00f3ide foi a mais frequente. E essa constata\u00e7\u00e3o, segundo analisa a pesquisadora, torna a situa\u00e7\u00e3o mais preocupante, pois que esse tipo de hansen\u00edase favorece a manuten\u00e7\u00e3o da endemia na cidade. &#8220;Esse \u00e9 um indicador de alta endemicidade e evidencia tend\u00eancia de expans\u00e3o da doen\u00e7a pelo fato de acometer indiv\u00edduos imunocompetentes, revelando a presen\u00e7a de focos de transmiss\u00e3o oculto na comunidade&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m classificado como alarmante no estudo \u00e9 o fato de haver cont\u00ednuo registro (3,8%) de casos com incapacidade f\u00edsica grau 2, numa escala que vai de 0 a 2. Ainda quanto a essa categoria, 73,1% dos casos foram classificados como grau 0, considerando-se que cerca de 10,6% das informa\u00e7\u00f5es sobre o grau de incapacidade foram n\u00e3o avaliadas ou ignoradas. Os resultados, na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, est\u00e3o bem acima do esperado, mesmo para \u00e1reas end\u00eamicas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de casos em crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao \u00edndice de detec\u00e7\u00e3o no Recife, observou-se uma redu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo, a dermatologista ressalta em seu trabalho que, a partir desse dado, \u00e9 poss\u00edvel se medir a magnitude da doen\u00e7a, uma vez que esse coeficiente est\u00e1 relacionado com a incid\u00eancia real e a agilidade diagn\u00f3stica dos servi\u00e7os de sa\u00fade. Segundo Renata Cau\u00e1s, somente conhecendo a realidade se pode estimar a endemia oculta, na qual est\u00e1 contida a for\u00e7a de transmiss\u00e3o da hansen\u00edase. &#8220;Se a capacidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade em oferecer diagn\u00f3sticos precoces melhora, o coeficiente de detec\u00e7\u00e3o pode com o tempo ir se igualando a incid\u00eancia real, enquanto a endemia oculta tenderia a diminuir&#8221;, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados foram coletados a partir de informa\u00e7\u00f5es contidas no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), fornecidos pelo Sistema de Informa\u00e7\u00e3o do Programa de Controle da Hansen\u00edase do Recife. J\u00e1 segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, coletados pela pesquisadora, se comparado aos demais estados brasileiros, Pernambuco apresenta destaque em rela\u00e7\u00e3o aos indicadores da doen\u00e7a. &#8220;Em um levantamento feitos entre 1990 a 2008, o estado aparece com um coeficiente de detec\u00e7\u00e3o de casos de hansen\u00edase na popula\u00e7\u00e3o geral classificado como de &#8216;muito alta&#8217; endemicidade&#8221;, analisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao avaliar a relev\u00e2ncia do levantamento realizado, a autora da pesquisa esclarece que estudos de tend\u00eancia temporal fornecem um diagn\u00f3stico din\u00e2mico da ocorr\u00eancia de um evento na popula\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e s\u00e3o importantes para verificar o resultado das medidas institu\u00eddas para controle de determinada doen\u00e7a. &#8220;O ajuste estat\u00edstico da s\u00e9rie hist\u00f3rica, ao capturar a tend\u00eancia do indicador, tamb\u00e9m pode permitir a predi\u00e7\u00e3o de valores para os anos seguintes&#8221;, afirma Renata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ratificando a import\u00e2ncia dos indicadores levantados, a pesquisa ressalta que o coeficiente de detec\u00e7\u00e3o de casos novos estima a magnitude da doen\u00e7a, uma vez que \u00e9 capaz de inferir a incid\u00eancia real e a agilidade diagn\u00f3stica dos servi\u00e7os de sa\u00fade e que os casos da doen\u00e7a com grau 2 de incapacidade avaliada no momento do diagn\u00f3stico, quando presente em altas propor\u00e7\u00f5es, demonstram insufici\u00eancia na qualidade dos servi\u00e7os de sa\u00fade, ou seja, diagn\u00f3stico tardio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como balan\u00e7o de todos os dados, a pesquisadora entende que &#8220;o cen\u00e1rio aponta a necessidade de maior treinamento das equipes de sa\u00fade e de contra-refer\u00eancia adequada, j\u00e1 que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade preconiza que a doen\u00e7a deve ser diagnosticada e tratada nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade e longe dos centros especializados onde h\u00e1 o cont\u00ednuo estudo da hansen\u00edase&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hansen\u00edase no Recife continua end\u00eamica, com focos n\u00e3o notificados, em cont\u00ednua transmiss\u00e3o e com diagn\u00f3stico tardio. \u00c9 o que mostra pesquisa dam\u00e9dica dermatologista Renata Cavalcanti Cau\u00e1s. 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