{"id":42260,"date":"2017-12-11T08:57:31","date_gmt":"2017-12-11T11:57:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=42260"},"modified":"2017-12-11T08:59:59","modified_gmt":"2017-12-11T11:59:59","slug":"em-15-ou-20-anos-o-cancer-devera-ser-uma-doenca-controlada-como-a-aids-diz-pesquisador-do-inca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/em-15-ou-20-anos-o-cancer-devera-ser-uma-doenca-controlada-como-a-aids-diz-pesquisador-do-inca\/","title":{"rendered":"&#8216;Em 15 ou 20 anos, o c\u00e2ncer dever\u00e1 ser uma doen\u00e7a controlada, como a Aids&#8217;, diz pesquisador do Inca"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Especialista em imunoterapia, um dos tratamentos mais avan\u00e7ados contra os tumores, Jo\u00e3o Viola fala sobre a evolu\u00e7\u00e3o nas descobertas sobre a doen\u00e7a mais temida pelos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, um mal pouco conhecido passou a assombrar o mundo e intrigar os cientistas: a Aids, causada pelo v\u00edrus HIV. Altamente letal \u00e0 \u00e9poca, a nova doen\u00e7a se tornou um pesadelo. O fil\u00f3sofo Michel Focault, o ator Rock Hudson, o cantor brasileiro Cazuza e o lend\u00e1rio roqueiro Freddie Mercury foram apenas algumas das celebridades que morreram em decorr\u00eancia dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas tr\u00eas d\u00e9cadas depois do surto inicial, as perspectivas de vida de um portador do v\u00edrus do HIV s\u00e3o bem diferentes das daqueles tempos. A efici\u00eancia dos coquet\u00e9is antirretrovirais \u00e9 comprovada pelos n\u00fameros &#8211; no Brasil, o \u00edndice de mortalidade caiu mais de 42% nos \u00faltimos 20 anos, e a epidemia \u00e9 considerada estabilizada. Hoje, a doen\u00e7a que mais assusta os brasileiros n\u00e3o \u00e9 mais a Aids &#8211; e sim o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Segundo pesquisa do instituto Datafolha, esse \u00e9 o diagn\u00f3stico que 76% das pessoas mais temem ouvir &#8211; \u00e9 visto por elas praticamente como uma &#8220;senten\u00e7a de morte&#8221;. S\u00f3 entre o ano passado e o atual, a estimativa era de que 600 mil novos casos surgissem no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas diferentemente do senso comum, os tratamentos j\u00e1 evolu\u00edram bastante, a ponto de Jo\u00e3o Viola, pesquisador do Inca (Instituto Nacional do C\u00e2ncer) desde 1998 e chefe da divis\u00e3o de pesquisa experimental e translacional do \u00f3rg\u00e3o, dizer que &#8220;a grande maioria dos c\u00e2nceres s\u00e3o cur\u00e1veis&#8221;. &#8220;Hoje a gente tem capacidade de curar doentes. Esse estigma, a gente tem que combater&#8221;, afirma em entrevista \u00e0 BBC Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Por outro lado, ressalta ser dif\u00edcil poder falar em &#8220;cura definitiva&#8221; quando se trata da doen\u00e7a, j\u00e1 que ela pode ser extinta em um \u00f3rg\u00e3o e voltar em outro. At\u00e9 por isso, os cientistas trabalham para torn\u00e1-la &#8220;control\u00e1vel&#8221; &#8211; assim como \u00e9 a infec\u00e7\u00e3o pelo HIV hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil falar em cura porque, uma vez que voc\u00ea tem, precisa estar sempre em vigil\u00e2ncia. Mas o que a gente est\u00e1 prevendo \u00e9 que, em 15 ou 20 anos, o c\u00e2ncer vai ser a mesma coisa que a Aids. O paciente fica em tratamento-controle por muito tempo, e a\u00ed vira uma doen\u00e7a cr\u00f4nica. Isso \u00e9 bem plaus\u00edvel, bem poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Leia os principais trechos da entrevista, na qual Viola fala sobre a evolu\u00e7\u00e3o no tratamento da doen\u00e7a e as perspectivas sobre seu futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">BBC Brasil &#8211; Quando falamos em c\u00e2ncer, ainda h\u00e1 um estigma forte e uma ideia de que a doen\u00e7a \u00e9 uma &#8220;senten\u00e7a de morte&#8221;, mais ou menos como era a Aids na d\u00e9cada de 1980. Hoje, a Aids n\u00e3o foi erradicada, mas consegue ser bem controlada com rem\u00e9dios. O que evoluiu de l\u00e1 para c\u00e1 no caso do c\u00e2ncer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Jo\u00e3o Viola &#8211;\u00a0Existe uma correla\u00e7\u00e3o de desenvolvimento muito semelhante com a Aids, hoje a gente discute o c\u00e2ncer mais ou menos desse jeito. Mas \u00e9 importante ressaltar que, quando a gente fala em Aids, a gente est\u00e1 falando em uma doen\u00e7a. Quando a gente fala em c\u00e2ncer, a gente est\u00e1 falando em mais de cem doen\u00e7as diferentes. H\u00e1 alguns mais agressivos, menos agressivos, mas \u00e9 uma abrang\u00eancia de diferentes tipos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O ponto importante \u00e9: a grande maioria dos tumores hoje s\u00e3o cur\u00e1veis. Desde que sejam identificados mais precocemente. Se a gente consegue identificar o tumor bem precoce, h\u00e1 interven\u00e7\u00f5es com as quais conseguimos curar o paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">BBC Brasil &#8211; O c\u00e2ncer engloba v\u00e1rias doen\u00e7as, mas o mecanismo de a\u00e7\u00e3o \u00e9 o mesmo em todas elas, certo? Uma c\u00e9lula ruim que se multiplica e vai afetando um \u00f3rg\u00e3o. Por que, ent\u00e3o, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil inibir esse mecanismo que forma os tumores malignos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Jo\u00e3o Viola &#8211;\u00a0O c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a basicamente gen\u00e9tica. Nosso genoma \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que n\u00f3s temos, ent\u00e3o o c\u00e2ncer tem uma base gen\u00e9tica e ele parte de muta\u00e7\u00f5es no nosso genoma que alteram a fisiologia daquela c\u00e9lula. Uma c\u00e9lula, como qualquer ser vivo, nasce, divide, diferencia e morre. Toda c\u00e9lula tem que fazer isso. O c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a gen\u00e9tica que altera essa rela\u00e7\u00e3o da fisiologia celular, e essa c\u00e9lula passa a se dividir desreguladamente e n\u00e3o morre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">H\u00e1 um conjunto de genes chamados oncogenes que, quando est\u00e3o no seu funcionamento normal, s\u00e3o fundamentais para n\u00f3s. Mas se ele passa por uma muta\u00e7\u00e3o que o faz se desregular, isso altera a vida celular. S\u00f3 que s\u00e3o milhares de genes. A gente j\u00e1 conhece algumas dessas altera\u00e7\u00f5es, mas elas s\u00e3o muitas, e relacionadas a diferentes tipos tumorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">S\u00e3o doen\u00e7as muito diferentes que podem ter est\u00e1gios diferentes, e que s\u00e3o causadas por muta\u00e7\u00f5es em genes diferentes. O tumor X pode estar mais relacionado ao oncogene Y e por a\u00ed vai. Mas o mecanismo \u00e9 o mesmo: em algum \u00f3rg\u00e3o seu, uma c\u00e9lula mutou para uma c\u00e9lula tumoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">E a\u00ed tem uma coisa que a gente chama de microambiente tumoral. Quando a gente tem um tumor que est\u00e1 crescendo, ele altera o ambiente onde est\u00e1, onde as outras c\u00e9lulas vivem. Os tumores malignos, al\u00e9m de crescerem naquele local, as c\u00e9lulas dele saem daquele tumor, pegam a corrente sangu\u00ednea e crescem em outros tecidos &#8211; que s\u00e3o as met\u00e1stases. Ent\u00e3o retirar o tumor n\u00e3o necessariamente retira o problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">BBC Brasil &#8211; O senhor se formou no final da d\u00e9cada de 1980, quando o c\u00e2ncer ainda era pouco conhecido. Um paciente que se descobria com a doen\u00e7a naquela \u00e9poca tinha quais tipos de tratamento dispon\u00edveis?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Jo\u00e3o Viola &#8211;\u00a0O primeiro tratamento que se tem \u00e9 a cirurgia. At\u00e9 hoje, a primeira coisa que se faz \u00e9 tentar retirar esse tumor. Ent\u00e3o at\u00e9 que os primeiros quimioter\u00e1picos surgissem, era s\u00f3 cirurgia. Mas a probabilidade de curar assim era muito pequena, n\u00e3o vai resolver por causa dos tumores secund\u00e1rios que surgem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">No final da d\u00e9cada de 1970, come\u00e7am a surgir as primeiras qu\u00edmios, as primeiras drogas quimioter\u00e1picas que aparecem e que basicamente inibem a divis\u00e3o celular, ou seja, inibe que aquela c\u00e9lula (tumoral) se divida muito. S\u00f3 que s\u00e3o drogas completamente inespec\u00edficas. Elas n\u00e3o inibem s\u00f3 a divis\u00e3o das c\u00e9lulas tumorais, inibem a divis\u00e3o das c\u00e9lulas normais tamb\u00e9m. Quais s\u00e3o as c\u00e9lulas nossas que dividem muito? Cabelo, pele, intestino &#8211; por isso que as pessoas que passam por qu\u00edmio t\u00eam problemas intestinais e perdem cabelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ent\u00e3o o que voc\u00ea fazia? Retirava o tumor por cirurgia e tratava por quimioterapia tentando matar aquelas c\u00e9lulas tumorais que voc\u00ea n\u00e3o sabe onde est\u00e1. Junto com isso surge tamb\u00e9m a radioterapia, no s\u00e9culo 20. Voc\u00ea tenta matar essas c\u00e9lulas tamb\u00e9m por radia\u00e7\u00e3o. Esse era o trip\u00e9 do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">BBC Brasil &#8211; E hoje, tr\u00eas d\u00e9cadas depois, o que h\u00e1 de novidade nos tratamentos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Jo\u00e3o Viola &#8211;\u00a0No final do s\u00e9culo 20 e in\u00edcio do 21: dois grandes grupos de drogas come\u00e7am a ser important\u00edssimos e come\u00e7am a mudar a perspectiva de vida dos pacientes, junto com as outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Uma delas \u00e9 a terapia-alvo. Voc\u00ea come\u00e7a a conhecer melhor a biologia do tumor e consegue entender qual \u00e9 o gene que faz o tumor X, Y, Z, quais s\u00e3o as muta\u00e7\u00f5es, e isso \u00e9 muito importante. No final do s\u00e9culo 20, a gente teve o genoma humano mapeado, e a\u00ed a gente conhece todos os genes humanos e sabe qual \u00e9 a estrutura do gene normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Sabendo isso, a gente come\u00e7a a trabalhar em cima do c\u00e2ncer e entender: o gene X est\u00e1 mutado na doen\u00e7a A. E come\u00e7a a correlacionar os genes e as doen\u00e7as: esse gene \u00e9 importante para desenvolver o tumor de mama, esse para o tumor cerebral e por a\u00ed vai. A\u00ed come\u00e7amos a desenvolver drogas que agem especificamente nessas vias que estamos falando, para interferir no gene X, Y ou Z.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Isso \u00e9 o que a gente chama de terapias-alvo. Se a gente sabe que h\u00e1 tal muta\u00e7\u00e3o, a gente vai trabalhar para bloquear essa muta\u00e7\u00e3o para se aproximar da cura. As terapias-alvo s\u00e3o um passo \u00e0 frente da quimioterapia. Porque na quimio voc\u00ea vai l\u00e1 e mata tudo, a terapia-alvo consegue ir naquele alvo espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Uma das possibilidades que a gente tem, al\u00e9m de fazer todos esses tratamentos, \u00e9 ativar o nosso pr\u00f3prio sistema imune para destruir o c\u00e2ncer, destruir a c\u00e9lula tumoral. Porque temos uma resposta imunol\u00f3gica no organismo contra ela, s\u00f3 que, por diversas raz\u00f5es, o tumor consegue escapar. Mas a\u00ed conseguimos modular esse escape e fazer com que as c\u00e9lulas do sistema imune combatam esse tumor. Essas s\u00e3o as imunoterapias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Agora uma coisa importante \u00e9 o custo. Essas terapias n\u00e3o tiram as originais. O paciente continua sendo operado, continua usando qu\u00edmio, radioterapia e mais essas duas outras terapias. O que faz com que hoje o tratamento seja extremamente caro. Teremos que trabalhar isso, mas \u00e9 um tratamento que est\u00e1 dando muito certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">BBC Brasil &#8211; Se \u00e9 poss\u00edvel fazer com que o pr\u00f3prio organismo produza os anticorpos para combater as c\u00e9lulas tumorais, isso significaria uma poss\u00edvel cura definitiva do c\u00e2ncer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Jo\u00e3o Viola &#8211;\u00a0N\u00e3o necessariamente, porque essa resposta autoimune tamb\u00e9m pode ter consequ\u00eancias ruins. Veja, a maior revolu\u00e7\u00e3o mesmo contra o c\u00e2ncer que temos hoje \u00e9 uma outra coisa, os bloqueadores do ponto de checagem imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Isso funciona assim: tudo em nosso organismo tem algo que acelera e tem um freio, como em qualquer lugar. Para balancear. A resposta imune \u00e9 a mesma coisa. H\u00e1 um ponto de checagem em que identificamos que essa c\u00e9lula, por exemplo, \u00e9 tumoral &#8211; a\u00ed vem o linf\u00f3cito e vai tentar matar. Esse linf\u00f3cito reconhece inicialmente o problema e libera o anticorpo contra ele, mas depois o linf\u00f3cito passa a ter na sua membrana umas mol\u00e9culas que v\u00e3o fazer um freio na resposta imune. Ela freia a resposta imune. Porque voc\u00ea ter uma reposta autoimune exagerada tamb\u00e9m vai causar doen\u00e7a &#8211; por exemplo, as doen\u00e7as autoimunes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O tumor \u00e9 feito pela gente, diferente de uma infec\u00e7\u00e3o viral ou de bact\u00e9ria, que vem de fora. Ent\u00e3o a resposta antitumoral \u00e9 uma resposta que est\u00e1 na gente, ou seja, autoimune, a princ\u00edpio. Ent\u00e3o como qualquer resposta autoimune, o nosso organismo freia essa resposta. Porque indiv\u00edduos que apresentam problemas nesse freio t\u00eam doen\u00e7as autoimunes. H\u00e1 muitas: l\u00fapus, artrite reumatoide&#8230;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O que se viu? \u00c9 que no c\u00e2ncer, se eu venho aqui e bloqueio essa via negativa que freia os linf\u00f3citos, eu aumento a resposta antitumoral. Se eu posso ativar a resposta autoimune contra um tumor, tamb\u00e9m posso bloquear o bloqueador da resposta, que s\u00e3o essas mol\u00e9culas. E a\u00ed o organismo consegue continuar multiplicando os anticorpos e os linf\u00f3citos conseguem combater e matar o tumor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">BBC Brasil &#8211; O c\u00e2ncer tem esse aspecto de ir e voltar. \u00c9 poss\u00edvel hoje falar em cura real do c\u00e2ncer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Jo\u00e3o Viola &#8211;\u00a0\u00c9 muito dif\u00edcil falar em cura, porque uma vez voc\u00ea que tem, precisa estar sempre em vigil\u00e2ncia. Voc\u00ea s\u00f3 cura se, depois de 20 anos, n\u00e3o apareceu mais nada. S\u00f3 posso falar em cura se ela for definitiva. A gente sempre fala que o c\u00e2ncer pode recorrer, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Eu vi a Aids aparecer, depois vi os tratamentos. Ent\u00e3o sa\u00ed da faculdade, e ela n\u00e3o tinha cura. Um paciente que tinha diagn\u00f3stico de Aids, isso era uma senten\u00e7a de morte. Um, dois anos de vida, seis meses. Mas mudou absolutamente, essa terapia tripla que se faz atualmente \u00e9 uma coisa fant\u00e1stica. Eu tenho amigos que s\u00e3o HIV positivo, n\u00e3o t\u00eam Aids e est\u00e3o no tratamento h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas vira uma doen\u00e7a cr\u00f4nica. \u00c9 a mesma coisa que estamos falando da diabetes, vai ter que controlar o resto da vida. Hipertens\u00e3o se trata para o resto da vida. Mas se fizer direitinho, est\u00e1 controlado. Mas n\u00e3o est\u00e1 curado. A Aids, a mesma coisa.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"48\" data-block-id=\"42\">\n<p data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O que estamos prevendo \u00e9 que, possivelmente, em alguns anos o c\u00e2ncer vai ser assim. \u00c9 poss\u00edvel que daqui a pouco a gente tenha tratamento e que o paciente fique em tratamento-controle por muito tempo, que vire uma doen\u00e7a cr\u00f4nica. Continue mais ou menos na correla\u00e7\u00e3o da Aids.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista em imunoterapia, um dos tratamentos mais avan\u00e7ados contra os tumores, Jo\u00e3o Viola fala sobre a evolu\u00e7\u00e3o nas descobertas sobre a doen\u00e7a mais temida pelos brasileiros. as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, um mal pouco conhecido passou a assombrar o mundo e intrigar os cientistas: a Aids, causada pelo v\u00edrus HIV. Altamente letal \u00e0 \u00e9poca, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":42261,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[]},"categories":[1],"tags":[47,448,293],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42260"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42260"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42260\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42263,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42260\/revisions\/42263"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}