{"id":42884,"date":"2018-01-04T09:10:42","date_gmt":"2018-01-04T12:10:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=42884"},"modified":"2018-01-04T09:10:42","modified_gmt":"2018-01-04T12:10:42","slug":"brasil-tem-34-dos-casos-de-coinfeccao-de-tuberculose-e-hiv-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/brasil-tem-34-dos-casos-de-coinfeccao-de-tuberculose-e-hiv-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil tem 34% dos casos de coinfec\u00e7\u00e3o de tuberculose e HIV do mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 75 mil casos novos e reincidentes de tuberculose foram registrados no pa\u00eds em 2016, s\u00e3o quase 200 casos por dia no pa\u00eds<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, os n\u00fameros dos \u00faltimos anos apontam para uma desacelera\u00e7\u00e3o tanto no n\u00famero de diagn\u00f3sticos quanto na mortalidade por tuberculose. Mas a quantidade de novos casos da tuberculose a cada ano ainda \u00e9 considerada alta, principalmente entre popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, como os ind\u00edgenas, pessoas privadas de liberdade e em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 75 mil casos novos e reincidentes de tuberculose foram registrados no pa\u00eds em 2016. O montante corresponde a aproximadamente 200 casos por dia no pa\u00eds. Estima-se que desse total aproximadamente, 6 mil pessoas (8%) vivem com HIV. No mundo, cerca de 10,4 milh\u00f5es de pessoas foram infectadas por tuberculose em 2016, sendo que 10% das v\u00edtimas t\u00eam HIV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil tem um ter\u00e7o (33%) de toda a carga de tuberculose das Am\u00e9ricas e figura no grupo de pa\u00edses que congregam quase 40% de todos os casos de tuberculose do mundo e cerca de 34% dos casos de coinfec\u00e7\u00e3o com HIV. O dado preocupa a OMS, que tem visto com \u201ccuidado o que a tuberculose vem causando no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEmbora nos \u00faltimos 15 anos tenha havido uma queda de aproximadamente 2% dos casos ao ano, ainda \u00e9 um n\u00famero muito elevado. S\u00e3o 70 mil casos por ano, ent\u00e3o a Opas v\u00ea com muita preocupa\u00e7\u00e3o, embora considera-se que haja uma boa perspectiva de controle\u201d, disse F\u00e1bio Moherdaui, consultor nacional de tuberculose da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (OPAS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ag\u00eancia Brasil publica esta semana uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias sobre a infec\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de pessoas com o v\u00edrus HIV e a bact\u00e9ria da tuberculose. Menos da metade das pessoas com ambas as infec\u00e7\u00f5es tomam antirretrovirais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quest\u00f5es sociais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tuberculose est\u00e1 diretamente ligada a desafios sociais, como a pobreza, mis\u00e9ria, exclus\u00e3o, invisibilidade e preconceito. Al\u00e9m das pessoas soropositivas, as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgena, carcer\u00e1ria e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua est\u00e3o entre os mais vulner\u00e1veis a contrair a doen\u00e7a. Moradores de rua chegam a ter 56 vezes mais chance de contrair a tuberculose por combinar diferentes vulnerabilidades, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto mais pobre \u00e9 uma pessoa, maior \u00e9 o risco de ela adquirir tuberculose. A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, na hora de dormir, vai pra maloca, bota a fogueira e fica todo mundo encolhido, respirando o mesmo ar. E ainda tem a quest\u00e3o do fumo, ou da fuma\u00e7a da fogueira, que reduzem a capacidade do pulm\u00e3o de se proteger contra a infec\u00e7\u00e3o. Na popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, muitas vezes eles est\u00e3o desnutridos e com a imunidade baixa, e se voc\u00ea associa isso a pessoa que usa crack, ou que tem HIV, ent\u00e3o tem um prato cheio pra tuberculose\u201d, explica o infectologista Rafael Sacramento, integrante da Organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dico sem Fronteiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen) mostram que as pessoas privadas de liberdade, apesar de representarem cerca de 0,3% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, correspondem a 9,2% dos pacientes de tuberculose no Brasil. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a cada 100 mil presos, 897 s\u00e3o contagiados dentro do sistema prisional, enquanto que entre a popula\u00e7\u00e3o geral essa taxa \u00e9 de 36 a cada 100 mil pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas explicam que boa parte deles j\u00e1 chega infectado nos pres\u00eddios, porque j\u00e1 viviam em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e pobreza antes de iniciar o cumprimento da pena. Mas a chance de desenvolver a doen\u00e7a aumenta dentro do pres\u00eddio devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es insalubres do ambiente. \u201cAs pessoas vivem amontoadas, respirando o mesmo ar, com pouca ventila\u00e7\u00e3o, com pouca entrada de sol, e isso tamb\u00e9m favorece a dissemina\u00e7\u00e3o da tuberculose l\u00e1 dentro\u201d, descreve Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica informou que vai lan\u00e7ar no segundo semestre deste ano uma campanha educativa em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) para orientar profissionais de sa\u00fade, agentes e familiares que t\u00eam contato com os encarcerados. A ideia \u00e9 sensibiliz\u00e1-los para comunicar poss\u00edveis sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Observa\u00e7\u00e3o dos sintomas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tuberculose se caracteriza pela infec\u00e7\u00e3o do chamado bacilo de Koch, entre outros agentes, e \u00e9 transmitida pelo ar. A pessoa infectada pela tuberculose pulmonar tem geralmente os seguintes sintomas: tosse constante por duas ou tr\u00eas semanas, escarro (\u00e0s vezes com presen\u00e7a de sangue), dor no peito, fraqueza, perda de apetite, de peso, febre e sudorese. Nos casos em que a tuberculose afeta outros \u00f3rg\u00e3os, os sintomas podem variar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o paciente seguir de forma regular a terapia padr\u00e3o com os quatro medicamentos b\u00e1sicos, ele tem 100% de chance de cura, caso n\u00e3o esteja infectado pelo tipo resistente da tuberculose. O tratamento dura pelo menos seis meses e pode se estender por at\u00e9 um ano. Se n\u00e3o aderir ao tratamento adequadamente, o indiv\u00edduo pode infectar de 10 a 15 pessoas no per\u00edodo de um ano, segundo estimativa da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem sempre a infec\u00e7\u00e3o evolui para a doen\u00e7a, mantendo-se de forma latente no organismo. Al\u00e9m das pessoas que vivem com HIV, pacientes com diabetes, fumantes ou alco\u00f3latras, ou que apresentam qualquer condi\u00e7\u00e3o que reduza a imunidade tamb\u00e9m est\u00e3o mais propensos a desenvolver a enfermidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os principais testes realizados no pa\u00eds para detectar a tuberculose pulmonar s\u00e3o a baciloscopia (conhecida como exame do escarro) e a cultura. Eles podem ser feitos na rede p\u00fablica de sa\u00fade. \u201cA gente tem tamb\u00e9m o exame molecular. O nome da m\u00e1quina mais comum \u00e9 genexpert e ela consegue dizer se tem a bact\u00e9ria no escarro em duas horas e ainda diz se tem resist\u00eancia prim\u00e1ria \u00e0 rifampicina e a isoniazida, que s\u00e3o as duas drogas do tratamento b\u00e1sico. Se esse tipo de teste fosse popularizado e estivesse realmente disperso em todas as unidades de sa\u00fade, a gente aceleraria o diagn\u00f3stico. E uma vez no tratamento, em cerca de 21 dias a pessoa j\u00e1 n\u00e3o transmite mais\u201d, afirma o infectologista Rafael Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da baixa capacidade de testagem, o m\u00e9dico aponta ainda que outro empecilho para o diagn\u00f3stico e tratamento precoce da coinfec\u00e7\u00e3o de tuberculose e HIV \u00e9 o medo do preconceito em raz\u00e3o do estigma que ainda cerca as duas doen\u00e7as. \u201cSe a gente conseguisse reduzir o preconceito, as pessoas revelariam mais cedo, fariam o teste mais cedo e teriam acesso ao tratamento cada vez mais cedo e isso seria um grande promotor de sa\u00fade. O estigma e a baixa capacidade de testagem mant\u00eam as pessoas distantes do tratamento, afirmou Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 75 mil casos novos e reincidentes de tuberculose foram registrados no pa\u00eds em 2016, s\u00e3o quase 200 casos por dia no pa\u00eds No Brasil, os n\u00fameros dos \u00faltimos anos apontam para uma desacelera\u00e7\u00e3o tanto no n\u00famero de diagn\u00f3sticos quanto na mortalidade por tuberculose. 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