{"id":42956,"date":"2018-01-08T15:21:41","date_gmt":"2018-01-08T18:21:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=42956"},"modified":"2018-01-08T15:21:41","modified_gmt":"2018-01-08T18:21:41","slug":"bacterias-de-tuberculose-resistentes-a-antibioticos-desafiam-combate-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/bacterias-de-tuberculose-resistentes-a-antibioticos-desafiam-combate-a-doenca\/","title":{"rendered":"BACT\u00c9RIAS DE TUBERCULOSE RESISTENTES A ANTIBI\u00d3TICOS DESAFIAM COMBATE \u00c0 DOEN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os pa\u00edses de todo o mundo buscam meios para eliminar a tuberculose como principal problema de sa\u00fade p\u00fablica, o avan\u00e7o de bact\u00e9rias resistentes aos antibi\u00f3ticos mais usados no tratamento desafiam os especialistas e servi\u00e7os de sa\u00fade que lutam contra a enfermidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso das pessoas com HIV e tuberculose, a necessidade de conciliar grande quantidade de medicamentos aumenta o risco de abandono do tratamento e de suas poss\u00edveis consequ\u00eancias devido \u00e0 baixa imunidade. A Ag\u00eancia Brasil publica esta semana uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias sobre a infec\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de pessoas com o v\u00edrus HIV e a bact\u00e9ria da tuberculose. O Brasil tem 34% dos casos de coinfec\u00e7\u00e3o do mundo e menos da metade dessas pessoas tomam antirretroviral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, no pa\u00eds, quase duas mil pessoas desenvolveram tuberculose resistente \u00e0s principais drogas de tratamento. A resist\u00eancia extrema, que atinge quase todos os medicamentos da terapia, foi confirmada em apenas dez pacientes brasileiros no \u00faltimo ano, segundo estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica, como o Peru, a situa\u00e7\u00e3o de alta resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos da tuberculose j\u00e1 \u00e9 considerada epidemia pela organiza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma epidemia, a tuberculose resistente. A extremamente resistente est\u00e1 em fase de crescimento alarmante no Peru. No Brasil, temos pouqu\u00edssimos casos, que se conta nos dedos das m\u00e3os e est\u00e3o bem controlados, est\u00e3o recebendo tratamento pra tuberculose extremamente resistente\u201d, disse F\u00e1bio Moherdaui, consultor nacional de tuberculose da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (OPAS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o alerta que a tuberculose resistente aos principais medicamentos de tratamento se tornou uma amea\u00e7a no mundo. No \u00faltimo ano com estat\u00edsticas dispon\u00edveis, havia 600 mil novos casos de resist\u00eancia \u00e0 rifampicina, antibi\u00f3tico mais efetivo contra a doen\u00e7a. Dentre esses casos, 490 mil tamb\u00e9m eram resistentes \u00e0s outras drogas que comp\u00f5em a terapia contra tuberculose. Metade dos casos foram diagnosticados na \u00cdndia, China e R\u00fassia, pa\u00edses que junto com o Brasil e a \u00c1frica do Sul comp\u00f5em o bloco chamado Brics.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estima-se que, no mundo, pelo menos 700 mil pessoas j\u00e1 morreram por resist\u00eancia antimicrobiana e que um quarto desses \u00f3bitos foram por tuberculose. Se o n\u00famero de casos de resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos seguir essa tend\u00eancia, at\u00e9 2050 morrer\u00e3o cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas devido \u00e0 inefic\u00e1cia dos antibi\u00f3ticos, ou seja, uma pessoa a cada tr\u00eas segundos, segundo as estimativas internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Custo do tratamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u201cO problema da multirresist\u00eancia \u00e9 que voc\u00ea consegue curar s\u00f3 metade das pessoas [com o tratamento comum]. E os 50% que sobram v\u00e3o para outro tratamento de resist\u00eancia, que leva 18 meses, ou seja, tr\u00eas vezes mais demorado que o tratamento b\u00e1sico\u201d, explica Valeria Rolla, coordenadora do laborat\u00f3rio de micobacterioses da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento da tuberculose resistente \u00e9 feito com uma combina\u00e7\u00e3o de sete medicamentos e causa um alto impacto financeiro. O custo para tratar casos de resist\u00eancia antimicrobiana em todo o mundo pode chegar a US$ 100 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse risco, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou, durante a Mostra Nacional de Experi\u00eancias Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Preven\u00e7\u00e3o e Controle de Doen\u00e7as de 2017, que est\u00e1 desenvolvendo um plano estrat\u00e9gico de preven\u00e7\u00e3o e controle de resist\u00eancia aos antimicrobianos. O programa deve ser executado a partir deste ano at\u00e9 2022 e tem como uma de suas prioridades a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema nacional de vigil\u00e2ncia dos casos de resist\u00eancia, al\u00e9m de promover a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o com estudantes, profissionais e gestores de sa\u00fade sobre o tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Simplificar o tratamento \u00e9 fundamental para quem tem HIV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nOs quatro medicamentos utilizados no tratamento b\u00e1sico de tuberculose s\u00e3o rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol, administrados por um per\u00edodo de seis meses a um ano. J\u00e1 nos casos de tuberculose resistente, o tratamento \u00e9 feito com uma combina\u00e7\u00e3o de sete medicamentos, por um per\u00edodo de um ano e meio, o que torna a ades\u00e3o dos pacientes ainda mais dif\u00edcil devido aos fortes efeitos colaterais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a pessoa infectada pela tuberculose tiver HIV, ainda deve adicionar \u00e0 sua rotina os medicamentos antirretrovirais, como o efavirenz ou o dolutegravir \u2013 este \u00faltimo foi incorporado recentemente ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e foi recebido com muita expectativa por apresentar menos danos colaterais. Ainda assim, a combina\u00e7\u00e3o das duas infec\u00e7\u00f5es pode ter impacto na resist\u00eancia dos antibi\u00f3ticos e na efic\u00e1cia do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA pessoa est\u00e1 enjoada, se sentindo mal, sem apetite, a\u00ed tem que tomar o tratamento da tuberculose, que pra uma pessoa de 50 e poucos quilos vai ser quatro comprimidos por dia, em jejum de manh\u00e3. O tratamento do HIV para pessoas que est\u00e3o com tuberculose vai ser feito com pelo menos tr\u00eas drogas. E ainda tem as outras profilaxias e rem\u00e9dios para tratar as outras doen\u00e7as que essa pessoa pode ter adquirido por estar com a imunidade baixa. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil voc\u00ea encontrar uma pessoa tomando dez ou 12 comprimidos por dia\u201d, relata o m\u00e9dico infectologista Rafael Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pesquisas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nH\u00e1 v\u00e1rios estudos em andamento com o objetivo de tornar o tratamento da tuberculose mais curto, barato e com menos efeitos adversos para o paciente. Mas a maioria dos medicamentos que t\u00eam apresentado resultados positivos de cura ainda n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDesde meados da d\u00e9cada de 60 a gente n\u00e3o tinha drogas novas para tratar tuberculose. At\u00e9 que recentemente a gente desenvolveu duas mol\u00e9culas, bemaquilina e delamanide, mas que ainda est\u00e3o em pesquisa e an\u00e1lise para se tornarem realmente efetivas para o tratamento\u201d, afirmou Sacramento. Os resultados, no entanto, podem levar alguns anos para serem consolidados e chegar ao mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas das pesquisas desenvolvidas com as novas drogas foram apresentadas durante a 48\u00aa Confer\u00eancia Internacional sobre Doen\u00e7as Pulmonares, na cidade de Guadalajara, no M\u00e9xico, em outubro do ano passado. Um dos estudos apontou que o tratamento baseado em novas drogas aumenta em seis vezes a chance de cura dos pacientes infectados pela tuberculose multirresistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO novo tratamento aumenta de 28 para 82% a taxa de cura dos casos extensivamente resistentes. Claro que a gente tem que ter muito cuidado, mas j\u00e1 \u00e9 um estudo observacional\u201d, ou seja, em que o paciente mant\u00e9m suas rotinas sem um controle estrito dos pesquisadores, explica Dr\u00e1urio Barreira, m\u00e9dico sanitarista e gerente t\u00e9cnico da Unitaid, organiza\u00e7\u00e3o internacional que busca novos m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento do HIV e da tuberculose no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo foi realizado em 15 pa\u00edses que apresentam diferentes programas de controle da doen\u00e7a. O Brasil n\u00e3o foi inclu\u00eddo no projeto por n\u00e3o se enquadrar no perfil de pa\u00eds com m\u00e9dia e alta renda e tamb\u00e9m por apresentar poucos casos de tuberculose resistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o pa\u00eds tem feito pesquisas para aumentar a efic\u00e1cia e a ades\u00e3o dos pacientes ao tratamento. Alguns dos estudos buscam avaliar a combina\u00e7\u00e3o entre os medicamentos usados para tratar a coinfec\u00e7\u00e3o HIV e tuberculose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora Mariana Xavier, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem estudado a compara\u00e7\u00e3o do uso das dosagens usuais do medicamento efavirenz (usado no tratamento do HIV) em conjunto com a rifampicina (antibi\u00f3tico que trata a tuberculose) e sua compara\u00e7\u00e3o do tratamento com a dosagem aumentada, recomendado no caso de coinfec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que, segundo os especialistas, a intera\u00e7\u00e3o da droga contra tuberculose com os antirretrovirais, principalmente se a dose for aumentada, implica em mais efeitos colaterais para o paciente, o que dificulta sua ades\u00e3o ao tratamento. \u201cO resultado [do nosso estudo] \u00e9 que, pela efic\u00e1cia, n\u00e3o precisa aumentar a dose, a quantidade usual j\u00e1 \u00e9 suficiente\u201d, explica Mariana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a pesquisadora ressalta que, apesar da disponibilidade dos medicamentos da tuberculose ser boa no pa\u00eds, ainda \u00e9 preciso melhorar a conscientiza\u00e7\u00e3o entre os pacientes para n\u00e3o abandonar o tratamento e renovar os tipos de drogas mais usadas, priorizando as que apresentam efeito contra as microbact\u00e9rias resistentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros busca novos m\u00e9todos para aumentar a capacidade de identifica\u00e7\u00e3o de casos de tuberculose em pessoas que vivem com HIV a partir de experimentos com novos marcadores biol\u00f3gicos. O Brasil tamb\u00e9m integra um grupo de pa\u00edses que buscam a forma\u00e7\u00e3o de um protocolo comum de dados e coleta de amostras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do Cremepe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto os pa\u00edses de todo o mundo buscam meios para eliminar a tuberculose como principal problema de sa\u00fade p\u00fablica, o avan\u00e7o de bact\u00e9rias resistentes aos antibi\u00f3ticos mais usados no tratamento desafiam os especialistas e servi\u00e7os de sa\u00fade que lutam contra a enfermidade. 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