{"id":43255,"date":"2018-01-17T10:50:52","date_gmt":"2018-01-17T13:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=43255"},"modified":"2018-01-17T10:51:53","modified_gmt":"2018-01-17T13:51:53","slug":"medicamentos-falsos-um-negocio-rentavel-e-mortal-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/medicamentos-falsos-um-negocio-rentavel-e-mortal-na-africa\/","title":{"rendered":"Medicamentos falsos, um neg\u00f3cio rent\u00e1vel e mortal na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao menos 100.000 pessoas morrem a cada ano na \u00c1frica por utilizar medicamentos falsos, segundo a OMS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00c1frica se tornou um centro neur\u00e1lgico para os traficantes de medicamentos, de vacinas a antirretrovirais, um neg\u00f3cio muito lucrativo mas que provoca centenas de milhares de v\u00edtimas. O volume de neg\u00f3cios gerado por produtos m\u00e9dicos falsos \u00e9 estimado em ao menos 10% ou 15% do mercado farmac\u00eautico mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um valor que poderia chegar a 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo dados do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (WEF), um n\u00famero que quase triplicou nos \u00faltimos cinco anos. &#8220;Para vender medicamentos falsos \u00e9 preciso ter clientela. E no continente africano h\u00e1 muito mais doentes pobres que no resto do mundo&#8221;, explica \u00e0 AFP o professor franc\u00eas Marc Gentilini, especialista em doen\u00e7as infecciosas e tropicais e ex-presidente da Cruz Vermelha francesa. Segundo ele, as vacinas que h\u00e1 alguns anos foram distribu\u00eddas no N\u00edger para frear uma epidemia de meningite \u2014 uma doen\u00e7a que a cada ano mata milhares de pessoas neste pa\u00eds pobre da regi\u00e3o do Sahel \u2014 eram falsas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) aponta que um de cada dez medicamentos no mundo \u00e9 falso, um n\u00famero que pode alcan\u00e7ar sete em cada dez em alguns pa\u00edses, em particular africanos. O tr\u00e1fico est\u00e1 \u00e0s vezes nas m\u00e3os de autoridades corruptas da sa\u00fade p\u00fablica, que compram produtos falsos a bons pre\u00e7os na China e \u00cdndia, os principais fabricantes, e depois os revendem. Ao menos 100.000 pessoas morrem a cada ano na \u00c1frica por utilizar medicamentos falsos, segundo a OMS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 em 2013, 122.000 crian\u00e7as de menos de cinco anos morreram nos pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana por tomarem medicamentos falsos contra a mal\u00e1ria, segundo o American Journal of Tropical Medecine and Hygiene. &#8220;\u00c9 um crime duplo, de sa\u00fade e social, porque matam doentes e doentes pobres&#8221;, afirma Gentilini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais rent\u00e1veis que a droga <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em agosto de 2017, a Interpol anunciou o confisco de 420 toneladas de produtos m\u00e9dicos de contrabando em uma macro-opera\u00e7\u00e3o em sete pa\u00edses (Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Mali, N\u00edger, Nig\u00e9ria e Togo). &#8220;O neg\u00f3cio da falsifica\u00e7\u00e3o de medicamentos \u00e9 o primeiro na lista dos tr\u00e1ficos il\u00edcitos&#8221;, explica Geoffroy Bessaud, diretor da coordena\u00e7\u00e3o antifalsifica\u00e7\u00e3o do grupo farmac\u00eautico franc\u00eas Sanofi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o WEF, este neg\u00f3cio gera mais lucros que o tr\u00e1fico de maconha. &#8220;Um investimento de mil d\u00f3lares pode gerar at\u00e9 500.000 d\u00f3lares, enquanto o mesmo investimento no tr\u00e1fico de hero\u00edna ou de moedas falsas gera 20.000 d\u00f3lares&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Temos de tudo!&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 2017, as autoridades da Costa de Marfim incineraram 40 toneladas de medicamentos falsos confiscados em um bairro de Abidjan, onde est\u00e1 instalado o maior mercado de medicamentos ao ar livre do oeste da \u00c1frica, que representa 30% das vendas de medicamentos no pa\u00eds. Ao entrar no &#8220;Roxy&#8221;, o apelido deste mercado clandestino, a primeira coisa que se ouve s\u00e3o as vendedoras assegurando que t\u00eam &#8220;de tudo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muitas pessoas v\u00eam com suas receitas m\u00e9dicas para comprar aqui, e tamb\u00e9m os propriet\u00e1rios de cl\u00ednicas privadas&#8221;, explica Fatim, uma vendedora, sentada em frente a uma enorme bacia cheia de produtos farmac\u00eauticos. Embora se negue a dizer de onde procedem, assegura que as vendedoras t\u00eam um &#8220;sindicato&#8221; e que se re\u00fanem para &#8220;regular&#8221; o mercado. &#8220;Os policiais nos incomodam, mas eles mesmos v\u00eam comprar medicamentos&#8221;, explica Mariam, outra vendedora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Costa do Marfim, a primeira economia da \u00c1frica franc\u00f3fona, o setor farmac\u00eautico legal sofre a cada ano perdas de entre 40 e 50 bilh\u00f5es de francos CFA (entre 60 e 76 milh\u00f5es de euros), segundo dados do Col\u00e9gio de farmac\u00eauticos do pa\u00eds. Diferentemente do tr\u00e1fico de estupefacientes, a falsifica\u00e7\u00e3o de medicamentos s\u00f3 \u00e9 considerada um delito contra a propriedade intelectual, de modo que atrai muitos traficantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto grandes grupos, como o Sanofi, lutam contra o fen\u00f4meno &#8211; 27 laborat\u00f3rios clandestinos foram desmantelados em 2016 -, os pa\u00edses pobres n\u00e3o t\u00eam meios suficientes para isso. Os governos africanos t\u00eam outras muitas preocupa\u00e7\u00f5es e &#8220;n\u00e3o podem p\u00f4r agentes alfandeg\u00e1rios e policiais para lan\u00e7ar um contra-ataque eficaz&#8221;, ressalta Gentilini, chefe de servi\u00e7o no hospital Piti\u00e9 Salp\u00eatri\u00e8re de Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao menos 100.000 pessoas morrem a cada ano na \u00c1frica por utilizar medicamentos falsos, segundo a OMS A \u00c1frica se tornou um centro neur\u00e1lgico para os traficantes de medicamentos, de vacinas a antirretrovirais, um neg\u00f3cio muito lucrativo mas que provoca centenas de milhares de v\u00edtimas. 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