{"id":43265,"date":"2018-01-17T11:34:10","date_gmt":"2018-01-17T14:34:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=43265"},"modified":"2018-01-17T11:34:10","modified_gmt":"2018-01-17T14:34:10","slug":"pele-de-tilapia-pode-se-tornar-antibiotico-natural-contra-bacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/pele-de-tilapia-pode-se-tornar-antibiotico-natural-contra-bacterias\/","title":{"rendered":"Pele de til\u00e1pia pode se tornar antibi\u00f3tico natural contra bact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores investigam a possibilidade de a pele da til\u00e1pia travar uma guerra contra micro-organismos que oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros passos para o desenvolvimento de um antibi\u00f3tico natural, capaz de combater infec\u00e7\u00f5es em seres humanos causadas por bact\u00e9rias potencialmente agressivas, j\u00e1 podem estar sendo conduzidos pelos testes realizados no Laborat\u00f3rio de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ao lado do cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico Marcelo Borges, idealizador da pesquisa conhecida mundialmente por examinar minuciosamente a pele da til\u00e1pia (principal esp\u00e9cie de peixes produzida no Brasil em 2016, com 239 mil toneladas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), um grupo de pesquisadores do Lika investiga a possibilidade de a pele da til\u00e1pia travar uma guerra contra micro-organismos que oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca por essa resposta s\u00f3 est\u00e1 sendo poss\u00edvel porque, ao se mostrar eficaz no tratamento de queimaduras superficiais e profundas, o curativo feito com a pele de til\u00e1pia possibilitou o bloqueio do aparecimento de problemas infecciosos que poderiam ter sido causados pelas les\u00f5es. O acompanhamento dos pacientes foi feito por uma pesquisa que envolveu a participa\u00e7\u00e3o de mais de 100 pacientes atendidos pelo Instituto Doutor Jos\u00e9 Frota, em Fortaleza. \u201cNenhum deles apresentou infec\u00e7\u00f5es como complica\u00e7\u00e3o das queimaduras. Al\u00e9m disso, houve encurtamento no tempo de tratamento (cicatriza\u00e7\u00e3o das les\u00f5es), em at\u00e9 dois dias e meio, proporcionado pelo uso do curativo, em compara\u00e7\u00e3o com o grupo que fez o tratamento convencional, com o creme de sulfadiazina de prata 1%, oferecido pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u201d, destaca Marcelo Borges, que \u00e9 professor da Faculdade de Medicina de Olinda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico destaca que esses resultados apresentados pelos pacientes o levaram a deflagrar este segundo passo da pesquisa. \u201cAo revisar a literatura da piscicultura, percebi que a til\u00e1pia \u00e9 um peixe extremamente resistente a contrair doen\u00e7as, e esse detalhe despertou a minha aten\u00e7\u00e3o. Aprofundei os estudos e vi que v\u00e1rios peixes, incluindo a til\u00e1pia, t\u00eam sido estudado pelo fato de ter uma pele com pept\u00eddeos (uma esp\u00e9cie de prote\u00edna em miniatura), que s\u00e3o identificados como protetores dos peixes\u201d, explica Marcelo. Ele sublinha que esse mecanismo torna os pept\u00eddeos como um elemento de parte do que se conhece como resposta imunol\u00f3gica inata \u2013 ou seja, da defesa imunol\u00f3gica pr\u00f3pria dos peixes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse ex\u00e9rcito de resist\u00eancia contra doen\u00e7as, encontrado na pele da til\u00e1pia, que leva pesquisadores do Lika a examinar hip\u00f3teses. \u201cSer\u00e1 que essa prote\u00e7\u00e3o, dada pelos pept\u00eddeos aos peixes, poderia ser replicada para os humanos? Para responder esse questionamento, \u00e9 preciso testar a poss\u00edvel efic\u00e1cia desses pept\u00eddeos no combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por bact\u00e9rias patog\u00eanicas (aquelas que causam doen\u00e7as em humanos)\u201d, destaca o cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois primeiros estudos pilotos, realizados no Lika, trouxeram resultados animadores para os especialistas. Durante a an\u00e1lise, verificou-se que a pele da til\u00e1pia irradiada apresentou atividade antimicrobiana diante de 12 bact\u00e9rias patog\u00eanicas humanas analisadas, com destaque para a Escherichia coli, a Staphylococcus aureus e a Acinetobacter baumannii \u2013 as duas \u00faltimas aparecem, na primeira lista de micr\u00f3bios resistentes a antibi\u00f3ticos mais perigosos para a sa\u00fade humana, divulgada este ano pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cirurgi\u00e3o Marcelo Borges ressalta que outros estudos, j\u00e1 em andamento, s\u00e3o necess\u00e1rios para a confirma\u00e7\u00e3o dos achados observados nos estudos pilotos. Entre as pr\u00f3ximas etapas, segundo Marcelo Borges, est\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o dos pept\u00eddeos presentes na pele desse peixe para uma avalia\u00e7\u00e3o quantitativa das suas poss\u00edveis atividades contra os micro-organismos. Ele acrescenta que o estudo tamb\u00e9m tem como objetivo comparar os pept\u00eddeos da pele da til\u00e1pia na forma in natura com a pele irradiada \u2013 aquela que passa por um processo capaz de exterminar organismos vivos, como v\u00edrus, para ser aplicada nos pacientes volunt\u00e1rios da pesquisa. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 analisar se os pept\u00eddeos permanecem preservados, na pele irradiada, com a potencial a\u00e7\u00e3o antimicrobiana.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Avan\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO desdobramento da pesquisa da til\u00e1pia representa parte dos trabalhos desenvolvidos por Marcelo Borges durante o curso de mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Cirurgia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na pr\u00e1tica, em Pernambuco, o estudo foi iniciado em humanos na segunda-feira (15), quando uma mulher de 39 anos recebeu a aplica\u00e7\u00e3o do curativo da pele de til\u00e1pia na Unidade de Queimaduras e Feridas do Hospital S\u00e3o Marcos, no bairro da Boa Vista, Centro do Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a primeira paciente, em Pernambuco, a colaborar com o estudo, logo ap\u00f3s apresentar queimaduras de segundo grau, que formaram bolhas, na m\u00e3o esquerda. O acidente aconteceu devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao sol ap\u00f3s manuseio do sumo de lim\u00e3o. Pela escala anal\u00f3gica da dor, que vai de zero a dez, ela mencionou um grau 4 de intensidade da dor antes de receber o curativo. Passados 30 segundos da aplica\u00e7\u00e3o da pele de til\u00e1pia, o grau de dor baixou para 2. \u201cFoi uma redu\u00e7\u00e3o de 50%, percentual semelhante ao que temos observado nos pacientes de Fortaleza. Essa paciente continuar\u00e1 o tratamento com a pele do peixe, que ser\u00e1 trocada tr\u00eas vezes por semana\u201d, informou Marcelo Borges.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Pernambuco, os demais volunt\u00e1rios tamb\u00e9m ser\u00e3o do Hospital S\u00e3o Marcos. Al\u00e9m de analisar a poss\u00edvel atividade antimicrobiana dos pept\u00eddeos, o cirurgi\u00e3o investigar\u00e1 se os pacientes tratados com o curativo da pele da til\u00e1pia t\u00eam a mesma resposta terap\u00eautica do que aqueles que usam o curativo de hidrofibra com prata, que n\u00e3o \u00e9 disponibilizado rotineiramente na rede p\u00fablica, mas j\u00e1 \u00e9 utilizado h\u00e1 mais de 12 anos nos pacientes com queimaduras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hidrofibra com prata \u00e9 um recurso mais sofisticado do que a sulfadiazina de prata 1%, que se mostrou inferior ao curativo da pele de til\u00e1pia, capaz de proporcionar uma cicatriza\u00e7\u00e3o das les\u00f5es de forma mais r\u00e1pida. \u201cAcredito que o diferencial \u00e9 o fato de a pele desse peixe ter duas vezes mais col\u00e1geno do que a pele humana. E ele \u00e9 a grande ponte pela qual passam os elementos que levam \u00e0 cicatriza\u00e7\u00e3o das feridas: nem a pomada \u00e0 sulfadiazina de prata nem o curativo de hidrofibra com prata cont\u00eam col\u00e1geno na sua composi\u00e7\u00e3o\u201d, informa Marcelo, orientado pelo professor Carlos Brandt durante o mestrado. J\u00e1 para a pesquisa no Lika, o cirurgi\u00e3o conta com o apoio do diretor do laborat\u00f3rio, Jos\u00e9 Luiz de Lima Filho, al\u00e9m da colabora\u00e7\u00e3o de Fabr\u00edcio Souto, Isabella Mac\u00e1rio e Iasmim Lopes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Jornal do Commercio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores investigam a possibilidade de a pele da til\u00e1pia travar uma guerra contra micro-organismos que oferecem riscos \u00e0 sa\u00fade Os primeiros passos para o desenvolvimento de um antibi\u00f3tico natural, capaz de combater infec\u00e7\u00f5es em seres humanos causadas por bact\u00e9rias potencialmente agressivas, j\u00e1 podem estar sendo conduzidos pelos testes realizados no Laborat\u00f3rio de Imunopatologia Keizo Asami 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