{"id":43710,"date":"2018-01-30T09:07:36","date_gmt":"2018-01-30T12:07:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=43710"},"modified":"2018-01-30T09:07:36","modified_gmt":"2018-01-30T12:07:36","slug":"leishmaniose-um-risco-em-ascensao-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/leishmaniose-um-risco-em-ascensao-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Leishmaniose, um risco em ascens\u00e3o em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Doen\u00e7a tem alto percentual de morte se n\u00e3o tratada a tempo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram a perda acentuada de peso, o crescimento do abd\u00f4men e uma febre recorrente que fizeram a m\u00e3e de Jo\u00e3o Miguel, 2 anos, a dona de casa Aline Viana dos Santos, 22, buscar ajuda m\u00e9dica para o menino, na cidade de \u00c1guas Belas, no Sert\u00e3o pernambucano, no fim do ano passado. O quadro se arrastava por quase um m\u00eas. O que para ela poderia ser reflexo do nascimento dos dentes do beb\u00ea come\u00e7ou a virar pesadelo assim que entrou em uma unidade de sa\u00fade. As suspeitas sobre o que o garoto poderia ter se multiplicaram: de uma severa anemia at\u00e9 uma poss\u00edvel leucemia. At\u00e9 que algumas semanas depois a confirma\u00e7\u00e3o de exames, j\u00e1 no Recife, atestou a leishmaniose visceral (LV), popularmente conhecida como calazar. A enfermidade, que est\u00e1 no rol dos males negligenciados, tem apresentado novo crescimento em Pernambuco, conhecidamente \u00e1rea end\u00eamica. Desde 2014, os casos notificados ao ano est\u00e3o acima de 300 e os confirmados acima de 100. Em 2017, foram confirmados 172 doentes, volume 44,5% maior do que no ano anterior. O cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico deixa em alerta as autoridades de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nNo leito do Hospital Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz (HUOC), na regi\u00e3o central do Recife e refer\u00eancia pernambucana no trato de LV, o pequeno Miguel nem lembra o menino agitado de outras \u00e9pocas. \u201cEle n\u00e3o pode ficar fazendo muita coisa. Os rem\u00e9dios s\u00e3o fortes e \u00e9 perigoso por causa do ba\u00e7o e do f\u00edgado crescidos. Ele n\u00e3o pode se machucar ou cair\u201d, explica a m\u00e3e. O incha\u00e7o da barriga devido ao aumento desses \u00f3rg\u00e3os \u00e9 o sinal mais vis\u00edvel da doen\u00e7a. Aline Viana contou que, al\u00e9m do filho, outra crian\u00e7a de \u00c1guas Belas esteve internada no HUOC em dezembro, informa\u00e7\u00e3o validada pelo hospital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A not\u00edcia desses dois casos confirmados na cidade tirou o sossego da comunidade, que aponta ainda a falta de pulveriza\u00e7\u00e3o contra os mosquitos e inexist\u00eancia de testes r\u00e1pidos para os c\u00e3es no munic\u00edpio. \u201cO povo est\u00e1 desesperado. Tenho outra filha de 4 anos e mandei minha m\u00e3e fazer um hemograma nela para ver se dava algo alterado. Mas, gra\u00e7as a Deus, est\u00e1 tudo bem com ela.\u201d A m\u00e3e acredita que o adoecimento do filho teve rela\u00e7\u00e3o com uma cadela da fam\u00edlia com a qual Miguel vivia brincando e que tamb\u00e9m adoeceu e precisou ser eutanasiada. O menino passou mais de um m\u00eas internado para o tratamento no HUOC e recebeu alta m\u00e9dica h\u00e1 uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Prefeitura de \u00c1guas Belas diz ter tomado medidas de bloqueio contra os insetos, mas afirma ter tido dificuldade com rela\u00e7\u00e3o ao inseticida que \u00e9 o mesmo usado na combate ao vetor da Doen\u00e7a de Chagas. A gest\u00e3o informa ainda que de novembro de 2016 at\u00e9 a primeira semana de 2017 foram confirmados cinco casos de LV em humanos. Todos foram em menores de 12 anos de idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u201cEstamos vendo um aumento de leishmaniose em homens, mas principalmente em crian\u00e7as. Talvez porque nos pequenos a exposi\u00e7\u00e3o (ao vetor) seja maior\u201d, afirma a infectologista pedi\u00e1trica do HUOC Regina Coeli. Do total de casos confirmados na popula\u00e7\u00e3o em geral, no ano de 2017 (172), 70 s\u00e3o de meninos e meninas at\u00e9 os 9 anos de idade. Desses, 46 casos est\u00e3o distribu\u00eddos entre crian\u00e7as de apenas 1 a 4 anos. Problemas de imunidade e desnutri\u00e7\u00e3o entre os pequenos tamb\u00e9m facilitam a transmiss\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 o adoecimento, mas a mortalidade entre eles \u00e9 recorrente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e9dica indica que os \u00f3bitos, de forma geral, est\u00e3o muito relacionados \u00e0 descoberta tardia da doen\u00e7a. \u201c\u00c9 preciso aten\u00e7\u00e3o para as pessoas que vivem em \u00e1reas end\u00eamicas, em pensar nesse diagn\u00f3stico de in\u00edcio. Muitas vezes isso s\u00f3 acontece depois de dois meses de febre e de perda de peso\u201d, lamentou. O retardo no in\u00edcio do tratamento piora a situa\u00e7\u00e3o das plaquetas, os riscos de infec\u00e7\u00f5es e as chances de sangramentos, al\u00e9m de prolongar a interna\u00e7\u00e3o hospitalar e a incerteza sobre o resultado dos rem\u00e9dios. A m\u00e9dica iniciou um estudo para investigar poss\u00edveis gargalos da mortalidade de leishmaniose visceral nos pernambucanos. Desde 2014, as mortes pela doen\u00e7a t\u00eam ficado acima de dez anualmente. Ano passado, foram 16 \u00f3bitos, 6,6% a mais que em 2016. Entre as mortes, seis foram de crian\u00e7as at\u00e9 14 anos de idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os adultos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAl\u00e9m das crian\u00e7as, os casos entre os adultos do sexo masculino tamb\u00e9m s\u00e3o constantes. De acordo com o infectologista Demetrius Montenegro, por m\u00eas, ao menos dois pacientes d\u00e3o entrada no HUOC com a suspeita de leishmaniose. Nesse p\u00fablico adulto, um complicador da enfermidade \u00e9 a coinfec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus HIV, que, junto com a leishmaniose, pode deprimir ainda mais a resposta do paciente ao tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O especialista destaca que, al\u00e9m do acometimento do ba\u00e7o e f\u00edgado, a LV compromete a medula \u00f3ssea, onde s\u00e3o produzidas as c\u00e9lulas de defesa do organismo. Outro grupo com maior chance de contrair a doen\u00e7a e de ter complica\u00e7\u00f5es \u00e9 o de transplantados. Montenegro tamb\u00e9m refor\u00e7a que os profissionais de sa\u00fade devem estar mais sens\u00edveis na suspei\u00e7\u00e3o de leishmaniose em pessoas que moram em \u00e1reas de risco e apresentam febre, anemia e aumento do ba\u00e7o e f\u00edgado. A suspeita pode ser feita apenas com base clinica, mas deve ser confirmada com exames laboratoriais. Entre eles, um mielograma (pun\u00e7\u00e3o da medula) e uma sorologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A urbaniza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEspecialistas de v\u00e1rias \u00e1reas da sa\u00fade concordam que h\u00e1 uma mudan\u00e7a de padr\u00e3o da LV em curso. E isso pode explicar o aumento que a doen\u00e7a vem tendo no Estado, mas tamb\u00e9m em outras partes do Brasil. Historicamente, relacionada a \u00e1reas silvestres, a doen\u00e7a est\u00e1 se urbanizando. Mesmo se mantendo com maioria de casos no Interior &#8211; entre as 11 cidades pernambucanas com maior ocorr\u00eancia da doen\u00e7a apenas uma fica na RMR -, a leishmaniose visceral tem invadido os centros desses pequenos munic\u00edpios que avan\u00e7am sobre \u00e1reas de mata numa urbaniza\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e perigosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNormalmente, esta doen\u00e7a \u00e9 silvestre. No entanto, com o homem invadindo e fazendo desmatamento na regi\u00e3o, o mosquito que transmite o parasita tende a se aproximar mais da \u00e1rea urbana para sobreviver. \u00c9 o instinto de sobreviv\u00eancia do transmissor. E \u00e9 provavelmente isso que esteja mudando o perfil epidemiol\u00f3gico da regi\u00e3o\u201d, sugere Demetrius Montenegro. O gerente de Vigil\u00e2ncia e Controle de Zoonoses do Estado, Francisco Duarte, reitera que est\u00e1 no desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico um dos principais sinais vermelhos para a doen\u00e7a na contemporaneidade e o impacto fica claro quando se observa o crescimento de adoecimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso est\u00e1 acontecendo n\u00e3o s\u00f3 no Estado, mas em todo Nordeste. Quando estudamos leishmaniose no passado diz\u00edamos que ela era uma doen\u00e7a de \u2018p\u00e9-de-serra\u2019 e \u2018boqueir\u00e3o\u2019, mas hoje temos LV nas cidades. Em Petrolina, a doen\u00e7a esta em bairros residenciais. Em Caruaru tamb\u00e9m. Na divis\u00e3o de Rio Doce, em Olinda, com Janga, em Paulista, tamb\u00e9m h\u00e1 risco. A doen\u00e7a se urbanizou\u201d, alerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doen\u00e7a tem alto percentual de morte se n\u00e3o tratada a tempo Foram a perda acentuada de peso, o crescimento do abd\u00f4men e uma febre recorrente que fizeram a m\u00e3e de Jo\u00e3o Miguel, 2 anos, a dona de casa Aline Viana dos Santos, 22, buscar ajuda m\u00e9dica para o menino, na cidade de \u00c1guas Belas, no 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