{"id":43813,"date":"2018-02-05T09:26:47","date_gmt":"2018-02-05T12:26:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=43813"},"modified":"2018-02-05T09:26:47","modified_gmt":"2018-02-05T12:26:47","slug":"vacina-contra-febre-amarela-e-segura-mas-ainda-precisa-mudar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/vacina-contra-febre-amarela-e-segura-mas-ainda-precisa-mudar\/","title":{"rendered":"Vacina contra febre amarela \u00e9 segura, mas ainda precisa mudar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A vacina usada hoje \u00e9, essencialmente, a mesma que foi desenvolvida no fim da d\u00e9cada de 1930<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurg\u00eancia da febre amarela no Brasil trouxe \u00e0 tona a necessidade de desenvolver uma nova vacina contra a doen\u00e7a, com menos risco de efeitos adversos. A vacina atual, usada desde a d\u00e9cada de 1930, \u00e9 comprovadamente segura, mas h\u00e1 casos raros de pessoas doentes que chegam a morrer ap\u00f3s a inje\u00e7\u00e3o. &#8220;Sim, estamos preocupados. N\u00e3o estamos satisfeitos&#8221;, disse ao Estado o especialista Akira Homma, assessor cient\u00edfico s\u00eanior do Instituto de Tecnologia em Imunobiol\u00f3gicos da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos\/Fiocruz), institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelo desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o da vacina da febre amarela no Brasil. Pesquisas j\u00e1 est\u00e3o em curso para o desenvolvimento de um novo imunizante, mas levar\u00e1 ao menos uma d\u00e9cada para se chegar a um produto final, testado e aprovado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 l\u00e1, a vacina atual continuar\u00e1 a ser usada. &#8220;O custo-benef\u00edcio \u00e9 muito positivo&#8221;, afirma Homma, ressaltando que os riscos s\u00e3o bem menores do que os da doen\u00e7a &#8211; cuja taxa de mortalidade, nos casos mais graves, beira os 50%. Efeitos colaterais simples, como mal-estar, febre e dor de cabe\u00e7a s\u00e3o relativamente comuns, ocorrendo em at\u00e9 5% dos vacinados. Rea\u00e7\u00f5es adversas graves, que incluem a pr\u00f3pria febre amarela (ou doen\u00e7a viscerotr\u00f3pica aguda), s\u00e3o bem mais raras, com estat\u00edsticas que variam de 1 a cada 400 mil at\u00e9 1 milh\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es, dependendo do estudo e da popula\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o.&#8221;S\u00e3o casos extremamente raros, por\u00e9m extremamente graves&#8221;, diz o virologista Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, em Bel\u00e9m (PA), que tamb\u00e9m defende o desenvolvimento de uma nova vacina. &#8220;Temos v\u00e1rios grupos no Brasil capazes de fazer isso.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Estado de S\u00e3o Paulo, pelo menos 3 pessoas morreram por rea\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina desde janeiro de 2017, em um universo de 7 milh\u00f5es de pessoas vacinadas, segundo dados mais recentes da Secretaria de Estado da Sa\u00fade. Outros casos est\u00e3o em investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 um risco aceit\u00e1vel nas condi\u00e7\u00f5es atuais. Mas vale a pena, sim, investir em uma vacina mais moderna&#8221;, refor\u00e7a o imunologista Jorge Kalil, da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vacina usada hoje \u00e9, essencialmente, a mesma que foi desenvolvida pelo infectologista Max Theiler nos Estados Unidos, no fim da d\u00e9cada de 1930 &#8211; que lhe valeu o Pr\u00eamio Nobel de Medicina, em 1951. O risco decorre do fato de ela utilizar um v\u00edrus vivo, por\u00e9m atenuado (enfraquecido), que \u00e9 inofensivo para a maioria das pessoas, mas pode ser perigoso para alguns grupos de risco, como idosos e pessoas com defici\u00eancia imunol\u00f3gica. V\u00e1rios imunizantes, como os de raiva, rub\u00e9ola, p\u00f3lio e sarampo, utilizam v\u00edrus vivos atenuados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cepa atenuada da febre amarela, conhecida como 17DD, foi obtida por um processo biol\u00f3gico de sucessivas passagens do v\u00edrus por diferentes meios de cultura, de modo a enfraquecer sua virul\u00eancia. Uma alternativa para aumentar a seguran\u00e7a da vacina seria produzir uma vers\u00e3o mais atenuada &#8211; como se tenta na vacina contra o zika. O problema \u00e9 que, quanto mais atenuado o v\u00edrus, mais fraca \u00e9 a resposta imunol\u00f3gica. &#8220;Menor \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o pesquisador Lu\u00eds Carlos Ferreira, do Laborat\u00f3rio de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (ICB-USP). Nesse caso, pode ser necess\u00e1rio aplicar v\u00e1rias doses &#8211; criando desafios log\u00edsticos, econ\u00f4micos e de ades\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo vale para algumas vacinas que utilizam apenas parte dos v\u00edrus, ou v\u00edrus inativados (mortos), que \u00e9 uma das estrat\u00e9gias sendo pesquisadas pela Fiocruz. Estudos iniciais, realizados em modelos animais, mostram que a vacina funcionaria dessa forma, mas com um tempo de prote\u00e7\u00e3o mais curto. &#8220;Vamos ver se o rendimento dessa tecnologia nos permitir\u00e1 chegar a um produto&#8221;, afirma Homma. &#8220;O que se deseja \u00e9 uma vacina que seja eficaz e segura ao mesmo tempo. Esse equil\u00edbrio \u00e9 dif\u00edcil de encontrar&#8221;, afirma Ferreira, do ICB-USP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vacina usada hoje \u00e9, essencialmente, a mesma que foi desenvolvida no fim da d\u00e9cada de 1930 A ressurg\u00eancia da febre amarela no Brasil trouxe \u00e0 tona a necessidade de desenvolver uma nova vacina contra a doen\u00e7a, com menos risco de efeitos adversos. 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