{"id":44247,"date":"2018-02-26T10:35:29","date_gmt":"2018-02-26T13:35:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=44247"},"modified":"2018-02-26T10:35:29","modified_gmt":"2018-02-26T13:35:29","slug":"a-hora-de-procurar-um-angiologista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/a-hora-de-procurar-um-angiologista\/","title":{"rendered":"A hora de procurar um angiologista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a venosa \u00e9 mais frequente, atingindo cerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o acima dos 50 anos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente, uma ida ao angiologista n\u00e3o faz parte do check-up, mas h\u00e1 sinais que deveriam chamar nossa aten\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia de problemas circulat\u00f3rios. Por isso conversei com o angiologista e cirurgi\u00e3o vascular Marcelo Monteiro, especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os problemas circulat\u00f3rios mais comuns?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dr. Marcelo Monteiro<\/em>: O que precisa ficar claro em primeiro lugar, quando falamos do sistema circulat\u00f3rio, \u00e9 que dispomos de um sistema arterial, respons\u00e1vel por levar o sangue at\u00e9 seu destino final, seja um \u00f3rg\u00e3o ou um membro, e o sistema venoso, respons\u00e1vel por drenar o sangue da periferia do corpo de volta ao cora\u00e7\u00e3o, para que seja reoxigenado nos pulm\u00f5es e possa retornar \u00e0 circula\u00e7\u00e3o arterial, fechando assim um ciclo. A partir da\u00ed podemos entender que, apesar de interligados, s\u00e3o dois sistemas com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e, portanto, sujeitos a doen\u00e7as particulares e com tratamentos distintos. Quando falamos de doen\u00e7a arterial, estamos tratando de algo bem mais grave, com importante rela\u00e7\u00e3o com a hipertens\u00e3o arterial e o diabetes. Essas s\u00e3o doen\u00e7as prevalentes com o envelhecimento e, quando combinadas com h\u00e1bitos como tabagismo e sedentarismo e as doen\u00e7as do colesterol, podem acelerar a aterosclerose, levando a uma diminui\u00e7\u00e3o progressiva do calibre dos vasos sangu\u00edneos, principalmente dos membros inferiores. Se o fluxo de sangue diminui, o paciente sente dor intensa nas pernas, especialmente nas panturrilhas, causada pelo simples fato de caminhar. Quando se interrompe a caminhada, a melhora das dores se d\u00e1 em minutos. Chamamos isso de claudica\u00e7\u00e3o intermitente, sinal cl\u00e1ssico de que a oferta de sangue e oxig\u00eanio est\u00e1 insuficiente. Est\u00e1gios mais avan\u00e7ados da doen\u00e7a podem levar \u00e0 dor em repouso e \u00e0 gangrena dos dedos, com elevado risco de danos maiores. A doen\u00e7a venosa j\u00e1 \u00e9 mais frequente, atingindo cerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o acima dos 50 anos. A forma mais comum s\u00e3o os microvasos, com um componente mais est\u00e9tico, atingindo com frequ\u00eancia a face lateral da coxa e interna dos joelhos. Pode variar at\u00e9 o comprometimento da veia safena, demandando diferentes formas de tratamento. Os sintomas incluem sensa\u00e7\u00e3o de peso e cansa\u00e7o, incha\u00e7o nos tornozelos, principalmente ao final do dia e ap\u00f3s longos per\u00edodos de p\u00e9. Pode ocorrer mudan\u00e7a na colora\u00e7\u00e3o da pele, com uma pigmenta\u00e7\u00e3o em formato de bota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Quem tem mais chances de desenvolver varizes e qual \u00e9 o risco de n\u00e3o trat\u00e1-las?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dr. Marcelo Monteiro<\/em>: A doen\u00e7a venosa tem um forte car\u00e1ter heredit\u00e1rio, sendo comum entre membros da mesma fam\u00edlia. \u00c9 mais prevalente entre as mulheres, tendo grande rela\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o hormonal. Sabemos que a gesta\u00e7\u00e3o pode ser um importante fator de piora do quadro. O ganho de peso e o sedentarismo tamb\u00e9m favorecem a constru\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel. O sistema venoso \u00e9 muito dependente da atividade muscular para seu adequado funcionamento, portanto a atividade f\u00edsica balanceada entre muscula\u00e7\u00e3o e atividade aer\u00f3bica \u00e9 um excelente agente protetor. Assim como na doen\u00e7a arterial, h\u00e1 diferentes graus da doen\u00e7a venosa. Ela vai desde a presen\u00e7a de microvasos na pele at\u00e9 varizes calibrosas e com relevo, que podem culminar em est\u00e1gios mais avan\u00e7ados, com altera\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas da pele e feridas de dif\u00edcil cicatriza\u00e7\u00e3o. A falta de informa\u00e7\u00e3o nesse assunto faz com que muitas pessoas sofram por v\u00e1rios anos com feridas ativas. O risco de n\u00e3o tratar \u00e9 a piora progressiva da doen\u00e7a. Apesar dos esfor\u00e7os, n\u00e3o existe medicamento que cure as varizes. O seu tratamento \u00e9 sempre atrav\u00e9s de algum tipo de interven\u00e7\u00e3o. Vale lembrar que estamos lidando com uma doen\u00e7a que n\u00e3o tem cura, de car\u00e1ter cr\u00f4nico e recorrente. Uso sempre como exemplo de compara\u00e7\u00e3o a forma como tratamos dos nossos dentes. \u00c9 indispens\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um tratamento inicial, e o tempo entre as consultas vai depender de como a doen\u00e7a se comporta e como o paciente cuida dos fatores que interferem com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o tratamento utilizado nos consult\u00f3rios e o que est\u00e1 dispon\u00edvel no Sistema \u00danico de Sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dr. Marcelo Monteiro<\/em>: O tratamento depende do vaso a ser tratado. Hoje dispomos de escleroterapia l\u00edquida (conhecida pelos pacientes como \u201caplica\u00e7\u00e3o\u201d), escleroterapia com espuma, laser transd\u00e9rmico e CLACS (laser associado \u00e0 escleroterapia). \u00c9 muito frequente a utiliza\u00e7\u00e3o de variadas t\u00e9cnicas no mesmo paciente. O conceito atual \u00e9 de que devemos come\u00e7ar tratando os vasos mais doentes, de maior calibre, de forma a interromper o mecanismo formador de vasos, fazendo com que o tratamento seja mais efetivo e duradouro. Infelizmente n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que a realidade do SUS \u00e9 bastante distante do que gostar\u00edamos. \u00c9 comum utilizarmos at\u00e9 recursos pr\u00f3prios para oferecer aos mais carentes uma possibilidade de tratamento, ainda mais porque s\u00e3o essas pessoas que apresentam as formas mais debilitantes da doen\u00e7a. Em algumas unidades da rede p\u00fablica h\u00e1 ambulat\u00f3rios que realizam a escleroterapia com espuma guiada por ultrassom, m\u00e9todo muito eficaz no manejo da doen\u00e7a venosa de grosso calibre, geralmente associada \u00e0 presen\u00e7a de \u00falceras cr\u00f4nicas de pele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a diferen\u00e7a entre uma trombose e uma flebite?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dr. Marcelo Monteiro<\/em>: Basicamente o local anat\u00f4mico onde ocorrem. Ambas ocorrem devido \u00e0 coagula\u00e7\u00e3o do sangue em um local onde isso n\u00e3o deveria acontecer, ou seja, dentro do vaso sangu\u00edneo. A coagula\u00e7\u00e3o existe para nos proteger de uma morte por hemorragia, portanto o sangue s\u00f3 deveria coagular fora do vaso sangu\u00edneo. \u00c9 chamada de tromboflebite quando ocorre no sistema venoso superficial, mais pr\u00f3ximo da pele. Pode acontecer quando tomamos algum medicamento injet\u00e1vel e ficamos com aquele dolorimento no trajeto da veia. \u00c9 uma complica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m encontrada em portadores de varizes calibrosas, j\u00e1 que o sangue flui com certa dificuldade e essas veias ficam sujeitas a traumas locais. A trombose venosa compromete o sistema venoso profundo, vasos de maior calibre que acompanham nossa estrutura \u00f3ssea e s\u00e3o envolvidos por m\u00fasculos e todas as estruturas que comp\u00f5em o membro. S\u00e3o potencialmente mais graves pois podem complicar com um quadro de embolia pulmonar, o que ocorre quando um co\u00e1gulo formado eventualmente se solta e migra pela circula\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar aos pulm\u00f5es. Dependendo do tamanho do co\u00e1gulo e da condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do paciente, isso pode levar \u00e0 morte, mas a trombose tem tratamento quando diagnosticada correta e precocemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual o impacto de maus h\u00e1bitos, como fumar e n\u00e3o controlar o peso, nas doen\u00e7as do sistema circulat\u00f3rio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dr. Marcelo Monteiro<\/em>: \u00c9 importante entender o sistema circulat\u00f3rio como o encanamento de uma grande constru\u00e7\u00e3o. Quando fumamos, inalamos uma s\u00e9rie de subst\u00e2ncias sabidamente nocivas, que s\u00e3o distribu\u00eddas pelo corpo atrav\u00e9s desse sistema. Esse \u201clixo\u201d vai se acumulando no encanamento e as consequ\u00eancias ser\u00e3o muito graves. Na quest\u00e3o do peso, costumo dizer que, se o encanamento foi feito para uma casa, imagine como ele se comportaria se resolv\u00eassemos construir um pr\u00e9dio. O excesso de barriga interfere na din\u00e2mica respirat\u00f3ria e, consequentemente, na forma como o sangue venoso circula. Al\u00e9m disso, dificulta a caminhada, piorando ainda mais a situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o adianta muito cuidar das veias se n\u00e3o cuidar do corpo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A doen\u00e7a venosa \u00e9 mais frequente, atingindo cerca de 70% da popula\u00e7\u00e3o acima dos 50 anos Normalmente, uma ida ao angiologista n\u00e3o faz parte do check-up, mas h\u00e1 sinais que deveriam chamar nossa aten\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia de problemas circulat\u00f3rios. 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