{"id":44594,"date":"2018-03-12T09:32:38","date_gmt":"2018-03-12T12:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=44594"},"modified":"2018-03-12T09:32:38","modified_gmt":"2018-03-12T12:32:38","slug":"aproximadamente-r-100-bilhoes-dos-investimentos-em-saude-em-2017-foram-desperdicados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/aproximadamente-r-100-bilhoes-dos-investimentos-em-saude-em-2017-foram-desperdicados\/","title":{"rendered":"Aproximadamente R$ 100 bilh\u00f5es dos investimentos em sa\u00fade em 2017 foram desperdi\u00e7ados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Levantamento mostra que 20% dos R$ 500 bilh\u00f5es gastos nos setores p\u00fablicos e privados em 2017 foi \u00e0 toa<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema de sa\u00fade no Brasil vive um paradoxo. Enquanto milh\u00f5es de brasileiros sofrem com a falta de m\u00e9dicos, leitos e medicamentos nos hospitais, o setor desperdi\u00e7a uma quantia bilion\u00e1ria com procedimentos malfeitos, exames desnecess\u00e1rios, erros m\u00e9dicos e ambulatoriais, excesso de consumo de materiais e fraudes. Em 2017, essa conta chegou a R$ 100 bilh\u00f5es, 20% dos R$ 500 bilh\u00f5es gastos pelos setores p\u00fablico e privado. E, segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hospitais Privados (Anahp), de 2% a 3% desses recursos foram desviados em esquemas de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00fameros consideram os gastos do setor p\u00fablico \u2014 nas esferas federal, estadual e municipal \u2014, do setor privado e tamb\u00e9m aquilo que os brasileiros desembolsam com planos de sa\u00fade, cl\u00ednicas particulares e rem\u00e9dios. Os dados s\u00e3o resultados de correla\u00e7\u00f5es de estudos feitos em universidades dos Estados Unidos e outras compila\u00e7\u00f5es de pesquisas do setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Anahp, Francisco Balestrin, explica que a perda de recursos \u00e9 classificada em tr\u00eas n\u00edveis: cl\u00ednico, operacional e gest\u00e3o. \u201cO desperd\u00edcio cl\u00ednico tem a ver com diagn\u00f3sticos mal feitos, pacientes que n\u00e3o recebem tratamento correto, antibi\u00f3ticos inadequados e mais exames do que precisam. Os operacionais s\u00e3o oriundos de m\u00e1 gest\u00e3o. Em vez de o exame ser feito na hora, atrasa quatro horas, com isso, desperdi\u00e7a-se tempo. O centro cir\u00fargico precisa ser limpo e liberado para outro atendimento, esse tempo pode ser de 30 minutos ou 1h30. O de gest\u00e3o diz respeito, principalmente, ao sistema de cobran\u00e7a lento. O hospital leva entre 60 e 90 dias para receber e ainda usa papel, o sistema n\u00e3o \u00e9 informatizado\u201d, detalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explica\u00e7\u00e3o para a quantidade de erros em procedimentos m\u00e9dicos est\u00e1 na m\u00e1 qualidade da forma\u00e7\u00e3o dos profissionais, n\u00e3o apenas de sa\u00fade, mas de todos os envolvidos no processo, de acordo com Balestrin. \u201cA gente tem que formar melhor m\u00e9dicos, enfermeiras e gestores. A forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da sa\u00fade \u00e9 focada no apoio ao diagn\u00f3stico, relega o atendimento individual e pede mais exames\u201d, afirma. A m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 foco de questionamento no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que, conforme antecipou o Correio ontem, pretende congelar a abertura de novas vagas em universidades de medicina para investir na qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o desperd\u00edcio passe a ideia de abund\u00e2ncia, esse n\u00e3o \u00e9 o caso. O Brasil gasta com sa\u00fade, por pessoa, anualmente, US$ 1 mil, sendo US$ 550 no setor privado e US$ 450 no p\u00fablico. Nos Estados Unidos, os desembolsos chegam a US$ 9 mil e, na Europa, a US$ 10 mil. A falta de um sistema interado e informatizado \u00e9 respons\u00e1vel pela repeti\u00e7\u00e3o dos exames. Os hospitais ainda utilizam pap\u00e9is e isso dificulta o acesso ao hist\u00f3rico dos pacientes. Se uma pessoa faz um exame em Bras\u00edlia e viaja a outro estado, caso precise de atendimento m\u00e9dico, um novo exame ser\u00e1 solicitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos, Jorge S. Darze, a falta de dinheiro produz um servi\u00e7o ineficiente e incapaz de atender a popula\u00e7\u00e3o. \u201cO que vejo \u00e9 uma car\u00eancia grande de tudo. Um dos grandes problemas \u00e9 o financiamento. \u00c9 preciso estabelecer par\u00e2metros de recursos. Os investimentos est\u00e3o aqu\u00e9m da realidade. O sistema de sa\u00fade n\u00e3o acompanha o crescimento da popula\u00e7\u00e3o e das doen\u00e7as. Ao contr\u00e1rio, houve encolhimento de mais de 20 mil leitos no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada\u201d, critica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Informatiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informa que tem priorizado a informatiza\u00e7\u00e3o do sistema e a economia estimada \u00e9 de R$ 22 bilh\u00f5es. \u201cAt\u00e9 o fim de 2018, as 41 mil Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade devem estar informatizadas \u2014 hoje j\u00e1 s\u00e3o mais de 18,5 mil e com prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico do paciente. Com a iniciativa, todos os dados de atendimento do paciente, como prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos, exames e consultas ficar\u00e3o registrados nacionalmente e poder\u00e3o ser consultados em qualquer unidade de sa\u00fade do pa\u00eds\u201d, afirma em trecho do documento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a pasta, em 2017, a Uni\u00e3o destinou R$ 126,9 bilh\u00f5es para a sa\u00fade. A gest\u00e3o do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) \u00e9 compartilhada com estados e munic\u00edpios, respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, por complementar o financiamento e pela organiza\u00e7\u00e3o da rede de assist\u00eancia. Pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, os estados e o Distrito Federal devem investir o m\u00ednimo de 12% da receita pr\u00f3pria, enquanto os munic\u00edpios devem aplicar, pelo menos, 15%. A lei, no entanto, nem sempre \u00e9 seguida. O Rio de Janeiro, por exemplo, destinou apenas 10% do or\u00e7amento para a sa\u00fade em 2016. O governador Luiz Fernando Pez\u00e3o justificou o descumprimento por causa da crise econ\u00f4mica que atinge o estado e da falta de repasses federais.<\/p>\n<p><strong>Recursos pelo ralo da corrup\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos principais desperd\u00edcios da sa\u00fade \u00e9 a quantidade de exames realizados e a campe\u00e3 \u00e9 a sa\u00fade suplementar, que envolve os planos de sa\u00fade. As taxas de utiliza\u00e7\u00e3o de tomografia computadorizada, 146,8 por mil benefic\u00e1rios, e de resson\u00e2ncia nuclear magn\u00e9tica (147,1) superam as m\u00e9dias de utiliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses-membros da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), que s\u00e3o 144,1 e 67 por mil benefici\u00e1rios, respectivamente, segundo dados da Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Sa\u00fade Complementar (FenaSa\u00fade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de caros, esses procedimentos representam riscos para a sa\u00fade. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o da tomografia pode provocar c\u00e2ncer. \u201cTratamentos mais caros s\u00e3o indicados quando um mais simples daria uma assist\u00eancia melhor. \u00d3rteses e pr\u00f3teses s\u00e3o utilizadas excessivamente e o pre\u00e7o praticado \u00e9 \u2018de acordo com o fregu\u00eas\u2019, por falta de regula\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso transpar\u00eancia nos processos. A regula\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica regula a ponta, os planos de sa\u00fade, mas n\u00e3o estende aos demais elos da cadeia, de m\u00e9dicos a fornecedores\u201d, aponta o superintendente de regula\u00e7\u00e3o da FenaSa\u00fade, Sandro Leal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem ainda as fraudes como emiss\u00e3o de notas falsas, simula\u00e7\u00e3o de atendimentos e prescri\u00e7\u00e3o de tratamentos que s\u00e3o at\u00e9 mesmo contraindicados pelos conselhos profissionais, al\u00e9m da posterga\u00e7\u00e3o de alta hospitalar para garantir o leito. \u201cA l\u00f3gica econ\u00f4mica que persiste no setor \u00e9 perversa, remunera o desperd\u00edcio, o gasto desnecess\u00e1rio. A grande mudan\u00e7a tem que passar a remunerar a qualidade do servi\u00e7o m\u00e9dico e n\u00e3o o volume\u201d, completa Leal. Segundo ele, nos \u00faltimos 10 anos, a conta dos planos de sa\u00fade fechou no vermelho em seis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS) estima que, em 2016, as fraudes custaram R$ 14 bilh\u00f5es em contas hospitalares e R$ 11 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos exames. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e a Receita Federal estimam que um esquema de fraude em compras de pr\u00f3teses e equipamentos m\u00e9dicos pela Secretaria de Estado do Rio de Janeiro e pelo Instituto Nacional de Traumatologia (Into) provocou desvio de, ao menos, R$ 300 milh\u00f5es. A estimativa, que se refere ao per\u00edodo de 2007 a 2016, envolve irregularidades em importa\u00e7\u00f5es dos equipamentos e propina de 10% que incidia sobre os contratos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Previna-se<\/strong><\/p>\n<p>Confira uma lista de perguntas que o paciente pode fazer ao m\u00e9dico antes de se submeter a um exame ou tratamento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00bb Esse procedimento \u00e9 realmente necess\u00e1rio?<br \/>\n\u00bb Quais s\u00e3o os benef\u00edcios, as contraindica\u00e7\u00f5es e os efeitos colaterais?<br \/>\n\u00bb Existem op\u00e7\u00f5es mais simples e seguras?<br \/>\n\u00bb O que acontece se n\u00e3o investigar ou se n\u00e3o tratar o problema?<br \/>\n\u00bb Quais s\u00e3o os custos envolvidos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<em>Fonte: FenaSa\u00fade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e1fia das pr\u00f3teses<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nTr\u00eas anos se passaram desde que a m\u00e1fia das pr\u00f3teses veio \u00e0 tona. O esquema, suspeito de movimentar cerca de R$ 12 bilh\u00f5es em 2015, se disseminou pelo pa\u00eds. A pr\u00e1tica consistia em colocar em pacientes \u00f3rteses e pr\u00f3teses sem necessidade, muitas vencidas e superfaturadas, em troca de comiss\u00e3o a m\u00e9dicos. O esquema beneficiou dezenas de envolvidos, desviou dinheiro do SUS e encareceu planos de sa\u00fade. Nos \u00faltimos anos, mais de 40 pessoas foram detidas, sendo 13 s\u00f3 no Distrito Federal. Destas, sete eram m\u00e9dicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento mostra que 20% dos R$ 500 bilh\u00f5es gastos nos setores p\u00fablicos e privados em 2017 foi \u00e0 toa O sistema de sa\u00fade no Brasil vive um paradoxo. 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