{"id":45280,"date":"2018-04-06T09:26:25","date_gmt":"2018-04-06T12:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=45280"},"modified":"2018-04-06T09:26:25","modified_gmt":"2018-04-06T12:26:25","slug":"camera-inspirada-em-olho-de-borboleta-torna-cirurgia-de-cancer-mais-eficaz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/camera-inspirada-em-olho-de-borboleta-torna-cirurgia-de-cancer-mais-eficaz\/","title":{"rendered":"C\u00e2mera inspirada em olho de borboleta torna cirurgia de c\u00e2ncer mais eficaz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A pequena c\u00e2mera funciona conectada a \u00f3culos especiais que s\u00e3o utilizados pelo cirurgi\u00e3o durante o procedimento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O complexo funcionamento dos olhos de um g\u00eanero de borboleta foi a inspira\u00e7\u00e3o para que cientistas americanos desenvolvessem uma nova c\u00e2mera capaz tornar as cirurgias de c\u00e2ncer mais eficazes e r\u00e1pidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inova\u00e7\u00e3o, descrita em artigo publicado nesta quinta-feira, 5, na revista cient\u00edfica Optica, permite ao cirurgi\u00e3o diferenciar com precis\u00e3o as c\u00e9lulas cancerosas das normais, evitando tanto os danos aos tecidos saud\u00e1veis como as remo\u00e7\u00f5es incompletas dos tumores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pequena c\u00e2mera funciona conectada a \u00f3culos especiais que s\u00e3o utilizados pelo cirurgi\u00e3o durante o procedimento. Pelo dispositivo, o cirurgi\u00e3o consegue enxergar os sinais infravermelhos &#8211; que normalmente s\u00e3o invis\u00edveis &#8211; emitidos pelas c\u00e9lulas de c\u00e2ncer quando elas s\u00e3o &#8220;rotuladas&#8221; com fluoresc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os autores do estudo, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e da Universidade de Washington em St. Louis &#8211; ambas dos Estados Unidos &#8211; o olho da borboleta possui nanoestruturas sens\u00edveis \u00e0 informa\u00e7\u00e3o multiespectral &#8211; isto \u00e9, o animal consegue captar n\u00e3o apenas as imagens coloridas produzidas pela luz vis\u00edvel, mas tamb\u00e9m imagens fluorescentes em espectro pr\u00f3ximo ao infravermelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Observando a maneira como a natureza desenhou o sistema visual dos insetos, podemos trabalhar para solucionar problemas s\u00e9rios que existem hoje na cirurgia de c\u00e2ncer e, assim, ter certeza de que nenhuma c\u00e9lula de c\u00e2ncer foi deixada de lado durante a cirurgia&#8221;, afirmou o coordenador da pesquisa, Viktor Gruev, da Escola de Medicina da Universidade de Illinois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Essa tecnologia \u00e9 mais sens\u00edvel, mais precisa, muito mais compacta e mais barata que os instrumentos atualmente dispon\u00edveis que foram aprovados pela FDA (a ag\u00eancia reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos) para detectar esses sinais&#8221;, afirmou Gruev.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Gruev, muitos cirurgi\u00f5es dependem da vis\u00e3o e do tato pare encontrar os tecidos tumorais durante as cirurgias. Grandes hospitais ou centros especializados de tratamento do c\u00e2ncer tamb\u00e9m utilizam agentes fluorescentes pr\u00f3ximos do infravermelho, que se acumulam nos tumores, de forma que os m\u00e9dicos possam distingui-los em dispositivos espec\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, esses equipamentos s\u00e3o extremamente caros, o que limita sua utiliza\u00e7\u00e3o em hospitais menores, al\u00e9m de serem muito grandes, o que dificulta sua integra\u00e7\u00e3o nos locais de cirurgia. Mas o principal problema \u00e9 que sua utiliza\u00e7\u00e3o exige a ilumina\u00e7\u00e3o seja reduzida para que os instrumentos possam captar o fraco sinal fluorescente, o que prejudica a vis\u00e3o dos cirurgi\u00f5es durante o procedimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Cerca de 95% dos hospitais nos Estados Unidos t\u00eam salas de cirurgia pequenas. N\u00e3o importa o quanto a tecnologia seja boa, se os dispositivos forem muito grandes eles simplesmente n\u00e3o cabem no local de cirurgia&#8221;, afirmou o autor principal do artigo, Missael Garcia, tamb\u00e9m da Universidade de Illinois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para desenvolver o novo instrumento, os cientistas se basearam no funcionamento das borboletas do g\u00eanero Morpho, que \u00e9 bastante comum no Brasil e geralmente \u00e9 reconhecida pelas suas asas com bordas pretas e um azul vivo no centro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores constru\u00edram a nova c\u00e2mera com o mesmo tipo de nanoestruturas especializadas que s\u00e3o encontradas no olho das borboleta Morpho, que as tornam capazes de enxergar imagens multiespectrais. Como a c\u00e2mera registra simultaneamente as imagens coloridas comuns e os sinais infravermelhos, n\u00e3o \u00e9 preciso reduzir as luzes da sala de cirurgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os \u00f3culos que s\u00e3o integrados \u00e0 nossa c\u00e2mera com tecnologia &#8216;bioinspirada&#8217; protegem os olhos do cirurgi\u00e3o e, ao mesmo tempo, projetam a informa\u00e7\u00e3o fluorescente quando o m\u00e9dico quiser. Os \u00f3culos t\u00eam custo incrivelmente baixo. Estimamos que custar\u00e1 cerca de US$ 200, enquanto o instrumento mais barato aprovado pela FDA custa US$ 20 mil&#8221;, disse Gruev.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em colabora\u00e7\u00e3o com os cientistas da Universidade de Washington, o grupo liderado por Gruev testou a c\u00e2mera em camundongos e em humanos. A c\u00e2mera foi capaz de encontrar tumores de mama em camundongos, utilizando um marcador fluorescente pr\u00f3ximo ao infravermelho, que tinge especificamente as c\u00e9lulas do tipo de c\u00e2ncer que o animal apresentava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a c\u00e2mera enxerga para al\u00e9m da luz vis\u00edvel e consegue captar sinais que est\u00e3o sob a superf\u00edcie do tecido, os cirurgi\u00f5es podem at\u00e9 mesmo localizar tumores atrav\u00e9s da pele. &#8220;Podemos captar as imagens antes de fazer a incis\u00e3o, identificando assim os potenciais pontos de interesse a fim de reduzir a incis\u00e3o&#8221;, disse Garcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A c\u00e2mera tamb\u00e9m foi testada para a localiza\u00e7\u00e3o de n\u00f3dulos linf\u00e1ticos em pacientes humanos com c\u00e2ncer de mama. &#8220;Os m\u00e9dicos precisam remover todos os n\u00f3dulos linf\u00e1ticos no entorno um tumor para ver se o c\u00e2ncer se espalhou. Para enxergar melhor os n\u00f3dulos, os cirurgi\u00f5es costumam marc\u00e1-los&#8221;, disse Gruev.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No experimento, os cirurgi\u00f5es empregaram um marcador verde fluorescente de utiliza\u00e7\u00e3o comum em cirurgias, que tamb\u00e9m emite um sinal invis\u00edvel no espectro infravermelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas compararam a efic\u00e1cia dos m\u00e9dicos na identifica\u00e7\u00e3o dos n\u00f3dulos linf\u00e1ticos em um paciente com c\u00e2ncer de mama quando eles procuravam os tecidos marcados em verde olhando diretamente para o local da opera\u00e7\u00e3o, e quando eles os procuravam utilizando a &#8220;c\u00e2mera de olho de borboleta&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nossa tecnologia \u00e9 muito mais r\u00e1pida, porque uma das suas vantagens \u00e9 produzir imagens mais profundas do tecido. \u00c0s vezes, quando eles (os m\u00e9dicos) procuram por tecidos coloridos em verde, \u00e9 preciso observar por certo tempo, porque os n\u00f3dulos est\u00e3o sob a superf\u00edcie. Com a fluoresc\u00eancia, eles podem olhar atrav\u00e9s da pele ou do tecido, identificando os n\u00f3dulos muito mais rapidamente&#8221;, explicou Gruev.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pequena c\u00e2mera funciona conectada a \u00f3culos especiais que s\u00e3o utilizados pelo cirurgi\u00e3o durante o procedimento O complexo funcionamento dos olhos de um g\u00eanero de borboleta foi a inspira\u00e7\u00e3o para que cientistas americanos desenvolvessem uma nova c\u00e2mera capaz tornar as cirurgias de c\u00e2ncer mais eficazes e r\u00e1pidas. 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