{"id":45327,"date":"2018-04-09T09:30:24","date_gmt":"2018-04-09T12:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=45327"},"modified":"2018-04-09T09:30:24","modified_gmt":"2018-04-09T12:30:24","slug":"medica-explica-o-que-ocorre-ao-corpo-no-fim-da-vida-morrer-nao-e-tao-ruim-quanto-se-pensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/medica-explica-o-que-ocorre-ao-corpo-no-fim-da-vida-morrer-nao-e-tao-ruim-quanto-se-pensa\/","title":{"rendered":"M\u00e9dica explica o que ocorre ao corpo no fim da vida: &#8216;Morrer n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim quanto se pensa&#8217;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pioneira em cuidados paliativos, brit\u00e2nica Kathryn Mannix defende que deixemos de usar eufemismos ao falar da morte e passemos a conhecer os est\u00e1gios naturais do processo para aprendermos a lidar com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na minha humilde opini\u00e3o, morrer n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim quanto se pensa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 a vis\u00e3o da morte por Kathryn Mannix, m\u00e9dica brit\u00e2nica pioneira em cuidados paliativos, que dedica sua carreira a tratar pacientes com doen\u00e7as incur\u00e1veis nos \u00faltimos est\u00e1gios de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a autora do livro With the End in Mind: Dying, Death, and Wisdom in an Age of Denial (&#8220;Com o fim em mente: morrer, morte e sabedoria na era da nega\u00e7\u00e3o&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), a sociedade nos leva a evitar falar desse processo e a substituir a palavra &#8220;morte&#8221; por eufemismos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso torna muito mais dif\u00edcil lidar com a perda de um ente querido, argumenta Mannix.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A BBC Ideas, plataforma da BBC que explora ideias questionando verdades estabelecidas, traz seu depoimento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s deixamos de falar sobre a morte. Deixamos de usar a palavra &#8216;morrer&#8217; e passamos a usar outras similares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vez de &#8216;morto&#8217;, dizemos &#8216;falecido&#8217;. Em vez de dizer que algu\u00e9m est\u00e1 morrendo, dizemos que ele est\u00e1 &#8216;muito doente&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se usam essas palavras, as fam\u00edlias n\u00e3o entendem que est\u00e1 se aproximando o momento da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 um grande problema porque, quando a fam\u00edlia est\u00e1 junto ao leito de algu\u00e9m prestes a morrer, n\u00e3o sabe o que dizer entre si ou para o pr\u00f3prio doente, que tamb\u00e9m n\u00e3o sabe o que dizer ou o que esperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma cena marcada por tristeza, ansiedade e desesperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, na minha humilde opini\u00e3o, n\u00e3o precisa ser assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que perdemos a imensa sabedoria humana de aceitar a morte de um modo normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que \u00e9 hora de voltar a falar da morte e recuperar essa sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 morrer normalmente? Assim como nascer, \u00e9 apenas um processo. Gradualmente, a pessoa vai se cansando, se esgotando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que o tempo passa, ela vai dormindo mais, passa menos tempo acordada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA fam\u00edlia pode ir aprendendo sobre os melhores momentos para dar os medicamentos (ao paciente) ou deixar as visitas entrarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode acontecer de visitantes ou familiares encontrarem o paciente dormindo. E muitas vezes pode estar acontecendo uma mudan\u00e7a que \u00e9 pequena, por\u00e9m muito significativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que, em vez de estar dormindo, a pessoa pode estar temporariamente inconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos acord\u00e1-la nem dar a ela o medicamento. N\u00e3o podemos dizer que chegou uma visita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, quando ela acorda, ela conta que teve um bom sono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o ficamos sabendo que esse estado de coma n\u00e3o foi aterrorizante. Simplesmente n\u00e3o percebemos esse lapso \u00e0 inconsci\u00eancia no momento em que ele ocorre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Som da morte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u00c0 medida que o tempo passa, essa pessoa passa menos tempo acordada, mais tempo dormindo, at\u00e9 que, no final, fica inconsciente o tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas pessoas est\u00e3o t\u00e3o relaxadas que nem se dar\u00e3o ao trabalho de pigarrear, limpando a garganta, ent\u00e3o pode ser que a respira\u00e7\u00e3o passe por pequenas quantidades de muco ou saliva na parte de tr\u00e1s da garganta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso pode causar um ru\u00eddo estranho, que muitos chamam de &#8216;estertor da morte&#8217; (death rattle, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas falam desse som como se fosse algo terr\u00edvel, mas esse som, na verdade, me diz que o paciente est\u00e1 t\u00e3o profundamente relaxado, e em um estado de consci\u00eancia t\u00e3o profundo, que sequer a saliva na garganta o incomoda enquanto as bolhas de ar entram e saem dos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, bem no finzinho da vida, haver\u00e1 um per\u00edodo de respira\u00e7\u00e3o superficial, e uma expira\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ser\u00e1 seguida por uma inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes \u00e9 algo t\u00e3o suave que os familiares sequer percebem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, a morte normal \u00e9 realmente um processo tranquilo &#8211; algo que podemos reconhecer, para o qual podemos nos preparar e algo com o que podemos lidar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nE isso deveria ser algo a ser celebrado. Algo com o que podemos nos consolar uns aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas por muitos considerarem indelicado falar sobre a morte, isso virou, de fato, o segredo mais bem guardado da medicina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, na minha opini\u00e3o, morrer \u00e9 algo que dever\u00edamos recuperar, algo sobre o que dever\u00edamos falar e nos consolar mutuamente.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pioneira em cuidados paliativos, brit\u00e2nica Kathryn Mannix defende que deixemos de usar eufemismos ao falar da morte e passemos a conhecer os est\u00e1gios naturais do processo para aprendermos a lidar com eles. &#8220;Na minha humilde opini\u00e3o, morrer n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim quanto se pensa.&#8221; Essa \u00e9 a vis\u00e3o da morte por Kathryn Mannix, m\u00e9dica brit\u00e2nica 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