{"id":45607,"date":"2018-04-19T08:55:33","date_gmt":"2018-04-19T11:55:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=45607"},"modified":"2018-04-19T08:55:33","modified_gmt":"2018-04-19T11:55:33","slug":"medicos-representam-menos-de-8-dos-custos-das-operadoras-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/medicos-representam-menos-de-8-dos-custos-das-operadoras-de-saude\/","title":{"rendered":"M\u00e9dicos representam menos de 8% dos custos das operadoras de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 comprovado que os honor\u00e1rios m\u00e9dicos n\u00e3o s\u00e3o os respons\u00e1veis pelos altos pre\u00e7os dos planos de sa\u00fade no Brasil e nem dos ajustes anuais na casa dos dois d\u00edgitos. Hoje os m\u00e9dicos representam menos de 8% dos custos das operadoras de sa\u00fade, conforme an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es financeiras de operadoras e cooperativas m\u00e9dicas. Mesmo que houvesse um reajuste de 20% nos vencimentos dos m\u00e9dicos, o impacto nos custos totais seria de apenas 1,6%. Se o incremento fosse de 50%, o impacto seria de 4% no total. Isso significa menos de 1\/3 do reajuste aprovado pela ANS para os planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 de conhecimento de todos, a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade (ANS) \u00e9 uma agencia reguladora do segmento cujo objetivo, expresso na lei que a criou, \u00e9 \u201c&#8230;promover a defesa do interesse p\u00fablico na assist\u00eancia suplementar \u00e0 sa\u00fade, regulando as operadoras setoriais, inclusive quanto \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es com prestadores e consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade no Pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB) o entendimento \u00e9 de que o principal interesse da ag\u00eancia fosse o interesse do cidad\u00e3o brasileiro que migrou para a sa\u00fade suplementar por conta de n\u00e3o ver atendidas suas necessidades no sistema p\u00fablico de sa\u00fade, dada toda defici\u00eancia de ordem or\u00e7ament\u00e1ria e de gest\u00e3o que sabidamente o SUS apresenta. Dr. Carlos Alfredo Lobo Jasmin, Diretor de Defesa Profissional da AMB, lembra que \u201cao buscar a sa\u00fade suplementar, e pagar por ela diretamente ou via seu empregador, este cidad\u00e3o est\u00e1, mesmo que de forma \u2019secund\u00e1ria\u2018, ajudando a descongestionar o sistema p\u00fablico de sa\u00fade, que tamb\u00e9m \u00e9 pago por ele via impostos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desta perspectiva, de ag\u00eancia reguladora, a ANS deveria atuar de forma isenta, procurando avaliar e conciliar os interesses das partes envolvidas no sistema de sa\u00fade complementar, sem jamais perder de vista a qualidade e o pre\u00e7o para o usu\u00e1rio final. Demandas de hospitais, laborat\u00f3rios de exames, m\u00e9dicos e das operadoras de sa\u00fade na grande maioria das vezes s\u00e3o de dire\u00e7\u00f5es opostas e cabe \u00e0 ag\u00eancia avaliar e garantir que as negocia\u00e7\u00f5es sejam realizadas de forma equilibrada, principalmente levando em considera\u00e7\u00e3o que estamos falando em grandes corpora\u00e7\u00f5es de um lado e de profissionais liberais de outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o que vem ocorrendo, como ressalta o Dr. Jasmin: \u201cHoje praticamente n\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00e3o entre operadoras de sa\u00fade e m\u00e9dicos sobre os honor\u00e1rios. O que ocorre \u00e9 que as operadoras apenas informam o percentual de reajuste, anualmente, muitas vezes inferior aos \u00edndices da infla\u00e7\u00e3o. Isso vem consolidando os honor\u00e1rios m\u00e9dicos em patamares baix\u00edssimos, que n\u00e3o condizem com a qualifica\u00e7\u00e3o exigida do profissional. Uma operadora de sa\u00fade paga para um m\u00e9dico menos do que a maioria dos pacientes pagam para outros profissionais aut\u00f4nomos, que lidam com aspectos bem menos cr\u00edticos de suas vidas, como manicure, cabeleireiro ou barbeiro.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os reajustes das mensalidades dos planos de sa\u00fade aprovados pela ANS ocorrem na faixa dos dois d\u00edgitos. Para onde est\u00e3o indo os recursos pagos pelos usu\u00e1rios dos planos de sa\u00fade? Com certeza n\u00e3o \u00e9 para a remunera\u00e7\u00e3o digna do m\u00e9dico que ir\u00e1 atend\u00ea-los. N\u00e3o deveria ser necess\u00e1rio lembrar que os m\u00e9dicos s\u00e3o a linha de frente de qualquer sistema de sa\u00fade. Seja ele p\u00fablico, suplementar ou privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 o que justifique eticamente que os pre\u00e7os pagos por pacientes para os planos de sa\u00fade subam cada vez mais, enquanto os m\u00e9dicos, personagens fundamentais neste processo, n\u00e3o tenham sequer a corre\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria aplicada nos seus honor\u00e1rios. Esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um desrespeito aos m\u00e9dicos e aos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto isso n\u00e3o ocorre, a ANS n\u00e3o cumpre o seu papel: garantir negocia\u00e7\u00f5es leais, principalmente quando h\u00e1 grande desequil\u00edbrio de for\u00e7a entre as partes, o que \u00e9 o caso da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dicos e operadoras de sa\u00fade. Em consequ\u00eancia disso, com os honor\u00e1rios m\u00e9dicos mais depreciados, os pacientes ter\u00e3o cada vez mais que contar com profissionais de menor capacidade ou desmotivados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, um grupo de trabalho que discutia o tema dentro da ANS foi sumariamente extinto pela ag\u00eancia, sem qualquer explica\u00e7\u00e3o sobre a motiva\u00e7\u00e3o para tal e nem sobre o andamento da quest\u00e3o no futuro, colocando os m\u00e9dicos brasileiros e diversos outros fornecedores de planos de sa\u00fade numa situa\u00e7\u00e3o de extrema fragilidade para negociar, justamente quando a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a entre as partes \u00e9 t\u00e3o desigual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos de uma ANS mais ativa no seu papel, entendendo de forma mais ampla os impactos de sua atua\u00e7\u00e3o ou de suas omiss\u00f5es. A ag\u00eancia n\u00e3o pode ficar parecendo uma mera autenticadora das propostas e demandas das operadoras de sa\u00fade. Caso contr\u00e1rio, cai em descr\u00e9dito, perde credibilidade e coloca em xeque todo sistema de sa\u00fade suplementar brasileiro, o que impactar\u00e1 negativamente at\u00e9 mesmo no sistema p\u00fablico. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel para ningu\u00e9m. \u00c9 especialmente nociva aos m\u00e9dicos e aos usu\u00e1rios dos planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 comprovado que os honor\u00e1rios m\u00e9dicos n\u00e3o s\u00e3o os respons\u00e1veis pelos altos pre\u00e7os dos planos de sa\u00fade no Brasil e nem dos ajustes anuais na casa dos dois d\u00edgitos. 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