{"id":45623,"date":"2018-04-19T09:34:20","date_gmt":"2018-04-19T12:34:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=45623"},"modified":"2018-04-19T09:34:20","modified_gmt":"2018-04-19T12:34:20","slug":"saude-dos-indigenas-pernambucanos-em-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/saude-dos-indigenas-pernambucanos-em-alerta\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade dos ind\u00edgenas pernambucanos em alerta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Doen\u00e7as cardiovasculares e c\u00e2nceres figuram no topo de mortes ind\u00edgenas em Pernambuco. Mas os assassinatos tamb\u00e9m chamam aten\u00e7\u00e3o. Entre 2016 e 2017, triplicou o n\u00famero de ind\u00edgenas v\u00edtimas de homic\u00eddios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aumento de 25,6% da mortalidade geral entre os \u00faltimos dois anos. Explos\u00e3o dos casos de s\u00edfilis, com crescimento de 43%. N\u00famero triplicado de homic\u00eddios em um ano, num salto que foi de quatro assassinatos em 2016 para 12 em 2017. E um crescente n\u00famero de notifica\u00e7\u00f5es de enfermidades antes pouco relatadas, como os c\u00e2nceres, doen\u00e7a mental e o l\u00fapus. As estat\u00edsticas da sa\u00fade entre ind\u00edgenas em Pernambuco assustam e d\u00e3o um alerta especial nesta quinta-feira (19), data em que se comemora o Dia do \u00cdndio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO paciente antigamente vinha para Recife e fazia tratamento somente na parte ambulatorial, coisa de um dia. Hoje h\u00e1 pacientes que ficam tr\u00eas a quatro meses, principalmente na parte de oncologia\u201d, observou a coordenadora da Casa de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Casai), Sandra da Silva, 54. No local, 20% de todos os ind\u00edgenas recebidos ao ano v\u00eam tratar de algum tipo de c\u00e2ncer, sendo a maior parte de pr\u00f3stata, mama, intestino, p\u00e2ncreas, es\u00f4fago e laringe. \u201cNo tempo dos anci\u00f5es, n\u00e3o havia tanta doen\u00e7a como hoje. Pode ser pela forma que eles se alimentavam, o jeito que viviam. O tempo mudou, e as doen\u00e7as vieram. Temos cada vez mais c\u00e2ncer, passamos a ver Aids e s\u00edfilis\u201d, desabafou a xukuru do Ororub\u00e1, Rosana Leal, 30 anos. Dentro de casa, ela enfrenta outro problema: a depress\u00e3o da m\u00e3e de 53 anos. \u201cEla tem idea\u00e7\u00e3o suicida e vem sendo tratada por psiquiatras desde 2009\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como no mundo dos n\u00e3o ind\u00edgenas, os transtornos mentais entre os aldeados, principalmente depress\u00e3o, v\u00eam se tornando mais frequentes segundo a enfermeira Ana Paula Gomes da Silva, que est\u00e1 na coordena\u00e7\u00e3o do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (DSEI). Para suprir a nova demanda, foram organizadas tr\u00eas equipes de sa\u00fade mental. Mesmo com acompanhamento para depress\u00e3o, um pankararu de 57 anos se suicidou no ano passado; outros dois ind\u00edgenas, em 2016. Ainda sobre as causas externas de \u00f3bitos, que incluem suic\u00eddio, acidentes e homic\u00eddios, destaca-se o aumento de 200% nos assassinatos. Como n\u00e3o h\u00e1 indicativo que as mortes tenham como motiva\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o agr\u00e1ria, os crimes s\u00e3o investigados pela Pol\u00edcia Civil de Pernambuco (PC). At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o, a PC n\u00e3o havia informado se existe um perfil para esses crimes com ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Paula demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o especial para o avan\u00e7o da s\u00edfilis. \u201cEm 2017, tivemos 53 casos detectados via teste r\u00e1pido. O que preocupa muito tamb\u00e9m \u00e9 a s\u00edfilis cong\u00eanita (quando a doen\u00e7a passa para o beb\u00ea). S\u00f3 este ano, j\u00e1 tivemos dois casos desse tipo\u201d. Os ind\u00edgenas vivendo com HIV s\u00e3o 18.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros resultados que colocam a quest\u00e3o da sa\u00fade dos ind\u00edgenas em alerta s\u00e3o os recorrentes diagn\u00f3sticos de l\u00fapus. Suenildo Clemente, 35, \u00e9 um com esse quadro. Descobriu a enfermidade aos 28, quando, pela primeira vez na vida, usou rem\u00e9dios prescritos por um m\u00e9dico e n\u00e3o as receitas naturais do paj\u00e9. \u201cMudou tudo na minha vida. N\u00e3o posso mais nem trabalhar na agricultura. Antes o paj\u00e9 passou uns banhos de ervas, mas n\u00e3o teve sucesso. A solu\u00e7\u00e3o foi procurar os brancos\u201d, disse. S\u00e3o mais de 20 comprimidos, mas aliados a banhos para a cura espiritual. \u201cL\u00fapus \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria, determinada por problemas de imunidade, com uma clara base gen\u00e9tica. Como as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam muitos relacionamentos com parentes pr\u00f3ximos, todas as doen\u00e7as gen\u00e9ticas, incluindo as autoimunes, como o l\u00fapus, possuem realmente maior preval\u00eancia\u201d, explicou o consultor para sa\u00fade ind\u00edgena do Imip, o m\u00e9dico Ruben Schindler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os casamentos consangu\u00edneos tamb\u00e9m podem ser a explica\u00e7\u00e3o para a frequ\u00eancia de malforma\u00e7\u00e3o fetais, como a hidrocefalia da pequena Vit\u00f3ria Aparecida, 1 m\u00eas, filha de Ediane Ferreira, 32 anos. Esse \u00e9 seu segundo beb\u00ea que nasce com a anomalia &#8211; o primeiro acabou falecendo aos cinco anos. Os dois s\u00e3o filhos de um relacionamento com um primo. Contudo problemas nutricionais nas gestantes ind\u00edgenas s\u00e3o fatores contribuintes para esses quadros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Virada epidemiol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ruben Schindler confirmou existir uma modifica\u00e7\u00e3o do perfil de doen\u00e7as prevalentes no s\u00e9culo XX nas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas. Se antes eram as enfermidades infectocontagiosas as grandes vil\u00e3s, agora s\u00e3o as cr\u00f4nico-degenerativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas eram especialmente propensas \u00e0s doen\u00e7as infecciosas porque eram &#8211; e ainda s\u00e3o \u2013 dif\u00edceis de vacinar. Al\u00e9m disso, havia muita dificuldade de atendimento m\u00e9dico r\u00e1pido e adequado. Mas hoje os povos s\u00e3o priorit\u00e1rios para programas de vacina\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, passaram de uma expectativa de vida entre 40 e 50 anos para 60 ou 70 anos\u201d, comentou. O envelhecimento explicaria, pelo menos em parte, o aumento das doen\u00e7as cr\u00f4nicas e a mortalidade por quest\u00f5es cardiovascular e neoplasias entre os ind\u00edgenas. Hoje as duas causas ocupam o 1\u00aa e o 2\u00ba lugar no ranking da mortalidade, somando 82 \u00f3bitos em 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doen\u00e7as cardiovasculares e c\u00e2nceres figuram no topo de mortes ind\u00edgenas em Pernambuco. Mas os assassinatos tamb\u00e9m chamam aten\u00e7\u00e3o. Entre 2016 e 2017, triplicou o n\u00famero de ind\u00edgenas v\u00edtimas de homic\u00eddios. Aumento de 25,6% da mortalidade geral entre os \u00faltimos dois anos. Explos\u00e3o dos casos de s\u00edfilis, com crescimento de 43%. 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