{"id":46120,"date":"2018-05-11T09:10:36","date_gmt":"2018-05-11T12:10:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=46120"},"modified":"2018-05-11T09:10:36","modified_gmt":"2018-05-11T12:10:36","slug":"virus-da-hepatite-b-afeta-os-humanos-ha-mais-de-7-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/virus-da-hepatite-b-afeta-os-humanos-ha-mais-de-7-mil-anos\/","title":{"rendered":"V\u00edrus da hepatite B afeta os humanos h\u00e1 mais de 7 mil anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">V\u00edrus da hepatite B, doen\u00e7a que mata quase 900 mil pessoas por ano, pode ser t\u00e3o antigo quanto a civiliza\u00e7\u00e3o. Dois estudos revelam que o micro-organismo j\u00e1 infectava humanos havia sete mil anos, informa\u00e7\u00e3o importante para entender a hist\u00f3ria evolutiva do mal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tinha 27 anos, era guerreiro e tombou em um campo de batalha de Omnogobi, na Mong\u00f3lia, h\u00e1 2.120 anos. Muito tempo antes, sete mil anos atr\u00e1s, um prov\u00e1vel agricultor, com idade entre 25 e 30 anos, morreu de causa desconhecida em um vale onde hoje fica o centro da Alemanha. Em Szczepankowice, vilarejo do condado da Bresl\u00e1via, no sudeste da Pol\u00f4nia, a v\u00edtima foi uma mulher de estimados 37 anos, que, al\u00e9m de ajudar no campo, provavelmente era respons\u00e1vel pelas tarefas dom\u00e9sticas da casa, h\u00e1 mais ou menos 3.851 anos. Separadas por mil\u00eanios e diferentes culturas, essas pessoas, por\u00e9m, tinham algo em comum. As tr\u00eas eram portadoras do v\u00edrus da hepatite B, um micro-organismo que, hoje, afeta 257 milh\u00f5es de pessoas, sendo que 887 mil morreram em decorr\u00eancia da doen\u00e7a em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje, acreditava-se que esse v\u00edrus n\u00e3o tivesse mais que 500 anos. De origem e evolu\u00e7\u00e3o desconhecidas, ele foi identificado, no in\u00edcio do ano, na m\u00famia de uma crian\u00e7a italiana do s\u00e9culo 16 \u2014 ent\u00e3o, a mais antiga paciente da doen\u00e7a. Por\u00e9m, dois grupos distintos de pesquisadores apresentaram provas, nesta semana, de que o micro-organismo est\u00e1 entre os homens h\u00e1 muito mais tempo que isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhos, publicados na plataforma bioRxiv e na revista Nature, s\u00e3o considerados inovadores principalmente por dois aspectos. Primeiro porque entender a hist\u00f3ria evolutiva de um pat\u00f3geno \u00e9 fundamental para desenvolver estrat\u00e9gias de combate mais eficazes. Em segundo lugar, embora o DNA de antigas bact\u00e9rias, incluindo a peste, j\u00e1 tenha sido sequenciado, esta \u00e9 a primeira vez que se faz o mesmo com um v\u00edrus milenar. Isso porque o genoma desse organismo \u00e9 t\u00e3o pequeno e estruturado de maneiras t\u00e3o complexas que \u00e9 praticamente imposs\u00edvel conserv\u00e1-lo em milhares de anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Surpresa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO mais antigo v\u00edrus sequenciado at\u00e9 hoje tinha algumas centenas de anos. Agora, o mais antigo tem 7 mil. Ele foi extra\u00eddo do osso do dedo de um homem que viveu em uma regi\u00e3o onde hoje \u00e9 a Alemanha pela equipe de Ben Krause-Kyora e Johannes Krause, pesquisadores do Instituto Max Planck da Ci\u00eancia da Hist\u00f3ria Humana, em Jena. Os cientistas, que fizeram a publica\u00e7\u00e3o preliminar do resultado na plataforma bioRxiv, tamb\u00e9m recuperaram amostras do micro-organismo em f\u00f3sseis de humanos de 1 mil e de 5 mil anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sequenciamento revelou dados intrigantes, disseram os pesquisadores. Todos os v\u00edrus milenares da hepatite B analisados eram bem diferentes dos encontrados nas popula\u00e7\u00f5es modernas e se aproximam mais daqueles que infectam gorilas e chimpanz\u00e9s na \u00c1frica. No total, cinco amostras desse e do outro trabalho, publicado na Nature por uma equipe das universidades de Copenhague e de Cambridge, tinham essa caracter\u00edstica. A conclus\u00e3o \u00e9 que a cepa que entrou na Europa ocidental h\u00e1 milhares de anos foi extinta, mais tarde, nos homens. Por\u00e9m, sobreviveu em outros primatas. Os cientistas ainda n\u00e3o sabem, por\u00e9m, quem infectou quem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estudo da Nature, os pesquisadores investigaram 304 amostras de pessoas que viveram na Eur\u00e1sia entre 200 e 7 mil anos atr\u00e1s, buscando sinais do v\u00edrus da hepatite B. Em 25 esqueletos (o mais velho com 4,5 mil anos), eles encontraram o micro-organismo. Depois de sequenci\u00e1-los, os cientistas conseguiram 12 diferentes genomas virais. Enquanto os DNAs dos f\u00f3sseis europeus eram diferentes do encontrado no v\u00edrus moderno, os asi\u00e1ticos se parecem com os que hoje infectam pessoas no oeste europeu, no Caribe e na \u00c1frica ocidental. Essas informa\u00e7\u00f5es, de acordo com os especialistas, v\u00e3o ajudar a entender melhor os padr\u00f5es migrat\u00f3rios do homem fora do continente africano, al\u00e9m de fornecer informa\u00e7\u00f5es a respeito da evolu\u00e7\u00e3o viral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para conseguir investigar o genoma de um organismo t\u00e3o pequeno em amostras t\u00e3o antigas, os cientistas utilizaram uma t\u00e9cnica chamada sequenciamento shotgun (ou clonagem shotgun), que picota longas fitas de DNA aleatoriamente e clona os fragmentos. Geralmente, nesse processo, DNA n\u00e3o humano, fruto de infec\u00e7\u00f5es e outras contamina\u00e7\u00f5es ao longo da vida, \u00e9 descartado. \u201cPor\u00e9m, agora come\u00e7amos a prestar aten\u00e7\u00e3o nesse lixo\u201d, contou o geneticista Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, em uma teleconfer\u00eancia de imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAchamos que essa t\u00e9cnica vai revolucionar o estudo do DNA antigo. Agora, podemos detectar a presen\u00e7a de genomas virais ao longo do tempo, sem precisar de uma evid\u00eancia f\u00edsica de sua exist\u00eancia\u201d, disse Barbara M\u00fchlemann, pesquisadora da Universidade de Cambridge que liderou o estudo publicado na Nature. A crian\u00e7a italiana que, at\u00e9 agora, era a mais antiga paciente da hepatite B, por exemplo, s\u00f3 foi considerada portadora do v\u00edrus devido \u00e0s marcas caracter\u00edsticas da doen\u00e7a no rosto. \u201cAinda temos muito a investigar a partir das descobertas feitas, mas j\u00e1 podemos come\u00e7ar a descartar alguns pressupostos. Por exemplo, h\u00e1 tempos se especula que a hepatite B teve origem no Novo Mundo e da\u00ed se espalhou para a Europa. Agora podemos dizer que isso, com certeza, n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, afirmou Willerslev, adiantando que a equipe, agora, trabalha em um cat\u00e1logo de poss\u00edveis muta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAinda temos muito a investigar a partir das descobertas feitas, mas j\u00e1 podemos come\u00e7ar a descartar alguns pressupostos. Por exemplo, h\u00e1 tempos se especula que a hepatite B teve origem no Novo Mundo e, da\u00ed, se espalhou para a Europa. Agora podemos dizer que isso, com certeza, n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eske Willerslev, geneticista e pesquisador da Universidade de Copenhague<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00edrus da hepatite B, doen\u00e7a que mata quase 900 mil pessoas por ano, pode ser t\u00e3o antigo quanto a civiliza\u00e7\u00e3o. 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