{"id":46737,"date":"2018-06-11T09:45:56","date_gmt":"2018-06-11T12:45:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=46737"},"modified":"2018-06-11T09:45:56","modified_gmt":"2018-06-11T12:45:56","slug":"zika-pode-prejudicar-cerebro-muito-tempo-depois-da-infeccao-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/zika-pode-prejudicar-cerebro-muito-tempo-depois-da-infeccao-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Zika pode prejudicar c\u00e9rebro muito tempo depois da infec\u00e7\u00e3o, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Foram usados camundongos para mostrar que a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da zika poucos dias ap\u00f3s o nascimento reduz permanentemente a for\u00e7a muscular dos animais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois trabalhos recentemente publicados mostram que o complexo panorama relacionado \u00e0 zika pode ser ainda mais grave: a infec\u00e7\u00e3o pode ser devastadora tamb\u00e9m se acontecer ap\u00f3s o nascimento e n\u00e3o somente no desenvolvimento intrauterino, como j\u00e1 se pensou. Al\u00e9m disso, os danos podem se estender at\u00e9 a vida adulta. Ambas as publica\u00e7\u00f5es est\u00e3o no peri\u00f3dico especializado Science Translational Medicine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho de publica\u00e7\u00e3o mais recente saiu nesta quarta-feira (6) e \u00e9 fruto do esfor\u00e7o de uma equipe de cientistas da UFRJ, da Unifesp e do Instituto Estadual do C\u00e9rebro Paulo Niemeyer, no Rio. Foram usados camundongos para mostrar que a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da zika poucos dias ap\u00f3s o nascimento reduz permanentemente a for\u00e7a muscular dos animais, provoca o surgimento de crises epil\u00e9ticas no curto prazo e aumenta a susceptibilidade a elas no longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria e a sociabilidade dos bichos tamb\u00e9m s\u00e3o prejudicadas. &#8220;Sabemos que algumas infec\u00e7\u00f5es neonatais podem estar associadas a doen\u00e7as que surgem muitos anos mais tarde, como esquizofrenia e autismo&#8221;, diz a neurocientista Julia Clarke, da UFRJ, uma das coordenadoras do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela conta que a principal motiva\u00e7\u00e3o era entender o que se passa com as 90% de crian\u00e7as infectadas com zika que nascem sem altera\u00e7\u00f5es grosseiras, como a redu\u00e7\u00e3o do tamanho da cabe\u00e7a ou m\u00e1s-forma\u00e7\u00f5es nos membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas complica\u00e7\u00f5es mais graves s\u00e3o mais comuns em infec\u00e7\u00f5es que acontecem no in\u00edcio da gesta\u00e7\u00e3o, mas o que Clarke e colegas mostram \u00e9 que elas podem ser relevantes mesmo quando acontecem no final do per\u00edodo (quando o desenvolvimento cerebral humano \u00e9 compar\u00e1vel ao momento da infec\u00e7\u00e3o dos camundongos no estudo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUma mortalidade de 40% afligiu os grupos de camundongos com zika; os sobreviventes tinham menor peso corporal e tamanho do c\u00e9rebro reduzido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cem dias depois da infec\u00e7\u00e3o, quando os animais j\u00e1 eram adultos, a quantidade de material gen\u00e9tico do v\u00edrus permanecia elevada no c\u00e9rebro, denunciando a atividade do pat\u00f3geno. A explica\u00e7\u00e3o para esse preju\u00edzo neurol\u00f3gico seria uma permanente inflama\u00e7\u00e3o provocada pela replica\u00e7\u00e3o viral, algo que o organismo do roedor, assim como aparentemente acontece com o humano, tem dificuldade em solucionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPara testar a hip\u00f3tese, os cientistas deram aos camundongos uma droga capaz de bloquear o TNF-alfa, mol\u00e9cula que participa de maneira importante do processo inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Agora que se sabe que a raiz dos danos neurol\u00f3gicos \u00e9 a neuroinflama\u00e7\u00e3o causada pela intensa replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel buscar quem seriam os agentes respons\u00e1veis no organismo e atac\u00e1-los farmacologicamente&#8221;, diz a virologista da UFRJ Andrea Da Poian, tamb\u00e9m coordenadora do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A droga escolhida para tratar os bichos, infliximabe, j\u00e1 \u00e9 usada para tratar outras doen\u00e7as inflamat\u00f3rias, como a doen\u00e7a de Chron, artrite reumatoide e psor\u00edase. O fato de ela j\u00e1 ser aprovada pela Anvisa facilitaria a eventual nova indica\u00e7\u00e3o, pulando etapas de estudos, j\u00e1 que aspectos de seguran\u00e7a e toxicidade s\u00e3o bem conhecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os animais tratados tiveram menor chance de desenvolver as crises epil\u00e9ticas, mas mantiveram os sintomas motores e comportamentais. Os cientistas prop\u00f5em que \u00e9 poss\u00edvel que um tratamento baseado nesse racioc\u00ednio possa ajudar a atenuar os efeitos de longo prazo da infec\u00e7\u00e3o, mas ainda h\u00e1 muito que se avan\u00e7ar na quest\u00e3o. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil prever o que aqueles infectados ainda beb\u00eas podem desenvolver na fase adulta, mas \u00e9 importante ter em mente que o que aconteceu ainda no \u00fatero pode, sim, ter consequ\u00eancias tardias&#8221;, diz Clarke.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Est\u00e1 claro que um simples monitoramento da preval\u00eancia de microcefalia cong\u00eanita ao nascer \u00e9 uma medida insuficiente dos males trazidos pela neuropatologia causada pelo v\u00edrus da zika em crian\u00e7as e adolescentes&#8221;, escrevem os autores na conclus\u00e3o do estudo.<br \/>\nAl\u00e9m de Da Poian e Clarke, coordenaram o trabalho Iranaia Assun\u00e7\u00e3o-Miranda e Claudia P. Figueiredo, todas da UFRJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Macacos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nUm outro artigo recente, de pesquisadores da Universidade Emory e de outros centros de pesquisas nos EUA, mostrou, com experimentos em macacos resos (Macaca mulatta), que o v\u00edrus da zika \u00e9 capaz, tamb\u00e9m em primatas, de provocar preju\u00edzo no desenvolvimento cerebral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por meio de estudos histol\u00f3gicos (com fatias finas do \u00f3rg\u00e3o) e de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica (que permite visualizar a estrutura), os cientistas observaram que o v\u00edrus da zika ataca especialmente o c\u00e9rebro e a medula espinal &#8211; essa prefer\u00eancia recebe o nome de neurotropismo. O pat\u00f3geno reduz a quantidade de massa cinzenta no c\u00e9rebro e altera a conectividade entre neur\u00f4nios, prejudicando o funcionamento do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas alertam que n\u00e3o h\u00e1 como fazer um paralelo entre o que se passa com os macacos e o que aconteceria com crian\u00e7as e adolescentes humanos, mas que a tend\u00eancia \u00e9 que o desenvolvimento neurol\u00f3gico seja atrasado ou interrompido com a infec\u00e7\u00e3o, algo que deve demandar aten\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram usados camundongos para mostrar que a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da zika poucos dias ap\u00f3s o nascimento reduz permanentemente a for\u00e7a muscular dos animais Dois trabalhos recentemente publicados mostram que o complexo panorama relacionado \u00e0 zika 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