{"id":47348,"date":"2018-07-30T10:01:50","date_gmt":"2018-07-30T13:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=47348"},"modified":"2018-07-30T10:01:50","modified_gmt":"2018-07-30T13:01:50","slug":"por-que-doencas-do-passado-como-o-sarampo-voltam-a-assustar-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/por-que-doencas-do-passado-como-o-sarampo-voltam-a-assustar-o-brasil\/","title":{"rendered":"Por que doen\u00e7as do passado, como o sarampo, voltam a assustar o Brasil?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com a vacina\u00e7\u00e3o abaixo da meta estipulada pelas autoridades, especialistas alertam para o perigo do retorno de enfermidades consideradas controladas. O sarampo, por exemplo, voltou a infectar dois anos depois de ser contido no pa\u00eds<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De nove vacinas priorit\u00e1rias do calend\u00e1rio infantil, nenhuma atingiu a meta de 95% de imuniza\u00e7\u00e3o no ano passado. A maior parte delas ficou, em m\u00e9dia, na casa dos 70%. O dado explica um fen\u00f4meno que tem preocupado autoridades de sa\u00fade: a volta de doen\u00e7as consideradas controladas. Febre amarela, sarampo, difteria, t\u00e9tano, coqueluche e o risco da poliomielite mostram como o desleixo com a vacina\u00e7\u00e3o trouxe para o Brasil enfermidades do passado, sin\u00f4nimo de atraso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, as doen\u00e7as imunopreven\u00edveis, como poliomielite e var\u00edola, eram end\u00eamicas no pa\u00eds. Elas causavam elevado n\u00famero de casos e mortes. As a\u00e7\u00f5es de imuniza\u00e7\u00e3o e, especialmente, os 44 anos de exist\u00eancia do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, foram respons\u00e1veis por mudar o perfil epidemiol\u00f3gico das doen\u00e7as imunopreven\u00edveis. Essa \u00e9 considerada uma importante conquista da sociedade brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente do Departamento Cient\u00edfico de Imuniza\u00e7\u00f5es da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri, alerta que, em m\u00ednimos descuidos, as doen\u00e7as retornam. \u201cA li\u00e7\u00e3o \u00e9 que o relaxamento das a\u00e7\u00f5es de imuniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bom e tem seu pre\u00e7o. O controle e a elimina\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as se mant\u00eam com a vacina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. \u00c9 um equ\u00edvoco acreditar que as doen\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o infectando porque deixaram de existir. Sem vacina\u00e7\u00e3o, os riscos de essas doen\u00e7as do passado voltarem s\u00e3o constantes\u201d, pondera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil j\u00e1 vive problemas causados pelo abandono das vacinas. O sarampo voltou a infectar dois anos depois de ser erradicado. A circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na Venezuela, aliada \u00e0 baixa imuniza\u00e7\u00e3o no Brasil, desencadeou surto no Norte do pa\u00eds, sobretudo no Amazonas e em Roraima. Ao todo, seis unidades da Federa\u00e7\u00e3o registraram casos. Quase mil pessoas adoeceram este ano. Al\u00e9m disso, a mortalidade infantil teve a primeira alta em 26 anos. Desde 1990, isso n\u00e3o acontecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O risco de contamina\u00e7\u00e3o subiu enquanto a parcela da popula\u00e7\u00e3o imunizada caiu. As vacinas que protegem contra o mal tiveram queda. A tr\u00edplice viral passou de 96% de cobertura da popula\u00e7\u00e3o em 2015, para 83,87% no ano passado. A tetraviral saiu de 77,37% para 70,6% no mesmo per\u00edodo. O mesmo aconteceu com a poliomielite. A cobertura caiu de 98,29% em 2015, para 84,43% em 2016. No ano passado, mais um decr\u00e9scimo: 77%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o para por a\u00ed. O Brasil registrou um crescimento no n\u00famero de casos de hepatite A em 2017, com 2.086 confirmados, contra 1.206 em 2016, um aumento de 73%. Entre julho de 2017 e maio deste ano, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou 1.266 registros de febre amarela no pa\u00eds e 415 mortes. Houve ainda 1.548 casos de coqueluche, surtos de caxumba \u2014 a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 de notifica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, entre outros males.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es, Isabella Ballalai, explica os riscos de se boicotar as vacinas. \u201cN\u00e3o vacinar adolescente e adulto j\u00e1 \u00e9 um risco. Deixar de proteger as crian\u00e7as \u00e9 ainda maior. O perigo \u00e9 ter de volta doen\u00e7as que estavam controladas, como o sarampo. O risco deixou de ser te\u00f3rico e se tornou realidade. Essas doen\u00e7as, quando n\u00e3o matam, deixam sequelas graves. A p\u00f3lio deixou um sem-n\u00famero de fam\u00edlias que convivem com as sequelas da doen\u00e7a at\u00e9 hoje\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade alerta que a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para evitar doen\u00e7as e suas sequelas (como surdez, cegueira, paralisia, problemas neurol\u00f3gicos, entre outros) e, consequentemente, a morte, proporcionando qualidade de vida para toda a popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de evitar que doen\u00e7as se propaguem. \u201cNo Brasil, ainda h\u00e1 um desconhecimento individual sobre a import\u00e2ncia e os benef\u00edcios das vacinas. Em muitos casos, pais e respons\u00e1veis n\u00e3o v\u00eam mais algumas doen\u00e7as como um risco, como \u00e9 o exemplo da poliomielite. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio ressaltar a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o e desmistificar a ideia de que a vacina\u00e7\u00e3o traz malef\u00edcios\u201d, destaca o \u00f3rg\u00e3o, em nota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o Brasil esteja livre da paralisia infantil, por exemplo, \u00e9 fundamental a continuidade da vacina\u00e7\u00e3o para evitar a reintrodu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da poliomielite no pa\u00eds. De acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, tr\u00eas pa\u00edses ainda s\u00e3o considerados end\u00eamicos (Paquist\u00e3o, Nig\u00e9ria e Afeganist\u00e3o). Com rela\u00e7\u00e3o ao sarampo, tem-se registro de casos em alguns pa\u00edses da Europa e das Am\u00e9ricas, inclusive na Venezuela, que faz fronteira com o Brasil. Atualmente, h\u00e1 registro de casos em Roraima, Amazonas, Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRetrocessos\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, defende que governo e sociedade civil se unam para combater o problema e evitar retrocessos. \u201cTemos que ter um conjunto de a\u00e7\u00f5es para recuperar a cren\u00e7a na vacina. Tudo depende da informa\u00e7\u00e3o correta. A primeira coisa a se falar \u00e9 que as vacinas s\u00e3o eficazes e importantes na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as graves\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro Luiz Tauil, especialista em medicina tropical e controle de doen\u00e7as da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), avalia a necessidade de maior controle dos registros. \u201cTemos que ver como os estados est\u00e3o notificando a vacina\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 importante para sabermos se houve uma redu\u00e7\u00e3o ou se a notifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 ruim. Independentemente disso, a vacina \u00e9 a principal medida custo-benef\u00edcio na preven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Isso revolucionou o mundo. Eliminamos muitas doen\u00e7as com as vacinas. A var\u00edola n\u00e3o existe mais por conta da vacina\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Esp\u00edndola, especialista em doen\u00e7as infectocontagiosas, defende que essas enfermidades s\u00e3o dif\u00edceis de combater, mas \u00e9 poss\u00edvel fazer o controle. \u201cH\u00e1 muitos anos n\u00e3o vemos casos de p\u00f3lio. O sarampo estava erradicado. J\u00e1 nos casos de coqueluche, percebemos vac\u00e2ncias na vacina\u00e7\u00e3o das m\u00e3es e dos beb\u00eas. O mais importante \u00e9 fazer o monitoramento para ver a frequ\u00eancia. Manter um diagrama de controle cont\u00ednuo e n\u00e3o abrir m\u00e3o das vacinas\u201d, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a vacina\u00e7\u00e3o abaixo da meta estipulada pelas autoridades, especialistas alertam para o perigo do retorno de enfermidades consideradas controladas. O sarampo, por exemplo, voltou a infectar dois anos depois de ser contido no pa\u00eds De nove vacinas priorit\u00e1rias do calend\u00e1rio infantil, nenhuma atingiu a meta de 95% de imuniza\u00e7\u00e3o no ano passado. 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