{"id":47662,"date":"2018-08-13T10:13:04","date_gmt":"2018-08-13T13:13:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=47662"},"modified":"2018-08-13T10:13:04","modified_gmt":"2018-08-13T13:13:04","slug":"brasil-apresenta-segunda-maior-taxa-de-cesareas-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/brasil-apresenta-segunda-maior-taxa-de-cesareas-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil apresenta segunda maior taxa de ces\u00e1reas do mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pa\u00eds vive duas novas epidemias: a de beb\u00eas prematuros e a dos &#8216;termo precoce&#8217;. Taxa chegou a 56,4% em 2015<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil vive duas novas \u201cepidemias\u201d relacionadas aos altos \u00edndices de ces\u00e1rea &#8211; a de beb\u00eas prematuros (menos de 37 semanas de gesta\u00e7\u00e3o) e a dos chamados \u201ctermo precoce\u201d, que nascem em uma fase posterior, com 37 e 38 semanas. Estudo feito pelas Universidades Cat\u00f3lica e Federal de Pelotas mostra que 4 entre 10 crian\u00e7as nascidas no Brasil em 2015 tinham menos de 39 semanas de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beb\u00eas que nascem com essa idade gestacional t\u00eam maior risco de adoecer e, no futuro, de apresentar problemas de aprendizado. \u201cVivemos tr\u00eas epidemias interligadas. \u00c9 um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica, que pode trazer impacto a curto, m\u00e9dio e longo prazo\u201d, afirma o coordenador do estudo, professor Fernando Barros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicado na revista cient\u00edfica BMJ Open, o trabalho alerta para as consequ\u00eancias desse fen\u00f4meno, sobretudo no momento em que o pa\u00eds enfrenta uma crise econ\u00f4mica, com cortes nos investimentos de sa\u00fade p\u00fablica e educa\u00e7\u00e3o. Ele tinha como objetivo mensurar o impacto das ces\u00e1reas na frequ\u00eancia de partos antes do per\u00edodo considerado mais seguro para o nascimento, compreendido entre a 39 e 41 semanas da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tempos especialistas suspeitam que a ces\u00e1rea, sobretudo de data agendada, aumentava o risco de partos precoces. A pesquisa comprovou a hip\u00f3tese. \u201cOs dados s\u00e3o important\u00edssimos e mostram a necessidade de se tomar medidas para reduzir a ces\u00e1reas no pa\u00eds\u201d, avaliou Maria Albertina Santiago Rego, do Departamento Cient\u00edfico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fazer o estudo, pesquisadores analisaram individualmente 2,9 milh\u00f5es de registros de nascimentos ocorridos em 2015. Al\u00e9m disso, os autores avaliaram munic\u00edpios que apresentaram diferentes taxas de ces\u00e1reas e concentraram a aten\u00e7\u00e3o naqueles que tinham mais de mil registros de nascimento anuais. Ao todo 520 se encaixavam nessas caracter\u00edsticas; juntos respondiam por 82% dos relatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas cidades que apresentavam taxas de ces\u00e1rea superiores a 80%, o indicador de partos prematuros era 21% maior do que naquelas que registravam menor propor\u00e7\u00e3o (com 30% de ces\u00e1reas). Mas a diferen\u00e7a mais significativa foi identificada na frequ\u00eancia dos nascimentos a \u201ctermo precoce\u201d (37-38 semanas). Nas cidades onde as taxas de ces\u00e1rea superam os 80%, a preval\u00eancia dos nascimentos de beb\u00eas nesta fase da gesta\u00e7\u00e3o foi 64% superior quando comparado com munic\u00edpios que tinham menos de 30% de ces\u00e1reas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barros avalia que as tr\u00eas epidemias interligadas preocupam igualmente. Crian\u00e7as prematuras t\u00eam maior risco de morte e adoecimento nos primeiro per\u00edodo de vida e de problemas cognitivos mais tarde. Algo que acende o sinal de alerta, sobretudo quando se leva em considera\u00e7\u00e3o de que o Brasil tem o dobro da preval\u00eancia de prematuridade de pa\u00edses riscos. No caso de crian\u00e7as nascidas entre 37-38 semanas, embora o impacto para sa\u00fade e desenvolvimento cognitivo seja menos acentuado, o n\u00famero de crian\u00e7as nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9 maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prematuros respondem por 10% dos nascimentos no pa\u00eds e os pr\u00e9-termo, por 30% (900 mil nascimentos por ano). \u201cO risco \u00e9 mais discreto, mas ele pode produzir uma carga de problemas importantes.\u201d N\u00e3o menos significativa \u00e9 a amea\u00e7a de problemas de sa\u00fades para a m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gr\u00e1vida de g\u00eameos, a servidora p\u00fablica Tatiana Malta h\u00e1 quatro anos pediu para fazer ces\u00e1rea. \u201cFiquei com medo da dor. N\u00e3o sabia qual seria meu limite, com dois partos seguidos\u201d, recorda. Ela, no entanto, fez quest\u00e3o de o procedimento ser feito s\u00f3 depois do in\u00edcio do trabalho de parto. \u201cQueria que os beb\u00eas estivessem prontos para nascer. E acho que fez diferen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Direito de escolher a forma do parto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs fam\u00edlias t\u00eam de ser informadas. O direito de escolher a forma do parto n\u00e3o pode competir com o direito das crian\u00e7as de nascerem depois das 39 semanas\u201d, afirma Barros. O coordenador cita uma s\u00e9rie de estudos internacionais. Um deles, realizado em Belarus com crian\u00e7as com 6 anos, mostra que o QI de crian\u00e7as nascidas com 37 semanas \u00e9 significativamente menor do que o daquelas nascidas entre 39 e 41 semanas de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro trabalho, da Esc\u00f3cia, mostra que crian\u00e7as nascidas a termo precoce t\u00eam mais necessidades de recorrer a cursos especiais de educa\u00e7\u00e3o do que as que nascem ap\u00f3s 39 semanas. Por fim, taxas de suecos entre 23 e 29 anos que recebem algum aux\u00edlio por problemas de sa\u00fade ou incapacidade \u00e9 maior entre aqueles que nasceram com 37 e 38 semanas de gesta\u00e7\u00e3o do que entre aqueles que nasceram entre 39 e 41 semanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados preliminares do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade &#8211; que ainda precisam ser confirmados &#8211; mostram que 55,75% dos partos em 2017 foram por ces\u00e1reas. Os n\u00fameros indicam que as taxas s\u00e3o maiores do que as registradas no ano anterior, quando foram 55,51%, e chamam a aten\u00e7\u00e3o sobretudo pelo fato de ocorrerem logo depois de uma s\u00e9rie de iniciativas para tentar reduzir a epidemia de ces\u00e1reas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil apresenta a segunda maior taxa de ces\u00e1reas do mundo, atr\u00e1s da Rep\u00fablica Dominicana, com 56,4% de procedimentos em 2015. Diante de n\u00fameros t\u00e3o expressivos, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) e Conselho Federal de Medicina lan\u00e7aram ao longo dos \u00faltimos dois anos medidas para reduzir essa pr\u00e1tica. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o comentou o caso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o CFM recomenda desde 2016 que a ces\u00e1rea, a pedido do paciente, seja realizada a partir da 39.\u00aa semana. \u201cJustamente para evitar que partos ocorressem entre 37.\u00aa e 38.\u00aa. Muitos m\u00e9dicos tinham d\u00favidas se seria \u00e9tico j\u00e1 realizar a ces\u00e1rea a partir dessa fase\u201d, afirma a m\u00e9dica integrante da C\u00e2mara T\u00e9cnica do Conselho Federal de Medicina, Adriana Scavuzzi. Ela diz que n\u00e3o h\u00e1 ainda condi\u00e7\u00f5es de saber qual o impacto da medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando Barros, coordenador do estudo sobre ces\u00e1reas, tamb\u00e9m diz n\u00e3o haver condi\u00e7\u00f5es de mensurar. Mas observa que a preval\u00eancia de cesarianas pode ter chegado ao m\u00e1ximo no Pa\u00eds. No entanto, \u00e9 preciso que todos saibam que nascer antes de 39 semanas pode acarretar problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados da ANS mostram que as medidas tomadas at\u00e9 agora trouxeram um aumento de 2% dos partos normais e redu\u00e7\u00e3o de 5% das ces\u00e1reas entre 2016 e 2017. Mesmo assim, no ano passado, foram 432.675 cirurgias, quase cinco vezes mais do que os 87.947 partos normais em planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa coordenada por Barros revela ainda que entre mulheres com mais de 12 anos de escolaridade a maior parte das ces\u00e1reas \u00e9 antes da entrada no trabalho de parto: 49,2%. Outros 30,5% ocorrem em trabalho de parto. Nesse grupo, 20,3% s\u00e3o por parto normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds vive duas novas epidemias: a de beb\u00eas prematuros e a dos &#8216;termo precoce&#8217;. 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