{"id":47852,"date":"2018-08-22T12:20:10","date_gmt":"2018-08-22T15:20:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=47852"},"modified":"2018-08-22T12:20:10","modified_gmt":"2018-08-22T15:20:10","slug":"como-programas-de-computador-e-realidade-virtual-estao-virando-armas-no-combate-a-depressao-e-outros-transtornos-mentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/como-programas-de-computador-e-realidade-virtual-estao-virando-armas-no-combate-a-depressao-e-outros-transtornos-mentais\/","title":{"rendered":"Como programas de computador e realidade virtual est\u00e3o virando armas no combate \u00e0 depress\u00e3o e outros transtornos mentais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Programa de computador \u00e9 aprovado pela Anvisa para tratar depress\u00e3o, enquanto cientistas testam o uso de ambientes virtuais com pacientes que t\u00eam traumas e fobias, exemplos do uso cada mais frequente da tecnologia por psic\u00f3logos e psiquiatras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele \u00e9 um amigo: nos encoraja, perdoa quando nos afastamos dele, faz pensar no exagero das nossas ang\u00fastias e nos mostra como a rumina\u00e7\u00e3o (mental) n\u00e3o serve para n\u00f3s. Ele nos segue dia e noite, insistindo em mostrar que temos recursos pr\u00f3prios para viver como se n\u00e3o houvesse depress\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n\u00c9 assim que uma mulher de 74 anos se refere a seu mais novo companheiro na batalha contra a depress\u00e3o: o programa de computador Deprexis, que acaba de ser aprovado pela Anvisa para uso no tratamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No depoimento \u00e0 BBC News Brasil, a paciente, que usa o programa desde abril, diz que ele a ensina uma coisa muito importante: &#8220;Aceitar (a depress\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 se submeter, \u00e9 conviver de um modo harm\u00f4nico com os sintomas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O programa \u00e9 o primeiro do tipo aprovado pela Anvisa no Brasil, segundo pa\u00eds no mundo a autoriz\u00e1-lo como tratamento oficial, depois da Alemanha, segundo sua fabricante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A depress\u00e3o afeta 322 milh\u00f5es de pessoas no mundo, segundo dados de 2015 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). No Brasil, 11,5 milh\u00f5es de brasileiros (cerca de 5,8% da popula\u00e7\u00e3o) s\u00e3o afetados \u2013 \u00e9 o maior \u00edndice da Am\u00e9rica Latina e o quinto maior do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso do Deprexis para ajudar pacientes nesta situa\u00e7\u00e3o simboliza a aplica\u00e7\u00e3o cada vez mais frequente da tecnologia por psic\u00f3logos e psiquiatras nas cl\u00ednicas e universidades para o tratamento de dist\u00farbios mentais e emocionais, como a s\u00edndrome de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e a ansiedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aplicativos, v\u00eddeos e programas s\u00e3o tecnologias cada vez mais usadas nesse tipo de tratamento, mas \u00e9 algo de que precisamos nos aproximar mais&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil a psiquiatra e terapeuta cognitiva Melanie Ogliari Pereira, uma das fundadoras da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Terapias Cognitivo Comportamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Acho que o m\u00e9dico \u00e9 muito conservador. Principalmente na psiquiatria, ainda vemos mais as dificuldades e os efeitos colaterais da tecnologia do que as possibilidades de fazer o bem.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Programa s\u00f3 pode ser usado com prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica<\/strong><br \/>\nO Deprexis foi feito com base na Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) \u2013 um tratamento de curta dura\u00e7\u00e3o que ensina t\u00e9cnicas espec\u00edficas para atingir objetivos concretos de mudan\u00e7a de comportamentos e nas experi\u00eancias do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nossa mente avalia todas as situa\u00e7\u00f5es pelas quais passamos, e o resultado dessa avalia\u00e7\u00e3o pode ser uma imagem, uma ideia, uma frase. \u00c9 o que chamamos de cogni\u00e7\u00e3o. Essa esp\u00e9cie de fala privada \u00e9 que determina o que a gente sente e gera os comportamentos que temos&#8221;, explica o psiquiatra e terapeuta cognitivo Irismar Reis, professor do Departamento de Neuroci\u00eancias e Sa\u00fade Mental da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e do Departamento de Psiquiatria e Ci\u00eancias do Comportamento da McGovern Medical School na Universidade do Texas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando voc\u00ea est\u00e1 deprimido, esse discurso privado \u00e9 extremamente negativo e autoacusat\u00f3rio. Essa percep\u00e7\u00e3o negativa de si mesmo ou do mundo faz com que voc\u00ea se sinta mais triste ainda e se isole. Isso vira um circuito e se autoperpetua.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terapia cognitiva, segundo ele, ensina habilidades e t\u00e9cnicas para lidar com esses pensamentos e comportamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O programa de computador, segundo seu fabricante, \u00e9 usado para auxiliar neste tipo de terapia, mas deve ser prescrito por m\u00e9dicos, como se fosse um medicamento. S\u00f3 com o n\u00famero de registro do profissional (CRM) \u00e9 poss\u00edvel acessar o tratamento, que deve ser feito por cerca de tr\u00eas meses. A licen\u00e7a para usar o produto custa R$ 990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele n\u00e3o \u00e9 o primeiro software do tipo no mundo, no entanto. Uma ferramenta australiana, Beating the Blues (&#8220;Derrotando a Tristeza&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre do ingl\u00eas), j\u00e1 \u00e9 usada em alguns pa\u00edses como complemento do tratamento de depress\u00e3o e ansiedade. Mas n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em janeiro, o Instituto Nacional para a Sa\u00fade e o Cuidado de Excel\u00eancia, \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade brit\u00e2nico, recomendou o Deprexis como ferramenta complementar do tratamento de depress\u00e3o com base em um estudo feito com mais de mil adultos na Su\u00ed\u00e7a e na Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em fevereiro, um estudo publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico Journal of Affective Disorders disse que o uso combinado do programa no tratamento reduziu mais os sintomas depressivos do que quando foram utilizada apenas sess\u00f5es de psicoterapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na pr\u00e1tica, o indiv\u00edduo entra no programa, e vai dando respostas \u00e0s perguntas que ele coloca e descreve seus sintomas. A partir da\u00ed, recebe sugest\u00f5es de t\u00e9cnicas de terapia, exerc\u00edcios, informa\u00e7\u00f5es sobre a doen\u00e7a&#8221;, explica Reis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO psiquiatra alerta, no entanto, para o fato de que o programa n\u00e3o substitui o acompanhamento de um terapeuta e de um psiquiatra, especialmente em casos de depress\u00e3o mais profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele n\u00e3o resolve o problema sozinho, mas ajuda o paciente a se dedicar ao seu tratamento tamb\u00e9m no dia a dia. N\u00f3s, terapeutas, temos dificuldade de fazer com que as pessoas fa\u00e7am determinadas atividades como &#8216;dever de casa&#8217;, algo que \u00e9 muito importante.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realidade virtual contra a s\u00edndrome de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico<\/strong><br \/>\nPesquisadores brasileiros tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7am a testar os usos de outro tipo de tecnologia, a realidade virtual, em pacientes com transtornos mentais ou emocionais. Com a ajuda de \u00f3culos especiais e fones de ouvido, o paciente \u00e9 imerso em um ambiente digital e revive uma experi\u00eancia ou situa\u00e7\u00e3o que tenha lhe causado um trauma, ou seja, a origem de uma fobia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO psic\u00f3logo e pesquisador Christian Kristensen, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), estuda h\u00e1 cinco anos a melhor forma de aplicar esse m\u00e9todo no combate \u00e0 s\u00edndrome de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente, neste tipo de tratamento, \u00e9 pedido que o paciente relembre as mem\u00f3rias do epis\u00f3dio que originou o trauma, recontando com suas pr\u00f3prias palavras o que ele viveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se pe\u00e7o no consult\u00f3rio para uma pessoa acessar sua mem\u00f3ria, n\u00e3o tenho como controlar o que se passa dentro da cabe\u00e7a dela. Com a realidade virtual, eu consigo ter maior controle da situa\u00e7\u00e3o com as imagens e sons, saber ao que voc\u00ea est\u00e1 sendo exposto e intervir&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kristensen explica que a tecnologia, hoje bastante associada ao mercado de jogos e entretenimento, come\u00e7ou a ser aplicada em tratamentos psicol\u00f3gicos nos Estados Unidos nos anos 1990 para ajudar veteranos de guerra a superar experi\u00eancias traum\u00e1ticas de combate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao n\u00e3o encontrar pesquisas que investigassem sua aplica\u00e7\u00e3o a traumas de situa\u00e7\u00f5es vividas pela popula\u00e7\u00e3o em geral, como casos de viol\u00eancia urbana, ele decidiu criar seu pr\u00f3prio projeto com esse objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de a tecnologia ter ficado mais barata possibilitou sua aplica\u00e7\u00e3o nestes tratamentos. O pesquisador explica que, h\u00e1 uma d\u00e9cada, \u00f3culos de realidade virtual custavam cerca de US$ 10 mil. &#8220;Hoje, com US$ 500, voc\u00ea compra um bom equipamento&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor enquanto, a pesquisa est\u00e1 focada em funcion\u00e1rios de bancos que tenham sido v\u00edtimas em epis\u00f3dios de assaltos a esses locais. O sistema est\u00e1 em sua terceira vers\u00e3o, ap\u00f3s alguns ajustes na qualidade do ambiente virtual apresentado aos pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kristensen disse que, ao todo, oito pacientes j\u00e1 foram tratados com o aux\u00edlio da tecnologia. &#8220;Ainda n\u00e3o temos um n\u00famero suficiente de pacientes para saber se \u00e9 um m\u00e9todo superior ao atual e ainda precisamos fazer algumas an\u00e1lises dos resultados, mas eles apontam que a realidade virtual \u00e9 ao menos t\u00e3o eficiente quanto&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cientista diz que a mesma tecnologia j\u00e1 \u00e9 testada em motoristas de \u00f4nibus que sofreram algum tipo de viol\u00eancia e espera que ela possa ser aplicada tamb\u00e9m a v\u00edtimas de agress\u00f5es e abusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Por enquanto, no Brasil, \u00e9 algo que existe s\u00f3 nas universidades ou em alguns centros de tratamentos de fobias. Acredito que, nos pr\u00f3ximos dez anos, vai ser algo acess\u00edvel para o terapeuta usar no consult\u00f3rio a um custo relativamente baixo para tratar o estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uso de aplicativos e depoimentos em redes sociais contra o preconceito<br \/>\nPara a psiquiatra Melanie Pereira, os profissionais de sa\u00fade ainda utilizam pouco as ferramentas tecnol\u00f3gicas mais b\u00e1sicas j\u00e1 dispon\u00edveis para auxiliar os pacientes, como aplicativos de smartphone e at\u00e9 redes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Algo que \u00e9 muito forte hoje s\u00e3o os leigos, youtubers e formadores de opini\u00e3o que falam sobre suas experi\u00eancias. Quando eles s\u00e3o bem assessorados por profissionais, isso pode ser um grande servi\u00e7o de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDe acordo com Pereira, existem cerca de 5 mil aplicativos de sa\u00fade mental para smartphone de diversos tipos &#8211; desde os que ensinam t\u00e9cnicas de medita\u00e7\u00e3o como forma de controlar a ansiedade at\u00e9 os que oferecem &#8220;quadros de humor&#8221; para que o terapeuta e o paciente possam monitorar a evolu\u00e7\u00e3o dos sintomas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nMuitos deles s\u00e3o gratuitos, mas a maioria, ela diz, ainda n\u00e3o foi avaliada por pesquisadores e profissionais da \u00e1rea. Por isso, n\u00e3o \u00e9 utilizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Parece um questionamento b\u00e1sico, mas \u00e9 algo do que precisamos nos aproximar mais. Problemas mentais estar\u00e3o no topo dos problemas de sa\u00fade no mundo inteiro nos pr\u00f3ximos dez anos&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E muito poucas pessoas que t\u00eam esses transtornos chegam aos nossos consult\u00f3rios, especialmente por causa do preconceito. Se ficarmos mais pr\u00f3ximos da tecnologia e orientarmos os pacientes a us\u00e1-la, mais confort\u00e1veis as pessoas se sentir\u00e3o para procurar ajuda.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Programa de computador \u00e9 aprovado pela Anvisa para tratar depress\u00e3o, enquanto cientistas testam o uso de ambientes virtuais com pacientes que t\u00eam traumas e fobias, exemplos do uso cada mais frequente da tecnologia por psic\u00f3logos e psiquiatras. &#8220;Ele \u00e9 um amigo: nos encoraja, perdoa quando nos afastamos dele, faz pensar no exagero das nossas ang\u00fastias 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