{"id":47941,"date":"2018-08-24T08:33:37","date_gmt":"2018-08-24T11:33:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=47941"},"modified":"2018-08-24T08:33:37","modified_gmt":"2018-08-24T11:33:37","slug":"cientistas-mapeiam-avanco-da-febre-amarela-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/cientistas-mapeiam-avanco-da-febre-amarela-no-brasil\/","title":{"rendered":"Cientistas mapeiam avan\u00e7o da febre amarela no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Com velocidade de cerca de 3,3 km por dia, o v\u00edrus foi abrindo caminho e chegou \u00e0s periferias das cidades de Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, aonde n\u00e3o circulava h\u00e1 d\u00e9cadas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O v\u00edrus da febre amarela adormecia nos confins da floresta Amaz\u00f4nica quando, por volta de julho de 2016, saltou para o densamente povoado sul do Brasil, levado por macacos infectados e mosquitos que os picavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com velocidade de cerca de 3,3 km por dia, o v\u00edrus foi abrindo caminho e chegou \u00e0s periferias das cidades de Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, aonde n\u00e3o circulava h\u00e1 d\u00e9cadas, e onde mais de 35 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o estavam imunizadas contra a doen\u00e7a, afirmam cientistas em um artigo publicado na revista Science.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois, segundo o estudo, 676 pessoas morreram na pior epidemia de febre amarela vista no Brasil em um s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 entre julho de 2017 e maio de 2018, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou 415 mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A febre amarela pode matar em menos de dez dias, provocando uma devasta\u00e7\u00e3o no corpo com sintomas como icter\u00edcia, dores abdominais, v\u00f4mitos e sangramento por boca, nariz, olhos e est\u00f4mago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, pela primeira vez, o caminho percorrido pelo v\u00edrus foi rastreado em detalhes por uma equipe internacional de cientistas da Universidade de Oxford e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e os especialistas afirmam que este novo mapeamento gen\u00e9tico e geogr\u00e1fico pode ajudar a combater futuras epidemias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira vez que conseguimos estimar qu\u00e3o rapidamente o v\u00edrus se move no espa\u00e7o e no tempo&#8221;, explicou \u00e0 AFP Nuno Faria, professor do departamento de zoologia da Universidade de Oxford, coautor do estudo publicado na revista Science.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho descarta a hip\u00f3tese, h\u00e1 muito temida, de que o cont\u00e1gio da febre amarela tenha saltado de pessoa a pessoa &#8211; por meio das picadas dos mosquitos Aedes aegypti &#8211; em um ambiente urbano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s disso, este \u00faltimo surto foi levado \u00e0s pessoas por mosquitos selvagens, o Haemagogus e o Sabethes, que haviam aparentemente picado macacos infectados na floresta. Estas pessoas foram infectadas principalmente porque estiveram ou viveram perto dos h\u00e1bitats desdes macacos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira pista: os pesquisadores reconstru\u00edram a propaga\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do v\u00edrus e perceberam que os casos de cont\u00e1gio em macacos antecediam em apenas quatro dias os casos em humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o v\u00edrus deslocou-se mais r\u00e1pido que a velocidade normal em primatas, o que sugere que foram as pessoas que transportaram a doen\u00e7a, atrav\u00e9s do com\u00e9rcio ilegal de macacos ou levado mosquitos infectados em ve\u00edculos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas tamb\u00e9m descobriram que 85% dos casos ocorreram em homens com idades entre 35 e 54 anos, mais propensos a se dirigir a locais pr\u00f3ximos da selva, pois s\u00e3o eles que desempenham trabalhos de caminhoneiro ou atividades agr\u00edcolas, por exemplo. No geral, viviam a menos de 5 km da floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, os pesquisadores coletaram e analisaram os genomas dos v\u00edrus de macacos e humanos infectados, refor\u00e7ando suas conclus\u00f5es sobre a origem da epidemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os cientistas, este m\u00e9todo servir\u00e1 para analisar e tomar medidas em tempo real em epidemias futuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 um trabalho de ponta&#8221;, avaliou David Hamer, especialista em doen\u00e7as infecciosas da Universidade de Boston ao comentar com a AFP o estudo, do qual n\u00e3o participou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Seu enfoque tem um grande potencial, mas requer uma grande quantidade de dados&#8221;, destacou o professor, acrescentando que os pa\u00edses em desenvolvimento, especialmente da \u00c1frica &#8211; outro continente frequentemente afetado pela febre amarela -, n\u00e3o disp\u00f5em da infraestrutura exigida para criar um sistema de monitoramento e alerta como o referido na pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; Vacina\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor ferramenta contra a febre amarela continua sendo a vacina, descoberta em 1938. O governo come\u00e7ou em janeiro deste ano uma grande campanha de imuniza\u00e7\u00e3o, iniciada nas regi\u00f5es de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que destaca a import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 doen\u00e7a, o imunizante tem distribui\u00e7\u00e3o nacional e entre janeiro e agosto foram enviadas 28,3 milh\u00f5es de doses a todos os estados brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, houve desabastecimento. Para os pesquisadores, a li\u00e7\u00e3o \u00e9 que, al\u00e9m de erradicar os mosquitos silvestres, deve-se dar prioridade \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es em maior risco nas zonas rurais e periurbanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No estado de Minas Gerais, epicentro da epidemia no sudeste, 85% dos casos foram registrados em homens e a maior incid\u00eancia naqueles com idades entre 40 e 49 anos. &#8220;Devemos chegar a estas popula\u00e7\u00f5es e vacin\u00e1-las&#8221;, insistiu Faria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de o v\u00edrus n\u00e3o ter entrado em um &#8220;ciclo urbano&#8221; e que as \u00e1reas do centro de S\u00e3o Paulo e Rio terem se mantido livres n\u00e3o deve motivar um relaxamento, alertou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Agora estamos come\u00e7ando a nos dar conta de que muitas das doen\u00e7as infecciosas mais preocupantes s\u00e3o causadas pelo desmatamento e pela cada vez maior proximidade dos seres humanos com os animais&#8221;, disse Peter Hotez, decano da Escola de Medicina Tropical da Universidade Baylor College de Houston, que mencionou tamb\u00e9m o v\u00edrus ebola, os coronav\u00edrus SARS e MERS na China e Ar\u00e1bia Saudita, respectivamente, e inclusive o v\u00edrus Nipah, recentemente detectado na \u00cdndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Leia J\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com velocidade de cerca de 3,3 km por dia, o v\u00edrus foi abrindo caminho e chegou \u00e0s periferias das cidades de Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, aonde n\u00e3o circulava h\u00e1 d\u00e9cadas O v\u00edrus da febre amarela adormecia nos confins da floresta Amaz\u00f4nica quando, por volta de julho de 2016, saltou para o densamente povoado 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