{"id":47963,"date":"2018-08-27T09:08:48","date_gmt":"2018-08-27T12:08:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=47963"},"modified":"2018-08-27T09:08:48","modified_gmt":"2018-08-27T12:08:48","slug":"proximo-presidente-tera-na-saude-a-maior-preocupacao-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/proximo-presidente-tera-na-saude-a-maior-preocupacao-dos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3ximo presidente ter\u00e1 na sa\u00fade a maior preocupa\u00e7\u00e3o dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Segundo pesquisa do Banco Mundial, pa\u00eds gasta muito, sistema n\u00e3o funciona por problemas de gest\u00e3o e popula\u00e7\u00e3o reclama do atendimento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maior preocupa\u00e7\u00e3o dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa encomendada pelo Correio, e tema mencionado, inevitavelmente, em discursos pol\u00edticos, ainda mais em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade no pa\u00eds sofre de dois principais problemas: m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de recursos e gest\u00e3o prec\u00e1ria. Embora a maior parte dos especialistas ouvidos pela reportagem concordem que mais recursos na \u00e1rea seriam muito bem-vindos e poderiam ajudar a resolver boa parte dos obst\u00e1culos enfrentados pelos brasileiros no dia a dia, o grande gargalo \u00e9 a inefici\u00eancia dos gastos no setor. Por mais que haja or\u00e7amento, o dinheiro costuma ser mal aplicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 confirmada por estudos de diversos \u00f3rg\u00e3os, como o Banco Mundial, que apontou ser poss\u00edvel a presta\u00e7\u00e3o do mesmo n\u00edvel de servi\u00e7os de sa\u00fade usando 34% menos recursos do que o que foi empregado nos \u00faltimos anos. Em relat\u00f3rio publicado em novembro de 2017, a entidade concluiu que o pa\u00eds poderia economizar aproximadamente R$ 22 bilh\u00f5es no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), sem nenhum preju\u00edzo ao n\u00edvel dos servi\u00e7os prestados ou aos resultados \u2014 R$ 9,3 bilh\u00f5es com sa\u00fade prim\u00e1ria e R$ 12,7 bilh\u00f5es, em servi\u00e7os hospitalares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O financiamento do sistema ainda \u00e9 um dos grandes problemas do SUS, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico, destaca o especialista em gest\u00e3o p\u00fablica e gest\u00e3o governamental Edvaldo Batista de S\u00e1, coordenador da \u00e1rea de sa\u00fade do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). \u201cUm ponto n\u00e3o pode ser dissociado do outro\u201d, diz. Ele acredita que o SUS pode usar melhor os recursos dispon\u00edveis, \u201cprincipalmente por meio de melhorias de gest\u00e3o\u201d. O problema, segundo Batista de S\u00e1, \u00e9 que essas melhorias, em um sistema t\u00e3o complexo como o brasileiro, n\u00e3o s\u00e3o triviais e geralmente requerem mais gastos, ao menos no presente \u2014 o que fica dif\u00edcil diante das limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias impostas pelo teto de gastos, aprovado no ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Compara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As despesas com sa\u00fade representam, hoje, 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) \u2014 soma de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds \u2014, segundo relat\u00f3rio divulgado em 2017 pelo Instituto Coaliz\u00e3o Sa\u00fade, com base em dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). A m\u00e9dia \u00e9 mais alta que os 9% da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), grupo dos pa\u00edses mais desenvolvidos do mundo, e pr\u00f3xima a de pa\u00edses como o Reino Unido (9,1%), cujo sistema de sa\u00fade serviu como exemplo para a cria\u00e7\u00e3o do SUS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, quando esse gasto \u00e9 dividido por habitante, os brasileiros saem perdendo, mostra o mesmo levantamento. A despesa per capita em sa\u00fade, no Brasil, \u00e9 de US$ 947 por ano (o equivalente a R$ 3.934,98, pelo c\u00e2mbio atual), enquanto o Reino Unido dedica US$ 3.935 (R$ 16.154,75). \u201cDizer que a dificuldade \u00e9 apenas de gest\u00e3o \u00e9 errado. Esse \u00e9, de fato, um obst\u00e1culo no pa\u00eds, mas tamb\u00e9m falta dinheiro, sim, se compararmos com outros sistemas universais. Mesmo que a porcentagem do PIB voltada \u00e0 sa\u00fade seja relativamente alta, gastamos menos por habitante\u201d, refor\u00e7a o professor Walter Cintra, coordenador do curso de especializa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o sistema brasileiro ser de cobertura universal, a parcela p\u00fablica do gasto \u2014 ou seja, que vem do governo \u2014 fica em torno de 45%. O resto \u00e9 bancado de forma privada, por cidad\u00e3os e empresas. Nos pa\u00edses da OCDE, por exemplo, o governo arca, em m\u00e9dia, com 70% do total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cen\u00e1rio pior<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o do financiamento tamb\u00e9m preocupa por quest\u00f5es naturais. O cen\u00e1rio que o pr\u00f3ximo governo enfrentar\u00e1 \u00e9 de uma popula\u00e7\u00e3o mais envelhecida, o que aumenta a necessidade de gastos em sa\u00fade, e que tem lidado com doen\u00e7as mais complexas. Levando em conta essa situa\u00e7\u00e3o, a professora K\u00eania Lara Silva, do Departamento de Enfermagem Aplicada (ENA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que o investimento atual n\u00e3o \u00e9 suficiente para a grande demanda que o servi\u00e7o enfrenta. &#8220;A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 envelheceu, mas teve complexifica\u00e7\u00e3o dos problemas de sa\u00fade. Mais infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f4nicas, em diferentes faixas et\u00e1rias&#8221;, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nossas solu\u00e7\u00f5es, hoje, s\u00e3o ineficientes e inadequadas. Em vez de resolver, causam mais preju\u00edzos&#8221;, afirma. Diante do cen\u00e1rio preocupante, ela alerta que \u00e9 preciso tomar cuidado com discursos de candidatos que prometem aumentar o gasto em sa\u00fade, sem explicar de onde v\u00e3o tirar mais dinheiro. &#8220;\u00c9 preciso ver o conjunto das propostas. Fazer promessa de aumentar gasto e n\u00e3o especificar a fonte \u00e9 mais do mesmo, \u00e9 o que sempre fazem&#8221;, destaca a especialista da UFMG. Especialmente, refor\u00e7a ela, diante de pol\u00edticas restritivas, como o teto de gastos. &#8220;N\u00e3o existe avan\u00e7o nas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade com as atuais medidas de austeridade. Qualquer candidato que queira melhorar o quadro precisar\u00e1 rever a quest\u00e3o de quanto e como se investe hoje no setor&#8221;, avalia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dinheiro desperdi\u00e7ado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os recursos atualmente investidos, \u00e9 poss\u00edvel fazer mais do que \u00e9 colocado em pr\u00e1tica hoje, garante estudo do Banco Mundial, divulgado em novembro de 2017. Com pol\u00edticas mais eficientes, \u00e9 poss\u00edvel melhorar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o \u2014 principal queixa das pessoas, segundo pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) \u2014, ainda com o or\u00e7amento apertado. A efici\u00eancia m\u00e9dia dos servi\u00e7os prim\u00e1rios de sa\u00fade \u00e9 estimada pelo Banco Mundial em 63%, e, para atendimento hospitalar, \u00e9 pior: de 29%. &#8220;Isso significa que h\u00e1 escopo para melhorar consideravelmente a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os utilizando o mesmo n\u00edvel de recursos&#8221;, explica a entidade, no relat\u00f3rio. Os servi\u00e7os ambulatoriais poderiam crescer at\u00e9 140% com a efici\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 um dos maiores desafios n\u00e3o s\u00f3 do pr\u00f3ximo presidente, mas dos que se seguirem, j\u00e1 que outro problema recorrente, em v\u00e1rios setores, \u00e9 a falta de continuidade nos programas. Isso leva a problemas, como o fato de que 145 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) est\u00e3o prontas, mas n\u00e3o funcionam. O governo federal investiu R$ 268 milh\u00f5es nessas unidades, que sequer t\u00eam previs\u00e3o de inaugura\u00e7\u00e3o. Em geral, os munic\u00edpios n\u00e3o colocam equipes por falta de dinheiro ou de planejamento. Para o professor Walter Cintra, coordenador do curso de especializa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), a situa\u00e7\u00e3o mostra que \u00e9 preciso garantir uma a\u00e7\u00e3o conjunta entre os entes (Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios) para garantir que o pr\u00e9dio n\u00e3o apenas ser\u00e1 constru\u00eddo, mas vai funcionar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>For\u00e7a-tarefa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte da inefici\u00eancia \u00e9 motivada pelo grande n\u00famero de pequenos hospitais, que comportam menos de 100 leitos, explica o Banco Mundial: 61% dos hospitais brasileiros possuem menos de 50 leitos, bem menos que o tamanho ideal estimado para obter economias de escala, de 150 a 200. As taxas de ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos tamb\u00e9m s\u00e3o muito baixas: em m\u00e9dia, 45% nos hospitais do SUS. A m\u00e9dia da OCDE \u00e9 de 71%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para resolver essa quest\u00e3o, especialistas batem na mesma tecla: integra\u00e7\u00e3o. &#8220;Em vez de construir um hospital especializado em um pequeno munic\u00edpio, com os recursos mais limitados, por que n\u00e3o se unir para construir um melhor na regi\u00e3o, que atenda a diversos munic\u00edpios e que tenha uma uni\u00e3o dos recursos de todos eles?&#8221;, questiona Cintra, da FGV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quem vai dar o tom dessa pol\u00edtica integrada \u00e9 o governo federal, como ele, tem a maior parte em termos de volume de dinheiro. Mas quem coloca em execu\u00e7\u00e3o \u00e9 o munic\u00edpio&#8221;, explica o professor. O especialista em Gest\u00e3o P\u00fablica e Gest\u00e3o Governamental Edvaldo Batista de S\u00e1, coordenador da \u00e1rea de sa\u00fade do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), lembra ainda da import\u00e2ncia de se resgatar o papel do n\u00edvel estadual, principalmente na organiza\u00e7\u00e3o da rede assistencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo pesquisa do Banco Mundial, pa\u00eds gasta muito, sistema n\u00e3o funciona por problemas de gest\u00e3o e popula\u00e7\u00e3o reclama do atendimento Maior preocupa\u00e7\u00e3o dos eleitores brasileiros, segundo pesquisa encomendada pelo Correio, e tema mencionado, inevitavelmente, em discursos pol\u00edticos, ainda mais em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade no pa\u00eds sofre de dois principais problemas: m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de 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