{"id":48067,"date":"2018-08-29T11:20:39","date_gmt":"2018-08-29T14:20:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=48067"},"modified":"2018-08-29T11:20:39","modified_gmt":"2018-08-29T14:20:39","slug":"estudo-ve-centralizacao-do-servico-reumatologico-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/estudo-ve-centralizacao-do-servico-reumatologico-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Estudo v\u00ea centraliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o reumatol\u00f3gico em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">An\u00e1lise conduzida na Fiocruz-PE\u00a0revela ainda a falta de equipes interdisciplinares para atendimento reumatol\u00f3gico no Estado<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Insuficiente. Essa foi a percep\u00e7\u00e3o sobre a rede de aten\u00e7\u00e3o aos pacientes com doen\u00e7as reumatol\u00f3gicas no Estado depois de an\u00e1lise conduzida pela pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Su\u00e9lem Barros. O estudo, conclu\u00eddo este ano, revela problemas que agravam o sofrimento de quem busca atendimento em todo o territ\u00f3rio como a concentra\u00e7\u00e3o de profissionais e de servi\u00e7os na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife (RMR) e a falta de abordagens multifatoriais ao problema de sa\u00fade, que na maioria das vezes des\u00e1gua apenas em tratamentos medicamentosos. Em n\u00fameros, a pesquisadora aponta que 70% dos reumatologistas est\u00e3o na RMR, 41% dos atendimentos ambulatoriais s\u00e3o no Recife e 87,15% das interna\u00e7\u00f5es em reumatologia ocorreram apenas na Capital. Para as analises foram revisados dados da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade de 2010 a 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fato que complica uma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 a inexist\u00eancia de estat\u00edsticas oficiais de quantos pernambucanos convivem com doen\u00e7as reumatol\u00f3gicas (DR). Sabe-se, contudo que mais de 70 mil pessoas foram afetadas pela chikungunya de 2015 a 2017. A arbovirose comprovadamente gera quadros reumatol\u00f3gicos permanentes, a exemplo da artrite. De acordo com levantamentos acad\u00eamicos sobre o tema, a taxa de cronifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, que \u00e9 transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, \u00e9 de 30%. Isso significa 21 mil pessoas a mais em busca de diagn\u00f3stico e tratamento apenas nos \u00faltimos tr\u00eas anos. \u201cIdentificamos que Pernambuco n\u00e3o apresenta uma rede de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade espec\u00edfica para o acompanhamento de pacientes reumatol\u00f3gicos, embora apresente uma s\u00e9rie de componentes estruturais indispens\u00e1veis para o seu funcionamento. Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente ter os componentes, eles precisam funcionar em rede, precisam dialogar com o intuito de dar resolutividade \u00e0s quest\u00f5es reumatol\u00f3gicas e, tamb\u00e9m, prevenir o surgimento de doen\u00e7as por meio de estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade\u201d, explicou a pesquisadora Su\u00e9lem Barros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela comentou ainda que a aten\u00e7\u00e3o aos pacientes com DR ainda \u00e9 pautada exclusivamente nos atendimentos realizados pelos m\u00e9dicos especialistas, que se concentram na RMR, com os servi\u00e7os de m\u00e9dia e alta complexidade, havendo pouca \u00eanfase para o trabalho de uma equipe profissional interdisciplinar, descrita na literatura como necess\u00e1ria para assist\u00eancia desses pacientes. \u201cA aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do paciente reumatol\u00f3gico, centrada no profissional m\u00e9dico e valorizada do ponto de vista farmac\u00eautico, tamb\u00e9m \u00e9 preocupante, pois \u00e9 reflexo do arcaico modelo de sa\u00fade aplicado nos dias atuais. Demonstra uma assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade limitada para as reais necessidades destes usu\u00e1rios, portadores de condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas e pouco envolvida com a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, mudan\u00e7a de estilo de vida e preven\u00e7\u00e3o de incapacidades funcionais\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dom\u00e9stica Clarita Coelho, 31 anos, \u00e9 um desses casos. H\u00e1 dois anos, a chikungunya a pegou. \u201cSentia muitas dores. Ainda hoje, quando acordo e coloco os p\u00e9s no ch\u00e3o, ainda d\u00f3i. S\u00f3 depois de algum tempo \u00e9 que vai passando\u201d, contou. No in\u00edcio, para aliviar as dores e incha\u00e7o nas articula\u00e7\u00f5es buscou as UPAs, mas n\u00e3o conseguia ficar boa por muito tempo. \u201cQuando ia para as emerg\u00eancias, como na UPA, s\u00f3 passavam rem\u00e9dios \u2018besteirinha\u2019 como dipirona, tylenol, e isso ai n\u00e3o resolvia. Ai diziam que n\u00e3o tinha rem\u00e9dio para isso n\u00e3o\u201d, relembrou. No desespero, tomou por conta pr\u00f3pria corticoide por tr\u00eas a quatro meses. Foi somente com a interven\u00e7\u00e3o da patroa que ela conseguiu um acompanhamento m\u00e9dico mais direcionado no Hospital Bar\u00e3o de Lucena (HBL).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente trabalhava mancando. Era horr\u00edvel\u201d, disse. Mesmo assim, Clarita Coelho contou que a assist\u00eancia \u00e9 feita por um cl\u00ednico geral e at\u00e9 hoje n\u00e3o passou uma avalia\u00e7\u00e3o com reumatologista. Ela tamb\u00e9m nunca teve indica\u00e7\u00e3o para sess\u00f5es de fisioterapia ou outra abordagem que n\u00e3o fosse a medicamentosa. \u201cEra s\u00f3 rem\u00e9dio que ele passava. Aumentava a dosagem e pronto. Fiz uns exames de sangue, urina e fezes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A manicure Elaine Silva, 29, tem uma hist\u00f3ria parecida. Ela teve os sintomas do v\u00edrus h\u00e1 dois anos e, de l\u00e1 para c\u00e1, o incha\u00e7o nos joelhos e tornozelos viraram rotina. \u201cAntes eu n\u00e3o conseguia nem andar, gritava de dor e fui socorrida v\u00e1rias vezes. Nunca passavam um rem\u00e9dio que sarasse, porque diziam que n\u00e3o exista. Ent\u00e3o, era s\u00f3 medicamento para passar a dor na hora\u201d, relembrou. Tentando descobrir o que acontecia com as articula\u00e7\u00f5es, acabou pagando do pr\u00f3prio bolso exame de imagem, j\u00e1 que no SUS o teste iria demorar demais. \u201cPaguei R$ 70 na \u00e9poca para fazer o exame j\u00e1 que se fosse depender do SUS, esse teste s\u00f3 sairia meses depois.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSobre a chikungunya, Su\u00e9lem Barros classificou como indiscut\u00edvel o aumento da demanda de usu\u00e1rios acometidos por problemas reumatol\u00f3gicos em decorr\u00eancia deste v\u00edrus. Ela explicou, ainda, que as DRs vistas como sequelas deixadas pela chikungunya acabaram por dar visibilidade ao drama dos pacientes no Estado. \u201cAcredito que (a chikungunya) gerou uma demanda maior de pacientes em busca de atendimento, em decorr\u00eancia de problemas reumatol\u00f3gicos. Mas, por outro lado, acredito que foi positivo, por servir de alerta para necessidade de estrutura\u00e7\u00e3o de uma rede de aten\u00e7\u00e3o para quest\u00f5es reumatol\u00f3gicas; foi importante para apontar fragilidades na assist\u00eancia e despertar um olhar mais espec\u00edfico para os dist\u00farbios musculoesquel\u00e9ticos, um problema que cresce expressivamente\u201d, destacou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>Estrutura\u00e7\u00e3o de rede<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nA Secretaria Estadual de Sa\u00fade esclareceu que vem trabalhando na qualifica\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da rede de atendimento em reumatologia do Estado. Ressaltou que Pernambuco \u00e9 pioneiro na assist\u00eancia espec\u00edfica para os casos de chikungunya, com a implanta\u00e7\u00e3o, em agosto de 2016, de ambulat\u00f3rio no Hospital Get\u00falio Vargas voltado para o atendimento a pacientes com dores articulares cr\u00f4nicas provocadas pela arbovirose, que apresentem, por mais de 90 dias, dores articulares ap\u00f3s o in\u00edcio dos sintomas (fase subaguda e\/ou cr\u00f4nica). O Ambulat\u00f3rio de Acometimento Articular da Chikungunya conta com duas especialistas em reumatologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre os resultados da insufici\u00eancia apontada pela pesquisa da Fiocruz, a pasta disse que a rede de reumatologia estadual est\u00e1 presente em todas as macrorregi\u00f5es de Sa\u00fade do Estado, por meio das Unidades Pernambucanas de Aten\u00e7\u00e3o Especializada (UPAEs) de Caruaru, Garanhuns, Salgueiro, Afogados da Ingazeira e Serra Talhada. Frisou tamb\u00e9m que toda a rede de UPAEs (dez ao todo) conta com o suporte de fisioterapia motora. Os hospitais das Cl\u00ednicas (HC), Geral de Areias e Universit\u00e1rio Oswaldo Cruz (HUOC) tamb\u00e9m ofertam a especialidade de reumatologia. A marca\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelos munic\u00edpios de resid\u00eancia do usu\u00e1rio, juntamente com a Regula\u00e7\u00e3o Ambulatorial do Estado, ou seja, o acesso \u00e0 especialidade deve ser realizado, ainda, na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria, ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise conduzida na Fiocruz-PE\u00a0revela ainda a falta de equipes interdisciplinares para atendimento reumatol\u00f3gico no Estado Insuficiente. 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