{"id":4890,"date":"2012-03-20T12:23:54","date_gmt":"2012-03-20T12:23:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/?p=4890"},"modified":"2012-03-20T12:23:54","modified_gmt":"2012-03-20T12:23:54","slug":"doenca-rara-investigada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.simepe.com.br\/novo\/doenca-rara-investigada\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a rara investigada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento de uma cozinheira de 54  anos que j\u00e1 n\u00e3o anda, fala nem  consegue se comunicar por gestos foi  parar no Minist\u00e9rio P\u00fablico de  Pernambuco. Ainda n\u00e3o h\u00e1 diagn\u00f3stico  fechado, mas suspeita-se que a  mulher esteja com uma doen\u00e7a chamada  Creutzfeldt-Jakob. Rara (um caso  para cada 1 milh\u00e3o de pessoas), a  enfermidade ataca o Sistema Nervoso  Central e provoca uma dem\u00eancia  progressiva. \u00c9 fatal em 100% dos casos e  altamente contagiosa ap\u00f3s a  morte, apesar de n\u00e3o oferecer grandes riscos  em vida. Uma variante da  doen\u00e7a pode ser transmitida por meio da  ingest\u00e3o de carne de gado com a  doen\u00e7a da vaca louca. Mas essa  possibilidade j\u00e1 foi descartada. No  Brasil, nunca houve registro de  humanos contaminados por carne bovina.  Em Pernambuco, desde 2006, 11  casos da doen\u00e7a de Creutzfeldt-Jakob  foram notificados. Cinco foram  confirmados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSem certeza do  diagn\u00f3stico (que s\u00f3 \u00e9 fechado ap\u00f3s a morte), sem clareza  sobre os  exames solicitados e sem ter recebido informa\u00e7\u00f5es sobre a  enfermidade  nos outros tr\u00eas hospitais por onde a cozinheira passou, a  fam\u00edlia da  paciente se recusou a assinar documentos que autorizassem a  realiza\u00e7\u00e3o  de alguns testes. Da\u00ed, o acionamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico.  Como h\u00e1  risco de cont\u00e1gio ap\u00f3s a morte do paciente ou em procedimentos   neurocir\u00fargicos, a promotora de Defesa da Cidadania de Olinda, Helena   Capela, expediu uma recomenda\u00e7\u00e3o para o Hospital Tricenten\u00e1rio, onde a   paciente est\u00e1 internada h\u00e1 16 dias, seguir o protocolo da doen\u00e7a e   realizar os exames necess\u00e1rios, independentemente de autoriza\u00e7\u00e3o   familiar. Ontem, ciente da recomenda\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia j\u00e1 n\u00e3o se op\u00f4s mais   aos testes, o que descarta a necessidade de a\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>A  promotora tamb\u00e9m recomendou que a paciente n\u00e3o seja removida do   hospital. J\u00e1 foram realizados exames de eletroencefalograma e   resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Tamb\u00e9m foi colhido l\u00edquor cefalorraquidiano para   verificar a presen\u00e7a da prote\u00edna 14.3.3 e de sangue para analisar se h\u00e1   uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Os resultados podem s\u00f3 ser conhecidos ap\u00f3s  alguns  meses.<\/p>\n<p>A paciente est\u00e1 internada em um quarto de  enfermaria, sem contato com  outros doentes. M\u00e9dicos suspeitam que al\u00e9m  de n\u00e3o falar e n\u00e3o andar, ela  tamb\u00e9m n\u00e3o esteja mais enxergando.  Segundo a gerente de Agravos da  Secretaria Estadual de Sa\u00fade, Nara  Melo, s\u00f3 h\u00e1 risco de cont\u00e1gio da  doen\u00e7a em vida caso instrumentos  neurocir\u00fargicos utilizados na paciente  sejam reutilizados. Mas essa  forma de transmiss\u00e3o \u00e9 bastante rara. Ap\u00f3s a  morte, no entanto, a  chance de cont\u00e1gio \u00e9 alta, devido a libera\u00e7\u00e3o de  fluidos corporais,  especialmente da cabe\u00e7a, que podem contaminar o solo e  fontes de \u00e1gua.  Por isso, sendo mantida a suspeita de doen\u00e7a de  Creutzfeldt-Jakob, a  fam\u00edlia n\u00e3o ter\u00e1 sequer direito ao vel\u00f3rio e o  corpo da paciente ter\u00e1  que ser cremado. Nos casos em que a fam\u00edlia n\u00e3o  tem recursos para  financiar a crema\u00e7\u00e3o, o governo do estado arca com as  despesas.<\/p>\n<p>Entrevista &gt;&gt; filha da paciente, 28 anos<\/p>\n<p>\u201cAs enfermeiras n\u00e3o queriam nem entrar\u201d<\/p>\n<p>Quando os sintomas come\u00e7aram?<br \/>\nEm agosto do ano passado. Ela sentia dores nos bra\u00e7os e nas pernas.   Depois, come\u00e7ou a perder a for\u00e7a e o movimento das pernas. Ficou sem   andar e perdeu a fala. Foi r\u00e1pido. A cada dia, ela ia piorando.<\/p>\n<p>Quando voc\u00eas resolveram lev\u00e1-la ao hospital?<br \/>\nUm m\u00eas depois do in\u00edcio dos sintomas. Primeiro, a gente procurou um   m\u00e9dico no Cabo de Santo Agostinho, onde a gente mora. Ele n\u00e3o fez exame,   mas disse que era um tipo de derrame. Passou dez caixas de rem\u00e9dio.   Cada uma custou R$ 100. Ela tomou, mas n\u00e3o melhorou. Levamos ela pro   Hospital Dom Helder, que a encaminhou ao Hospital das Cl\u00ednicas. L\u00e1, ela   passou uma semana, sendo tr\u00eas dias na UTI. Um m\u00e9dico das Cl\u00ednicas disse   que o caso era muito s\u00e9rio. Do HC, ela foi para a Restaura\u00e7\u00e3o, onde   passou um m\u00eas na UTI. De l\u00e1, veio para o Tricenten\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 quanto tempo ela est\u00e1 no Tricenten\u00e1rio?<br \/>\nH\u00e1 duas semanas. As enfermeiras n\u00e3o queriam nem entrar. Davam as coisas  a  mim na porta, mas tudo era a gente (a fam\u00edlia) que fazia.<\/p>\n<p>Porque voc\u00eas n\u00e3o autorizaram os exames?<br \/>\nQuiseram que eu assinasse um papel e eu disse que n\u00e3o assinava.  Disseram  que o papel era para pegar o corpo dela para estudar. Depois  disseram  que n\u00e3o era, que era para fazer exame de sangue. E desde  quando precisa  assinar papel para fazer exame de sangue? N\u00e3o assinei  porque eu fiquei  com medo. Se for a doen\u00e7a, a gente tem que aceitar. A  gente s\u00f3 queria  que transferissem ela para mais perto de casa.<\/p>\n<p>Fonte: Diario de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tratamento de uma cozinheira de 54 anos que j\u00e1 n\u00e3o anda, fala nem consegue se comunicar por gestos foi parar no Minist\u00e9rio P\u00fablico de Pernambuco. Ainda n\u00e3o h\u00e1 diagn\u00f3stico fechado, mas suspeita-se que a mulher esteja com uma doen\u00e7a chamada Creutzfeldt-Jakob. 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